terça-feira, 24 de maio de 2016

Desilusões e Decepções

Mesmo que não pareça, pela dor que causa, desiludir-se é bom.  Desiludir-se é sair de uma ilusão, de uma visão distorcida ou equivocada acerca de alguém, de algo, de alguma circunstância.  Portanto, a desilusão é benéfica, apesar dos dissabores que inicialmente pode causar.  Com o tempo e o amadurecimento, as desilusões passam até a ser bem-vindas, pois indicam crescimento interior.
As decepções possuem outras características.  É expectativa frustrada.  Decepcionar-se é esperar demais de uma situação ou de alguém e não ter os resultados esperados.  Em muitos casos, desilusão e decepção se fundem num só sentimento de abatimento moral, de desânimo e, por vezes, de descrença.
Muitos estão decepcionados com a humanidade que, apesar do grande número de seres moralmente e espiritualmente superiores que por aqui tem passado, permanece no atraso.  Evoluímos muito em técnicas e mesmo em ciência, mas tão pouco em valores humanos e espirituais.  Os apelos do mundo externo são tão fortes que muitos vivem em sua função.  Deles se nutrem e para eles vivem.  A desilusão os aguarda após o retorno à verdadeira vida.
Outros estão decepcionados com a sociedade que criamos, que valoriza em demasia o ter, o possuir, e tão pouco o ser, o caráter, as qualidades e as virtudes morais.  Quando falamos de virtudes não nos referimos a crenças em particular.  O homem de bem independe de uma crença.  Ele faz o bem porque é bom, com naturalidade, sem esperar nada em troca.
Não são poucos os que veem nossa humanidade como uma locomotiva prestes a descarrilar.  É como se tivéssemos entrado em alta velocidade num nevoeiro, sem saber o que vem em seguida.  Um mundo de inseguranças e incertezas, de medos e de sensação de impotência.  Estamos tentando acionar os freios, rever as rotas, corrigir os erros, mas… os que fazem isso ainda são minoria.
Imenso número de pessoas pelo mundo está decepcionado e desiludido com a política e com os políticos.  Passou o tempo das mentiras, dos segredos e dos silêncios.  Graças à internet quase tudo se torno público em tempo real e fica difícil, cada vez mais difícil, mentir e ganhar tempo para manipular o povo.
É errado desprezar a política, pois essa é a vida de relação.  Tudo o que fazemos tem caráter político, seja por ação ou omissão.  A política partidária é outra coisa.  Mostra-se esgotada no atual modelo.  Não tem caráter representativo e o pragmatismo favorece grupos.  É uma luta pelo poder, pelo controle, pela condução do povo segundo critérios de grupos dominantes.
Mas não podemos nos esquecer de que esse mesmo mecanismo pode ser usado para o bem.  Se grupos de pessoas à altura da tarefa assumem o controle político de nações, esses mecanismos podem servir para a construção de sociedades justas, equilibradas, mas fraternas, onde o estímulo ao respeito às diferenças são freqüentes, eliminando – pouco a pouco -, as disposições mentais para o confronto.
Há muita, muita gente mesmo, decepcionada e desiludida com as crenças, seitas e religiões.  O deus mercado, o bezerro de ouro, aparentemente – ou temporariamente – venceu.  Praticamente tudo gira em torno do dinheiro e do poder temporal.  O Criador anda ausente nos discursos e preleções.  Jesus, Buda, Sócrates e tantos outros luminares da humanidade, são citados de passagem por mera conveniência retórica; como uma pitada de sal na mistura de ideias, num esforço para lhes dar algum sabor.
Nem a Doutrina Espírita vem escapando dessa prática.  É natural que ela se apresente com aspectos novos, como desejava e previa Allan Kardec.  Uma doutrina evolucionária e revolucionária, que acompanhe a ciência e os conhecimentos humanos, autocorrigindo-se onde e quando preciso, fazendo das obras do codificador um ponto de partida e não de chegada.  É cada vez menor o número de leitores de obras com certa densidade e há, até mesmo, desprezo pelo conhecimento.
Quase não há mais pesquisa dos aspectos científicos da paranormalidade.  Há pouca ou nenhuma reflexão filosófica e sobram repetições de trechos evangélicos, muitas vezes mal alinhavados, mal interpretados ou claramente adaptados a interesses de grupos.  O senso crítico, autocrítico e o bom senso, recomendados pelo codificador, andam igualmente se afastando do movimento espírita que – em certos casos – se vê às voltas com a mentalidade de rebanho, seguindo pessoas e não mais a Doutrina Espírita.
Coisa para se pensar!
Autor:  Paulo R. Santos
Instituto Espírita Bezerra de Menezes – IEBM – Niterói – RJ
Jornal Informativo “O Espírita Fluminense”
Nº de Edição:  344 – Páginas:  06 e 07 – Setembro / Outubro 2012

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Livre-arbítrio e Responsabilidade

O livre-arbítrio é a faculdade que tem o indivíduo de determinar a sua própria conduta – As Leis Morais – Rodolfo Calligaris
O livre-arbítrio, é a condição básica para que a pessoa programe a sua vida e construa o seu futuro entendendo, porém, que os direitos, limitações e capacidades individuais devem ser respeitados pelas regras da vida em sociedade.
Deus nos deu a liberdade e o livre-arbítrio como instrumentos de felicidade. A liberdade nos é concedida para que possamos ter uma visão mais lúcida de nós mesmos e das demais pessoas, de forma a discernir que papel devemos exercer na sociedade, quais são os nossos limites e possibilidades, assim como os dos semelhantes.
À medida que aprendemos a associar as noções de liberdade e responsabilidade, a pessoa melhor exercita seu livre-arbítrio, sendo impulsionada por um sentimento superior, que lhe permite desenvolver ações de amor ao próximo.
Conforme a questão 843 do O Livro dos Espíritos, o homem tem livre-arbítrio nos seus atos? O homem tem a liberdade de pensar e de agir. Sem o livre-arbítrio o homem seria uma máquina.
Sem o livre-arbítrio não seria responsável pelo mal que praticasse e nem teria mérito pelo bem que fizesse.
O processo de amadurecimento espiritual é gradual, estando diretamente subordinado à Lei do esforço próprio.
O espírito desligado da matéria (corpo físico), no estado errante (no mundo dos espíritos, espiritualidade), faz a escolha de suas futuras existências corpóreas segundo o grau de perfeição que tenha atingido. É nisso, que consiste sobretudo o seu livre arbítrio.
Essa liberdade não é anulada pela encarnação. Se ele cede a influência da matéria, é então que sucumbe nas provas por ele mesmo escolhidas. E é para o ajudar a superá-las que pode invocar a assistência de Deus e dos bons Espíritos.
As faltas que cometemos têm, portanto, sua origem primeira nas imperfeições do nosso próprio Espírito, que ainda não atingiu a superioridade moral a que se destina, mas nem por isso tem menos livre arbítrio.
Não há, porém, arrastamento irresistível, uma vez que se tenha vontade de resistir.
À medida que aprendemos a associar as noções de liberdade e responsabilidade, melhor exercitamos nosso livre-arbítrio. Somos, então, impulsionados por um sentimento superior, que nos permite desenvolver ações de amor ao próximo.
Para sermos livres é necessário querer sê-lo e fazer o esforço para vir a sê-lo, libertando-nos da escravidão da ignorância e das paixões baixas, substituindo o império das sensações e dos instintos pelo da razão.
Referências Bibliográficas
  1. Moreira, Márcia – Lei de Liberdade e Lei de Igualdade – Agosto/2014.
  2. KARDEC, Allan — O Livro dos Espíritos — edição nº 86 — Editora FEB (Federação Espírita Brasileira) – Capítulo 10 – Da Lei de Liberdade (Questões: 833 até 850) – Rio de Janeiro/2005.
  3. CALIGARIS, Rodolfo – As Leis Morais – Edição nº 09 – Editora FEB (Federação Espírita Brasileira) – Página: 148 – Rio de Janeiro/2001.
  4. Site Wikipédia – Pensamento – 2016
  5. Site Espírita na Net – Reflexão sobre o Livre Arbítrio – 2011

domingo, 22 de maio de 2016

O Mentor ou Guia Espiritual



O Mentor ou Guia Espiritual


Diferente do que muitos pensam o Mentor ou Guia Espiritual é, na maior parte das vezes, um espírito ainda em evolução, ou seja, imperfeito, mas que já alcançou um grau de pureza maior que seu pupilo, sendo por isso capaz de auxiliá-lo no caminho espiritual da atual encarnação. Isso não desmerece o seu trabalho, muito pelo contrário, já que deixa de utilizar se tempo livre para a própria evolução e o dedica a outro espírito.




- Mentores e Mestres

Um mentor não é igual a um Mestre, os Mestres não precisam mais encarnar, são perfeitos e possuem um grau de evolução muito superior aos mentores.

Alguns médiuns podem entrar em contato com os Mestres, que estão sempre dispostos a ajudar, bastando para isso elevar sua vibração. Esse contato é realizado, na maior parte das vezes, no plano mental, porque é muito sacrificante para um Mestre aparecer em corpo astral. Os médiuns não devem ficar preocupados ou com a mente fixa em entrar em contato com os Mestres, se um dia isso for permitido então acontecerá. 





- O Mentor e Anjo da Guarda

O mentor também não é o mesmo que anjo da guarda, embora, não haja indícios que isso não possa acontecer, são papéis diferentes que um ou mais espíritos exercem durante a encarnação de um médium.

Todos possuem um espírito protetor, mesmo os que não são médiuns, até os sete anos de idade ele fica muito perto do seu tutelado, auxiliando na ambientação com o novo plano de vida e afastando (de acordo com os méritos do espírito reencarnante) os espíritos obsessores e adversários de vidas pregressas.

Foram muitas vezes pais, mães, amigos muito próximos que se predispõe a olhar de muito perto o espírito encarnado, aconselhando, fazendo o possível para auxiliar nos momentos difíceis e tentando afastar os espíritos obsessores que se aproximam. Contudo, é importante lembrar que a influência que esses abnegados irmãos podem exercer está diretamente ligada ao tipo de vida e esforço pessoal que o espírito realiza para se purificar, eles nada podem fazer por aqueles que fecham os ouvidos aos seus conselhos.





- A Tarefa do Mentor

O mentor é um espírito que se comprometeu com o trabalho espiritual do médium, dedicando parte do seu tempo para preparar o médium para sua tarefa, trabalhar ao seu lado e fazer o possível para protegê-lo do contato com as energias degradantes do astral inferior. Abaixo segue um trecho do livro Missionários da Luz – Chico Xavier, que fala um pouco sobre a tarefa dos mentores:



"Este irmão não é um simples aparelho. É um Espírito que deve ser tão livre quanto o nosso e que, a fim de se prestar ao intercâmbio desejado, precisa renunciar a si mesmo, com abnegação e humildade, primeiros fatores na obtenção de acesso à permuta com as regiões mais elevadas. Necessita calar, para que outros falem; dar de si próprio, para que outros recebam. Em suma, deve servir de ponte, onde se encontrem interesses diferentes. Sem essa compreensão consciente do espírito de serviço, não poderia atender aos propósitos edificantes. Naturalmente, ele é responsável pela manutenção dos recursos interiores, tais como a tolerância, a humildade, a disposição fraterna, a paciência e o amor cristão; todavia, precisamos cooperar no sentido de manter-lhe os estímulos de natureza exterior, porque se o companheiro não tem pão, nem paz relativa, se lhe falta assistência nas aquisições mais simples, não poderemos exigir-lhe a colaboração, redundante em sacrifício. Nossas responsabilidades, portanto, estão conjugadas nos mínimos detalhes da tarefa a cumprir.

...

Observe. Estamos diante do psicógrafo comum. Antes do trabalho a que se submete, neste momento, nossos auxiliares já lhe prepararam as possibilidades para que não se lhe perturbe a saúde física. A transmissão da mensagem não será simplesmente <tomar a mão>. Há processos intrincados, complexos."

O mentor e seu pupilo se comprometem com o trabalho espiritual antes da encarnação do médium e, diferente do que muitos acham, o médium não é obrigado a receber sua aptidão, ele que a solicita para saldar débitos contraídos em vidas anteriores e acelerar a sua evolução espiritual. O trecho abaixo, retirado do livroMissionários da Luz, fala sobre os compromissos assumidos entre médium e mentor:



"Assinalando a perfeita comunhão entre o mentor e a tutelada, indaguei por minha vez se uma associação daquela ordem não estaria vinculada a compromissos assumidos pelos médiuns, antes da reencarnação, ao que Áulus respondeu, prestimoso:

- Ah! sim, semelhantes serviços não se efetuam sem programa. O acaso é uma palavra inventada pelos homens para disfarçar o menor esforço. Gabriel e Ambrosina planejaram a experiência atual, muito antes que ela se envolvesse nos densos fluidos da vida física."

Podemos ter o envolvimento de outros espíritos (mentores, instrutores, auxiliares, médicos, etc) na tarefa executada pelo médium, tudo depende da sua missão, do objetivo que a espiritualidade maior traçou para sua atual encarnação..
Existem casos em que mais de um mentor está ligado ao médium, embora todos façam parte da mesma equipe e exista uma hierarquia, onde o chefe é o espírito mais puro e experiente.

O mentor então dedica parte do seu tempo para desde pequeno preparar o seu pupilo para o trabalho mediúnico. Não é incomum o médium lembrar vagamente de alguns ensinamentos recebidos durante o sono, mesmo quando criança.






- Aproximação e Afastamento do Mentor

Conforme o médium vai se aproximando da idade chave para início da sua tarefa espiritual o mentor atua de forma mais intensa, buscando levar o seu tutelado para uma casa onde ele possa receber os ensinamentos que serão à base de seu trabalho.

Como falamos em um tópico anterior o chamado do mentor é suave, se o médium se recusa a iniciar sua tarefa então ele se afasta para retornar no caso do médium desejar sinceramente iniciar seu trabalho espiritual. Sob o ponto de vista espiritual podemos traduzir isso como um afastamento vibratório, ou seja, o médium não consegue sintonizar na faixa vibratória do mentor, isso acontece pelo tipo de vida física, emocional e mental que ele leva.

O mentor então não tem outra opção além de se afastar para se aproximarem os que se afinizam com o grau vibratório do médium, os obsessores.

O afastamento do mentor por “quebra” de compromisso por parte do médium abre a janela que ele possui para o mundo espiritual, deixando-a desguarnecida, o caminho fica livre para a obsessão e vampirismo de espíritos do astral inferior. Copio abaixo um trecho do livro Dr. Fritz, o Médico e sua Missão:



"Por que muitas vezes os mentores se afastam?
Os mentores não se afastam. Os médiuns é que se afastam do trabalho, geralmente por conveniências materiais, ambição, vaidade, irresponsabilidade e acomodação. Muitos são até aliciados pelas futilidades do plano físico, falta de vontade e preguiça de estudar."

Narci Castro também fala sobre o afastamento dos mentores no livro Mediunidade e Médiuns:



"Porque o responsável pela abertura prematura do chakra - o mentor do médium ou seja, seu espírito protetor – se coloca como guardião do mesmo , impedindo que energias hostis o perturbem. Daí a necessidade imperiosa do médium não deixar de cumprir seu compromisso de se tornar intermediário para minorar o sofrimento dos que padecem sobre o efeito de obsessões. Pode-se entender, então, o sofrimento vivenciado pelo médium antes de começar sua tarefa mediúnica quando ele não responde prontamente ao chamado para tal. São muitos os casos, de nosso conhecimento, de severas perturbações, vivenciadas pelo médium, que podem provocar a sua passagem por tratamentos psiquiátricos."

Se o médium não procurar ajuda, a obsessão e vampirismo acabarão se tornando possessão, ficando cada vez mais difícil afastar o(s) obsessor(es).

O mentor acompanha o médium mais de perto, contudo, dependendo do trabalho que será exercido, outros espíritos podem fazer parte do grupo que o auxilia. Se um médium se vincula a um centro espírita ou templo de umbanda ele também recebe a proteção e auxílio da equipe espiritual da casa.





- Substituição do Mentor

O Mentor pode ser substituído durante o trabalho do médium, por vários motivos, entre eles podemos citar:

• Necessidade do mentor encarnar.

• O Mentor receberá uma nova incumbência espiritual e suas responsabilidades não permitirão o apoio necessário ao médium.

• O Médium pode receber novas responsabilidades espirituais, como por exemplo se tornar responsável pelo centro.

• O Médium desperdiça as várias oportunidades de seguir o caminho espiritual, nesse caso o mentor pode receber novas responsabilidades e o médium recebe um novo mentor, que nesse caso se chama Obsessor.





- Cuidados com a Idolatria

Todo médium deve saber a diferença entre respeito e carinho da idolatria, o mentor é um espírito ainda em evolução, não alcançou a perfeita ligação com Deus, como os Anjos e Mestres, por isso todo ensinamento, intuição, informação, etc, que o médium ache que foi passada pelo mentor deve sempre passar pelo crivo de sua razão, pois o responsável pelo ato é o médium.

Allan Kardec fala sobre isso diversas vezes no Livro dos Médiuns, ressaltando sempre a importância de analisar o conteúdo das informações passadas e escutar opiniões de outros médiuns, assumindo sempre uma posição de humildade, assim ele evitará a fascinação que pode ser exercida por espíritos obsessores.

Mesmo médiuns experientes podem ser vítimas da fascinação, por isso devem estar sempre alertas, assumindo uma postura de humildade.



- Encontrando o Lugar para Frequentar

Fechando esse tópico falamos sobre um assunto que preocupa alguns médiuns - a casa que deve freqüentar.

Existem médiuns que não têm perfeita sintonia com local onde se encontram, diferente do que muitos acham isso não é problema da casa ou do médium, muitas vezes aquele não é o lugar do médium e essa sensação (em alguns casos) é um aconselhamento para buscar um novo local.

Cuidado para não generalizar essa informação, somente depois de algum tempo freqüentando um centro você consegue ter uma idéia se aquele é o seu lugar. O médium não deve deixar o centro por pequenas discussões ou porque pequenas coisas o desagradam, lembre-se que nenhum local será perfeito.

Alguns médiuns se perguntam... Mas e o mentor?? Vou perder o mentor??

O mentor (o verdadeiro) pode ir a qualquer casa ou templo, somente espíritos inferiores são barrados em centros sérios.

Mesmo em tipos de reuniões que o médium freqüenta com desaprovação do mentor (geralmente onde o intercambio mediúnico tem interesses inferiores ou egoístas) ele pode estar presente, contudo, nessas reuniões ele não se manifestará, somente em situações extremas.

Existe uma grande diversidade de casas espiritualistas, não estar harmonizado com a casa que freqüenta não é desculpa para parar com o estudo e trabalho espiritual.

sábado, 21 de maio de 2016

O Estado de Perturbação


  Na transição da vida corporal para a espiritual, produz-se um fenômeno de importância capital: a perturbação. 

Nesse instante a alma experimenta um torpor que paralisa momentaneamente as suas faculdades, neutralizando, ao menos em parte, as sensações, de modo que quase nunca testemunha conscientemente o derradeiro momento. Apenas em poucas situações pode a alma contemplar conscientemente o desprendimento. 

  A perturbação pode, pois, ser considerada o estado normal no instante da morte e perdurar por tempo indeterminado, variando de algumas horas a alguns anos. 

Em algumas pessoas ela é de curtíssima duração, quase imperceptível, e nada tem de dolorosa, poderia ser comparada como um leve despertar. 

  Em outras pessoas, o estado de perturbação pode durar muitos anos, até séculos, e pode configurar um quadro de sofrimento severo, com angústia e temores acerbos.

Lembra Allan Kardec que no momento da morte tudo à princípio é confuso:

  A alma necessita de algum tempo para se reconhecer; sente-se como atordoada, no mesmo estado de um homem que saísse de um sono profundo e procurasse compreender a situação. 

A lucidez das ideias e a memória do passado voltam, lentamente, à medida que se extingue a influência da matéria e que se dissipa essa espécie de nevoeiro que lhe turva os pensamentos.

  Essa perturbação pode apresentar características particulares, dependendo do caráter do indivíduo. 

Muitos indivíduos não se identificam como desencarnados e continuam frequentando os ambientes tradicionais, sem se aperceberem da morte. 

  Outros, entram em quadro de loucura psíquica, perdendo a completa noção de tempo e de esforço com a desagregação de sua personalidade.

Alguns Espíritos mergulham em sono profundo e nesse estado ficam durante um tempo muito variável.

  Um fenômeno que parece ser geral, e que ocorre neste período, é aquilo que os autores chamam de "Balanço existencial".

Os principais fatos da vida do desencarnante deslizam diante de sua mente, numa velocidade espantosa, e ele revê a si mesmo em quase todos os grandes lances de sua encarnação. 

  André Luiz afirma que tal mecanismo automático, é de importância no processo evolutivo do Espírito, pois vai imprimir magneticamente nas células do corpo espiritual as diretrizes a que estarão sujeitas, dentro do novo ciclo de evolução em que ingressam. 

O estado de perturbação varia, imensamente, de pessoa para pessoa. Os fatores que vão influenciar na duração e na profundidade desse estado são:

Conhecimento do Mundo Espiritual:

Os Benfeitores Espirituais informam que o conhecimento do Espiritismo exerce uma grande influência sobre a duração maior ou menor da perturbação, pois o Espírito que tem informação precisa a respeito do mundo espiritual compreende antecipadamente a sua situação.

  "O conhecimento que nos tiver sido possível adquirir das condições da vida futura exerce grande influência em nossos últimos momentos; dá-nos mais segurança; abrevia a separação da alma." Léon Denis.

Os extremos da vida são os períodos da existência em que o desencarne se processa, geralmente com maior facilidade. 

  Na criancinha, o processo encarnatório ainda não completou-se definitivamente, e no idoso, os laços que mantêm unidos o corpo espiritual ao corpo físico, estão mais frágeis, débeis, fáceis de serem rompidos.

A respeito do desencarne na infância Richard Simonetti diz:

  "O desencarne na infância, mesmo em circunstâncias trágicas, é bem mais tranqüilo, porquanto nessa fase o Espírito permanece em estado de dormência e desperta lentamente para a existência espiritual. 

Alheio às contingências humanas ele se exime de envolvimento com vícios e paixões que tanto comprometem a experiência física e dificultam um retorno equilibrado."


sexta-feira, 20 de maio de 2016

O Desencarne e as Sensações



  O corpo é o acervo da dor, mas a percepção dela ocorre na alma. A exemplo aqueles que amputaram um membro e tem sensações de dor no membro retirado. 

Isto porque o cérebro guarda a impressão da existência do membro. O mesmo ocorre no sofrimento do Espírito, após o desencarne. 

  O perispírito é o nucleão das sensações exteriores. 

  No corpo, os órgãos captam essas sensações. Destruído o corpo, a sensação torna-se geral. Não se pode confundir, as sensações do perispírito, com as do corpo. 

Resgatado do corpo, o Espírito pode sofrer, mas esse sofrimento não é físico. 

  A morte física e o desencarne não ocorrem simultaneamente. 

  O ser perece quando o veiculo corpóreo deixa de ser ativo. 

O Espírito desencarna assim que se completa o desenlace, o que pode demorar tempo incerto, pois depende do grau evolutivo  de cada um. 

  O perispírito se desprende mais depressa ou menos do corpo; após a desencarne o Espírito não percebe a situação em que está. 

  Não se julga morto, situação essa que dura enquanto houver alguma ligação entre o corpo e o perispírito. 

Enfim encontra-se em estado de perturbação. Geralmente o Espírito fica preso ao corpo enquanto tiver nele as impressões da vivência corpórea. 

Os materialistas, julgam que a vida se apaga com a morte, que não compartilham dos objetivos superiores, vivem do vício e paixão, ficam aprisionados por mais tempo. 

  Certamente os Espiritos superiores, podem fazer a libertação de imediato, logo que se desse a morte do corpo, porém o desencarnante tem maiores dificuldades de adaptação à realidade espiritual, não deixa porém de tomar as sensações desagradáveis, ao ver a sua decomposição carnal.

  A exemplo, um suicida, pode nos dizer que sente os vermes a corroerem-no. 

Esses vermes não lhe roíam o perispírito, nem o Espírito; mas sim, o corpo. Eram as sensações que estavam com o corpo, o qual ainda estava ligado ao perispírito, iludindo-o, fazendo-o pensar ser real. 

  Durante a vida, o corpo recebe impressões exteriores e as transmite ao Espírito por intermédio do perispírito, este, desprendido do corpo, experimenta a sensação, porém, como já existe o corpo que limita a dor, ela se lhe torna geral. 

  O perispírito, é o núcleo transmissor, porque no Espírito está a consciência.

Do mesmo modo, se o Espírito não tivesse perispírito, não teria acesso à sensação da dor. Assim se passa com Espíritos purificados. 

  Quanto mais puros, mais etérea é a essência do perispírito, a influência material diminui à medida que o Espírito progride, isto é,o perispirito se torna menos grosseiro.. 

Os Espíritos Superiores não sofrem as sensações da matéria, cujo envoltório etéreo não encontra analogia neste mundo. 

  Isso não acontece com os espíritos inferiores que seu perispírito é  mais denso, os quais percebem os nossos sons e odores, eles ouvem o som da nossa voz, entretanto percebem-nos não pela palavra, mas pela transmissão do pensamento.

  Nos primeiros instantes da morte, a visão do Espírito é turba e confusa. 

Torna-se mais lúcida, à medida que se desprende, até alcançar a nitidez. Uma vez, quando livres do nosso grosseiro envoltório, instrumento dos nossos espinhos, podemos continuar a sofrer, e muito, e por longo tempo, mas também podemos deixar de sofrer, mesmo a partir do instante do desenlace corporal. 

  Os sofrimentos deste mundo independem, algumas vezes, de nós; muito mais vezes, contudo, são devidos à nossa vontade, tais sofrimentos são efeitos de causas que nos teria sido possível evitar.  

Sofrer resulta dos laços que ainda nos prendem à matéria; quanto mais livre estivermos da influência desta, ou, por outra, quanto mais desmaterializado nos acharmos, menos dolorosas sensações experimentaremos. 

▬  Diluindo as nossas paixões mundanas não alimentando:

  Ódios, 
  Inveja, 
  Ciúme, 
  Orgulho, 
  E o egoísmo. 

Vitalizando bons sentimentos, praticando o bem, não dando às coisas deste mundo importância que não merecem, estaremos a dar o passo para a nossa depuração moral e desapego, logo também a diminuir as sensações da matéria que são nefastas.

  Dessa maneira, não ficarão lembranças dolorosas e não advirá mais nenhuma sensação ruim, porque só atingiram o corpo físico e não a alma. 

O sofrimento e a tardia lucidez acontece, porque a ignorância, o egoísmo e orgulho, das paixões mundanas nos levaram até lá, só nos podemos lamentar de nós mesmos.

  Nunca é tarde, façamos já deste momento, uso da nossa vontade na mudança.

  Por isso “Cada um Segundo suas Obras”


quinta-feira, 19 de maio de 2016

8 chaves para o desenvolvimento da paz interior


A paz é a mais elevada das virtudes. É o anseio secreto de todos os seres. Ela é uma profunda aceitação daquilo que é. É não se opor a nada ou ninguém. A paz brota da entrega: você entrega todos os seus problemas à Deus e deixa que o fluxo da vida a leve. Entregar significa não pensar mais a respeito. Você relaxa e sente autoconfiança. Para isso, é preciso abrir mão do controle. A paz, portanto, nasce de um profundo confiar.
Olhando para trás, revendo a minha história pessoal, vejo que a minha busca pela paz começou quando ainda era muito jovem. Antes mesmo da adolescência, entrei numa escola de conhecimentos espirituais. Certa vez, um professor disse: “As pessoas se autodenominam humanas, mas na verdade, são  humanóides  - criaturas com cérebro grande e duas pernas que se passam por seres humanos. Na condição atual as pessoas são incapazes de perceber o que realmente precisam. Acreditam que serão felizes se obtiverem este ou aquele objeto ou título, mas toda essa ganância somente mostra que são ainda muito imaturos para entenderem que a verdadeira felicidade somente nasce da paz no coração e na mente.” Quando eu ouvi isso, pensei: “Será que ele está se referindo a mim?”
Até aquele ponto, tudo indicava que a paz poderia ser atingida somente através do domínio sobre a matéria. E, de repente, ouvir essa devastadora crítica sobre a humanidade, e perceber nas profundezas do meu coração que isso era verdade, foi como um nocaute. Mas, esse ensinamento abriu as portas da verdade para mim.
Eu pude perceber que a vida frequentemente se resumia em uma eterna tentativa de forçar o outro a nos amar, e que podemos desperdiçar uma vida inteira nessa busca inútil. Uma vez que, no mais profundo, você sabe que amor forçado não é amor, facilmente você encontra razões para lamentar que não é amado. Com isso, você se distrai e se desvia ainda mais do objetivo de atingir a paz interior.
Eu compreendi que a paz duradoura somente pode ser alcançada quando você se liberta da necessidade de receber amor exclusivo, pois esta é a fonte de todo o sofrimento. Eu diria que essa é a principal doença da humanidade. Daí nasce o pensar compulsivo e todos os outros desdobramentos. O sofrimento é o principal enigma da humanidade. Este é o principal desafio: como superar o sofrimento? Como superar a dor em todas as suas manifestações? Em outras palavras, como alcançar a paz?
Através da minha experiência, no trilhar do Caminho do Coração, eu descobri algumas chaves que abrem as portas para o despertar da paz interior, as quais eu compartilho com você agora.

Primeira chave: Silêncio.
O silêncio é uma forma de bater na porta do salão da verdade. Ele é a base que te prepara para qualquer prática; é o alicerce do edifício da consciência. Tudo que é belo e verdadeiro nasce do silêncio.
Um instante de silencio é suficiente para exorcizar todos os demônios, porque os demônios são os pensamentos. Se existe um pensamento compulsivo constantemente assombrando a sua mente, é porque você deu muita atenção a ele, ou seja, você o alimentou acreditando nele. Mas, ao aquietar a mente, todos os fantasmas desaparecem. Não importa quão antiga seja a escuridão, uma pequena fresta de luz dissipa toda escuridão porque ela é somente a ausência de luz. O silêncio invoca a luz. Quando a mente se acalma, tudo se acalma.
O preço para a realização espiritual é a solidão. Em algum momento você vai ter que encarar a si próprio. Por isso é fundamental aprender a ficar sozinho e em silêncio. Você também pode chamar esta prática de meditação. Mas, eu não quero que você se perca no labirinto das idéias e conceitos, na ginástica do intelecto. Permita-se apenas ficar retirado e em silêncio, observando a grama crescer. Abandone toda a pressa e todo o desejo de chegar a algum lugar. Feche os olhos e focalize no ponto entre as sobrancelhas. Brinque de cultivar o silêncio.

Segunda chave: Verdade.
Falar a verdade não quer dizer que você vai sair por aí dizendo aos outros tudo o que pensa ser verdade, desconsiderando o fato do outro não estar pronto para ouvi-la, o que pode gerar mais conflito, mais guerra. Seguir a verdade significa ouvir o chamado do seu coração.
Se ainda há desconforto e sofrimento na sua vida, significa que ainda há uma camada de mentira te envolvendo. Seja corajoso para encarar suas mentiras. Sem coragem você não será capaz de encarar a verdade. Procure identificar quando você ainda não pode ser honesto com você mesmo e com a vida; quando você tem que usar uma máscara e não pode ser autêntico e espontâneo; quando você tem que fingir que é diferente do que é. Dê uma olhada nas diversas áreas da sua vida. Você terá algum trabalho, mas é um bom trabalho. Lembre-se que “a verdade vos libertará”.

Terceira chave: Ação Correta.
Isso não tem nada a ver com moralismo. A ação correta, ou ação consciente, não se baseia no que está fora, ou seja, não depende da aprovação do mundo externo. Não é seguir um manual com regras sobre o que está certo ou errado. É uma ação determinada pela intuição, que é a voz do silêncio. É ter coragem de ser você mesmo, autêntico e espontâneo. Agir conscientemente significa colocar o amor em movimento, ou seja, trilhar o Caminho do Coração.

Quarta chave: Não Violência.
A não violência é a ação sem ego. É a atitude não contaminada pela vingança e pelo ódio. É não dar passagem para a maldade que provoca sofrimento no outro, não importa em qual nível.
A não violência ou ahimsa, como é conhecida na tradição do hinduísmo, não é cruzar os braços e ficar esperando que as coisas aconteçam. Ela, muitas vezes, envolve ação, atitude. Mas, é uma ação que nasce do coração - é espontânea e sempre vem com sabedoria e compaixão. Não é o ódio ou o medo se manifestando.
Eu mesmo já questionei o poder de ahimsa. Parece que só deu certo com Gandhi, na Índia. Mas, não é verdade. Ahimsa é o remédio que esse planeta precisa. A compaixão é o remédio e ahimsa é compaixão.

Quinta chave: Amor Consciente
Eu uso esta palavra ‘consciente’, porque a palavra amor foi degenerada. Nós demos a ela tantos outros significados que não têm nada a ver com a sua essência. Para o senso comum, o amor está ligado ao egoísmo, a uma satisfação pessoal. Ele é confundido com a paixão, com o sexo e até mesmo com o ódio. Isso acontece de uma forma inconsciente: a entidade acredita estar amando porque não tem consciência do que é amor.
 
Não é possível definir o amor com palavras, mas eu posso dizer que amar inclui um desejo sincero de que o outro seja feliz. Inclui ver o potencial adormecido no outro e dar força para ele acordar. É querer ver o outro feliz sem querer absolutamente nada em troca. Em última instância, amar conscientemente significa amar desinteressadamente.
Mas, para que possa utilizar essa chave se faz necessário que você reconheça o seu desamor. Procure identificar em quais situações e com quem você ainda não pode ser amoroso. Aonde e com quem o seu amor não flui livremente? Em que situações o seu coração se fecha? Aí há uma pista para você. Vá atrás dessa pista e você descobrirá muito sobre si mesmo. Essa é uma forma de trazer paz para esse mundo: aprendendo a ser amigo do seu irmão; amigo do seu vizinho. Aprender a não julgar os erros do outro. Antes de levantar o seu dedo para acusar o outro, olhe para si mesmo, e pergunte: “Será que eu não tenho um defeito igual, ou outros até piores?” “Será que o meu vizinho não tem nada de bom para eu focar a minha atenção?” Comece a focar no bom que o outro tem. Essa é sua grande missão.

Sexta chave: Presença.
Estar presente significa estar total na ação. É lembrar-se de si mesmo a cada instante. Quando você pode experienciar a presença, a sua energia cresce e você percebe o amor passando por você. Se puder sustentar esse estado de alerta, você terá a percepção de que tudo é sagrado, e a partir dessa percepção, poderá expandir sua energia conscientemente na direção do outro.
Eu sugiro uma prática bem simples para o seu dia a dia. Habitue-se a perguntar: Onde estou? O que estou fazendo? Permita-se parar, apenas por alguns segundos, absolutamente tudo o que você está fazendo. No meio da ação, pare e pergunte-se: Quem está fazendo? Assim você interrompe a imaginação e volta para o seu corpo, para a presença, para a totalidade na ação. Esse é o caminho.
A presença é a chave mestra. Mas, porque não vamos diretamente para ela? Porque nem todos estão prontos para usufruir dela. Poucos estão maduros para abandonar o pensar compulsivo, já que isso lhes dá um senso de identidade. Então, em muitos casos, é necessário um trabalho de purificação (2), que é este trabalho de transformação do “eu inferior”, para que você esteja pronto para ancorar a presença. Para isso, o corpo é o portal. Sinta-se ocupando o corpo. Sinta seu campo de energia e mova-se a partir dessa percepção.
(2) Veja o glossário de termos psico espirituais para compreender o significado da palavra purificação utilizada por Sri Prem Baba.

Sétima chave: Serviço Desinteressado.
Servir desinteressadamente significa colocar seus dons e talentos a serviço do amor. É quando você pode se doar verdadeiramente ao outro, sem máscaras, sem necessidade de agradar ou fazer o que é certo com a intenção de ser recompensado. O único objetivo é ver o outro bilhar. Você se torna o amor que se move em direção à construção.
Acordar pela manhã, consciente de que está acordando para servir, ilumina a alegria de viver. Naturalmente, a consciência do serviço aumenta a conexão com o divino, porque, por mais que cada um tenha seus talentos e dons individuais, ou seja, uma forma particular na qual o amor se expressa através de você - é o próprio amor que está se expressando. No serviço, você se torna um canal do amor. Por isso, eu digo que o serviço é uma forma de manter a chama da conexão acesa. O amor e a felicidade passam por você para chegar ao outro, não importa o que você esteja fazendo, se está cuidando do jardim, construindo uma casa, cozinhando, cuidando de uma empresa ou de uma pessoa.

Oitava chave: Lembrança Constante de Deus.
Lembre-se de que Deus está em tudo: dentro, acima, abaixo, dos lados - em todos os lugares. Ele é a vida única que age em todos os corpos e é o seu Eu Real. Essa percepção de que tudo é Um e de que a energia espiritual se manifesta em todas as formas de vida, promove um profundo contentamento. Não há palavras para descrever essa experiência, ela só pode ser vivida. A sua vida se transforma numa prece, numa oferenda a Deus. Pode passar um tsunami, mas você não se esquece de Deus. Pouco a pouco, a sua fé se torna constante e inabalável, até que possa sustentar a eterna conexão com Deus.
A partir dessa conexão, você olha para o outro e enxerga além das aparências, porque você vê somente Deus e assim pode reverenciá-lo. Este é um sincero namaste: a divindade que está em mim saúda a divindade que está em ti.
Se verdadeiramente utilizar essas oito chaves na sua vida, inevitavelmente você irá experienciar a paz. Essa é a minha experiência.  
Durante a fase do desenvolvimento da consciência que eu chamo de “ABC da Espiritualidade” ou purificação do “eu inferior”, muitas vezes, descobrimos verdades pouco agradáveis sobre nós mesmos. Durante esse processo, enfrentamos obstáculos que precisam ser removidos. Aos poucos, nós aprendemos a identificá-los e removê-los e, ao removermos aquilo que não nos serve mais, podemos nos tornar canais do amor divino, para que ele flua livremente através de nós.
(Trecho extraído do livro "Transitando do Sofrimento para a Alegria")


quarta-feira, 18 de maio de 2016

PAZ DE ESPÍRITO Sentiu tristeza?


 - Agradeça a tua vida. Se você deseja realmente ser feliz, agradeça a todas as coisas boas que possui neste momento. Se você é saudável, agradeça, pois, agradecendo, coisas boas surgirão cada vez mais. Observe que tendemos a reparar só nas coisas que a gente não têm e esquecemos de agradecer o que temos. Lembre-se: Quanto mais você se queixar, reclamar e até mesmo amaldiçoar o que não tem, mais a sua vida se torna um "mar de insatisfação" e você acaba se tornando uma pessoa amarga. Portanto, não amaldiçoe a sua vida. 

Sentiu irritação?
 - Meia hora de silêncio. Deixe a irritação vir. De olhos fechados, preste atenção no seu corpo. Sinta, não analise, não controle. Se tiver vontade de chorar, gritar, faça! Fique com você, com suas sensações físicas, observe, fique apenas observando as suas reações corporais. Deixe que seus sentimentos e reações de seu corpo se manifestem. Preste atenção em seu corpo. Se vier sensação de enjôo, deixe vir e só observe, não queira controlar, solte o seu corpo. Quando você só observa e deixa os seus sentimentos e sensações físicas se manifestarem, normalmente essas sensações desagradáveis se transformam em sensações agradáveis. Se você se entregar a este exercício, não querendo controlar a sua mente e o seu corpo, a sua energia vital irá fluir de forma mais livre. 

Critica destrutiva aos outros? 
- Dê uma olhada para você. O que mais você cobra dos outros, é o que menos faz consigo mesmo. As pessoas são o nosso espelho. Elas refletem os defeitos - que a gente não quer perceber - que existem em nós. Você cobra, por exemplo, que o seu marido não lhe dá carinho, atenção. Vai aqui uma pergunta: Será que você está se dando carinho? Você se dá colo? Ou você é seca, muito dura consigo mesma? Se você for realmente honesta com você, vai refletir a esse respeito. Faça um exame do que você é, de como vem se tratando. Reflita sobre como você se relaciona com os outros. Se você é daquelas pessoas que querem controlar os outros, a vida (porque é insegura), acaba ficando rígida, se desvitalizando e, conseqüentemente, perde o ânimo pela vida. Vida é movimento, dinamismo, mudanças. Como toda pessoa insegura, você odeia surpresa e os imprevistos. E, com isso, passa a não viver a vida. Acaba se tornando uma pessoa formal, não se descontrai, não deixa que a vida a leve. Você quer levar a vida, controlá-la, quer que as coisas aconteçam do seu jeito. Enfim, quer "domá-la". Lembre-se: a vida não se curva, não se submete a ninguém. Talvez você não tenha percebido que é você quem tem que se curvar a ela e reverenciá-la. Mas para isso, você precisa exercitar a humildade.