quarta-feira, 17 de junho de 2015

Alerta aos Médiuns

Joel Fernandes de Souza
As verdades colhidas através da experiência são incontestes porque têm por origem os fatos, chegando mesmo a confundirem-se com eles; e diante dos fatos nada temos a fazer senão aceitá-los e procurar-lhes as causas mediante argumentos racionais bem colocados.
Assim sendo, ocorrem fatos comportamentais nas fileiras espíritas-mediúnicas aos quais não podemos tapar os olhos, fingindo não vê-los, até mesmo porque tal atitude seria inócua, uma vez que não nos faria chegar às suas causas. Todavia, do quê, exatamente, estamos falando? A quais fatos estamos nos  referindo? Àqueles fatos comportamentais nos quais o médium, costumeiramente – e tal costume por ser tão freqüente acabou por se transformar numa viciação –, se habituou a se colocar na confortável posição de ser um ser doente e cujo agente morbígeno é exatamente, por mais paradoxal que isto possa parecer, o seu próprio dom, ou talento mediúnico. E por que isto? Porque, segundo pensa, é esta faculdade o motivo pelo qual se julga uma criatura“muito necessitada”, portanto, carente de infindos cuidados e, em conseqüência, menor, diminuída, enfraquecida. E tanto esta lamentável atitude é considerada verdadeira no interior do movimento espírita que até os próprios dirigentes dos Trabalhos de Desobsessão, bem como os Expositores das Escolas de Educação de Médiuns, a endossam quando reprisam: “... o médium é uma criatura muito sensível ...”“... a sensibilidade do médium é diferente das demais pessoas, ela é aflorada à pele ...”“... o médium é uma pessoa que qualquer tribulação mais ou menos forte pode desequilibrar o seu emocional, quando tal não ocorre de fato ...”“... precisamos tomar muita cautela com o médium porque, você sabe, a mediunidade o torna muito vulnerável, uma vez que ele é muito suscetível às indisposições trazidas pelos ruges-ruges do dia-a-dia ...”“... não brinque com o médium hoje porque, hoje, ele está muito sensível, já que qualquer médium é muito impressionável ...”, etc. Ora, com tais idéias disseminadas, instaladas e alastradas, qual é a única conclusão racional – porque apoiada em eventos vivenciados – que podemos, com segurança, extrair desta síndrome generalizada? A de que a mediunidade é um poderoso agente patológico, tendo em vista que o seu portador é um queixoso do tipo psicológico emocionalmente instável e sensível a quaisquer melindres, logo, um ser extremamente vulnerável porque é suscetível a este imenso leque de doenças de natureza psicossomática tão bem catalogadas na Psicologia e na Psiquiatria.
Porém, como a doença é o efeito de um atuador morbífico, e como o que nos interessa é atuar nas causas para eliminar os efeitos, perguntemo-nos então: qual é, realmente, a causa primeira, geradora e responsável pelo desencadeamento deste conjunto de sintomas que se repete a cada vez em que o médium comparece ao serviço mediúnico? A culpa, ou o que dá no mesmo, a idéia cultivada por ele próprio de que é um ser culpado e condenado pela divina justiça e que, justamente por causa daquela condenação, encontra-se “aqui”, reencarnado “nesta condição de médium”, para expiar pelos delitos perpetrados em reencarnações anteriores; e a pena à qual foi sentenciado é a de ser “portador da mediunidade”. Segue-se daí que o passo seguinte a ser inferido será o de considerar a mediunidade como sendo, portanto e ao mesmo tempo, uma prisão-sanatório modelar existente – mas existente como um grilhão –, para lhe restituir a saúde e a paz de espírito perdidas a partir daqueles tempos idos. Ato contínuo, tal arrazoado nos permite deduzir, avançando um pouco mais, que, no limite, podemos mesmo declarar com firmeza uma de duas, considerando o conhecimento dos postulados espíritas: ou estes não lhe fizeram bem ou não foram completamente inteligidos, pois estão a lhe produzir efeitos contrários.
E agora, de posse deste quadro estabelecido e em pleno funcionamento, tornemos a nos perguntar: qual é o conceito que um leigo na Religião dos Espíritos pode ter deste nosso legítimo representante? Sem dúvida que será tudo, exceto boa, tendo em vista apresentar este comportamento alterado cujo senso comum já o conceitua como sendo patológico.
Ao se sentir um ser pobrezinho por ter sido abandonado da fortuna do amor de DEUS, o médium crê que só tornará a reobter este amor maior se se permitir sofrer os tormentos dos esforços mediúnicos-desobsessivos porque, com o ego abalado pela sua baixa auto-estima – oriunda daquele complexo de culpa que o faz se sentir um ser inferior perante os demais dela libertos –, não mais se julga merecedor do apreço daquele divino amor – o que o deprime – como se isto fosse possível.
E com tais pensamentos em seu íntimo, ei-lo, não poucas vezes e geralmente à noite – tendo em vista que os trabalhos espirituais são comumente noturnos, pois durante o dia o médium trabalha para  sobreviver –, a  atravessar a cidade de um extremo a outro na direção da instituição espírita – contudo esta é uma viagem sem necessidade, pois o ideal é que exerça o seu dote no Centro Espírita do seu próprio bairro; e, além do mais, também é uma viagem feita com sofrimento, pois cada vez que a repete sente-se mais sofrido e mortificado, cada vez mais entristecido, cansado e amarfanhado nesta prática, por ter que “ainda”, e “mais uma vez”“dar este terceiro expediente”que é um fardo do qual não pode se arredar e que se constitui num infortúnio resignado. “Mas o que fazer” – diz e repete para os demais e para si, a fim de exibir e não se esquecer quão é doente e credor da comiseração de todos – “se eu mereço isto!...”.
Onde, onde a alegria do trabalho? Onde, onde a alegria de servir? Será que o médium não percebe que serve melhor, trabalha melhor, auxilia melhor, aquele que goza plenamente de vigor físico, mental, emocional e social, partes estas constitutivas do conjunto “saúde”? – e eis porque é lamentável e patológica tal situação: porque ela instala a tristeza que elimina a alegria de viver, sendo, portanto e igualmente, uma maneira antivital de se comportar.
O conceito acima, que de tão simples pertence como conhecimento ao senso comum – isto para não dizermos que a compreensão do que seja saúde tem tudo para ser considerada inata –, só é desconsiderado pelo médium porque este se julga o sofrido centro das atrações do trabalho mediúnico devido ao seu dom de “receber os Espíritos” – e este é também um pensamento equivocado porque a posição central não lhe pertence e nem pertence a quem quer que seja, uma vez que trabalha com uma equipe espiritual do qual é apenas um só dos seus inumeráveis membros –, todavia, como um alguém “tão sofredor” com muitas culpas a resgatar e o resgate, como não ignoramos, se dá pela mediação espiritual, não pela mediunidade como fim em si mesma, posto que tal posição na qual se acomodou passou a lhe fazer um bem, só que mórbido, por dois motivos: pela aprovação dos seus pares e dos outros, e porque tal aprovação o faz sentir-se melhor por haver acertado no diagnóstico e no desempenho da sua doença. Não é de estranhar, portanto, que poucos médiuns gostem e, no limite, amem a potencialidade mediúnica da qual são dotados, salvo se for devido aos motivos nominados.
Como uma pandemia, este conceito de que “o médium é um ser doente e carente, o que se constata pela sua mediunidade acentuadamente suscetível de melindres”, perigosamente se alastra e ganha campo cada vez mais, e quando os dirigentes o apóiam, propalando-o com a intenção de educar, em verdade o que fazem é deseducar as novas gerações de médiuns que se formam nas Escolas sediadas nos Centros Espíritas onde laborarão futuramente.
Como desfazer tal noção que, se não anula os esforços dos Mentores, pelo menos os minimiza? Que o conjunto dirigentes-médiuns-expositores cientifique-se de que os prejuízos acarretados pela aceitação desta idéia é grande e incide, principalmente, no bom rendimento estatístico dos resultados espirituais quando tabulados, porquanto o intercâmbio médium-Espírito sofredor, sendo de natureza psicobiofísica, permitiria um maior e mais expressivo registro de melhoria obtida pelos Espíritos sofredores se as forças morais, psíquicas, emocionais e físicas do médium estivessem em seu auge.
Por que, então, os Trabalhos de Desobsessão não consignam melhores resultados? Um dos motivos é este do qual estamos tematizando – o do médium se sentir um alguém demasiado sensível, uma pessoa melindrosa e doente por se entender “uma alma muito endividada”, como se ninguém mais o fosse, estando ou não reencarnado –; e o outro motivo é a falta de estudo do que seja, efetivamente, o compromisso espiritual-mediúnico assumido antes, por ocasião do seu planejamento reencarnatório, bem como a finalidade deste seu dom inato, desde que não se encontre submetido à expiação.
“Mens sana in corpore sano”, já asseverava JUVENAL, lembrando a todos que “o homem sábio, diz o poeta, só pede aos céus a saúde da alma com a saúde do corpo” – e nesta máxima universal, logo, verdadeira em todo o tempo e lugar, por ser intuitiva, incluímos os médiuns. Portanto, se o médium é um instrumento nas mãos dos Mentores, que notável serviço espiritual estes não fariam se aqueles fossem os melhores instrumentos possíveis!...
Não se trata aqui, neste “Alerta aos Médiuns”, de julgar e condenar, mas sim de compreender e esclarecer, auxiliando com amor, pois só quem ama educa – e a educação é a correção dos maus hábitos mentais-comportamentais pela implantação consciente dos bons. Há sempre, portanto, que se procurar a fraternidade pura a partir da percepção dos fatos, pois não é o “amor a DEUS e ao próximo, como a nós mesmos” o primeiro mandamento[vii]? Sendo assim, nada de termos pedras nas mãos, até porque “...: aquele que dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro que lhe atire pedra.”[viii]. Não obstante entendermos que todos possuem problemas, pensamos, contudo, que um problema é algo que existe de tão incômodo que deva ser superado.
Há que se ter a clara compreensão da idéia de que o melindre não deve fazer parte das nossas vidas, senão como viveremos? Como revanchistas que explodiremos contra os outros ou contra nós mesmos, se formos, respectivamente,  de índole extrovertida ou introvertida? Sendo assim, que jamais nos esqueçamos do amor-fraternidade uns para com os outros, mas comecemo-lo em mesmos em primeiro lugar, porquanto só pode dar amor aquele que o tem em si.
Por conseguinte, que iniciemos a partir de agora a mudar o entendimento do conceito de que o médium é um ser fragilizado em sua organização emocional, e cuja auto-estima se encontra depreciada, para o entendimento de que o médium é um ser vivo e vibrante, atuante e participante da vida que escolheu e um trabalhador da causa espírita cristã por sua livre-escolha – é sempre bom que se relembre isto –, considerando  que DEUS não castiga, pois é contraditório dizer que DEUS castiga a uns e perdoa a outros.
“Quando”, perguntamos, quando começará o trabalho de renovação daquele modo de pensar que deve, em função do que foi lido e compreendido, ser superado? A quem competirá a iniciativa de tal tarefa? Sugerimos que ela comece pela conscientização, em primeiro lugar, dos diretores dos Centros Espíritas para, em seguida, ser levada aos Expositores e aos dirigentes dos Trabalhos de Desobsessão, até finalmente chegar aos médiuns.
E já que “Pode, pois, dizer-se que todos os homens são, mais ou menos, médiuns” – condição esta na qual também nos incluímos –, torçamos para que tal “Alerta aos Médiuns” possa ser posto em aplicação a partir da modificação do nosso entendimento do que seja o conceito de “saúde” no instante mesmo do término desta leitura.
São Paulo, 30 de abril de 2.003.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Mediunismo, Mediunidade, Animismo e Mistificação

Freddy Brandi
A expressão mediunismo, criada por Emmanuel, designa as formas primitivas de mediunidade que fundamentam as crenças e a religião primitivas. Primitivismo; adoração inclusive de objetos inanimados, broches, talismãs, amuletos, e etc., o fetichismo nas crenças indignas e religiões africanas. A diferença entre Mediunismo e Mediunidade está na conscientização do problema mediúnico.
"A mediunidade é o mediunismo desenvolvido, racionalizado e submetido à religião religiosa, filosófica e às pesquisas científicas necessárias ao esclarecimento dos fenômenos, sua natureza e suas leis.
O mediunismo divide-se em vários ramos correspondentes, as noções africanas de que procedem. Existem as mais e as menos elevadas:
Umbanda: -  São  as práticas mais elevadas e voltadas para o bem.
Quimbanda: - Rituais selvagens provocados pelo sangue dos animais sacrificados e queima de pólvora e outros rituais relacionados a inferioridades dos espíritos.
Candomblé: - São as Danças nativas de origem africana e indígena.
A Macumba: - É um ritual muito antigo. Diz Herculano Pires que a Macumba é um instrumento de sopro, geralmente, de bambu, que é tocado para chamar os espíritos do mato, é o "despacho", ao contrário do que se pensa, não é a oferenda de comidas e bebidas que é colocada nas encruzilhadas, mas o envio de espíritos inferiores para atacar as pessoas visadas.
Mediunidade: É a faculdade humana pela qual se estabelece a relação entre homens e espíritos. Não é um poder oculto que se possa  desenvolver através de praticas, rituais ou pelo poder misterioso, desenvolve-se naturalmente nas pessoas de maior sensibilidade para captação mental, de coisas e fatos do mundo espiritual que nos cerca e nos afeta, com as suas vibrações afetivas e psíquicas.
É a faculdade ou aptidão que possuem certos indivíduos determinados médium, de servirem de intermediário entre o mundo físico e espiritual. A mediunidade é dada sem distinção a fim de que os espíritos possam levar a luz a todas as camadas, a todas as classes da sociedade, ao pobre como ao rico, os virtuosos, para os fortalecer no bem, e os viciosos para os  corrigir.
Mediunidade é simplesmente uma aptidão para servir de instrumento mais ou menos dócil, aos espíritos em geral. O bom médium é aquele que constrói boas qualidades morais e constantemente cultiva bons pensamentos, possui o hábito da oração e da leitura.
Dessa maneira , a mediunidade é a condição natural do homem, uma faculdade geral da espécie humana, que se revela em dois campos paralelos de fenômenos: os Anímicos: Que são os fenômenos mediúnicos, com há maior influência do espírito do médium na relação entre duas esferas, como nos casos de vidência. Espíritas: são fenômenos mediúnicos, quando, na relação, há uma atuação direta do espírito desencarnado sobre o encarnado, como ocorre na audiência e na psicografia.
Mistificação: São os escolhos mais desagradáveis da prática espírita; mas  um meio de evita-los, o de não pedires ao espiritismo nada mais do que ele pode e deve dar-vos; seu objetivo é o aperfeiçoamento moral da humanidade. Desde que, não vos afasteis disso, jamais sereis enganados, pois não há duas maneiras de compreender a verdadeira moral, aquela de que todo homem de bom senso pode admitir; mesmo que o homem nada peça, nem que evoque, sofre mistificações, se aceitarem o que dizem os espíritos mistificadores. Se o homem recebesse com reserva e desconfiança tudo que se afasta do objetivo essencial do espiritismo, os espíritos levianos não o enganariam tão facilmente.
Mistificar:  Quer dizer; enganar , trapacear, burlar, tapear, iludir, iniciar alguém nos mistérios de um culto, torna-lo iniciado, abusar da boa fé.
“Do que se conclui que só é mistificado aquele que merece”
Animismo: (anima – alma) Sistema fisiológico que considera a alma como causa primária de todos os fatos intelectuais e vitais, isto é, expõe o fenômeno anímico como a manifestação da alma do médium, portanto, á alma do médium pode manifestar-se como qualquer ouro espírito, desde que goze de certo grau de liberdade, pois recobra os seus atributos de espírito e fala como tal e não como encarnado. Para que se possa distinguir, se é o espírito do médium ou outro que se comunica, é necessário observar a natureza das comunicações, através das comunicações e da linguagem.
Outro grande engano é confundir Animismo com Mistificação.
 "Na verdade a questão do Animismo foi de tal maneira inflada, além de suas proporções, que acabou transformando-se em verdadeiro fantasma, uma assombração para espíritasdesprevenidos ou desatentos. Muitos são os dirigentes que condenam sumariamente o médium, pregando-lhe o rótulo de fraude, ante a mais leve suspeita de estar produzindo fenômeno anímico e não espírita. Creio oportuno enfatizar aqui que em verdade não fenômeno espírita puro, de vez que a manifestação de seres desencarnados, em nosso contexto terreno, precisa do médium encarnado, ou seja, precisa do veículo das faculdades da alma (espírito encarnado) e, portanto, manifestações anímicas".

A conclusão que chegamos é que não há fenômeno mediúnico sem participação anímica.
Existem também manifestações de animismo puro, ou seja, comunicação produzida pelo espírito do médium, sem a participação de outro espírito - encarnado ou desencarnado, pode ocorrer um processo espontâneo de regressão de memória. Existem fraudes de médiuns e de Espíritos que nada têm a ver com o animismo e o mediunismo. Pode ocorrer o desejo de promoção pessoal e de grupos. Existem a dos Espíritos que usam nomes falsos para desequilibrarem àqueles que se esquecem de estudar e julgam assim serem superiores demais. Devemos conservar a humildade e agradecer constantemente a oportunidade de servir.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Principal objetivo da mediunidade ostensiva

O principal objetivo da mediunidade ostensiva é resgate cármico, na grande maioria dos médiuns.

Resgate cármico significa correção de erros praticados nesta vida, mas a maioria deles o fora em outras encarnações.

Pelo fato do médium ter que exercitar as virtudes cristãs para ser fiel ao seu programa espiritual, vai corrigindo as tendências de reassumir os erros contidos no passado recente ou longínquo. Se é para corrigir dívidas do passado, o exercício da mediunidade não pode ser remunerado no presente, sob pena de agravamento dos débitos, com juros e correções. O médium está pagando, com seu trabalho, o que deve à lei divina, que é amor e harmonia, por se ter desviado dela, por desamor e desequilíbrio do sentimento.

O atendimento pela psicografia ( escrita), psicofonia ( incorporação), seja para orientação de encarnados ou de desencarnados, cura física e espiritual, clarividência ou clariaudiência, ou qualquer outra manifestação mediúnica, está sempre permitindo ao médium correção dos seus defeitos, ao mesmo tempo m que traz consolo e ensinamento a todos os necessitados.


FONTE: Revista Espírita Allan Kardec; ano IV, no.15.

domingo, 14 de junho de 2015

Livre-Arbítrio

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Como deve ser entendido o livre arbítrio?
A libertação é um anseio do indivíduo. As constituições democráticas a protegem e os povos dominados a buscam incessantemente. A liberdade, contudo, nunca será plena, já que a convivência com o próximo determina um limite, ou seja, o nosso direito de liberdade vai até onde começa o direito do nosso semelhante. Por exemplo: o direito de ir e vir nos autoriza a livre locomoção pelo país, no entanto não podemos invadir a casa alheia, porque então estaremos violando o direito do proprietário.
O homem ignorante, por isso ainda egoísta, orgulhoso e violento, não respeita as leis e nem o próximo, imaginando que pode livremente agir consoante a sua vontade, na busca de saciar os seus desejos e paixões. Lançando mão de vários recursos, furta-se muitas vezes à ação da justiça humana, esquecendo-se, porém, de que acima desta vige a Justiça Divina, da qual não escapará.
A legislação penal não é proibitiva, mas sancionadora. Explicando melhor: a lei não diz que proibido matar, mas estabelece pena reclusiva para aquele que tira a vida de alguém. É sabido que não se consegue evitar a infração da lei com simples normas abstratas, mas que é preciso impor-se uma reprimenda que freie a ação considerada prejudicial à praz da coletividade, posto que o homem não está suficientemente maduro para cumprir espontaneamente normas sociais.
A lei de Deus para os homens funciona da mesma maneira. Melhor diríamos que, na verdade, foi a sociedade que estabeleceu para si, embora ainda imperfeitamente, a mesma lei do Criador. Existe uma lei natural conhecida como ação e reação, pela qual o homem sempre colherá os frutos do que plantou, sejam eles saborosos ou amargos. Todos os dias estamos sujeitos aos efeitos dessa regra fundamental da Justiça Divina. Quando ingerimos muita bebida alcoólica, reage o corpo com mal estar, dor de cabeça, como se diz, com a ressaca. Quando somos cordiais, prestativos e alegres para com as pessoas, conquistamos muita simpatia e amizade; mas se somos grosseiros, carrancudos e ofensivos, só temos desafetos e vivemos solitários.
Essa lei tem por finalidade indicar a nós, espíritos em evolução, o caminho certo da felicidade. Por outras palavras, toda vez que a nossa atitude provocar uma reação de dor e sofrimento, sabemos que ela foi errada e que não devemos incorrer no mesmo erro.
Quando mais erramos, mais presos estamos às consequências fatais dos nossos atos. Somos livres para semear, mas a colheita é sempre obrigatória. Você não é obrigado a contrair uma dívida, mas se a contraiu é seu dever pagá-la. Por isso, a exata compreensão da Lei e uma vida conforme suas regras nos torna livres e felizes. À medida que nos comportamos de acordo com a lei, libertamo-nos dos reflexos da infração e amplia-se as possibilidades de nós mesmos decidirmos o nosso destino, que embora esteja sujeito à Lei, não é absoluto. Essa a verdadeira liberdade; a liberdade com responsabilidade, com consciência.
Assim, o livre arbítrio existe para que tenhamos o mérito do nosso esforço; para que saibamos que não somos meros brinquedos nas mãos de um Criador a se divertir, mas sim filhos de um Amor ainda não bem compreendido, predestinados à felicidade.
Autor: Donizete Pinheiro
Livro: Respostas Espíritas – Edições Sonia Maria – 1ª Edição – Capítulo: 28 – São Paulo – 1997

sábado, 13 de junho de 2015

Bem Aventurados os Aflitos - Evangelho Segundo o Espiritismo (Cap. V—itens: 01 à 10)

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Justiça e Causas das Aflições
Desde os tempos mais remotos da humanidade, que o homem precisa aprender a lidar com os seus medos, suas inseguranças, angústias e de todos os tipos de dificuldades encontrados na sua caminhada.
Podemos citar algumas dificuldades do nosso dia a dia, tais como: MORAISFÍSICASSAÚDE eFINANCEIRA.
Diante de toda essa complexidade no qual nos deparamos, em que podemos atribuir essa responsabilidade? Em Deus ou em nós mesmos?
DEUS é bom e justo para com todos os seus filhos, e a sua misericórdia é tão infinita, que jamais dará privilégios ou regalias à determinada pessoa (espírito) em detrimento de outra. Porém, o nosso Pai nos concede o Livre-arbítrio, no qual podemos fazer as nossas escolhas.
Porém, não podemos fugir ou mesmo ignorar a nossa responsabilidade diante dos nossos atos.
Por meio dos ensinos de Jesus, Deus pôs os homens na direção dessa causa, e hoje, julgando-os suficientemente maduros para compreendê-la, lhes revela completamente a aludida causa, por meio doESPIRITISMO, isto é, pela palavra dos Espíritos (item 03 do Evangelho Segundo o Espiritismo — Allan Kardec)
Um dos ensinamentos deixados para a nossa evolução moral por JESUS CRISTO, que devemos colocar em prática do nosso dia a dia.
“AMAR A DEUS SOBRE TODAS AS COISAS E AO PRÓXIMO COMO A TI MESMO”.
Todas as dificuldades encontradas na nossa caminhada, acontece porque ainda somos espíritos imperfeitos e impregnados pelo orgulhovaidadeciúmeinvejaódio, e entre outras mazelas morais. E através de todas essas imperfeições morais, que vivemos em um mundo totalmente desigual.
E esse mesmo mundo totalmente desigual, onde milhares pessoas sofrem:
· Por causas das guerras de interesses religiosas e territoriais.
· Pela desperdício e pela má distribuição de alimentos, contribuindo com o aumento da miséria em muitos países.
· Pela manipulação das informações divulgadas pelos meios de comunicações (rádio, jornais, televisão e internet), contribuindo para o comodismo e falta de vontade de mudança por parte das pessoas.
· Pela alienação religiosa, onde algumas entidades religiosas procuram atribuir todas as ações equivocadas que são realizadas pelas pessoas, ao “diabo, demônios” e ignorando que todos são responsáveis pelos seus atos.
· Por desastres naturais (desabamentos, enchentes) destruindo muitos lares e ocasionando mortes inesperadas, sem qualquer explicação na visão humana. (item 06 do Evangelho Segundo o Espiritismo — Allan Kardec)
· Pelo crescente número de suicídios por diversos motivos.
· Por perdas dos entes queridos (familiares) de forma repentina.
O mundo precisa constantemente de mudanças, e esse dia chegará no momento em que o homem:
· Aprender à respeitar o seu semelhante.
· Ser solidário com o sofrimento alheio.
· Compreender à Justiça Divina.
· Colocando-se no lugar do seu semelhante.
E essa mudança ocorrerá, no momento da nossa conscientização, partindo do entendimento que toda e qualquer transformação moral começa por nós mesmos. E em contra partida, o Planeta Terra refletirá toda essa mudança e será um mundo mais justo para todos os seus habitantes.
Autora: Rosane Vilela Merat

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Na Hora da Tristeza

“Vós sois a luz do mundo”
Jesus (Mateus, 5: 14)
“Não digais, pois, quando virdes atingido um de vossos
irmãos: ‘É a justiça de Deus, Impor ta que siga o seu curso’.
Dizei antes: ‘Vejamos que meios o Pai misericordioso me pôs
ao alcance par a suavizar a sofrimento do meu ir mão’.”
(Cap. V, Item 27)

Entraste na hora do desalento, como se te avizinhasses de um pesadelo.
Indefinível suplício moral te impele ao abatimento, magoas antigas surgem à tona.
Sentes-te à feição do viajor, para cuja sede se esgotaram as derradeiras fontes do caminho.
Experimentas o coração no peito, qual pássaro fatigado, ao sacudir, em vão, as grades do cárcere.
Ainda assim, não permitas que a ansiedade te lance à tristeza inútil.
Se a incompreensão alheia te azedou o pensamento, recorda os companheiros enfermos ou mutilados, quando não conhecem a própria situação, qual seria de desejar e prossegue servindo, a esperar pelo tempo que lhes dará reajuste.
Se amigos te abandonaram em árduas tarefas, à caça de considerações que lhes incensem a personalidade, medita nas crianças afoitas, empenhadas a jogos e distrações nos momentos do estudo, e prossegue servindo, a esperar pelo tempo, que a todos renovará na escola da experiência.
Se deixaste entes queridos ante a cinza do túmulo, convence -e de que todoseles continuam redivivos, no plano espiritual, dependendo, quase sempre, de tua conformação para que se refaçam, e prossegue servindo, a esperar pelo tempo, que te propiciará, mais além, o intraduzível consolo do reencontro.
Se o fardo das próprias aflições te parece excessivamente pesado, reflete nos irmãos desfalecentes da retaguarda, para quem uma simples frase reconfortante de tua boca é comparável a facho estelar, nas trevas em que jornadeiam, e prossegue servindo, a esperar pelo tempo, que, no instante oportuno, a cada problema descortinará solução.
Lembra-te de que podes ser, ainda hoje, o raciocínio para os que se dementaram na invigilância, o apoio dos que tropeçam na sombra, o socorro aos peregrinos da estrada que a penúria recolhe nas pedreiras do sofrimento, o amparo dos que choram em desespero e a voz que se levante para a defesa de injustiçados e desvalidos.
Não te detenhas para relacionar dissabores.
Segue adiante e se lágrimas te encharcam a ponto de sentires a noite dentro dos olhos, entrega as próprias mãos nas mãos de Jesus e prossegue servindo, na certeza de que a vida faz ressurgir o pão da terra lavrada e de que o sol de Deus, amanhã, nos trará novo dia.
Do livro LIVRO DA ESPERANÇA
Ditada pelo Espírito:  Emmanuel
Psicografada por:  Francisco Cândido Xavier

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Convite ao Evangelho

"Segui-me e eu vos farei pescadores de homens." (Mateus: capítulo 4º, versículo 19.)
Não há outra alternativa: seguir Jesus ou atormentar-se.
Ao Seu lado a estrada apresentará os mesmos calhaus e cardos, sob sol ardente ou granizos fortes na quadra hibernal. As dificuldades não serão menos rudes e os sacrifícios em crescendo não diminuirão de improviso.
Renúncia e testemunhos à Verdade far-se-ão necessários a cada passo, de modo a exalçar a qualidade da Mensagem de que te fazes intermediário.
Semeando estrelas serás convidado a clarificar trevas, sofrendo no mister as condições de tempo e lugar onde deves agir.
Adversários de ontem e antipatizantes de hoje se darão as mãos numa cruzada severa e tirânica em oposição aos ideais nobremente acalentados. Os primeiros, reencarnados ou não, conhecem-te as limitações e as desditas pretéritas em que te arrimavas: não crêem na tua renovação atual. Os segundos, impossibilitados de alçarem vôos soberanos contigo, vitimados pela imperícia, sentir-se-ão mal ante a primavera das tuas aspirações, marchando, sutis uns, violentos outros de encontro às elevadas cogitações que te arrebatam.
Distante dEle não menores são as tribulações. Amplia-se o campo a joeirar e a dor envolvente não tem consolo.
Em Jesus, no entanto, encontrarás segurança e sustentação.
Sem Ele, experimentarás o vazio da soledade e o desespero da inutilidade.
O Evangelho é clima de paz em permanente efusão de esperança.
O mundo é só oportunidade.
O que ora não colimes, lobrigarás depois.
O que hoje escasseie, amanhã abundará.
Despoja-te das dispensáveis indumentárias da ambição terrena.
A jornada pela Terra objetiva aprendizagem, renovação.
Tornarás à vida verdadeira concluído o curso. E volverás com o resultado das experiências felizes ou desditosas que acumulares enquanto no curso da oportunidade.
Não te agastes face aos problemas naturais, que sejam decorrentes da tua filiação ao Evangelho.
Sábio é o homem que discerne melhor, fazendo opções elevadas: trocando o transitório de agora pelo permanente de sempre.
No corpo tudo passa, e rapidamente passa.
Apenas, as realizações se fixam como convites ao retorno reparador ou concitações a estágios mais altos.
Faze-te pescador de almas.
Atirando as redes no mar dos homens recolhê-los-ás, aqueles que padecem e anelam paz, felicitado pela inefável companhia do Cristo, o Sublime Pescador que até hoje, pacientemente, espera colher-nos nas malhas do Seu pulcro amor.
FRANCO, Divaldo Pereira. Convites da Vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 20.