domingo, 16 de novembro de 2014

Cobrança


“... de graça recebestes, de graça  dai.” - Jesus (Mt, 10: 8)  
Vez por outra, discute-se no meio espírita a questão do pagamento de taxa de inscrição para participação em eventos doutrinários. É tema delicado, que envolve muitas situações particulares e, às vezes, se choca frontalmente com opiniões até apaixonadas de alguns irmãos. Por isso, merece a atenção e a preocupação daqueles que se propõem ao trabalho espírita, mantendo as atividades sob a sua responsabilidade dentro dos parâmetros saudáveis que não são facilmente verbalizáveis numa lista de “permitido/proibido”, mas intuitivamente sentidos por aqueles que buscam agir com equilíbrio e bom-senso.
É imprescindível tenhamos cuidado constante, muita vigilância e apoio na oração, na busca de diretrizes do Alto, a fim de não levarmos o Movimento Espírita a incidir nos mesmos desvios sofridos pelo Movimento Cristão que, vagarosa e imperceptivelmente, se tornou uma religião institucionalizada, hierarquizada, na qual o trato com valores monetários passou, da contribuição espontânea para assistência aos mais necessitados, à fixação de taxas disfarçadas sob vários nomes, encaminhadas para a manutenção do profissionalismo, construção de prédios e acumulação de riquezas.
Necessário se faz que nós, que abraçamos a Doutrina Espírita – e que temos a certeza inabalável da sua missão de reviver o Cristianismo na sua pureza, simplicidade e pujança originais – avaliemos as ações que estão na nossa esfera de decisão, com vistas aos reais objetivos do Espiritismo.
Entre os extremos de dar tudo de graça – inclusive livros – e cobrar entrada ou taxa de inscrição para palestras, simpósios, seminários, há um meio-termo ideal, ditado pelo bom-senso.
Mesmo no tocante ao livro, devemos tomar cuidado para que não se estabeleça uma comercialização exacerbada, em detrimento da qualidade das obras, como, lamentavelmente, já se vê. O produto da venda do livro espírita deve objetivar o ressarcimento dos custos, ou a manutenção de atividade social. Infelizmente, não é o que se constata em muitos casos, diante do alto preço de obras – algumas de qualidade duvidosa, sob o aspecto doutrinário – que têm sido lançadas no mercado ultimamente, muitas das quais vendidas em livrarias ou centros espíritas, cujos dirigentes, muitas vezes, tentados  pela obtenção de recursos para melhoria de instalações ou para o trabalho assistencial, deixam de examiná-las criteriosamente. Não estamos defendendo, com isso, o estabelecimento de um “índex”. Só nos move a lembrança de que uma instituição espírita ao divulgar uma obra está – para a maioria das pessoas – dando-lhe aval doutrinário.
O ideal seria que as editoras fossem sociedades civis, dirigidas por conselhos não-remunerados, como acontece nos centros e outras entidades espíritas. Conforme as conveniências, os livros poderiam ser confeccionados em empresas especializadas e as entidades espíritas promoveriam a sua venda a preços capazes de apenas manter as editoras funcionando. Somente os profissionais dessas sociedades seriam assalariados para a prestação de serviços específicos, como existem em muitas entidades espíritas.
Quanto ao pagamento de taxa de inscrição, há pessoas que argumentam não terem as casas espíritas fundos suficientes para cobrir despesas com viagem de expositores, aluguel de auditório, material de trabalho. Daí, argumentam, a necessidade da cobrança de taxa de inscrição.
Será que não há outros meios de se resolver o problema? Sempre chamamos a atenção de companheiros de ideal, dirigentes de casas espíritas, para o fato de necessitarmos de colaboradores financeiros, a fim de prover pagamentos de despesas, como água, luz, telefone, material de limpeza, conservação do imóvel, etc. Há grupos espíritas que têm excesso de escrúpulos no sentido de pedir ao público em geral, levando o ônus financeiro a alguns poucos. Neste particular, lembramos Emmanuel, que aconselhou: “As obras espíritas devem ser mantidas com o pouco de muitos e não o muito de poucos.”
Concordamos que determinados eventos demandam grande movimentação financeira, entretanto cremos que há outros meios, que não sejam o de pura cobrança de taxa de inscrição ou ingresso. São procedimentos mais trabalhosos, mas parece-nos serem mais féis à maneira espírita de agir.
Por exemplo: planeja-se um seminário para algumas centenas de pessoas. Sabemos que há custos: material para estudo, pastas, e, às vezes, aluguel de auditório, serviço de som, etc. Nesse caso, por que não fazer um levantamento prévio dos custos e solicitar a contribuição sigilosa e espontânea daquele que se inscreve, alertando que, se todos pudessem pagar, o custo “per capita” seria tal, mas como nem todos dispõem de recursos, pede-se um pouco mais daqueles que podem doar.
Não se estaria assim evitando uma seleção de participantes com base no poder monetário? Como ficaria a situação de uma família que, integrada no movimento espírita, não tivesse recursos para pagamento da taxa?
Alguém, num juízo apressado, poderá dizer que não dará certo, vez que as pessoas não estão preparadas para uma contribuição espontânea. Nesse caso, achamos que seria necessário inicialmente um longo trabalho educativo dessa comunidade, a fim de sensibilizá-la para o exercício da fraternidade cristã, o que significaria uma boa base para o posterior aproveitamento de seminários mais teóricos.
Se medidas como essas não derem certo, é porque aquela comunidade espírita ainda não está suficientemente madura para empreendimentos mais amplos. Carece-lhe base. Nesse caso, seria preferível a não-realização do evento. O prejuízo para a divulgação da Doutrina Espírita seria menor. Lembremo-nos de que Paulo divulgava o Cristianismo trabalhando em teares alugados, hospedando-se em casa de irmãos, falando diante de pequenos grupos. A divulgação do Cristianismo foi feita num trabalho de “contaminação” quase que de pessoa para pessoa. Não devemos perder isso de vista. Não desejemos trabalhos de “massificação” no Espiritismo. Os congressos regionais, nacionais e mundiais têm fins específicos e não devem ser enquadrados nesse contexto. Divulgação doutrinária e evangelização é outra coisa. Lembremo-nos de que, durante mais de um século, o Espiritismo divulgou-se sem cobrança de inscrições e de ingressos e sem essa comercialização desvairada de livros... E divulgou-se muito, de maneira segura. E quando nos assalte a dúvida, é só olharmos para os imensos patrimônios que os nossos predecessores nos deixaram e imaginarmos como eles conseguiram isso tudo.

sábado, 15 de novembro de 2014

O problema das mistificações

As mistificações constituem-se num grave problema para o Espiritismo, afetando-o principalmente no tocante à sua credibilidade. Por isso, a questão precisa ser analisada e enfrentada com sinceridade. Diria mesmo que este é um dever de todo espírita. Não nos convém tapar o sol com a peneira, pois é certo que há mistificações em nosso meio. E como há!
No presente artigo, pretendo trazer o tema para o debate, na esperança de que nos tornemos observadores mais atentos e críticos. É isso, aliás, o que Kardec recomendou em O Livro dos Médiuns: “se a intenção for realmente boa, eles (os homens sensatos e bem intencionados) farão a sua advertência de maneira conveniente e benévola, abertamente e não com subterfúgios”.
De início, salientamos que não há mistificadores sem mistificados. Trata-se, portanto, de uma via de mão dupla. “A facilidade com que certas pessoas aceitam tudo o que teria vindo do mundo invisível ... é o que encoraja os mistificadores”, disse Kardec. Por isso, devemos tomar cuidado para não sermos nós os encorajadores das mistificações. Como? Recebendo todas as informações com reserva e prudência. É o que nos aconselhou o Codificador do Espiritismo. Dessa forma, não nos enganarão tão facilmente.
Os mistificadores podem ser Espíritos desencarnados ou Espíritos encarnados (os homens – médiuns ou não). É sobre os homens-mistificadores que queremos tratar neste artigo, porque os Espíritos desencarnados mistificadores já foram muito bem caracterizados por Kardec em O Livro dos Médiuns (Capítulo XXVI – Das Manifestações Espíritas), tornando-se desnecessária, por ora, qualquer apreciação adicional acerca deles.
Apressadamente, poderíamos supor que os mistificadores (homens) são somente os que recorrem a fraudes em busca de recompensas financeiras. Há muitas mistificações que visam ao dinheiro fácil, sim, mas essas, logo, logo, acabam sendo desmascaradas. A maioria das mistificações, no entanto, passa despercebida, uma vez que não conseguimos enxergar os interesses que escondem, ou seja, a notoriedade, a distinção, o status e, em especial, o poder (de decisão).
Não estamos nos referindo ao jogo político que praticamos em nossos meios sociais, como família e local de trabalho. Somos seres políticos por natureza e fazemos política o tempo todo – nem sempre de forma sadia. Mas a questão aqui é outra. Estamos tratando de embustes, de enganações, de buscar o poder por meios escusos. Estamos tratando do uso da mentira, do uso da respeitabilidade que se dá a uma mensagem supostamente advinda do plano espiritual. Estamos nos referindo a regras de conduta ou de práticas impostas por homens que fingem adotar orientações ditadas por Espíritos superiores.
Antes de qualquer avaliação, é preciso lembrar que o Espiritismo é libertador, porquanto nos propõe uma fé raciocinada, que nos liberta da prisão do medo que outras crenças impõem: medo, por exemplo, de punição, quando supomos infringir uma “lei” que não passa de uma regra criada por algum mistificador. Com a fé raciocinada, não podemos aceitar ou temer algo que não faça sentido para nós; como obedecer a regras de conduta que tentam nos impor sem maiores explicações?
Cumpre admitir, por outro lado, que, ao alimentar a vaidade, tornamo-nos muitas vezes responsáveis por essa situação. Já meditaram sobre a distinção que é feita em nosso meio entre médiuns ostensivos e não ostensivos (contrariando a Doutrina)?
Os mistificadores utilizam-se de variados meios para a realização de seus propósitos, alguns dos quais poderíamos apresentar a título ilustrativo; no entanto, preferimos deixar a exemplificação para um próximo artigo. Até lá, ficamos torcendo para que a leitura deste texto possa suscitar análises, críticas e debates.
Muita paz!

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

A Lição da Esperança

Manuel Bandeira, o respeitado poeta brasileiro, se expressou de forma sincera: “Como dói viver quando falta a esperança”.
A falta de esperança predispõe ao suicídio. Os deprimidos graves atentam contra a própria vida pelo sentimento de desesperança.
Dante Alighieri colocou os suicidas no centro do inferno, por terem cometido o maior de todos os pecados, a perda da esperança.
Certo sacerdote católico nos disse que considerava a esperança uma virtude maior do que a fé. Justificou sua opinião assim: “Muitos suicidas têm fé, pois em carta endereçada aos pais falam em Deus e pedem perdão. O que eles perderam é a esperança.”
O apóstolo Paulo, ao apresentar aos cristãos de sua época as três virtudes que ele considerava as mais importantes, colocou a esperança ao lado da fé e da caridade.
O cristão sincero jamais desanima, combate a desesperança e o tédio com rigor e não aceita “entregar os pontos” ou “jogar a toalha”.
A história das irmãs Mariana e Ana Maria de Castro, de 26 anos, residentes em Manaus, fala por si mesma. As gêmeas amazonenses ficaram 24 anos sem andar e sem falar por causa de uma doença neurológica que se manifestou quando as duas tinham dois anos de idade, após uma febre muito alta e convulsão. Elas viveram, todos esses anos, deitadas e para se comunicar com a mãe elas piscavam os olhos. O diagnóstico feito à época era de paralisia cerebral.
A família é humilde e mora num bairro pobre de Manaus. Sobrevivem da aposentadoria de uma delas. A mãe é analfabeta e lava roupa para fora para ganhar um dinheiro extra que serve para a manutenção da casa e compra de alimentos.
Há dois anos, elas foram examinadas por uma nova equipe de neurologistas e levantou-se uma nova possibilidade diagnóstica, uma doença caracterizada pela falta de dopamina no cérebro. Elas foram então medicadas com drogas usadas no tratamento da doença de Parkinson, que agem aumentando os níveis cerebrais de dopamina, e para surpresa geral voltaram a falar e andar.
Dona Socorro, a mãe das meninas, declarou que essa foi uma das maiores emoções de sua vida, ver as filhas andando e se alimentando sozinhas.
A ciência, às vezes, realiza também seus milagres. Mas o maior de todos os milagres é a disposição interior de confiança e perseverança. Deus vela por nós e na hora certa a sua presença se manifesta.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Não vamos fazer nada?


A pergunta acima, apresentada pela revista Veja, na matéria de capa da edição de 14 de fevereiro de 2007, tem a ver com a morte cruel do pequeno João Hélio, de 6 anos. A família retornava de um Centro Espírita localizado no Bairro Bento Ribeiro, Zona Norte do Rio, quando, por volta de 21 horas, foi abordada por três jovens (um deles tinha 18 anos e outro menos de 18). Tomaram o veículo dirigido pela mãe e saíram em alta velocidade arrastando pelo asfalto o pequeno João preso pela cintura ao cinto de segurança.
O crime aturdiu a opinião pública e Veja, sempre atual, apressou-se em apresentar o fato levando-nos a reflexões muito duras: Não vamos fazer nada? - indaga o articulista, num convite explícito à sociedade a se mobilizar no sentido de evitar que tragédias como essa voltem a acontecer.
Homicídios assim e tantos outros que todos os dias se verificam em nosso país e fora dele acontecem em virtude do nível evolutivo de almas reencarnadas na Terra, que segundo Allan Kardec é um planeta onde predomina o mal. Espíritos ainda muito próximos de sua origem ou recalcitrantes no erro deixam-se dominar pelos instintos selvagens permitindo que suas ações sejam moldadas pela perversidade, pelo egoísmo e pela soberba.
O que fazer? - perguntamos a nós mesmos. A resposta é complexa, porque envolve múltiplas variantes, quase todas elas de conteúdo moral. Ousamos apresentar algumas propostas, alicerçadas no conhecimento espírita.
Primeira: Os criminosos deverão ser afastados do convívio social pelo tempo necessário a uma moralização mínima que lhes permita viver em contato com a sociedade. Estarão reclusos em locais que tenham pelo menos um mínimo de dignidade e sofrerão rigoroso processo educativo moral em bases cristãs.
O Espírito Camilo, através da médium Yvonne Pereira se reporta a criminosos recalcitrantes que ficam reclusos em departamentos prisionais de colônias espirituais apropriadas, submetendo-se à psicoterapia estruturada no Evangelho de Jesus.
Segunda: Em muitos casos, serão responsabilizados também, devendo acompanhá-los nos seminários de moral evangélica, os pais (particularmente aqueles que fugiram da responsabilidade, abandonando-os à sorte alheia ou tratando-os de forma cruel ou pervertida). Deverão oferecer-lhes agora todo o afeto que negaram antes, buscando o perdão e o entendimento.
Os estudos envolvendo criminosos têm mostrado que grande parte deles vem de relações familiares muito difíceis e conflituosas: pais ausentes ou alcoólatras, mães levianas e agressivas. Muitos foram vítimas de maus tratos na infância, ou até mesmo violência sexual no lar.
Terceira: As autoridades políticas, civis, jurídicas, militares ou qualquer outra estarão proibidas de mentir, furtar, corromper, desviar recursos, beneficiar-se a si ou a seus familiares dos cargos que ocupam. Se não agirem assim, serão punidas como qualquer cidadão. O exemplo deve vir de cima. Se os que detêm o poder não se mostram honrados e dignos, o que esperar dos demais?
Uma socióloga paulista, passeando pela praia de Copacabana, observou um engraxate cobrar cinqüenta reais de um turista estrangeiro, pela limpeza do par de sapatos. Ao admoestá-lo quanto àquela atitude, ouviu dele o seguinte: Esse aqui, dona, é o meu mensalão!
Quarta: As pessoas mais bem estabelecidas socioeconomicamente esbanjarão menos seus recursos pecuniários, utilizando-se deles de forma sóbria e útil à sociedade, através da promoção de trabalho remunerado com dignidade. O dinheiro e o poder são dados a Espíritos reencarnados com a missão de promover o progresso e abrir frentes de trabalho. Chico Xavier dizia que o dinheiro é como o sangue. Se estocado, coagula e causa doenças; se está circulando, leva oxigênio e saúde aos tecidos.
Quinta: A imprensa e os meios de publicidade deixarão de divulgar idéias que estimulam a cobiça e agridem aos mais pobres, apresentando tudo aquilo que eles jamais poderão ter como sendo condições essenciais a felicidade.
A agressividade e a violência na espécie humana muitas vezes surgem do sentimento de humilhação quando um indivíduo se compara com outro. A inveja tem papel preponderante nas ações humanas. O comportamento da mídia em geral e das campanhas publicitárias em particular expõe, de forma até mesmo cruel, a enorme diferença social existente em nosso país, incitando ao ódio e conseqüentemente à violência.
Sexta: A TV fará uma revisão completa de sua programação, deixando de invadir nossos lares com idéias vazias, que estimulam a licenciosidade e promovem o desrespeito aos valores de honestidade, responsabilidade e compromissos afetivos.
Em um país budista localizado no Himalaia, de nome Butão, seus habitantes nunca tinham visto televisão. Em 1999, o rei introduziu ali uma rede de TV. De lá para cá, aumentaram de forma significativa, naquela nação, os índices de adultério, dependência química, violência e criminalidade.
Sétima: Os usuários de drogas ilícitas jamais voltarão a usá-las, pois eles são cúmplices de grande número de crimes que se dão próximos ou distantes deles. É o usuário que alimenta o tráfico. Sem consumo, não há venda. Sem venda, fecha-se um canal importante de violência.
Oitava: A classe média deverá envolver-se diretamente com os problemas sociais, assumindo a responsabilidade que lhe compete na instrução dos menos favorecidos, dando-lhes as oportunidades que merecem e a inclusão a que têm direito.
A indiferença perante as necessidades alheias gera uma postura de comodismo e de transferência de responsabilidade. Todos precisam se envolver e dar a sua contribuição.
Nona: As lideranças religiosas viverão de forma simples e sóbria e deverão estar ao lado dos fiéis, vivenciando suas angústias e acolhendo-os com fraternidade, fazendo como Jesus, que tinha como templo a natureza e como oração a prática do bem.
O objetivo da religião é a ligação do homem com Deus. Só se pode ligar-se a Deus, ligando-se aos homens, sua obra.
Décima: Cada um de nós fará diariamente uma longa viagem interior para identificar em nós o germe da crueldade e da indiferença, assumindo um compromisso de jamais lesarmos ou prejudicarmos nosso semelhante, assumindo aquilo que nos compete no processo de engrandecimento moral do planeta.
O remédio é amargo, mas para enfermidades longas e graves a terapia tem que ser profunda. A problemática da criminalidade e da violência não encontrará solução em decretos que digam apenas o que os outros têm que fazer, sem promover reformas em toda a coletividade.
A Terra será um mundo melhor, quando nós formos pessoas melhores.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Morte de pessoas famosas...

A morte de pessoas famosas desperta comumente a curiosidade nas pessoas. Seja pela vida que levam, seja por terem seu nome veiculado constantemente nos órgãos de comunicação, quando há o desencarne de alguém famoso sentimo-nos no direito de comentar e emitir nossas opiniões.
Afinal, os famosos parecem que são “nossos” amigos, vizinhos, camaradas...
Estamos com eles todos os dias no jornal, na telinha, enfim...
Entretanto, a realidade é que são Espíritos, e assim como nós estão em trânsito pela Terra.
Recordo-me quando desencarnou a cantora inglesa Amy Winehouse e o alvoroço em torno de seu desencarne.
Todos comentando, falando, julgando...
Fico a imaginar:
Como deve ter sofrido esse Espírito. Aturdido na realidade espiritual, naturalmente sentia em cheio as vibrações emitidas pelos comentários menos honrosos sobre sua conduta na Terra.
Direcionaremos, portanto, os nossos comentários para a falta de educação de algumas pessoas quando ocorrem fatos deste naipe envolvendo gente famosa.
Os exaltados e precipitados logo tacham: Drogada! Benfeito! O mundo não perdeu nada!
O cristão não deve agir assim, pois é faltar com o mais elementar exercício de caridade.
O pior é que grande parte das pessoas que estão conectadas aos acontecimentos se arvoram em tachar e julgar o comportamento do famoso ou até do anônimo que se foi. Da língua quase ninguém escapa. Como se o cantor, artista ou jogador não fosse um Espírito em estágio evolutivo.
Essas figuras que aparecem na televisão e são denominadas de ícones ou ídolos são, em realidade, nossos irmãos que merecem nessas horas ou a prudência de nosso calar ou, orações, a fim de que suas dores possam ser ao menos diluídas.
No entanto, como já citamos, observamos comentários mal-educados provindos de gente que se diz cristã.
Lamentável!
Esses comentários maldosos, conforme já dissemos, advêm da falta de caridade. E sendo a caridade uma bandeira defendida por Kardec, o espírita deve esforçar-se por praticá-la em sua mais ampla acepção.
No caso da cantora inglesa e tantos outros famosos que já se foram, o que seria, então, caridade?
Orar por eles, ou, ao menos, calar-se para não emitir pensamentos destrutivos em direção a alguém que já se destruiu o suficiente.
Percebe-se aí que o espírita tem o dever de lutar contra suas tendências de fofocar e maldizer a vida alheia.
Se ela morreu por overdose, oremos ou calemos. Os mais conscientes irão orar. Os indiferentes se calar. Os maldosos fofocar.
Em qual desses quesitos nos encaixamos?
Quando Jesus disse vigiar, certamente Ele também se referia ao vigiar o que dizemos em frente à televisão, comentamos com os amigos ou postamos na rede mundial de computadores em face da desencarnação de alguém famoso ou nem tanto.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Distantes e próximos

“Loucura do amor não atendido, o ódio revela a presença predominante dos instintos agressivos vigentes, suplantando os sentimentos que devem governar a vida. Jamais havendo motivo que lhe justifique a existência, o ódio é responsável pelas mais torpes calamidades sociais e humanas de que se tem conhecimento. Quando se instala com facilidade, expande as suas raízes como tenazes vigorosas, que estrangulam a razão, transformando-se em agressividade e violência, em constante manifestação.” – Joanna de Ângelis.
A revista VEJA, em sua edição 2391 de 17 de setembro de 2014, página 74, sob o título Justiça injusta, estampa duas fotos de locais distantes, mas de sentimentos de ódio muito próximos entre as criaturas. Na foto superior, vemos homens seminus, jogados de bruços no chão, com as mãos amarradas nas costas e a cara enfiada na sujeira da terra. À sua volta, de pé e com armas nas mãos, estão alguns índios com o rosto coberto que impede a sua identificação. Na foto inferior, vemos homens também deitados com o rosto voltado para o chão e mãos amarradas para trás em situação quase idêntica aos da primeira foto, rodeados e dominados por “ativistas” do chamado Exército Islâmico.
Vamos reproduzir um pequeno trecho da reportagem: “Não dá para dizer, pelas fotos, que os índios maranhenses sejam a mesma coisa que os companheiros do Exército Islâmico, cujo programa é converter todo mundo à seita da religião muçulmana; para isso degolam jornalistas estrangeiros, massacram mulheres e crianças e anunciam que vão crucificar os que não aceitarem o seu projeto. Existe, logo de cara, uma diferença essencial entre as duas situações. No caso do Maranhão, os homens deitados no chão estão apenas desaparecidos; no caso do Iraque, estão mortos. Fica muito difícil, de qualquer jeito, fazer de conta que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa; as imagens publicadas pela Folha de S. Paulo, dias atrás, mostram coincidências demais. A crueldade é a mesma. O modo de amarrar é o mesmo. O desprezo pelo ser humano é o mesmo. É idêntica, sobretudo, a degeneração moral presente nos dois momentos...”
Contemplando as fotos da reportagem de locais tão distantes no planeta, constatamos criaturas humanas que se aproximam pelo ódio e pela maldade que conseguem infligir ao seu semelhante, posicionando-se no extremo oposto à recomendação de Jesus: amar ao semelhante! Perdoar setenta vezes sete vezes! Voltar a face! Dar a capa a quem lhe exigir a túnica! Renunciar! Agir como o samaritano do caminho! E quantas coisas mais podemos relembrar como ensinamento contemplando as duas fotos estampadas na reportagem da mencionada revista?!
É evidente a melhoria do ser humano que podemos constatar quando retroagimos séculos atrás. Mas o prato da balança ainda pende nitidamente para o lado do desamor, mesmo com o argumento de que o bem não sofre a mesma divulgação que o mal, o que é uma infeliz realidade. Também é incontestável que um dia a situação será a inversa porque essa é a determinação de Deus a partir do momento em fomos criados por Ele. Entretanto, existe um longo caminho a ser duramente percorrido até instalarmos o mundo de regeneração em nosso planeta. Esse raciocínio é para estimular o desânimo? Não, pelo contrário. É para alertar a todos que já despertaram a consciência para a possibilidade de um mundo melhor, a apertarem o passo em direção a esse novo rumo sem olhar para trás depois de terem colocado “as mãos no arado” a serviço do bem.
Há mais de dois mil anos Jesus afirmou que não sabíamos o que fazíamos, e essas atitudes estampadas nessa e nas demais reportagens que nos dão notícias do desamor que ainda reina entre as criaturas, continuam a proclamar que continuamos a não saber o que fazemos.
Como sempre existe esperança porque a diretriz da Providência é exatamente essa, lembramos os ensinamentos de Joanna quando ela afirma: “O ódio permanece no mundo na condição de loucura que o tempo amorosamente irá desfazendo, fertilizando as plântulas da misericórdia, que é o germinar do amor no solo dos sentimentos.”
Se já entendemos isso, podemos considerar que estamos iniciando a nossa saída da faixa daqueles que não sabem o que fazem...

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Máximas morais do Cristo

A obra mais divulgada, mais lida, mais consultada da literatura espírita é o livroO Evangelho segundo o Espiritismo, que completou 150 anos de publicação. É a terceira obra da Codificação Espírita de Allan Kardec e surgiu em 1864, em sequência ao O Livro dos Espíritos (1857) e O Livro dos Médiuns (1861).

Conforme consta de sua página de rosto, a obra contém a explicação das máximas morais do Cristo, sua concordância com o Espiritismo e sua aplicação às diversas posições da vida. É importante que se faça esse destaque porque muita gente confunde o título achando que seria um evangelho só dos espíritas. Não!

É preciso prestar atenção ao título. Trata-se mesmo do Evangelho de Jesus, segundo o pensamento espírita, ou à luz da revelação trazida pelos Espíritos, ou ainda conforme os ensinos trazidos pelo Espiritismo.
Desdobramento natural
O livro é um desdobramento da parte terceira – que trata das Leis Morais – (com 12 capítulos e 306 perguntas) de O Livro dos Espíritos, justamente para comentar, ampliar e tornar ainda mais claro o pensamento de Jesus, seus ensinos morais, estudando-os à luz dos princípios espíritas, resgatando tais ensinos que formam a base da Doutrina Espírita, pois que ela está totalmente embasada no Evangelho de Jesus. Se tirarmos o Evangelho do Espiritismo, este será uma bela teoria, mas perderá sua essência, seu perfume, seu sabor.
E é justamente em O Evangelho segundo o Espiritismo que encontraremos as máximas morais de Jesus comentadas pela lucidez do Codificador que, na introdução da obra, destaca: Podem dividir-se as matérias contidas nos Evangelhos em cinco partes: os atos comuns da vida do Cristo, os milagres, as profecias, as palavras que serviram para o estabelecimento dos dogmas da Igreja e o ensinamento moral. Se as quatro primeiras foram objeto de controvérsias, a última manteve-se inatacável. Diante desse código divino, a própria incredulidade se inclina; é o terreno onde todos os cultos podem se reencontrar, a bandeira sob a qual todos podem se abrigar, quaisquer que sejam suas crenças (...). E acrescenta com a sabedoria que lhe é peculiar: “(...) reunimos nesta obra os artigos que podem constituir, propriamente falando, um código de moral universal, sem distinção de culto (...)”.
Conforto expressivo
Os 28 capítulos da obra, além da introdução, fazem da obra um referencial de conforto e orientação a qualquer pessoa, esteja ela vivendo um período de tranquilidade interior ou um período de turbulências morais da vida cotidiana. Em muitos dos capítulos, além dos comentários pessoais às transcrições dos trechos destacados dos Evangelhos, Allan Kardec acrescentou selecionadas mensagens colhidas dos Espíritos Codificadores e que intitulou Instruções dos Espíritos, com expressivo conteúdo de orientação e lucidez, para reflexões de profundidade ao comportamento moral que precisamos adotar para uma vida de equilíbrio e serenidade. Ali estão os ensinos de Jesus, comentados e ampliados à luz da Revelação Espírita. Impossível destacar um ou outro, em face da importância de todos os ensinos e capítulos da obra. Sugerimos, pois, ao leitor, consultar e vasculhar a obra na íntegra.
Duas indicações
O capítulo mais longo é o capítulo V – Bem-Aventurados os Aflitos, cujo conteúdo vem atender aos reclamos do momento difícil da vida humana e que pode ser utilizado com grande proveito pelo leitor através da reflexão na íntegra do capítulo XXVIII – Coletânea de Preces Espíritas, de expressivo indicativo à felicidade humana. Fica nossa indicação aos leitores.