quinta-feira, 23 de junho de 2016

A Evolução da Mediunidade Através dos Tempos

1. INTRODUÇÃO
A faculdade mediúnica,tanto natural como de prova, acompanha a vida humana, pois desde que o homemexiste, os Espíritos estão prontos a se comunicar com ele. Um estudo damediunidade através dos tempos exige uma ampla pesquisa no sentido de RESGATARas contribuições dadas pelo homem da caverna, pelas pitonisas, pelas bruxas epelos médiuns em cada etapa do desenvolvimento da sociedade.
2. DEFININDO OS TERMOS DO TÍTULO
Evolução – etimologicamente, otermo evolução, significa desenvolvimento, volver para fora o que já estácontido em algo. Nessesentido, evolução seria o desenvolvimento pela atualização das possibilidades,das potências já inclusas virtualmente em algo. Assim, o germeevolui até alcançar o indivíduo acabado. (Santos, 1965)
A essência dosignificado do termo evolução é a de desenvolver, desenrolar, oudesdobrar, designando assim movimento de natureza metódica que gera novasespécies de mudanças. Mais especificamente designa o processo de mudançaatravés do qual algo novo é produzido de tal modo contínuo, que a identidade ouindividualidade do objeto original não seja violada. (FGV, 1986)
Evolução – é impositivo da Leide Deus, incessante, inquestionável. Nessa Lei não existe o repouso, o letargode forças, a inércia. Por toda parte e sempre o impositivo da evolução, oimperativo do progresso. (FEB, 1995)
Mediunidade é a faculdade humana,natural, pela qual se estabelecem as relações entre homens e Espíritos. (Pires,1984) —–
Mediunidade é sintonia efiltragem. Cada Espírito vive entre as forças com as quais combina,transmitindo-as segundo as concepções que lhe caracterizam o modo de ser. (FEB,1995)
Tempo – é a sucessão dascoisas transitórias. Está ligado à eternidade, do mesmo modo que as coisasestão ligadas ao infinito. (FEB, 1995)
3. HISTÓRICO
O Espírito André Luiz,em Evolução em Dois Mundos, diz-nos que quando a criatura humana se iniciouna produção do pensamento contínuo, o sonho foi a mola propulsora da mediunidade,porque durante os momentos de desprendimento do corpo físico, ela entrava emcontato com entidades espirituais, cujos ensinamentos lhe serviam para ampliara sua visão de mundo.
Tomando como base osregistros históricos, podemos anotar:
1.º) A Bíbliaestá repleta de manifestações mediúnicas, tanto no Velho quanto no NovoTestamento.
Velho Testamento
  • Samuel, no livro I, cap. 9, v. 9, escreve: “Dantes, quando se ia consultar a Deus, dizia-se vamos ao vidente; porque os que hoje se chamam profetas chamavam-se videntes”.
    É já de rigor citativo a consulta feita por Saul ao Espírito Samuel, na gruta do Endor.
    O próprio Moisés proíbe a evocação dos mortos.
  • Novo Testamento
  • Maria de Nazaré não viu o Espírito anunciador? Jesus não foi gerado com a intervenção do Espírito Santo? E os milagres de Jesus e dos seus apóstolos?
    Que foi o dia do Pentecostes senão a outorga de faculdades mediúnicas aos apóstolos e discípulos?
    São João falava: “Caríssimos, não creiais em todos os Espíritos, mas provai que os Espíritos são de Deus”.
  • 2.º) os horizontesculturais, retratados por J. H. Pires em O Espírito eo Tempo.
    Situando a mediunidadeem termos dos horizontes alcançados pela humanidade – em cada etapa de seudesenvolvimento – Herculano Pires, valendo-se das pesquisas científicas deBozzano, John Murphy e outros, oferece-nos valiosas informações que são úteisde serem lembradas. Assim:
    No horizonte tribalimperava o mediunismo primitivo. O mediunismo, na expressão de Emmanuel,designa a mediunidade em sua expressão natural. São as relações naturais entreo clã e o Totem dentro do Totemismo. Falam de uma força misteriosa que impregnaou imanta objetos e coisas, podendo atuar sobre as criaturas humanas. São as forçasconhecidas pelos nomes polinésicos de “mana” e “orenda”.”Essa força primitiva corresponde ao ectoplasma de Richet, a força ousubstância mediúnica das experiências metapsíquicas, cuja ação foi estudadacientificamente por Crawford, professor de mecânica da Universidade Real deBelfast, na Irlanda”. (Pires, 1979, p. 19)
    No horizonteagrícola, o animismo e culto aos ancestrais. Nessas primeiras formassedentárias de vida social, o animismo tribal desenvolve-se no nível daracionalização, principalmente através da concepção fetichista da Terra-mãe eCéu-Pai, que mais tarde dá origem à mitologia egípcia: Osíris, Deus pai, quefecunda Ísis, deusa terra, gerando o filho Hórus.
    No horizontecivilizado, o mediunismo oracular. O oráculo é às vezes a própria divindade,outras vezes a resposta dada às consultas, o santuário ou templo, o médium queatende aos consulentes, ou o local de consultas. Embora haja o médium, ooráculo, ou pitonisa, as mensagens são dadas de forma impessoal.
    No horizonteprofético, o mediunismo bíblico. Esse horizonte caracteriza-se pelomundo da individualização. O profeta apresenta-se como indivíduo social,mediúnico e espiritual. Assim, dado o avanço de sua liberdade, surgem também osexcessos e abusos que caracterizam o indivíduo grego-romano e o profetahebraico.
    No horizonte espiritual, a mediunidade positiva. É nessa fase que se observa umatranscendência humana. A mediunidade torna-se um fato de observação e de estudode todos os que se interessarem pelo problema. Observe que na Idade Média, ofenômeno mediúnico de possessão é sempre tomado como manifestação demoníaca ousagrada. O homem, não tendo atingido o horizonte espiritual, não pode conceberque o Espírito comunicante seja da sua mesma natureza.

    Kardec explica, em A Gênese,capítulo primeiro, porque o Espiritismo só poderia surgir em meados do séculodezenove, depois de longa fermentação dos princípios cristãos da Idade Média edo desenvolvimento das ciências na Renascença. Escreveu: “O Espiritismo,tendo por objeto o estudo de um dos elementos constitutivos do Universo, tocaforçosamente na maioria das ciências. Só poderia, pois, aparecer, depois daelaboração delas. Nasceu pela força mesma das coisas, pela impossibilidade detudo explicar-se apenas pelas leis da matéria.”

    3.º) a invasãoorganizada, descrita por Arthur Conan Doyle.
    Em História doEspiritismo, Conan Doyle documenta boa parte da evolução da mediunidade,lembrando que embora se considere a data de 31/03/1848 como o marco inicial, osfatos espíritas existiram desde todos os tempos. A sua narrativa começa, assim,por volta de 1740, quando Swedenborg tornou-se famoso pela vidência adistância.

    A seguir,escreve sobre Edward Irving, Andrew Jackson Davis (o profeta da novarevelação), o episódio de Hydesville, a carreira das Irmãs Fox, as primeirasmanifestações na América, a aurora na Inglaterra, as pesquisas de Sir WilliamCrookes etc.

    4. DOIS GRANDES MARCOS DO ESPIRITISMO4.1. Episódio de Hydesville (31/03/1848)
    Em termos de destaque,no cenário público internacional, este fenômeno (raps) foi o que maischamou a atenção. Observe que uma família metodista havia se mudado para umacasa, onde se falava muito de acontecimentos sobrenaturais. Realmente, poralgum tempo eles presenciavam muito barulho, sem causa aparente. Tudo caminhavanesse ritmo quando, num certo dia, as filhas do casal, Kate e Margaret Fox,resolveram responder às pancadas.

    Sua mãerelata o ocorrido nestes termos:


    “Minhafilha menor, Kate, disse, batendo palmas: “Sr. Pé-Rachado, faça o queeu faço”. Imediatamente seguiu-se o som, com o mesmo número depalmadas. Quando ela parou, o som logo parou. Então Margaret disse brincando:”Agora faça exatamente como eu. Conte um, dois, três, quatro”e bateu palmas. Então os ruídos se produziram como antes. Ela teve medo derepetir o ensaio. Então Kate disse, na sua simplicidade infantil: “Oh!Mamãe! eu já seio o que é. Amanhã é primeiro de abril e alguém quer nos pregaruma mentira”.


    Entãopensei em fazer um teste de que ninguém seria capaz de responder. Pedi quefossem indicadas as idades de meus filhos, sucessivamente. “Instantaneamentefoi dada a idade exata de cada um, fazendo pausa de um para o outro, a fim desepará-los até o sétimo, depois do que fez uma pausa maior e três batidas maisforam dadas, correspondendo à idade do menor, que havia morrido”. (Doyle,s.d.p., p. 77 e 78)


    Depoisdisso, continuou o diálogo até descobrir que o Espírito comunicante era CharlesB. Rosma, um caixeiro viajante morto e enterrado na adega.

    4.2. Lançamento de O Livro dos Espíritos(18/04/1857)
    O fato mediúnicomarcante, após o episódio de Hydesville, é o fenômeno das mesas girantes,que assolou os Estados Unidos e a Europa, servindo de brincadeiras de salão,quando as mesas dançavam, escreviam, batiam o pé e até falavam. É dentro dessecontexto que surge a Doutrina Espírita.
    Das brincadeiras desalão, surge Hypollyte Leon Denizard Rivail – Allan Kardec-, um estudioso domagnetismo e do método teórico experimental em ciência. O magnetismojá vinha sendo estudado há algum tempo. Historicamente, Mesmer descobre, em1779, o magnetismo animal, Puysegur, em 1787, o sonambulismo e Braid, em 1841,o hipnotismo.
    Havendo umadisseminação muito grande dos fenômenos das mesas girantes, Kardec, aindaHipollyte, foi convidado para assistir a uma dessas sessões, pois o seu amigoFortier, magnetizador, dissera que além da mesa mover-se ela também falava. Éaí que entra o gênio inquiridor do pesquisador teórico experimental. Assim,retruca: só se a mesa tiver cérebro para pensar e nervos para sentir e quepossa tornar-se sonâmbula. A partir daí, começa a freqüentar essas sessões,culminando, mais tarde, com a publicação de O Livro dos Espíritos, em 18/04/1857.
    Por que a mediunidadese positivou com Allan Kardec?
    A palavra positivoadvém da ciência, que se baseia em fatos. Kardec sendo um cientista deu-lhe umcaráter científico, formulando hipóteses tal qual a ciência o fazia, tomando ocuidado apenas de testá-las com a ferramenta da mediunidade, ou seja,utilizando-se da percepção extra-sensorial.
    5. QUESTÃO DE TERMINOLOGIA
    A evolução damediunidade através dos tempos deve alcançar uma melhor compreensão não só da mediunidade,mas também dos vários conceitos a ela ligados.
    Assim, convémdistinguir:
    a) Fenômeno anímico efenômeno mediúnico
  • O fenômeno anímico é aquele que diz respeito à comunicação – exclusiva ao âmbito do Espírito encarnado (alma) -, por isso anímico. Não há interferência de Espíritos desencarnados. A telepatia, por exemplo, é um fenômeno anímico, porque as transmissões de pensamentos são feitas de alma para alma, ou seja, de encarnado para encarnado. O fenômeno mediúnico é aquele que diz respeito às comunicações entre os Espíritos desencarnados e os Espíritos encarnados, em que os Espíritos encarnados são intermediários (médiuns) dos desencarnados.
  • Fenômeno anímico eanimismo
  • No fenômeno anímico não há influência do Espírito desencarnado. No animismo, que é a influência do médium na comunicação mediúnica, procura-se medir o grau dessa influência. Se, numa comunicação mediúnica, a influência do médium é de 100%, ela se transforma em fenômeno anímico; o oposto, 0% de influência, não é possível, pois, nos dizeres de Allan Kardec, o médium nunca é totalmente passivo. Assim, podemos afirmar que sempre que houver mediunidade, haverá animismo.
  • Fenômeno Mediúnico eMediunidade
  • O fenômeno mediúnico pode ser comparado ao mediunismo, definido como a mediunidade na sua expressão natural, ou seja, sem estudo. A Mediunidade, por outro lado, exige estudo e pesquisas sobre os fatos mediúnicos.
  • Mediunidade eEspiritismo
  • A Mediunidade, como dissemos anteriormente, é a relação entre os Espíritos desencarnados e os Espíritos encarnados, acrescidos da comprovação científica dos fatos observados. É apenas uma relação entre homens e Espíritos. Ela existe entre os vários segmentos das diversas religiões, podendo-se dizer que há médiuns católicos, médiuns protestantes, médiuns budistas e, também, médiuns espíritas. O Espiritismo, por outro lado, vale-se da mediunidade, mas é um corpo doutrinário que se fundamenta na ciência, na filosofia e na religião.
  • Mediunidade Natural eMediunidade de Prova.
  • Além da divisão fenomênica (fenômenos físicos e fenômenos inteligentes), a Doutrina Espírita oferece-nos a divisão funcional, ou seja, possuímos duas áreas de função mediúnica, designadas como mediunidade generalizadamediunato (tarefa). A primeira corresponde à mediunidade que todos os seres humanos possuem, e a segunda corresponde à mediunidade de compromisso, ou seja, de médiuns investidos espiritualmente de poderes mediúnicos para finalidades específicas na encarnação. (natural) e
  • 6. O MÉDIUM ESPÍRITA
    De acordo com oEspírito Emmanuel, “Os médiuns, em sua generalidade, não são missionáriosna acepção comum do termo; são almas que fracassaram desastradamente, quecontrariaram, sobremaneira, o curso das leis divinas, e que resgatam, sob opeso de severos compromissos e ilimitadas responsabilidades, o passado obscuroe delituoso. O seu pretérito, muitas vezes, se encontra enodoado de gravesdeslizes e de erros clamorosos. Quase sempre são Espíritos que tombaram doscumes sociais, pelos abusos do poder, da autoridade, da fortuna e dainteligência, e que regressam ao orbe terráqueo para se sacrificarem em favordo grande número de almas que desviaram das sendas luminosas da fé, da caridadee da virtude. São almas arrependidas que procuram arrebanhar todas asfelicidades que perderam, reorganizando, com sacrifícios, tudo quantoesfacelaram nos seus instantes de criminosas arbitrariedades e de condenávelinsânia”. (Xavier, 1981, p. 66 e 67).

    É poressa razão que todo o médium deve exercitar a humildade e o desprendimento,pois sendo intermediário do mundo espiritual, não pode conceber-se como umgrande missionário porque, se lhe foi dada essa ferramenta de trabalho, é paraque use em favor do próximo e não para o seu próprio benefício.

    7. CONCLUSÃO
    A mediunidade épromissora para o futuro. Contudo, deve o médium esforçar-se para ser o fielinterprete das mensagens espirituais, aprendendo a renunciar a si mesmo, tomara sua cruz e servir, isento de qualquer tipo de pagamento, moral ou material.
    8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
    Dicionário de CiênciasSociaisRio de Janeiro, FGV, 1986.
    DOYLE, A. C. Históriado Espiritismo. São Paulo, Pensamento, s.d.p.
    EQUIPE DA FEB. OEspiritismo de A a Z. Rio de Janeiro, FEB, 1995.
    PIRES, J. H. Mediunidade(Vida e Comunicação) – Conceituação, da Mediunidade e Análise Geral dos seusProblemas Atuais . 5. ed., São Paulo, Edicel, 1984.
    PIRES, J. H. OEspírito e o Tempo – Introdução Antropológica do Espiritismo. 3. Ed., SãoPaulo, Edicel, 1979.
    SANTOS, M. F. dos. Dicionáriode Filosofia e Ciências Culturais. 3. ed., São Paulo, Matese, 1965.
    XAVIER, F. C. Emmanuel(Dissertações Mediúnicas) , pelo Espírito Emmanuel. 9. ed., Rio de Janeiro,FEB, 1981.
    Autor:  Sérgio Biagi Gregório
    Site:  Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec

    quarta-feira, 22 de junho de 2016

    Apoio aos Medíuns

    Se o elogio pode produzir efeitos negativos sobre o médium, a palavra de incentivo não lhe deve ser negada.
    Os médiuns, de uma maneira geral, necessitam de mecenas que os auxiliem a perseverar, de companheiros devotados que lhes secundem os esforços na Doutrina.
    O pequeno ou grande grupo que orbita em torno do medianeiro é o seu sustentáculo na tarefa; companheiros que orem por ele, que escutem os seus desabafos, que registrem as suas queixas, que auscultem as suas necessidades sim, porque com facilidade se esquece que o médium é um ser humano. Não se trata de idolatria; trata-se de irmãos que estejam dispostos a doar a ele as energias imprescindíveis à continuidade do serviço espiritual…
    Dirigentes de reuniões mediúnicas indiferentes às provas dos médiuns que com eles operam deveriam, a nosso ver, abdicar de suas funções. Criar condições para que o medianeiro produza é tão importante quanto ser médium. Que seria da terra sem a enxada do lavrador? Por mais fértil e justamente por isto , seria tomada pela erva daninha.
    O dirigente espírita precisa cobrar presença do medianeiro nas reuniões, insistir mesmo pelo seu comparecimento e não simplesmente dizer que cada qual sabe de sua responsabilidade… Dirigir significa orientar, tomar providências, solucionar problemas, antecipar-se a eles, enfim, zelar para que a atividade seja produtiva. Não é tornar o medianeiro dependente psicologicamente, mas criar uma atmosfera espiritual que lhe seja propícia, que o faça querer comparecer à casa espírita onde, com certeza, haverá de se refazer dos seus desgastes psíquicos.
    O médium carece não apenas do apoio dos instrumentos espirituais desencarnados; muitas vezes, o amparo dos confrades encarnados é que o auxilia nos instantes de compreensível debilidade, quando as suas imperfeições afloram e ele se deixa dominar pelo desânimo. Não é apenas receber, através do concurso do medianeiro, a palavra esclarecedora da espiritualidade – ignorar a carência dos médiuns é deixá-los, seguindo, sob a influência das trevas. Somos de parecer que cada núcleo espírita deveria manter um grupo de apoio aos médiuns – apoio doutrinário e mediúnico, mas também pessoal. É claro que, para tanto, o discernimento é indispensável, pois, em qualquer setor de atividades, o excesso produz deformações.
    O dirigente espírita indiferente aos seus médiuns seria o mesmo que o pastor que não se importasse com o rebanho. Jesus após o episódio da crucificação, ainda não esteve por cerca de quarenta dias com os companheiros com os companheiros, cooperando para que vencessem as indecisões de ordem íntima?! Será que os apóstolos teriam se lançado com tanta determinação ao serviço de pregação da Boa Nova, se o Senhor não tivesse voltado do túmulo?!…
    A tarefa do dirigente espírita junto aos médiuns é muito importante, decisiva mesmo nas opções que venham a fazer; ele deve se assemelhar à de um pai preocupado com a formação dos filhos… Muitos medianeiros que têm feito a glória do Espiritismo talvez tivessem se perdido, caso não tivessem contado com o pulso firme de um benfeitor encarnado.
    Não é só obter do médium o que ele possa oferecer, sem noção de suas lutas para ser fiel ao compromisso assumido. Se a poda periódica é indispensável à árvore, objetivando-lhe o fortalecimento, o adubo igualmente o é.
    Médium: Carlos A. Baccelli.
    Espírito: Odilon Fernandes.
    Livro: Conversando com os Médiuns.

    terça-feira, 21 de junho de 2016

    Atravessando a Floresta

    O espírita no mundo assemelha-se ao homem que se embrenha na selva… Determinado a vencê-la, ele precisa atravessar a floresta encontrando a grande clareira no vale ensolarado; no entanto as dificuldades são imensas para que as supere…
    Ele se defrontará com os mais diversos perigos e obstáculos; sem bússola que o norteie, correrá o risco de perder-se na mata fechada; forças da Natureza conspirarão contra o tentame, porquanto a floresta, nunca dantes devassada, quer permanecer inexplorada…
    À medida que avança, o homem se depara com cipoais a se enrodilharem nas pernas, provocando-lhes sucessivas quedas… Terrenos escorregadios, pântanos, areias movediças, serpentes, troncos praticamente intransponíveis, insetos de todas as espécies, mas o homem procede decidido a vencer a escura floresta, para alcançar, do outro lado, a claridade solar…
    Assim, simbolicamente, acontece com o espírita. Podemos vê-lo no mundo atravessando a gigantesca floresta das provações; alem de lutar contra o próprio carma, contra as próprias limitações, ele se vê diante de problemas e empecilhos exteriores, no entanto precisa vencer o matagal espesso da vida turbulenta e alcançar o outro lado, varar a floresta, abrindo picadas para que outros, mais tarde, possam seguir-lhe os passos. Às vezes, o homem, na floresta, se sente como que detido pelas ramagens; caminhada vacilante, dois passos adiante, um passo atrás, esfalfado e sedento…
    Assim também acontece com o espírita. Quantas vezes o companheiro de ideal supõe não esta realizando pregresso algum na romagem terrestre?! Quantas vezes se imaginam retrocedendo, em vez de avançar e se pergunta agoniado e aflito: – Estarei verdadeiramente caminhando, saindo do lugar, buscando a luz que me proponho?!…
    Figuradamente, o espírita se defronta com o chão desnivelado da incompreensão e como trecho escorregadio da vaidade pessoal, todavia ele não deve se deter e não deve se lançar a essa aventura sem bússola que o norteie, para que não ande em círculo e não se perca no labirinto das amargas experiências de desilusão.
    Com a bússola da fé, o espírita é convidado a caminhar, passo a passo, superando as dificuldades, podando os galhos pontiagudos de suas próprias mazelas, corrigindo-se em seus equívocos… Naturalmente lhe será lícito o descanso, mas não o desânimo; ser-lhe-á lícito o repouso no refazimento das energias, mas não a desistência diante do que se propõe…
    A vida na terra se assemelha a uma floresta em que o espírito desencarnado se embrenha, como propósito de vará-la e alcançar o vale majestoso e belo de sua própria redenção espiritual.
    De fato, o trilho é estreito, convenhamos, no entanto, que, dentro de um matagal, quanto mais estreito o trilho, com mais segurança e noção de ruma se poderá movimentar ao longo do seu curso…
    Impossível abrir-se um caminho largo em meio à floresta sem lamentável perda de tempo, mesmo por que, para que o homem possa atravessá-la com êxito, não há necessidade que ele construa uma estrada ampla… Bastar-lhe-á pequeno espaço desimpedido, onde apóie os pés com firmeza para seguir adiante…
    Que o espírita agradeça tudo o quanto possa constrangê-lo a manter-se na direção e tudo o quanto possa discipliná-lo para que chegue ao outro lado, no nosso caso, o outro lado significa o regresso à Vida Espiritual com a bagagem da experiência acumulada…
    Que os companheiros de Doutrina Espírita compreendam, pois, o imperativo de seguirem adiante, com determinação e coragem, e continuem varando a floresta repleta de gritos e gemidos que nos representem o eco da própria consciência culpada.
    Pelo Espírito de: Irmão José
    Psicografia de: Carlos a. Baccelli
    Livro: Mediunidade, Corpo e Alma
    Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec

    segunda-feira, 20 de junho de 2016

    Consciência Mediúnica

    Na estrutura da vida psíquica do indivíduo, a consciência do eu pode mudar de nível, propiciando-lhe galgar avançados estados de lucidez e integração, que variam desde os mais primários até os mais transcendentes.
    Certamente, as primeiras informações a respeito dos estados alterados de consciência provêm da Vedanta, a escritura religiosa mais antiga do mundo, na qual estão insertos os ensinamentos filosóficos da tradição hindu.
    Mais tarde, entre outros, o pensador russo Gurdjieff, respeitado mestre espiritual, examinou a questão, propondo as alterações de níveis de consciência mediante exercícios e induções que ora chamaríamos transpessoais.
    Segundo a moderna psicologia transpessoal, é possível lograr-se uma ampliação da consciência além das fronteiras habituais do ego, superando as faixas do espaço e do tempo, conforme as percepções tridimensionais.
    Consideram-se normais alguns dos estados de consciência, nos quais ocorrem os fenômenos habituais, situando-se aqueloutros, os parapsicológicos e os mediúnicos, como de natureza patológica.
    Observações acuradas ao lado de pacientes induzidos por sugestão, concentração, meditação, terapias mediante a aplicação de drogas, concluíram pela ocorrência de fenômenos transcendentais nos níveis elevados de consciência alterada.
    Exceção feita aos delírios, às alucinações, às ilusões, surgem, na área das manifestações subjetivas, as ocorrências de clarividência, de premonição, de clariaudiência, de desdobramento, abrindo espaço para as comunicações mediúnicas, tais a psicografia, a psicofonia, a psicotografia, etc., em cujos processos a interferência do desencarnado se faz indispensável e atuante.
    Não eliminamos a possibilidade desses fenômenos ocorrerem também em psicopatas, tendo como origem o inter-relacionamento espiritual, sem que se apresentem na condição de aberrações mentais.
    Outras vezes, tais alterações de consciência facultam a ampliação do eu, facilitando o intercâmbio com inteligências desencarnadas, sem ou mediante a ocorrência da perda de lucidez, de identidade, de unidade do eu pensante.
    A linha divisória que assinala a transferência do estado paranormal para o patológico é muito sutil, dando margem à crença de que alguns níveis de consciência mística sejam confundidos com distonias esquizofrênicas.
    AS formas corretas para distinguir-se um do outro estado são a observação da própria ocorrência, o comportamento do indivíduo na forma de encarar a realidade objetiva, a sua maneira de relacionar-se com o grupo social no qual se encontra, as suas manifestações de ansiedade e de medo.
    A realidade total é uma decorrência da concepção do universo e da consciência como conglomerados de energias, em níveis cada vez mais complexos, em um mecanismo de harmônica interpenetração.
    Assim, embora a variação de escolas psicológicas que estudam o assunto, poderíamos estabelecer cinco níveis de consciência sem delimitarmos as suas fronteiras, verificando aquelas nas quais ocorrem as manifestações mediúnicas, de que a doutrina espírita se faz o admirável campo de estudo metodológico objetivando a plenitude do ser.
    Em uma cartografia inspirada no sistema de psicologia e espiritismo, merecem exame, embora rápido, esses diferentes estados de consciência.
    No primeiro, denominado consciência do sono, há uma total ausência de idealismo e as atividades do ser estão reduzidas, praticamente aos automatismos de natureza fisiológica: manifestações instintivas, respiração, assimilação sem um real conhecimento das ocorrências. O indivíduo dorme, como, procria, ausente dos procedimentos da lógica, da razão. Poderíamos denominar este como um estado de sono sem sonhos.
    Inevitavelmente, através do processo evolutivo inexplorável que as reencarnações proporcionam, o homem transita para o estado intermediário, o de consciência em despertamento ou com sonhos, no qual surgem as primeiras expressões de idealismo, de interesse, de luta para a aquisição de valores imediatos, considerados indispensáveis à sobrevivência no labor cotidiano. Apresenta-se um alargamento de horizontes, embora timidamente, que permite vislumbrar o prazer além da sensação, a comodidade, os sinais primeiras da beleza, da arte, do conhecimento, da fé.
    Os sonhos se manifestam, desvelando impressões do inconsciente e dos contatos espirituais, embora nebulosos, favorecendo a ativação de mais amplas percepções.
    Ocorre, a partir dessa fase, o nível de consciência desperta ou de identificação, no qual o homem começa a observar-se a si mesmo e ao seu próximo, ampliando o grau de relacionamento social e emocional, aspirando pelos ideais de engrandecimento humano, lutando com lucidez pela ampliação dos valores éticos, descobrindo metas além do imediatismo automatista e avançando com entusiasmo na defesa dos seus valores de enobrecimento.
    Essa identificação possibilita uma revolução da consciência, a fim de que possa voltar-se para a interiorização, para a percepção subjetiva da realidade.
    Lentamente, a consciência de si mesmo ou transcendência do eu assoma e predomina em relação às expressões do mundo exterior.
    O homem orgânico, porém, é uma “máquina com funções”, que devem ser educadas, bem dirigidas pelo espírito que nela habita, a fim de, mergulhando na sua transcendência, poder encontrar-se.
    A princípio, são momentos breves que se amiudam, ensejando realizações plenificadoras, que o libertam das constrições do invólucro material.
    As funções, por automáticas que são, instintivas, motoras, sexuais, do intelecto e da emoção, devem ser canalizadas e direcionadas para a aquisição da harmonia que deve predominar no soma, ensejando a expansão paranormal, o intercâmbio com as forças vivas do universo além da dimensão material.
    Abstraindo-se do mundo exterior, a consciência sintoniza com as inteligências desencarnadas, propiciando as comunicações lúcidas – em estado sonambúlico, de inconsciência ou não – nas quais a identificação dos espíritos se faz com o máximo de resultados positivos possíveis.
    Nesse nível de consciência, a moralização do homem torna-o alvo dos espíritos nobres que o elegem para ministérios relevantes, não necessária e obrigatoriamente de projeção na comunidade, de relevo social, embora também aí ocorram, exigindo maior soma de abnegação, de elevação moral, a fim de enfrentar os perigos e perturbações que as posições de destaque exigem daqueles que as assumem.
    É nesse nível que o impositivo da conduta cristã se torna o recurso saudável e valioso para quem desejar o êxito do empreendimento evolutivo.
    Tão habitual se tornará a vivência nesse estado de consciência, que logo será alcançado o estágio mais elevado, o de consciência objetiva, ou cósmica, facultando um absoluto controle das funções orgânicas e propiciando-se o êxtase – a catalepsia consciente – que enseja a libertação dos limites humanos com penetração tranqüila no cosmo.
    O espírito encarnado e lúcido, nesse nível, facilmente se emancipa das amarras físicas sem as romper e intercambia com outros, superando os condicionamentos da reencarnação.
    Somente os grandes mestres e guias da humanidade, em razão das suas conquistas pretéritas, logram conscientemente, e com freqüência, esse nível de libertação cósmica, tais Francisco de Assis, Teresa de Ávila, Swendenborg, Edgar Cayce, Gandhi, ou, sob outras condições de concentração, da Vinci, Miguel Ângelo, Pascal, Einstein, Hansen, ou Galileu, Newton, Copérnico, capazes de se esquecerem de si mesmos durante suas pesquisas e observações…
    É um nível de consciência que exige treinamento cuidadoso, sacrifício pessoal, abnegação extremada, critério de objetivo, morte na vida…A psicologia criativa, embora com outras conclusões, reconhece esses cinco níveis de consciência com as suas variações naturais.
    Pode o homem alcançar ou transitar momentaneamente por alguns dos três últimos estados de consciência enquanto estagia noutro, não permanecendo senão na faixa que lhe corresponde o treinamento ou a aquisição já realizada.
    Vale, porém ressaltar, que a conquista dos vários níveis de consciência é feita passo a passo, com esforço e dedicação reunidos. Ocorrendo recuos ou paradas, devem ser considerados normais esses fenômenos, até que o treinamento se incorpore aos hábitos, facultando a aprendizagem com emulação sempre mais forte para a conquista do degrau superior.
    A educação da mediunidade paralelamente enseja a alegria de o indivíduo ser feliz pelo bem que pode realizar e pelo prazer de experimentar o bem que se recebe.
    Os fenômenos mediúnicos, no entanto, podem ocorrer em qualquer nível de consciência, em particular quando se tratam de manifestações obsessivas, que irrompem em crises de violência ou de depressão, face às dívidas morais existentes entre os litigantes, ora em processo de reajustamento espiritual.
    O exercício da mediunidade saudável, todavia, manifesta-se em harmonia com o nível de consciência de si mesmo, expressando a valiosa conquista do espírito encarnado no seu processo de evolução.
    Ocorrem, às vezes, manifestações mediúnicas de prova, em níveis inferiores de consciência, que o sensitivo pode elevar utilizando-se dos valores morais e do correto treinamento, assim facilitando-lhe a sintonia com a vida pulsante fora dos limites materiais.
    Jesus – Cristo, o Médium por Excelência, por estagiar em nível de consciência sublime, sintonizava continuamente com Deus, não obstante, após a convivência com o povo, sempre se afastava da balbúrdia para orar, meditar, penetrar na transcendência do cosmo em silêncio e solidão.

    Pelo Espírito de: Vianna de Carvalho
    Psicografia do Médium: Divaldo P. Franco
    Livro: Médiuns e Mediunidades
    Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec

    domingo, 19 de junho de 2016

    Desenvolvimento Mediúnico

    Para que um espírito possa se comunicar, é necessário, entre ele e o médium, relacionamento fluídico que não se estabelece sempre instantaneamente; não é se não a medida que a faculdade se desenvolve que o médium adquire, pouco a pouco, a aptidão necessária para entrar em relação com o primeiro espírito que chegue’. (“O livro dos Médiuns”, Segunda Parte, Cap. XVII, Item 203, Edição IDE)



    O desenvolvimento da mediunidade é lento e progressivo. Não basta que o médium entre em contato com os espíritos, para que se considere médium desenvolvido.
    Como todas as faculdades humanas, a mediunidade requer tempo para aperfeiçoar-se.
    Diríamos que o médium desencarna e não consegue completar o seu desenvolvimento mediúnico, visto que a mediunidade é um sentido que permanece em evolução no espírito além da morte.
    A grande maioria dos medianeiros espíritas da atualidade está simplesmente colhendo experiências para tarefas futuras, que serão chamados a cumprir.
    Qual acontece entre dois ou mais amigos, a “intimidade mediúnica” entre os espíritos comunicantes e o médium de que se utilizam é construída paulatinamente. Mesmo que haja prévio conhecimento em vidas pregressas, a afinidade entre o espírito e o médium carece de tempo para restabelecer-se a nível de consciência.
    Os espíritos necessitam saber até onde podem confiar no medianeiro, e vice versa. E isto, porque muitos companheiros da mediunidade recuam ante o serviço que o espera.
    É natural, portanto, que os primeiros comunicados de um espírito por determinado médium deixe a desejar. É natural que somente com o tempo o médium vá se identificando melhor com o espírito ou com os espíritos que tencionam valer-se de suas faculdades.
    Muitos espíritos quando se apresentam aos médiuns, não revelam a própria identidade, preferindo permanecer no anonimato. Não raro, apenas no Mundo Espiritual os medianeiros saberão de sua ligação afetiva com os espíritos com os quais trabalham.
    De maneira geral, os espíritos que se aproximam de um médium para uma tarefa significativa tem com ele compromissos de outras vidas, e esses compromissos são cármicos, ou seja, exigem reparação.
    Por outro lado,se o médium entra, periodicamente, em contato com os espíritos de reconhecida idoneidade espiritual, isto não quer dizer que esses Espíritos Benfeitores estejam sempre ao seu lado… Os Espíritos Superiores podem fazer-se representar, junto dos médiuns, através de outros mensageiros que lhe tomam o nome.
    O médium em desenvolvimento carece de despreocupar-se totalmente com o nome do espírito que esteja a manifestar-se por seu intermédio. Com o tempo, se considerar útil, o espírito haverá de identificar-se, de forma total ou parcial.
    Muitos medianeiros, excessivamente preocupados com o nome dos espíritos que se expressam através deles, caem no ridículo, porque se expõem mais facilmente aos espíritos que dão mais valor ao rótulo que ao conteúdo.
    Portanto, de início, seja no exercício desta ou daquela mediunidade, que o médium se preocupe em afinar o seu instrumento mediúnico para que os espíritos, sejam eles quais forem, possa, manifestar-se com proveito.
    A identidade do espírito, embora importante, é de importância relativa no que tange ao nome, de vez que essencialmente o espírito se revela pelo teor do seu pensamento, como a árvore que se identifica através dos frutos que produz.
    Se o candidato ao desenvolvimento da própria mediunidade não tiver calma e perseverança, dificilmente a sua mediunidade será produtiva; ela aparecerá, ensaiará os primeiros resultados e “desaparecerá em seguida, porque o próprio medianeiro não se interessou em cultivá-la, esquecendo-se que tudo pede tempo para firmar-se”…
    Que os médiuns improdutivos não se queixem de suas faculdades ou dos espíritos que as utilizam; queixe-se de si mesmos,porque todo médium bem intencionado que persiste no exercício mediúnico acabará por atrair a simpatia dos espíritos em condições de dar-lhes as alegrias que almeja.
    Livro: Somos Todos Médiuns
    Autores: Carlos A. Bacelli e Odilon Fernandes
    Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec

    sábado, 18 de junho de 2016

    Disciplina Mediúnica

    A frustração que o espírito experimenta, quando se liberta do corpo físico, é muito grande e se manifesta para ele em forma de tristeza, pelo tempo não aproveitado de forma conveniente.
    Todos vocês haverão de observar o número de vezes em que se ausentaram do compromisso espiritual sem uma justificativa séria… São muitos aqueles que faltam à tarefa mediúnica, porque, durante o dia, não pensam nela; pensam em tudo no que mais têm a fazer no transcurso do dia e deixam a tarefa mediúnica fora da lista de prioridades, como se uma reunião como esta não merecesse ser meditada com antecedência pelos seus freqüentadores.
    Então, são muitos os que lamentam, mas que não têm oportunidade de reparar o prejuízo que causaram a si mesmos e, analisando a causa de sua falta à reunião, se depararão com motivos fúteis; porque se atrasaram para o banho; porque tiveram que dar um telefonema à última hora e a conversa se prolongou; porque cochilaram no sofá; porque se consideraram cansados, desgastados pela luta cotidiana; porque revelaram leve indisposição; porque cederam às sugestões dos espíritos interessados em prejudicá-los; porque consentiram que o melindre contra este ou aquele companheiro aparecesse em cena… O tempo passa, a reunião está já no seu término; seja como for, alguns mal se agüentaram na cadeira, mas vieram, participaram; alguns não conseguiram a quietude íntima necessária, a sintonia mediúnica, não trabalharam, mas vieram, compareceram, “assinaram o ponto…” E aqueles que por bagatelas deixaram de vir? Porque uma semana enseja outra… Quem falta duas semanas falta metade de um mês!
    Reflitamos nesta nossa conversa mais íntima e mais franca nesta noite, para que possamos ser mais perseverantes em nossas atividades, porque quem falta a uma reunião de desobsessão prejudica, sim, a tarefa como um topo, mas prejudica mais a si mesmo, porque perde inusitada oportunidade de servir, e oportunidade igual a esta de hoje, infelizmente, não teremos outra.
    Autores: Bacelli, Carlos A.; Fernandes, Odilon.
    Livro: Disciplina Mediúnica. Cap. 31. 2003
    Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec

    sexta-feira, 17 de junho de 2016

    Espíritos a Distância

    O médium há que ter muita firmeza no cumprimento do dever.
    Os companheiros que participam de uma reunião mediúnica necessitam estar integrados, unidos na mesma comunhão de pensamentos.
    Os espíritos que aqui vieram, por mais rebelados se mostrem, são todos espíritos enfermos, enfermos e necessitados de auxílio espiritual…
    Por mais ergam a voz em desespero, por mais chorem em rebeldia e por mais blasfemem, são espíritos doentes, por assim dizer, indigente da Vida Espiritual que aqui são trazidos em busca de lenitivo; no entanto, além dos limites materiais e espirituais do templo que nos recebe, permanecem aquelas entidades mais ou menos conscientes quanto à sua situação de revolta diante das Leis Divinas…
    Essas entidades, a distância, dardejam vibrações contra o grupo no intuito de atrapalhar o bom andamento de suas atividades. Esses nossos irmãos, ainda mais infelizes do que aqueles que aqui se encontram, enviam constantes emissões mentais negativas com o propósito de envolver o médium que se dispõe ao serviço de intercâmbio; é como se, lá fora, ao longe, alguém estivesse, caprichosamente, nos arremessando pedras contra o telhado…
    Neste sentido é que tomamos a liberdade de chamar-lhes a atenção, porquanto, em contato com as entidades que aqui foram trazidas ou que aqui vieram espontaneamente, muitos talvez se admirem da condição espiritual desses irmãos desenfaixados do corpo físico, mas, se aqui vieram, é porque se encontram em condições melhores do que aqueles que não puderam vir, e tramam, a distância, nas dimensões espirituais em que erram, o comprometimento da tarefa em que todos nos encontramos empenhados. Daí ser imperioso que o médium tenha firmeza e não se intimide, não tenha receio do contato com essas entidades infelizes que lhe batem as portas do psiquismo, mas que se acautele contra esses outros nossos irmãos que aqui não vêm e que permanecem, à espreita, tramando, ao longe, a ruína do grupo.
    Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec
    Odilon Fernandes
    Carlos A. Baccelli
    Livro: Mediunidade Corpo e Alma
    Site: Luz do Espiritismo – Grupo Espírita Allan Kardec