terça-feira, 26 de agosto de 2014

Ação e Reação Sérgio Biagi Gregório

1. INTRODUÇÃO
O objetivo deste estudo é mostrar que o acaso não existe e que um futuro promissor depende das boas ações praticadas no presente.
2. CONCEITO
Ação – ato o efeito de agir. Manifestação de uma força, de uma energia, de um agente.
Em termos espirituais, A ação inteligente do homem é um contrapeso que Deus dispôs para estabelecer o equilíbrio entre as forças da Natureza e é ainda isso o que o distingue dos animais, porque ele obra com conhecimento de causa. (Equipe da FEB, 1995)
Reação - Ato ou efeito de reagir. Resposta a uma ação qualquer. Comportamento de alguém em face de ameaça, agressão, provocação etc.
Em termos espirituais, a reação é a conseqüência que a ação humana acarreta ao ser defrontada com a Lei Natural.  
3. ASPECTOS GERAIS
Deus, que é inteligência suprema e causa primária de todas as coisas, estabeleceu leis, chamadas de naturais ou divinas. Elas englobam todas as ações do homem: para consigo mesmo, para com o próximo e para com o meio ambiente.
Numa fase mais rudimentar, funciona o determinismo divino; com o desenvolvimento do ser, Deus faculta-lhe o livre-arbítrio, a fim de que sinta responsabilidade pelos atos praticados.
Assim, o homem tem uma lei, uma diretriz, um modelo colocado por Deus na sua consciência, no sentido de nortear-lhe os seus atos.
A reação nada mais é do que uma resposta da natureza às nossas ações. Reações estas baseadas na lei natural.
O raciocínio poderia ser expresso assim: há uma ação que provoca uma reação; a ação da reação provoca uma nova reação; a ação da reação da reação provoca outra ação. A isso poderíamos denominar de cadeias de ação e reação.
A filosofia hindu chama essa cadeia de Carma, ou seja, o somatório do mérito e do demérito de todas as ações praticadas pelo indivíduo.
A finalidade dessa cadeia de ação e reação é a perfeição do Espírito.
4. AÇÃO
4.1. PRINCÍPIO DA AÇÃO
Os movimentos que executamos em nosso dia-a-dia caracterizam as nossas ações. Fazer ou deixar de fazer, escrever ou não escrever, obedecer ou mandar são atitudes corriqueiras em nossa ocupação diária. Ocupar-se provém de um preocupar-se. À preocupação com uma ação futura, denominamos princípio da ação.
Um exemplo tornará claro esse pensamento. Barbear-se é uma ação que a maioria dos homens pratica. O barbear-se está ligado a um princípio que o indivíduo forjou para si, ou seja, ele tomou uma decisão de apresentar-se barbeado. Ele deseja estar barbeado e não barbudo, como também poderia escolher ficar com barba. Nesse caso, eliminaria a ação de barbear-se, mas deveria aparar as barbas uma vez por semana.
Assistir a ou proferir uma palestra é uma ação. O princípio subjacente a este encontro está calcado tanto na conduta do expositor quanto na do ouvinte. O primeiro tem o dever de preparar o assunto; o segundo, o preparo mental e espiritual para ouvir.
4.2. OS MEIOS E OS FINS DE UMA AÇÃO
Estamos sempre confundindo os meios com os fins. Poder-se-ia perguntar: qual o fim de uma palestra? Qual o fim de uma religião? Qual o fim de um sindicato? As respostas poderiam ser: o fim de uma palestra espírita é difundir a verdade; o fim da religião é salvar os seus adeptos; o fim de um sindicato é defender os interesses de seus associados. Pode-se, contudo, confundir os meios com os fins: o expositor pode querer fazer prosélitos à custa da verdade; o Pastor, o Padre ou o mesmo o Espírita embora clamem pela salvação do adepto, acabam proibindo a salvação do mesmo em outra Igreja que não seja a sua; O presidente do sindicato pode promover greves, não para defender os interesses dos seus associados, mas para a sua ascensão política.
4.3. AUTONOMIA DE UMA AÇÃO
Temos, por várias razões, dificuldade de agir livremente. 1) A ignorância. Como escolher quando não se conhece? 2) Desenvolvimento determinístico imposta pelo princípio de causalidade. 3) Escassez de recursos naturais. São os terremotos, tempestades, acidentes etc.
O que permanece livre dessas amarras constitui o livre-arbítrio.
Há uma lenda japonesa que retrata a autonomia da ação.
Kussunoki Massashige, famoso guerreiro do antigo Japão, celebérrimo pela sua inteligência e pelos seus lances geniais de estratégia, vivia desde sua infância no meio dos guerreiros.
Uma vez, no castelo de seu pai, observava os guerreiros que, reunidos ao redor de um enorme sino, apostavam quem deles conseguiria pô-lo em movimento. Contudo, nenhum deles, mesmo o mais hercúleo conseguiu mover milímetro do sino. O menino assistia a tudo isso com muito interesse. De repente, apresenta-se para mover o sino, desde que tomasse o tempo necessário para tal mister. Ele cola o seu corpo ao sino e começa a fazer esforço para balançar o sino. Depois de várias tentativas o sino começou a mover-se; primeiro lentamente; depois com mais força, formando uma simbiose entre o sino e o peso do garoto.
Qual a lição moral deste conto? É que devemos nos amoldar à situação e não o contrário. Observe a chegada de novos companheiros a um Centro Espírita: quantos, numa primeira reunião, não querem mudar tudo. Qual o resultado? Não conseguirão nada, porque não absorveram as atitudes e os comportamentos das pessoas envolvidas com a situação.
5. REAÇÃO
5.1. REAÇÃO NÃO É SÓ SOFRIMENTO
Geralmente, a palavra reação vem impregnada de dor e de sofrimento: é como o pecador ardendo no fogo do inferno. No meio espírita, toma-se como sinônimo de carma, que implica em sofrer e resgatar as dívidas do passado. A reação, por seu turno, nada mais é do que uma resposta – boa ou má –, em razão de nossas ações. A reação é simplesmente uma resposta, nada mais. Suponha que estejamos praticando boas ações. Por que aguardar o sofrimento? Não seria melhor confiar na Vontade de Deus, na execução de sua justiça, que nos quer trazer a felicidade?
5.2. LEI DE DEUS
Qual o móvel que determina uma reação? É a Lei de Deus. Se a prática de uma ação não for concernente com a Lei de Deus, ou seja, se ela não expressar o bem ao próximo, ela não foi praticada em função da vontade de Deus. Qual será a reação com relação à Lei? Dor e sofrimento.
Qual deve ser a nossa atitude para com a dor? Quem gosta de sofrer? Acontece que sem ela não conseguiremos nos amoldar eficazmente à Lei de Deus. Se, por outro lado, interpretássemos a dor e o sofrimento como um ganho, um aprendizado das coisas úteis da vida, quem sabe não viveríamos melhores.
5.3. A INEXORABILIDADE DA LEI
A Lei de Deus é justa e sábia. É por isso que dizemos que o acaso não existe. Isso quer dizer que tudo o que se nos acontece deveria nos acontecer. Nesse sentido, Deus não perdoa e nem premia. Faz, simplesmente, cumprir a sua Lei.
Como é que deveríamos agir com relação ao sofrimento? Verificar onde erramos. Caso tenhamos cometido algum crime, algum deslize, deveríamos nos arrepender. Basta apenas o arrependimento? Não. É preciso sofrer de forma educada. Ainda mais: temos que reparar o mal que fizemos. Deus se vale das pessoas, mas o nosso problema é com relação a radicalidade de sua Lei. E não adianta adiar porque, mais cedo ou mais tarde, a nossa consciência nos indicará o erro e teremos que refazer o mal praticado.
6. A PASSAGEM DO TEMPO ENTRE A AÇÃO E A REAÇÃO
6.1. ANTECEDENTES E CONSEQÜENTES
A causa passada gera uma dor no presente; a causa presente provoca um sofrimento futuro. Um fato social é um evento quantitativo: aconteceu em tal dia, em tal local e em tal hora. A passagem do tempo transforma o fato quantitativo em fato qualitativo. Como se explica? Observe a água: ela é formada da junção de 2 elementos de hidrogênio com 1 de oxigênio. A água, embora contenha dois elementos de hidrogênio e um de oxigênio, é qualitativamente diferente do hidrogênio e do oxigênio.
6.2. O TEMPO MODIFICA QUALITATIVAMENTE A CAUSA
Transportemos o exemplo da água para o campo moral. Suponha que há 300 anos houve um assassinato entre duas pessoas que se odiavam. Como conseqüência, criou-se um processo obsessivo entre os dois. O fato real e quantitativo: um assassinato, que produziu um agravo à Lei de Deus e que deverá ser reparado. Os 300 anos transcorridos modificaram tanto aquele que cometeu o crime quanto aquele que o sofreu. E se a vítima já perdoou o seu assassino? E se o assassino vem, ao longo desse tempo, praticando atos caridosos? Será justo aplicar a lei do olho por olho e dente por dente? Aquele que matou deverá ser assassinado? O que acontece? Embora o assassino tenha que reparar o seu erro, pois ninguém fica imune diante da lei, a pena pode ser abrandada, em virtude de seus atos benevolentes.
6.3. PERDA DO DEDO E NÃO DO BRAÇO
Esta história foi retratada pelo Espírito Hilário Silva, no capítulo 20 do livro A Vida Escreve, psicografada por F. C. Xavier e Waldo Vieira, no qual descreve o fato de Saturnino Pereira que, ao perder o dedo junto à máquina de que era condutor, se fizera centro das atenções: como Saturnino, sendo espírita e benévolo para com todas as pessoas, pode perder o dedo? Parecia um fato que ia de encontro com a justiça divina. Contudo, à noite, em reunião íntima no Centro Espírita que freqüentava, o orientador espiritual revelou-lhe que numa encarnação passada havia triturado o braço do seu escravo num engenho rústico. O orientador espiritual assim lhe falou: “Por muito tempo, no Plano Espiritual, você andou perturbado, contemplando mentalmente o caldo de cana enrubescido pelo sangue da vítima, cujos gritos lhe ecoavam no coração. Por muito tempo, por muito tempo... E você implorou existência humilde em que viesse a perder no trabalho o braço mais útil. Mas, você, Saturnino, desde a primeira mocidade, ao conhecer a Doutrina Espírita, tem os pés no caminho do bem aos outros. Você tem trabalhado, esmerando-se no dever... Regozije-se, meu amigo! Você está pagando, em amor, seu empenho à justiça...”
7. CONCLUSÃO
A prática da caridade tem valor científico, ou seja, ajuda-nos a reparar os danos que causamos à Lei Divina. Assim, se soubermos viver sóbrios e sem muitos agravos à Lei, certamente faremos uma passagem tranqüila ao outro plano de vida. 
8. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
BOULDING, K. E. Princípios de Política Econômica. São Paulo, Meste Jou, 1967.BUZI, ARCÂNGELO R. A Identidade Humana: Modos de Realização. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes, 2002.
EQUIPE DA FEB. O Espiritismo de A a Z. Rio de Janeiro, FEB, 1995.
XAVIER, F. C. Ação e Reação, pelo Espírito André Luiz. 5. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1976.
XAVIER, F. C., VIEIRA, W. A Vida Escreve, pelo Espírito Hilário Silva. 3. ed., Rio de Janeiro, FEB, 1978.
(Estudo reproduzido do site do Centro Espírita Ismael com a autorização do autor)

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

INTELIGÊNCIA E INSTINTO: A TÊNUE FRONTEIRA Renato Costa

Ramos da Ciência Surgidos no Século XX Permitem Novo Entendimento quanto à fronteira existente entre a Inteligência e o Instinto

O tema Inteligência e Instinto é desenvolvido na Codificação da Questão 71 à Questão 75 de O Livro dos Espíritos e, com mais detalhe, do Item 11 ao Item 19 do Capítulo III deA Gênese. Por falta de espaço em um artigo desta natureza, não transcreveremos as questões, as respostas dos Espíritos e o raciocínio do Codificador, nem teceremos comentários a eles. Uma clara compreensão de nosso trabalho, no entanto, não prescinde de tal estudo, motivo pelo qual incentivamos nosso amável leitor que não as deixe de estudar antes de prosseguir.

Como dissemos em nosso artigo de maio(*), publicado nesta revista, o quadro atual de conhecimento no estudo do comportamento animal é fruto da maturação de duas abordagens científicas que surgiram nas décadas de 20 e 30 do século XX, quais sejam, respectivamente, a  Psicologia Associativa e a Etologia. A primeira teve início nos EUA, com a participação de psicólogos e com enfoque nos comportamentos de exemplares de animais testados em experimentos de laboratório, associando tais comportamentos a aprendizado.  A segunda, na Europa, com a participação de zoólogos e com enfoque nos comportamentos espécie-específicos de exemplares observados em seu habitat natural, associando tais comportamentos a instintos inatos ou herdados geneticamente. Durante um certo tempo houve acirrado debate entre os estudiosos partidários das duas abordagens, debate esse que ficou conhecido em inglês como o “the nature x nurture controversy” (a controvérsia natureza x criação). Hoje em dia, no entanto, prevalece a noção de que o comportamento animal deva ser visto sempre segundo seus dois componentes, o instintivo e o aprendido, que aparecem, um e outro, em maior ou menor grau, conforme a circunstância que se apresenta.

Antes de prosseguirmos em nosso estudo, convém notarmos que nenhuma das duas abordagens ao estudo do comportamento animal que deram origem ao atual estágio de conhecimento científico havia ainda surgido por ocasião da Codificação. Em conseqüência desse fato, tudo o que vamos falar sobre comportamento animal daqui em diante são elementos de observação de que Allan Kardec não dispunha quando escreveu na Codificação sobre inteligência e instinto.

“Todo ato maquinal é instintivo ... Ao ato instintivo falta o caráter
do ato inteligente ...” 
(GE III, 12)

Os termos comportamento instintivo oucomportamento inato são usados para designar os comportamentos que os etologistas entendem como herdados e controlados geneticamente, o que nós, espíritas, entenderíamos como patrimônio da alma. É caracterizado um comportamento instintivo quando animais de uma mesma espécie seguem todos a mesma seqüência de ações quando sob as mesmas condições ambientais. Comportamentos instintivos podem ser de três tipos: taxias, que são movimentos automáticos de um organismo, aproximando-se de um estímulo ou se afastando dele, como ocorre com os cupins em relação à luz; reflexos, que são respostas involuntárias de um organismo frente a um estímulo, como o retrair da mão de um animal quando ela toca um objeto quente, e padrões fixos de ação (PFA) ou instintos propriamente ditos, que são padrões complexos de comportamento, porém, geralmente, inflexíveis e que envolvem todo o corpo do animal, podendo necessitar de um estímulo externo para serem disparados. Exemplos simples são casais de aves alimentando bocas abertas (não necessariamente filhotes), reação de medo a predadores e a resposta de fuga ou ataque de um animal frente à agressão. Um exemplo mais complexo são os milhares de movimentos que uma aranha repete quase sem alteração cada vez que tece suas teias de aparência sempre igual.

O termo comportamento aprendido é usado para designar alterações no comportamento como resultado de experiências vividas. As modalidades existentes são as seguintes:estampagem, que é um comportamento que possui componente inato e aprendido e é adquirido em um período específico e limitado de tempo na vida do organismo. Patinhos recém-nascidos, por exemplo, identificarão como sua “mãe” (protetora) e semelhante (outro indivíduo da espécie à qual pertencem) um objeto de razoável tamanho que se mova e emita sons, desde que este for a primeira coisa que vejam junto a si no momento em que nascem e por um breve período após. Daí em diante seguirão o objeto onde ele for. A estampagem persiste pela vida do indivíduo. Esse comportamento se chama de estampagem porque equivale a uma estampa gravada para sempre no indivíduo. Somente espécies menos evoluídas estão sujeitas à estampagem; habituação, que é uma redução em uma resposta anteriormente apresentada quando nenhuma recompensa ou punição se segue. Se um barulho estranho for ouvido por um cão de guarda ele entra em alerta. Seesse mesmo barulho voltar a ocorrer sistematicamente na mesma hora e nas mesmas circunstâncias, dentro de certo tempo o cão se habituará ao barulho e não mais entrará em alerta devido a ele; condicionamento clássico, que consiste em associar uma resposta já existente a um estímulo novo ou substituto. É uma forma importante para alterar um Padrão Fixo de Ação (Instinto) de modo ao animal poder se adequar com mais precisão a circunstâncias ambientais. Se o dono de um cão soar um sino antes de servir a ração ao animal, este se condicionará a salivar toda vez que ouvir tocar um sino, pois terá condicionado a oferta de ração ao estímulo de ouvir o sino que, a princípio, nada tem a ver com alimentação; condicionamento instrumental ou aprendizado por tentativa e erro, que consiste em se modificar uma resposta pré-existente a um estímulo ou criar novas respostas. Ocorre, por exemplo, quando o animal aprende quais comidas são saborosas e quais não são.  Testes de laboratório comuns para avaliar a capacidade que um animal tem de aprender por tentativa e erro são labirintos que o animal deve percorrer para receber uma recompensa, usualmente uma comida de que gosta. Uma vez resolvido o labirinto o animal geralmente memoriza a solução e passa a ir direto até a meta, demonstrando que aprendeu uma seqüência lógica e visual, e aprendizado por “Insight” ou discriminação, que é um tipo de comportamento que, indubitavelmente, requer inteligência, pois o animal deve analisar a situação, examinar quais os elementos de que dispõe e criar uma solução inteiramente nova para atingir sua meta. Verifica-se quando, por exemplo, um chimpanzé faz uma pilha de engradados para usar como escada de modo a obter um prêmio em comida pendurado fora de seu alcance, sem nunca ter visto antes essa solução. Ou ainda, quando um corvo da Nova Caledônia dobra um pedaço de metal com seu bico para apanhar a comida no fundo de um tubo após ter observado um corvo maior ter se apossado do único pedaço curvado de metal que havia disponível e ter conseguido com o mesmo atender à mesma meta.
 
“A inteligência se revela por atos voluntários, refletidos, premeditados, combinados, de acordo com a oportunidade das circunstâncias.” (GE III, 12)

Agora que conhecemos os termos corretos para identificar os diversos tipos de comportamento animal é importante sabermos que o comportamento animal em cada circunstância pode ser um casamento de vários desses tipos, cada um deles participando em maior ou menor grau.
 
“Aliás, é freqüente o instinto e a inteligência se revelarem
simultaneamente no mesmo ato.”
 (GE III, 13)

Quando um castor constrói uma barragem, por exemplo, assume-se que a solução de construir a barragem seja um padrão fixo de ação ou instinto. Está na memória genética de sua espécie, segundo os cientistas, ou na memória anímica da espécie, segundo uma visão espírita, que a construção de barragens é uma forma de garantir a formação de um lago da profundidade conveniente para que ele possa construir sua moradia ao abrigo dos predadores e possa ter uma reserva de alimentos acessível durante o inverno, quando a superfície do lago está congelada. Entretanto, a constatação de se o lago precisa ou não ser aprofundado e a forma como irá construir a barragem, se necessária, assim como a escolha do material de que se irá utilizar para tal, são todos comportamentos aprendidos, parte  por tentativa e erro, quando já age sozinho na fase adulta, mas parte, certamente, sob orientação de sua mãe quando mais novo.

Um outro exemplo, além do do castor, é o das aves que constroem ninhos, sempre se adaptando aos materiais encontrados nos locais para onde se mudam e às características desses locais. A maioria das interações possíveis em determinado ambiente é por demais complexa para que instintos fixos delas se incumbam. A participação do comportamento aprendido, tanto na forma de tentativa e erro como na forma de aprendizado por “insight”, é, portanto, muito importante para animais que se deslocam de um para outro ambiente.

Ao contrário dos instintos, que são consolidados na espécie e passados entre as gerações, os comportamentos aprendidos requerem, para sua fixação, a manutenção por longos períodos das circunstâncias que os permitiram ou provocaram seu aparecimento. É desse modo que comunidades de determinada espécie que migraram há séculos de uma para outra região, vão, aos poucos constituindo uma nova espécie, com instintos modificados em função da adaptação às novas condições. A modificação de instintos a partir de comportamento aprendido, após a consolidação desse último, sugere, para os cientistas, que houve uma mudança genética na espécie e, para nós, espíritas, que mais um aprendizado foi adicionado ao seu patrimônio anímico.

Como vemos, a fronteira que separa a inteligência do instinto é bastante tênue. Não só porque vários comportamentos que eram tidos como instintivos hoje são ditos inteligentes como pelo fato, constatado pelos estudiosos, de que os comportamentos aprendidos por tentativa e erro e por “insight”, que requerem inteligência para ocorrer, podem, ao cabo de várias gerações, ser consolidados como instintos. O instinto, portanto, ou, pelo menos, a parte dele conquistada após a definição da individualidade, pode ser visto como uma espécie de inteligência fóssil enterrada nas profundas camadas da mente.
Bibliografia
Cardoso, Sílvia Helena, PhD e Sabbatini, Renato M. E., PhD. Aprendendo quem é a sua Mãe – O comportamento de Imprinting. Obtido em março de 2003 de
http://www.epub.org.br/cm/n14/experimento/lorenz/index-lorenz_p.html.
Animal Behavior, Chapter 20. Obtido em março de 2003, de 
http://clab.cecil.cc.md.us/faculty/biology1/behavior.htm.
Beaver. Canadian Wildlife Service Hinterland Who’s Who. Obtido em junho de 2003, de
http://www.cws-scf.ec.gc.ca
Costa, Renato.  Os Diversos Caminhos da Evolução Anímica. In Revista Internacional do Espiritismo, Maio de 2003.
Domestic Animal Behavior. Obtido, em março de 2003, de
http://asci.uvm.edu/course/asci001/behavior.html.
Swanson David, Dr. Behavior. Obtido, em março de 2003, de
http://www.usd.edu/bol/faculty/swanson/ornith/lec16.htm.
Innate Behavior. Obtido, em março de 2003, de
http://users.rcn.com/jkimball.ma.ultranet/BilogyPages/1/InnateBehavior.html.
Kardec, Allan. O Livro dos Espíritos. FEB, 76 ed, 1995.
______, _____. A Gênese. FEB, 36 ed, 1995.
Kohler’s Work on Insight Behavior. Animal Cognition Home Page. Obtido, em março de 2003, de
(*) Os Diversos Caminhos da Evolução Anímica
(Artigo Publicado na Edição de Dezembro de 2003 da  Revista Internacional de Espiritismo)

O autor é engenheiro e expositor espírita no Rio de Janeiro

domingo, 24 de agosto de 2014

CARNE: COMER OU NÃO COMER? EIS A QUESTÃO SOB A LUZ DA DOUTRINA ESPÍRITA Alexandre Fontes da Fonseca Centro Espírita Irmão Agostinho – Brotas – SP

A questão sobre a alimentação tem sido bastante discutida no movimento espírita. Mensagens como a de Emmanuel (questão 129 da Ref. (1)) e de André Luiz (Cap. 4 da Ref. (2)) desaconselham o uso da alimentação carnívora. Entretanto, isso parece se contrapor com a orientação básica dos Espíritos superiores presentes nas questões 722, 723, 724 e 734 do Livro dos Espíritos (3). Reproduziremos aqui a questão 723: 
723. A alimentação animal é, com relação ao homem, contrária à lei da Natureza?
Dada a vossa constituição física, a carne alimenta a carne, do contrário o homem perece. A lei de conservação lhe prescreve, como um dever, que mantenha suas forças e sua saúde, para cumprir a lei do trabalho. Ele, pois, tem que se alimentar conforme o reclame a sua organização”.
Pretendemos demonstrar aqui que a recomendação de Emmanuel e André Luiz de se evitar a alimentação carnívora possui bases doutrinárias não estando, portanto, em desacordo com o Espiritismo. Para isso, recorremos à Revista Espírita de dezembro de 1863 onde Kardec reproduziu uma mensagem do Espírito Lamennais (4) que esclarece de modo claro todos os ângulos dessa questão: 
"Sobre a alimentação do Homem
(Sociedade de Paris, 4 de Julho de 1863. Médium: Sr. A. Didier)

O sacrifício da carne foi severamente condenado pelos grandes filósofos da antiguidade. O Espírito elevado revolta-se à idéia de sangue e, sobretudo, à idéia de que o sangue é agradável à Divindade. E notai bem, que aqui não se trata de sacrifícios humanos, mas unicamente de animais oferecidos em holocausto. Quando o Cristo veio anunciar a Boa-Nova, não ordenou sacrifícios de sangue: ocupou-se unicamente do Espírito. Os grandes sábios da antiguidade igualmente tinham horror a estas espécies de sacrifícios e eles próprios só se alimentavam de frutos e raízes. Na terra os incarnados têm uma missão a cumprir: têm o Espírito que deve ser nutrido pelo Espírito, o corpo com a matéria; mas a natureza da matéria influi - compreende-se facilmente - sobre a espessura do corpo e, em consequência, sobre as manifestações do Espírito. Os temperamentos naturalmente muito fortes para viver como os anacoretas
 (5) fazem bem, porque o esquecimento da carne leva mais facilmente à meditação e à prece. Mas para viver assim, geralmente seria necessária de uma natureza mais espiritualizada que a vossa, o que é impossível com as condições terrestres. E como, antes de tudo, a natureza jamais age contra o bom senso, é impossível ao homem submeter-se impunemente a essas privações. Pode ser-se bom cristão e bom espírita e comer a seu gosto, desde que seja razoável. É uma questão algo leviana para os nossos estudos, mas não menos útil e proveitosa". (os grifos são nossos).
Essa mensagem explica que a dieta sem o uso da carne é melhor, pois isso “leva mais facilmente à meditação e à prece”.Isso aconteceria, pois, segundo Lamennais, a natureza da matéria influi nas manifestações do Espírito. Podemos comparar a situação com os vícios. Aquele faz uso de uma droga, por exemplo, impregna seu perispírito de vibrações que limitarão suas manifestações no mundo espiritual. Da mesma forma, o uso de uma dieta menos carnívora torna o perispírito menos “espesso” (usando aqui uma palavra que Lamennais usou no texto) o que permite que ele tenha mais facilidade em elevar seu pensamento em prece.

Porém, Lamennais, de modo responsável, deixou claro que a dieta vegetariana dependeria do aprimoramento espiritual da nossa Humanidade terrestre, o que ainda não ocorre. Daí adverte que “a natureza jamais age contra o bom senso, é impossível ao homem submeter-se impunemente a essas privações”. Por isso a questão 723 acima não condena o uso da carne. Sobre privações, a questão 724 do Livro dos Espíritos (3) recomenda: 
724. Será meritório abster-se o homem da alimentação animal, ou de outra qualquer, por expiação?
Sim, se praticar essa privação em benefício dos outros. Aos olhos de Deus, porém, só há mortificação, havendo privação séria e útil. Por isso é que qualificamos de hipócritas os que apenas aparentemente se privam de alguma coisa”.
Dessa forma, a privação da carne só teria mérito se ocorrer em benefício do próximo. As atividades espíritas de passes e as reuniões mediúnicas constituem exemplos em que a abstenção do uso da carne, pelo menos no dia dessas atividades, pode levar a benefícios aos assistidos encarnados ou desencarnados. Mas se o tarefeiro tiver dificuldade com isso, Raul Teixeira (6) assevera que, “É mais compreensível, e me parece mais lógico, que a pessoa coma no almoço o seu bife, se for o caso, ou tome seu cafezinho pela manhã, do que passar todo o dia atormentada pela vontade desses alimentos, sem conseguir retirar da cabeça o seu uso, deixando-se de concentrar-se na tarefa, em razão da ansiedade para chegar em casa, após a reunião, e comer ou beber aquilo de que tem vontade”.

Lamennais ainda disse que "Pode ser-se bom cristão e bom espírita e comer a seu gosto"sem esquecer que isso deve ser feito “desde que seja razoável”, isto é, sem exageros.

Portanto, a recomendação de Emmanuel e André Luiz é válida e está de acordo com o Espiritismo, mas não deve ser considerada uma exigência para a realização de um bom trabalho espírita ou uma boa reunião mediúnica. Lembremos, afinal, que Jesus em Mateus, Cap. 15 e vers. 11 disse que: "Não é o que entra pela boca que contamina o homem; mas o que sai da boca, isso é o que o contamina”. E, para aprimorar o que sai de “nossa boca”e de nossos atos, devemos nos esforçar pela reforma íntima e no estudo doutrinário.

Referências
[1] Emmanuel, psicografia de F. C. Xavier, O Consolador, FEB, 20ª Edição (1999).
[2] André Luiz, psicografia de F. C Xavier, Missionários da Luz, FEB, 26ª Edição (1995).
[3] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76a Edição, (1995).
[4] Lamennais, Revista Espírita, Dezembro, pp. 387—388 (1863).
[5] Anacoreta é uma pessoa que se retira a um local isolado para dedicar-se a meditação e oração. 
[6] D. P. Franco e J. R. Teixeira, Diretrizes de Segurança, Editora FRATER, 8ª Edição (2000).

Artigo publicado no jornal O Idealista, da USE – Regional Jaú, Setembro p.9 (2006).

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sábado, 23 de agosto de 2014

A PUREZA DOUTRINÁRIA E A CIÊNCIA Alexandre Fontes da Fonseca

I. Introdução

A expressão “pureza doutrinária” ainda é mal compreendida no meio espírita. Alguns acreditam que pureza doutrinária engessa o Espiritismo, impedindo o desenvolvimento do seu caráter progressista (Kardec, item 55 do cap. I de A Gênese [1]). Entretanto, por mais contra-intuitivo pareça, é, justamente, a pureza doutrinária o ingrediente mais importante para se desenvolver o Espiritismo de modo eficiente. Para entender isso, vamos traçar um paralelo entre o conceito de “pureza doutrinária” e a postura dos cientistas no caráter progressivo da Ciência.

O que é e a importância da pureza doutrinária para o movimento espírita já foram debatidos na literatura espírita [2,3]. Como destacado anteriormente [3], o conceito de “pureza” de alguma “coisa” não tem valor pela “coisa” em si (que é pura por natureza), mas sim para quem a emprega em determinado fim. Por exemplo, faz sentido dizer que “a água que vou tormar é pura”, mas não faz sentido dizer que “a água pura é pura”. O adjetivo doutrinária apenas faz referência ao tipo de pureza que está sendo analisado. Assim, não faz sentido verificar se a Doutrina Espírita é pura pois isso é redundante! Pureza doutrinária só se aplica ao Movimento Espírita já que ele representa a prática, vivência e o emprego que se faz do Espiritismo na vida das pessoas. Nisso, será que temos consciência se tudo aquilo que estudamos, praticamos e vivenciamos reflete os ensinamentos da Doutrina Espírita? Será que a água que estamos bebendo é pura?

O Movimento Espírita (ME) é muito interessado nas descobertas da Ciência e, em particular, da Física. Logo, é sensato analisar como o caráter progressivo da Ciência se desenvolve. O que veremos a seguir é que o rigor da Ciência no seu trabalho de pesquisa representa a aplicação do conceito de pureza doutrinária no seu desenvolvimento.

Quando as pessoas assistem admiradas às notícias sobre novas descobertas da Física, mal sabem que a Física é extremamente rígida e não aceita novidades antes de se verificar todos os seus critérios de validade. Therezinha Oliveira, ao falar sobre a possibilidade de incorporação de novas revelações e conhecimentos ao Espiritismo, diz [2] que “... não sem que passem, antes, pelo crivo da razão e, quando possível, da experimentação.” Não é exatamente isso que os físicos cientistas fazem, isto é, passar pelo crivo da razão e da experimentação? Literalmente, o que os físicos fazem é seguir “à risca” o que podemos chamar de “pureza doutrinária na Física”! Mas como pode uma ciência tão progressista como a Física, adotar “pureza doutrinária” em seus critérios de pesquisa? A resposta é simples. É justamente por aplicar com todo rigor seus critérios de pesquisa, é que os resultados de pesquisa da Física tem valor! Da mesma forma, como uma verdadeira ciência, é justamente adotando “pureza doutrinária” que o Espiritismo irá progredir a passos muito mais largos do que se imagina hoje. Não é adotando, sem critérios e razão, conceitos esotéricos, práticas pseudo-científicas, e novidades de todo o tipo que o Espiritismo vai se desenvolver. Pureza doutrinária em qualquer Ciência, incluindo a Ciência Espírita, nada mais é do que a observância dos métodos, rigores, teorias e paradigmas da própria Ciência no trabalho de pesquisa e desenvolvimento de novos conhecimentos!

O equívoco decorre de se considerar o conceito de “pureza doutrinária” como fator de estagnação. Em pleno milênio das luzes do conhecimento, o ME precisa amadurecer o seu entendimento a respeito do significado real de pureza doutrinária. E, para isso, vamos analisar um pouco mais sobre como a Ciência se desenvolve.

O que confere valor a uma descoberta, em qualquer área do conhecimento, é a observância dos critérios, rigores, e fundamentos da respectiva área. Na área de Física, os físicos e cientistas seguem com rigor os métodos e conceitos estabelecidos pelas teorias e paradigmas da Física. Se algum cientista decidir utilizar métodos de outra área na investigação de conceitos de Física, isso não terá valor científico. Se algum cientista decidir inventar novos métodos sem justificá-los em termos dos métodos e conceitos atuais, isso não terá valor científico. Assim, novas descobertas só são aceitas numa área, se forem fiéis aos conceitos, critérios e métodos do paradigma original da respectiva disciplina científica.

Como exemplo, vamos analisar uma das descobertas recentes da Física que mais chamou a atenção da mídia: o bóson de Higgs. A revista Science dedicou espaço especial para vários artigos sobre o assunto (incluindo acesso gratuito a alguns deles [4]). O chamado Modelo Padrão das partículas subatômicas é considerado uma das teorias mais completas e bem sucedidas da Física, por descrever de modo preciso as propriedades das partículas que compõem a matéria, e as forças de interação entre elas (com exceção da força da gravidade). Entretanto, uma dessas propriedades das partículas que não era explicada pela teoria é a massa. A 40 anos atrás, Higgs propôs a existência de um campo que seria responsável pela propriedade de massa das partículas. Como campos, segundo a Física Quântica, são formados por um tipo de partícula chamada bóson, a responsável por esse campo levou o seu nome: bóson de Higgs. Se essa partícula realmente existisse, a massa das partículas poderia ser explicada pelo Modelo Padrão de modo consistente. O conceito de “pureza doutrinária” na descoberta do bóson de Higgs se evidencia de duas formas. Uma ao verificar que mesmo sabendo que o Modelo Padrão sustentava a existência dessa partícula, os físicos não consideravam como certa a existência do bóson de Higgs! Isso pois, de acordo com a pureza doutrinária da Física, não basta apenas fazer sentido teoricamente, a existência do bóson de Higgs precisava ser verificada experimentalmente, e com todo o rigor que a Física determina para isso.

Cientistas de diversas áreas construíram um aparelho de mais de 5 bilhões de dólares [4] para realizar os experimentos de colisões de partículas necessários para observar o bóson de Higgs. E, a segunda forma de perceber o conceito de pureza doutrinária na Física advém do seguinte. Como os fenômenos de colisão envolvidos no experimento podem ser explicados por outros fatores, foi necessário repetir as colisões de partículas por bilhõesde vezes, e por mais de um método diferente ao mesmo tempo [5]. Da análise e comparação dos resultados, foi possível demonstrar que o bóson de Higgs está presente em determinados tipos de reações nucleares com um erro de 1 em ~ 300 milhões de eventos! Só assim, os físicos deram por demonstrada a existência do Bóson de Higgs!Isso é pureza doutrinária aplicada na Física! Isso é o exemplo de cuidado que a Física nos mostra antes de se considerar como verdade uma novidade qualquer.

É preciso, pois, evitar o deixar-se seduzir pelas aparências, tanto da parte dos Espíritosquanto da dos homens; ... é preciso que tudo seja friamente examinado, maduramente pesado, confrontado, e, se desconfiamos do próprio julgamento, (...), é preciso recorrer a outras pessoas.” (Grifos em negrito, meus).  Essas palavras de Kardec, em discurso feito em 19 de setembro de 1860 aos espíritas lioneses [6], não expressa exatamente a postura de pureza doutrinária que a Física e toda Ciência adota? 

Portanto, o movimento espírita deve valorizar a pureza doutrinária em suas atividades. É justamente ela que ajudará o caráter progressista do Espiritismo.

Para desenvolver bem o caráter progressista do Espiritismo, é necessário: 1) estudar aprofundadamente as obras básicas do Espiritismo; 2) estudar as obras, mediúnicas ou não, de autores bem reconhecidos no movimento espírita, sempre verificando se elas de fato não apresentam conflitos com a base doutrinária; 3) evitar a adição de enxertos e novidades sem satisfazer o crivo da razão e sem a devida demonstração que, por sua vez, não pode ocorrer de modo superficial e sem completo dominío do assunto em questão (ver, por exemplo, a análise apresentada na referência [7]); e 4)  seguir a recomendação de Erasto (ítem 230 de O Livro dos Médiuns [8]): “É melhor repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea.” Em outras palavras, como descrito na Introdução de O Evangelho Segundo o Espiritismo [9]: “Uma só garantia séria existepara o ensino dos Espíritos: a concordância que haja entre as revelações que eles façam espontaneamente, servindo-se de grande número de médiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares. (...) Essa verificação universal constitui uma garantia para a unidade futura do Espiritismo e anulará todas as teorias contraditórias. Aí é que, no porvir, se encontrará o critério da verdade.” (Grifos em itálico originais, e em negrito, meus).

Por fim, jamais esquecer que “o que costuma caracterizar uma nova revelação, quando o é de fato, não é a negação da anterior, mas, justamente, a sua confirmação dos pontos fundamentais que lhes servirão de degraus de apoio.” (Yvonne do Amaral Pereira [10]).

Para concluir, reproduzimos abaixo a preocupação dos bons Espíritos com relação à pureza e fidelidade doutrinária:

A Doutrina Espírita possui os seus aspectos essenciais em configuração tríplice. Que ninguém seja cerceado em seus anseios de construção e produção. Quem se afeiçoe à ciência que a cultive em sua dignidade, quem se devote à filosofia que lhe engrandeça os postulados e quem se consagre à religião que lhe divinize as aspirações, mas que a base kardequiana permaneça em tudo e todos, para que não venhamos a perder o equilíbrio sobre os alicerces em que se nos levanta a organização. (...)

(...) Acontece, porém, que temos necessidade de preservar os fundamentos espíritas, honrá-los e sublimá-los, senão acabaremos estranhos uns aos outros, ou então cadaverizados em arregimentações que nos mutilarão os melhores anseios,convertendo-nos o movimento de libertação numa seita estanque, encarcerada em novas interpretações e teologias, que nos acomodariam nas conveniências do plano inferior e nos afastariam da Verdade.(...)

(...) Allan Kardec, nos estudos, nas cogitações, nas atividades, nas obras, a fim de que a nossa fé não faça hipnose, pela qual o domínio da sombra se estabelece sobre as mentes mais fracas, acorrentando-as a séculos de ilusão e sofrimento. (...)

(...) Seja Allan Kardec, não apenas crido ou sentido, apregoado ou manifestado, a nossa bandeira, mas suficientemente vivido, sofrido, chorado e realizado em nossas próprias vidas. Sem essa base é difícil forjar o caráter espírita-cristão que o mundo conturbado espera de nós pela unificação.” (“Unificação”, mensagem de Bezerra de Menezes recebida por Chico Xavier em 20-04-1963 publicada em  Reformador, Dezembro de 1975. Grifos em negrito meus).

A programação que estabelecestes para este quinquênio é bem significativa, porque verteu do Alto, onde se encontrava elaborada, e vós vestistes-a com as considerações hábeis e aplicáveis a esta atualidade. Este é o grande momento, filhos da alma. Não tergiverseis, deixando-vos seduzir pelo canto das sereias da ilusão. Fidelidade à doutrina é o que se nos impõe, celebrando os cento e cinquenta anos da obra básica da Codificação Espírita. Não permitais que adições esdrúxulas sejam colocadas em forma de apêndices que desviem os menos esclarecidos dos objetivos essenciais da doutrina. (...) Sede fiéis, permanecendo profundamente vinculados ao espírito do Espiritismo como o recebestes dos imortais através do preclaro Codificador.” (“O Meio-Dia da Nova Era”, mensagem de Bezerra de Menezes recebida por D. P. Franco em 12-04-2007 publicada em Reformador, Junho de 2007. Grifos em negrito meus).

Esses tempos atuais chamam-nos à fidelidade aos projetos do Espírito de Verdade, para que estejamos atentos a fim de que não abandonemos o trabalho genuinamente espiritista, passando a ocupar valioso tempo com palavrórios e disputas, situações e questões que, declaradamente, nada tenham a ver com a nossa Causa, por não serem da alçada do Espiritismo.” (“Definição e trabalho em tempos difíceis.”, mensagem de Camilo recebida por Raul Teixeira em 11-11-2005 publicada em Reformador, Janeiro de 2006. Grifos em negrito meus).

Referências
[1] A. Kardec, A Gênese, Editora FEB, 36ª Edição, Rio de Janeiro (1995).
[2] T. Oliveira, “Pureza Doutrinária”, FidelidadESPÍRITA 112, 15 (2012). 
[3] A. F. da Fonseca, “O Que Seria Pureza Doutrinária Segundo o Espiritismo?”, Boletim do GEAE n. 529, 15 de Setembro, (2007); e O Consolador 162, 13 de Junho (2010)  Reproduzido em:
[4] Acessar, por exemplo, os links: http://www.sciencemag.org/site/special/btoy2012/   ,
[5] M. Della Negra, P. Jenni e T. S. Virdee, “Journey in the Search for the Higgs Boson: The ATLAS and CMS Experiments at the Large Hadron Collider”, Science 338, 1560 (2012). Acessível através do link:
[6] A. Kardec, O Que é o Espiritismo, Editora FEB, Rio de Janeiro (2006).
[7] A. F. da Fonseca, “Análise Científica da Apometria”, O Consolador  289, Dezembro,  (2012). Acesso pelo link:
[8] A. Kardec, O Livro dos Médiuns, Ed. FEB, 1ª Edição, Rio de Janeiro (2008).
[9] A. Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, Editora FEB, 112a Edição, Rio de Janeiro (1996).
[10] Espíritos diversos, psicografia de Emanuel Cristiano, O zelo da tua casa, Editora Allan Kardec, Campinas (2009).

Este artigo foi originalmente publicado no site
O Consolador 319 - 7 de Julho de 2013,

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

DESIGUALDADE DAS RIQUEZAS Sérgio Honório da Silva Campos do Jordão - SP

Em toda a história da humanidade a desigualdade das riquezas e desigualdade sociais sempre existiram e são motivos de revolta e de revoluções. Os desafortunados sempre inconformados pela miséria ou pela falta de bens que lhe garantam o conforto, os ricos também se julgam infelizes, pois com a riqueza suas necessidades aumentam, e ele nunca julga possuir o bastante para satisfazer à sua ambição.

O que vemos é toda a humanidade sofrendo pela riqueza que se tem e pela que não se tem, a busca pela riqueza é tão grande que ela faz prisioneiros àqueles que a veneram como se fosse a causa mais importante da vida, e isso em conseqüência da visão limitada do espírito encarnado, em querer enxergar somente esta existência sem se preocupar com a vida futura. A riqueza é um laço estreito que, movida pelo orgulho e egoísmo, prende o homem à Terra desviando sua necessidade de buscar riquezas com outros valores, elegidos pela razão e emoção que não se transfere de mãos, que poderá levar consigo quando de sua mudança para outros planos da vida.

No Novo Testamento encontramos a verdadeira riqueza que nos conduzirá a tão almejada paz de espírito, Lucas no capítulo 12:15 diz: “tende cuidado de preservar-vos de toda a avareza, porquanto seja qual for a abundância em que o homem se encontre, sua vida não depende dos bens que ele possuir”.

Antes de nos revoltarmos pelas desigualdades existentes em toda parte é preciso compreender que a Justiça Divina estabeleceu igualdade de direitos e de méritos entre as criaturas, mas não estabeleceu a desigualdade social, pois esta é obra do orgulho e do egoísmo humano.

Se, num determinado momento, fosse feita a distribuição de toda a riqueza do mundo, em partes iguais, a todas as pessoas, essa distribuição se desfaria, num segundo momento, em razão das diferentes aptidões e do grau evolutivo de cada um, porque cada um faria um diferente uso e aplicação de sua parte, com os conseqüentes resultados, e muito rapidamente as riquezas mudariam de mãos.

A igualdade das riquezas só seria possível se fosse acompanhada da igualdade do grau evolutivo e aptidões entre todos, o que seria impossível, pois cada um tem sua própria experiência e visão, no estágio da vida neste planeta.

No Livro dos Espíritos, questão 804, os Espíritos asseveram que: “Deus criou todos os espíritos iguais, mas cada um viveu mais ou menos tempo e, por conseguinte, realizou mais ou menos aquisições; a diferença esta no grau de experiência e na vontade, que é o livre arbítrio: daí decorre que uns se aperfeiçoam mais rapidamente, o que lhes dá aptidões diversas”. A Doutrina Espírita não condena a riqueza, mas sim a forma como ela é adquirida e utilizada.

A diversidade de riquezas e misérias tem uma finalidade útil que é a de provar os seres nos excessos ou na submissão. Somente os que sabem realmente sofrer com resignação e trabalho constantes é que conseguem superar essas provas de riqueza e pobreza, ambas muito difíceis.

Se houvesse uma única existência do Espírito na carne, nada justificaria esse estado de coisas na Terra, mas se considerarmos não só a vida atual, mas o conjunto das existências, veremos que tudo se equilibra com justiça, por isso o pobre não tem motivos para invejar o rico, e nem os ricos de se vangloriarem pelo que possuem. Conforme disse Jesus: “onde estiver o seu tesouro, ali estará o seu coração”, Ele não veio até nós para julgar ou dividir, veio abrir o caminho para nós, desejando a união entre os pobres e os ricos, e por isso nos ensinou a caridade, onde pobres e ricos, irmanados, encontrarão oportunidade de segui-lo.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

TRANSFORMANDO A FÉ EM CERTEZA Marcelo Henrique Pereira

Nos últimos tempos tem-se acirrado a discussão entre a adjetivação do Espiritismo como religião ou não. No cerne do debate, figura a conotação moral dos ensinos espíritas, e sua aplicabilidade prática à conduta e ao comportamento dos indivíduos (espíritos), que corresponde à idéia de uma ética espírita. Religião, na acepção comum e tradicional, o Espiritismo, convenhamos, não o é, de vez que não possui os elementos formais que a caracterizam: culto, rituais, imagens, sacramentos, dogmas e práticas religiosas, e organização hierárquica.
 
Na pauta de nossas considerações, existem os chamados princípios fundamentais do espiritismo: existência de Deus, imortalidade da alma, reencarnação, pluralidade dos mundos habitados, comunicabilidade entre os espíritos (mundo material e mundo espiritual) e evolução. A diferença de enquadramento destes (como dogmas ou leis) é exatamente o mote deste artigo. Temos visto a absoluta passividade da grande maioria dos espíritas, que não estuda e nem se interessa na promoção do estudo sério e complementar do trabalho dos Espíritos Superiores, assinado como "Codificação Espírita". É bem verdade que existem vários grupos renomados e conceituados, pelo Brasil afora, que excepcionam a regra acima destacada. Mas, em linhas gerais, os grupos "de estudo" das casas espíritas (independente da nomenclatura que ostentem), visam, tão-somente,reproduzir o saber adquirido, ou seja, repetir (à exaustão, ou, também, nem tanto), as idéias contidas nos livros fundamentais da Doutrina Espírita. Decora-se, repete-se, reproduz-se o que Kardec e a Falange da Verdade tenham "revelado", deixando de promover o desenvolvimento das idéias espíritas, em face do próprio processo evolutivo (individual e coletivo) do planeta. Muitos, até, pasmem, aguardam que novos espíritos "reveladores" (e, somente eles) venham, se for o caso, acrescentar novos pontos, necessários em função da modificação dos temas de interesse da Humanidade (considerando, é claro, a limitação do Prof. Rivail em função do contexto histórico-social da Europa do século XIX, o qual, claramente, é bem distinto dos "ares do século XXI").
 
Em termos de Reencarnação, a história não é nem um pouco diferente. Os espíritas "de carteirinha" (e os que vão a reboque destes, também, abdicando do direito-dever de estudar, pensar e construir seu próprio raciocínio lógico), acabam tratando os principais temas como "artigos de fé". Então, diz-se, comumente: "Eu sou espírita; eu creio na reencarnação". Melhor, no entanto, e mais apropriado, seria dizer: "Eu sou espírita, e tenho certeza que a reencarnação existe!".
 
Por que certeza? Pelas evidências que estão ao nosso derredor, e que saltam aos nossos olhos: 1) somente a reencarnação pode explicar a origem da diversidade entre os espíritos - e, em conseqüência, por que uns têm oportunidades tão distintas em relação a outros; 2) a existência de fenômenos (espontâneos ou artificialmente provocados), como a regressão de memória, a terapia de vidas passadas e o "déjà-vu" (a impressão de já ter visto ou experimentado algo antes), demonstram a existência de uma memória espiritual, pretérita, somente possível em face das múltiplas existências; 3) a formação e o desenvolvimento de nossa "inteligência espiritual", não é obra de uma única vida, de vez que, seja em relação aos gênios (que, desde tenra idade, demonstram capacidades e habilidades inatas), seja em relação ao homem comum, médio, todos nós resgatamos o aprendizado de vivências anteriores, para continuá-lo, complementá-lo ou aplicá-lo na atual encarnação). Assim, é comum ver-mos que nossa "tendência" para esta ou aquela área do conhecimento, estudo ou profissão, não é uma escolha casual, mas uma decorrência de nossa afinidade com tal matéria, egressa de outras existências.
 
O que nos falta, sinceramente, é tomar coragem e empreender pesquisas e experimentos científicos sérios, nas principais universidades, laboratórios e instituições análogas deste país, para a formatação de teses que possam ser demonstradas segundo critérios específicos, particulares a uma "nova" ciência, a Ciência do Espírito. Adotando, assim, objetivos, método e metodologia próprios de uma ciência distinta das demais existentes (materiais), poderá o Espiritismo adentrar ao ramo do conhecimento comum da Humanidade, deixando de ser mera crença ou razão ideológica com ligação religiosa.
 
Com isto, verdadeiramente, trataremos de desmistificar o Espiritismo, cunhando-o com caracteres de respeitabilidade, permitindo sua divulgação a todos aqueles que se sintam sensibilizados - pelo despertamento de suas inteligências - em relação às teses espíritas.
 
Se é comum, nas Instituições Espíritas, rever, relembrar e acentuar certas "passagens evangélicas", permita o leitor que usemos do mesmo artifício, em relação à teoria filosófica espírita (e sua comprovação prática, por meio de evidências científicas), para asseverar:"veja quem tem olhos de ver, e ouça quem tem ouvidos de ouvir".
 
Isto, é claro, não com olhos "religiosos", mas, sim, filosófico-práticos, transformando a fé espírita em certeza espírita.

* * *

(*) Marcelo Henrique, Doutorando em Direito e Assessor Administrativo

da Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo - ABRADE.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

A VISÃO ESPÍRITA DOS SONHOS Luiz Carlos D. Formiga

O Sonho é uma interrogação para muitas pessoas. No livro de Carlos Bernardo Loureiro -“A Visão Espírita do Sono e dos Sonhos”, Casa Editora O Clarim. Matão, SP. 144 páginas, vamos encontrar muitas respostas.

É possível determinar relações precisas entre essas percepções e os aspectos da realidade ordinária? Como analisar esse psiquismo noturno?

Erick Fromm afirma que “o inconsciente só o é em relação ao estado normal de atividade”,“são simplesmente estados mentais diversos, que se referem às modalidades existenciais diferentes.” Assim, podemos admitir que a mente consciente constitui apenas parte do psiquismo total. Existe uma vida psíquica chamada de “inconsciência”. Esta atividade psíquica é o principal protagonista quando o sono retira a outra de cena. Na realidade o inconsciente acha-se representado naquela fração do sonho que se registra na memória consciente. 
O que se deve pensar das significações atribuídas aos sonhos?
Os sonhos não são verdadeiros como o entendem os ledores de buena-dicha, pois fora absurdo crer-se que sonhar com tal coisa anuncia tal outra. São verdadeiros no sentido de que apresentam imagens que para o Espírito têm realidade, porém que, freqüentemente, nenhuma relação guardam com o que se passa na vida corporal. São também um pressentimento do futuro, permitido por Deus, ou a visão do que no momento ocorre em outro lugar a que a alma se transporta. Não se contam por muitos os casos de pessoas que em sonho aparecem a seus parentes e amigos, a fim de avisá-los do que a elas está acontecendo? Que são essas aparições senão as almas ou Espíritos de tais pessoas a se comunicarem com entes caros? Quando tendes certeza de que o que vistes realmente se deu, não fica provado que a imaginação nenhuma parte tomou na ocorrência, sobretudo se o que observastes não vos passava pela mente quando em vigília?” (Livro dos Espíritos, questão 404.)
A alma é um ser pensante que permanece ativo durante o sono? Existem provas materiais da atividade da alma durante o sono? 
Durante o sono, a alma repousa como o corpo?
“Não, o Espírito jamais está inativo. Durante o sono, afrouxam-se os laços que o prendem ao corpo e, não precisando este então da sua presença, ele se lança pelo espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.” (Livro dos Espíritos questão 401.)
A enciclopédica de Diderot (Denis, 1713-1784), no verbete “Sonambulismo”, relata a história de um jovem sacerdote que se levantava à noite, dirigia-se ao seu escritório e escrevia longos sermões e retornava ao leito. Existem relatos da resolução de problemas matemáticos que não eram resolvidos quando os indivíduos estavam acordados.

Existe uma memória latente? Os sonhos trazem à tona lembranças julgadas esquecidas para sempre?

Seis meses depois o indivíduo sonha com o local em que perdera o canivete. Ao despertar procura e acha o objeto (F.H. Myers, La Concience Subliminale, Annales Phychiques).
Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono? 
“Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. Adquire maior potencialidade e pode pôr-se em comunicação com os demais Espíritos, quer deste mundo, quer do outro...” (Livro dos Espíritos, questão 402.)
Richet (Prêmio Nobel de Medicina) descreve a memória fotográfica de sonambulos. A eclosão desses registros mnêmonicos subconscientes não deve ser confundida como a intervenção de seres espirituais. Trata-se de fragmentos da vida que são exumados naturalmente ou por estímulos especiais, das profundezas do ser (Pierre Janet).

Pode-se provocar sonhos por hipnose e induzir uma pessoa a sonhar com outra?

Sim, responde o Dr. Sherenk-Notzing (Munique-Alemanha) após experiência hipnótica com a sensitiva (clarividente) Lina. Seus resultados são muito importantes para a discussão do homem como um ser de natureza bio-psico-socio-espiritual. O pesquisador deu a sensitiva a ordem pós-hipnótica de sonhar, na noite seguinte, com uma determinada pessoa, não esquecer o sonho e contá-lo no dia imediato. Pela manhã, ao acordar, e em presença dos pesquisadores, contou o que aconteceu durante a noite. A hipótese de uma transmissão, através do pensamento de um dos pesquisadores auxiliares, era inviável por vários motivos, até porque uma visita casual de uma amiga do Sr. F.L., foi relatada pela clarividente e identificada, posteriormente, com base na descrição da sensitiva. 
Pode o homem, pela sua vontade, provocar as visitas espíritas? Pode, por exemplo, dizer, quando está para dormir: Quero esta noite encontrar-me em Espírito com Fulano, quero falar-lhe para dizer isto? 
“O que se dá é o seguinte: Adormecendo o homem, seu Espírito desperta e, muitas vezes, nada disposto se mostra a fazer o que o homem resolvera, porque a vida deste pouco interessa ao seu Espírito, uma vez desprendido da matéria. Isto com relação a homens já bastante elevados espiritualmente. Os outros passam de modo muito diverso a fase espiritual de sua existência terrena. Entregam-se às paixões que os escravizaram, ou se mantêm inativos. Pode, pois, suceder, tais sejam os motivos que a isso o induzem, que o Espírito vá visitar aqueles com quem deseja encontrar-se. Mas, não constitui razão, para que semelhante coisa se verifique, o simples fato de ele o querer quando desperto.” (Livro dos Espíritos, questão 416.)

Podem duas pessoas que se conhecem visitar-se durante o sono?
“Certo e muitos que julgam não se conhecerem costumam reunir-se e falar-se. Podes ter, sem que o suspeites, amigos em outro país. É tão habitual o fato de irdes encontrar-vos, durante o sono, com amigos e parentes, com os que conheceis e que vos podem ser úteis, que quase todas as noites fazeis essas visitas.” (Livro dos Espíritos, questão 414.)
O hanseniano Jésus Gonçalves, descrente, era um materialista e dizia não acreditar em nada disso. É autor de “Falta", onde diz assim: Onde andará um “não sei quê”, um Bem, em cuja busca sou judeu errante? Por onde eu passo, já passou também... E quando chego já partiu há instante... Não sei se está na vida, ou mais adiante, dentro da morte, nas mansões do Além... Se está no amor... se está na fé, perante os dois altares que esta vida tem. Mas, se esta vida é um sonho, a morte o nada; o amor um pesadelo; a fé receio; por que manter-se em luta desvairada? No entanto, eu sigo... acovardado, triste... a procurar em tudo em que não creio, a coisa que me falta e não existe!

Sob o ponto de vista biomédico podemos perceber que uma pessoa está sonhando por estranhos movimentos oculares produzidos em certa etapa do sonho. O período REM (rapid eye movements) é “paradoxal” porque no ápice do relaxamento vamos encontrar uma atividade intensa de numerosas estruturas cerebrais, com variação da freqüência das ondas cerebrais e traçado próximo ao do estado de vigília. Há nessa fase anulação do olfato e paladar, mas as células nervosas enviam estímulos ao ouvido, aos olhos e ao sentido do equilíbrio. Quando acordadas neste período as pessoas eram capazes de contar um sonho.

Como interpretar o sonho que tivemos com um ente querido já desencarnado? A tarefa não é muito fácil porque estamos mergulhados numa matéria muito densa. No entanto, o espírito André Luiz (médico desencarnado) nos oferece um exemplo muito bom e que é encontrado no “Os Mensageiros” (FEB) capítulo 38, quando ela sonha com a avó desencarnada e faz a interpretação da mensagem recebida.

Outro médico (psiquiatra ainda encarnado) mostra a importância dos sonhos para o diagnóstico da melancolia involutiva, destacando-a como uma síndrome com características próprias dentre as doenças conceituadas como depressão maior. Sua conclusão, nos Arquivos Brasileiros de Medicina, 71(3): 111-114, 1997, se baseia na análise de 118 casos.

Uma pessoa que dorme pode ter consciência de que está sonhando?

Sim, responde o psiquiatra holandês Dr.Frederick Willem van Eeden, que teve a confirmação feita peloDr Stephan Laberge, na Universidade de Stanford(EUA). A mesma resposta era dada por Santo Agostinho e São Tomás de Aquino (sonhos lúcidos).

Podemos estender o conceito de sonho a todos os estados alterados de consciência dos quais o psiquismo profundo tende a subir em primeiro plano, até subjugar o EU da superfície?

Podemos participar de mensagens oníricas diurnas? Podemos sonhar acordados?
Esta dimensão diurna do sonho é um convite à pesquisa .

Dr. M. Kleitmam da Universidade de Chicago (“Sleep and Wakefulness”) demonstrou que, também de dia, a atenção consciente se afrouxa em períodos, de acordo com o ritmo que corresponde perfeitamente ao alternar noturno do sono profundo ao leve.

O estado de plena “vigilância consciente” não dura mais do que um minuto ou dois por hora, o que é uma condição indispensável para uma certa eficiência criadora do intelecto, conforme F. Myers, P. Bunton e ainda John Pfeiffer (The Human Brain).

Uma mulher, diante de uma mensagem onírica diurna, interrompe seus afazeres domésticos, chama um táxi e vai encontrar o filho caído quase morto ao lado da moto. “O paranormal é o normal que ainda não compreendemos! 
Podem os Espíritos comunicar-se, estando completamente despertos os corpos?
“O Espírito não se acha encerrado no corpo como numa caixa; irradia por todos os lados. Segue-se que pode comunicar-se com outros Espíritos, mesmo em estado de vigília, se bem que mais dificilmente.” (Livro dos Espíritos, questão 420.)
O fenômeno a que se dá a designação de dupla vista tem alguma relação com o sonho e o sonambulismo?
“Tudo isso é uma só coisa. O que se chama dupla vista é ainda resultado da libertação do Espírito, sem que o corpo seja adormecido. A dupla vista ou segunda vista é a vista da alma.” (Livro dos Espíritos, questão 447.)
Qual a visão espírita desses fenômenos?

·     Sonhos fisiológicos - por influência orgânica vive-se situações alucinatórias.
·     Sonhos pantomnésicos - recordações do passado.
·     Sonhos premonitórios - apreensão do futuro, sonho profético.
·     Sonhos espirituais - vivência no plano espiritual.


Freud não poderia explicar o sonho profético como realização de um desejo recalcado no inconsciente. 
Como podemos julgar da liberdade do Espírito durante o sono?
“Pelos sonhos. Quando o corpo repousa, acredita-o, tem o Espírito mais faculdades do que no estado de vigília. Lembra-se do passado e algumas vezes prevê o futuro. (Livro dos Espíritos, questão 402.)
“A árvore trará novas sementes, das quais germinarão novas árvores. Todas estavam escondidas na primeira semente,” (Discurso de Metafísica, Leibniz (1686))

Lincoln viu, em sonho, cenas de seu próprio velório, uma semana antes de ser assassinado, relatando-o ao amigo Ward Lamon, que escreveu o episódio em seu diário.

É um monumental determinismo o conhecimento antecipado do futuro! É possível modificar o Carma”? Existem as coisas futuras ou elas se encontram no NADA, e ainda não existem? O sonho profético é contrário ao livre arbítrio?

É possível prever acontecimentos derivados do presente. No entanto, como prever os que não guardam nenhuma relação com esse estado presente? Como explicar os que são atribuídos ao acaso?

Nostradamus previu a decapitação do Duque e deu o nome do carrasco, que foi escolhido“ao acaso”, na hora. Isto 66 anos após a morte do médico francês (1503-1566). O cálculo matemático da probabilidade desta predição estaria na proporção de um para cinco milhões contra o acaso. 
Estando desprendido da matéria e atuando como Espírito, sabe o Espírito encarnado qual será a época de sua morte?
“Acontece pressenti-la. Também sucede ter plena consciência dessa época, o que dá lugar a que, em estado de vigília, tenha a intuição do fato. Por isso é que algumas pessoas prevêem com grande exatidão a data em que virão a morrer.” (Livro dos Espíritos, questão 411.)
Mas, como entender este sonho que fala do futuro. Como explicá-lo? Allan Kardec, no Livro “A Gênese” discute o assunto na “Teoria da Presciência”.

Palestra proferida pelo Prof. Formiga no CENPES, Centro de Pesquisas da Petrobrás, em 1998.

Publicado na Revista Internacional de Espiritismo, Ano LXXIV, número 1, Matão, fevereiro de 1999. 

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LA VISIÓN ESPIRITA DE LOS SUEÑOS
Luiz Carlos D. Formiga

El sueño es una interrogación para muchas personas. En el libro de Carlos Bernardo Loureiro – “La Visión Espírita del Sueño y de los Sueños”, Casa Editora O Clarim. Matâo, SP. 144 páginas, vamos encontrar muchas respuestas.

¿Es posible determinar las relaciones precisas entre esas percepciones y los aspectos de la realidad ordinaria? ¿Cómo analizar ese psiquismo nocturno?

Erick Fromm afirma que “el inconsciente sólo es en relación al estado normal de actividad”“son simplemente estados mentales diversos, que se refieren a las modalidades existenciales diferentes.” Así, podemos admitir que la mente consciente constituye apenas parte del psiquismo total. Existe una vida llamada “inconsciencia”. Esta actividadpsíquica es el principal protagonista cuando el sueño retira la otra de escena. En la realidad el inconsciente se encuentra representado en aquella fracción del sueño que se registra en la memoria consciente.
¿Qué se debe pensar de los significados atribuidos a los sueños?Los sueños no son verdaderos como lo entienden los lectores de la buena-ventura, pues sería absurdo creerse que soñar con tal cosa anuncia a otra. Son verdaderos en el sentido de que presentan imágenes que para el Espíritu tiene realidad, sin embargo que, frecuentemente, ninguna relación guardan con lo que pasa en la vida corporal. Son también un presentimiento del futuro, permitido por Dios, o la visión de lo que en el momento ocurre en otro lugar al que el alma se transporta. ¿No se cuentan por muchos los casos de personas que en sueño aparecen a sus parientes y amigos, a fin de avisarlos de lo que a ellas les está ocurriendo? Cuando tienes seguridad de que lo que viste realmente pasó, ¿no queda probado que la imaginación ninguna parte tomó en el hecho, sobre todo si lo que observaste no os pasaba por la mente como en la vigilia? (Libro de los Espíritus, pregunta 404.)
¿El alma es un ser pensante que permanece activo durante el sueño? ¿Existen pruebas materiales de la actividad del alma durante el sueño?
¿Durante el sueño, el alma reposa como el cuerpo?
“No, el Espíritu jamás está inactivo. Durante el sueño, se aflojan los lazos que lo prenden al cuerpo y, no necesitando este entonces de su presencia, él se lanza por el espacio y entra en relación más directa con los otros Espíritus.”(Libro de los Espíritus pregunta 401.)
La enciclopedia de Diderot (Denis, 1713-1784), en la acepción “Sonambulismo”, relata la historia de un joven sacerdote que se levantaba por la noche, se dirigía a su escritorio y escribía largos sermones y volvía a la cama. Existen relatos de la solución de problemas matemáticos que no eran resueltos cuando los individuos estaban despiertos.

¿Existe una memoria latente? ¿Los sueños traen a tono recuerdos juzgados olvidados para siempre?

Seis meses después el individuo sueña con el lugar en que perdió el sacapuntas. Al despertar busca y encuentra el objeto (F.H. Myers, La Concience Subliminale, Annales Physchiques)
¿Cómo podemos juzgar la libertad del Espíritu durante el sueño?“Por los sueños. Cuando el cuerpo reposa, lo creelo, tiene el Espíritu más facultades de lo que en el estado de vigilia. Se acuerda del pasado y algunas veces prevé el futuro. Adquiere mayor potencialidad y puede ponerse en comunicación con los demás Espíritus, sea de este mundo, sea del otro…”(Libro de los Espíritus, pregunta 402.)
Richet (Premio Nobel de Medicina) describe la memoria fotográfica de sonambulos. La eclosión de esos registros neumónicos subconscientes no debe ser confundida como la intervención de seres espirituales. Se trata de fragmentos de la vida que son exhumado naturalmente o por los estímulos especiales, de las profundidades del ser (Pierre Janet).

¿Se puede provocar sueños por hipnosis e inducir a una persona a soñar con otra?

Sí, responde el Dr. Sherenk-Notzing (Munich-Alemania) después de una experiencia hipnótica con la sensitiva (clarividente) Lina. Sus resultados son muy importantes para la discusión del hombre como un ser de naturaleza bio-psico-social-espiritual.

El investigador dio a su sensitiva la orden pos-hipnótica de soñar, a la noche siguiente, con una determinada persona, no olvidando el sueño y contándolo al día siguiente. Por la mañana, al despertar, y en presencia de los investigadores, contó lo que ocurrió durante la noche. La hipótesis de una transmisión, a través del pensamiento de uno de los investigadores auxiliares, era inviable por varios motivos, hasta porque una visita casual de una amiga del Sr. F. L., fue relatada por la clarividente e identificada, posteriormente, con base en la descripción de la sensitiva.
¿Puede el hombre, por su voluntad, provocar las visitas espíritas? ¿Puede, por ejemplo, decir, cuando esta duerma: Quiero esta noche encontrarme en Espíritu con Fulano, quiero hablarle para decir esto?“Lo que se da es lo siguiente: Adormeciendo al hombre, su Espíritu despierta y muchas veces, nada dispuesto a mostrarse a hacer lo que el hombre decidió, porque la vida de este poco interesa a su espíritu, una vez desprendido de la materia. Esto con relación a hombres ya bastante elevados espiritualmente. Los otros pasan de modo muy diverso la fase espiritual de su existencia terrena. Se entregan a las pasiones que los esclavizan, o se mantienen inactivos. Puede, pues, suceder, que tales sean los motivos que a eso lo inducen, que el Espíritu va a visitar a aquellos con quien desea encontrarse. Pero, no constituye razón, para que semejante cosa se verifique, o el simple hecho de él quererlo cuando se despierte.” (Libro de los Espíritus, pregunta 416.)

¿Pueden dos personas que se conocen visitarse durante el sueño?“Cierto y muchos que juzgan que no se conocen acostumbran a reunirse y hablarse. Puedes tener, sin que lo sospeches, amigos en otro país. Es tan habitual el hecho de ir a encontrarlos, durante el sueño, con amigos y parientes, con los que conocéis y que os pueden ser útiles, que casi todas las noches hacéis esas visitas.” (Libro de los Espíritus, pregunta 414.)
El hanseniano (leproso) Jésus Gonçalves, no creyente, era un materialista y decía no creer en nada de eso. Es autor de “Falta”, donde dice así: ¿Donde andará un “no sé qué”, un Bien, en cuya busca soy judío errante? Por donde yo paso, ya pasó también… Y cuando llegó ya partió hacía un instante…No sé si está en la vida, o más adelante, dentro de la muerte, en las mansiones del Más Allá… Si está en el amor… si está en la fe, delante de los altares que esta vida tiene. Pero, si esta vida es un sueño, la muerte la nada; el amor una pesadilla; la fe recelo; ¿por qué mantenerse en una lucha desvariada? No obstante, yo sigo… acobardado, triste… ¡buscando en todo en lo que no creo, la cosa que me falta y no existe!

Bajo el punto de vista biomédico podemos percibir que una persona esta soñando por extraños movimientos oculares producidos en cierta etapa del sueño. El periodo REM (rapad eye movements) es “paradoja” porque en el ápice del relajamiento vamos a encontrar una actividad intensa de numerosas estructuras cerebrales, con variación de la frecuencia de las ondas cerebrales y trazado próximo al del estado de vigilia. Hay en esa fase anulación del olfato y del paladar, pero las células nerviosas envían estímulos al oído, a los ojos y al sentido del equilibrio. Cuando son despertadas en este periodo las personas eran capaces de contar un sueño.

¿Cómo interpretar el sueño que tuvimos con un ente querido ya desencarnado? La tarea no es muy fácil porque estamos sumergidos en una materia muy densa. No obstante, el espíritu André Luiz (médico desencarnado) nos ofrece un ejemplo muy bueno y que es encontrado en “Los Mensajeros” (FEB) capítulo 38, cuando ella sueña con la abuela desencarnada y hace la interpretación del mensaje recibido.

Otro médico (psiquiatra aun encarnado) muestra la importancia de los sueños para el diagnóstico de la melancolía involucionada, destacándola como un síndrome con características propias de entre las dolencias conceptuadas como depresión mayor. Su conclusión, en los Archivos Brasileños de Medicina, 71 (3): 111-114,1997, se basa en el análisis de 118 casos.

¿Una persona que duerme puede tener conciencia de que está soñando?

Sí, responde el psiquiatra holandés Dr. Frederick Wilem van Eeden, que tuvo la confirmación hecha por el Dr. Stephan Laberge, en la Universidad de Stanford (EUA). La misma respuesta era dada por San Agustín y San Tomás de Aquino (sueños lúcidos).

¿Podemos extender el concepto de sueño a todos los estados alterados de conciencia de los cuales el psiquismo profundo tiende a subir en primer plano, hasta subyugar el YO de la superficie?

¿Podemos participar de mensajes oníricos diurnos? ¿Podemos soñar acostados?

El Dr. M. Kleitmam de la Universidad de Chicago (“Sep and Wakefulness”) demostró que, también de día, la atención consciente se afloja en periodos, de acuerdo con el ritmo que corresponde perfectamente al alternar nocturno del sueño profundo al leve.

El estado de plena “vigilancia consciente” no dura más de un minuto o dos por hora, lo que es una condición indispensable para una cierta eficiencia creadora del intelecto, conforme F. Myers, P. Bunton y aun John Pleiffer (The Human Brain).

Una mujer, delante de un mensaje onírico diurno, interrumpe sus quehaceres domésticos, llama a un taxi y va a encontrar al hijo caído casi muerto al lado de la moto. “¡Lo paranormal es lo normal que aun no comprendemos!”
¿Pueden los Espíritus comunicarse, estando completamente despiertos los cuerpos?“Los Espíritus no se encuentran encerrados en el cuerpo como en una caja; irradia por todas partes. Se sigue que puede comunicarse con otros Espíritus, incluso en estado de vigilia, si bien es más difícilmente.” (Libro de los Espíritus, pregunta 420.)

¿El fenómeno a que se da la designación de doble vista tiene alguna relación con el sueño y el sonambulismo?“Todo eso es una sola cosa. Lo que se llama doble vista es aun resultado de la liberación del Espíritu, sin que el cuerpo sea adormecido. La doble vista o segunda vista es la vista del alma.” (Libro de los Espíritus, pregunta 447.)
¿Cuál es la visión espírita de esos fenómenos?

• Sueños fisiológicos – por influencia orgánica se viven situaciones alucinatorias.
• Sueños pantomnésicos – recuerdos del pasado..
• Sueños premonitorios – aprensión del futuro, sueño profético.
• Sueños espirituales – vivencias en el plano espiritual.

Freud no podía explicar el sueño profético como realización de un deseo recalcado en el inconsciente.
¿Cómo podemos juzgar la libertad del Espíritu durante el sueño?“Por los sueños. Cuando el cuerpo reposa, creelo, tiene el Espíritu más facultad de lo que en el estado de vigilia. Se acuerda del pasado y algunas veces prevé el futuro. (Libro de los Espíritus, pregunta 420).
“El árbol traerá nuevas simientes, de las cuales germinaran nuevos árboles. Todas estaban escondidas en la propia simiente,” (Discurso de Metafísica, Leibniz (1686))

Lincoln vio, en sueños, escenas de su propio velatorio, una semana antes de ser asesinado, relatándolo al amigo Ward Lamon, que escribió el episodio en su diario.

¡Es un monumental determinismo el conocimiento anticipado del futuro! ¿Es posible modificar el “Carma”? ¿Existen las cosas futuras o ellas se encuentran en la NADA, y aun no existen? ¿El sueño profético es contrario al libre albedrío?

Es posible prever acontecimientos derivados del presente. No obstante, ¿cómo prever los que no guardan ninguna relación con ese estado presente? ¿Cómo explicar los que son atribuidos al acaso?

Nostradamus previó la decapitación del Duque y dio el nombre del verdugo, que fue escogido “al acaso”, en la hora. Esto después de 66 años después de la muerte del médico francés (1503-1566). El cálculo matemático de la de la probabilidad de esta predicción estaría en la proporción de uno a cinco millones contra el acaso.
Estando desprendido de la materia y actuando como Espíritu, ¿sabe el Espíritu encarnado cuál será la época de su muerte?“Ocurre que la presiente. También ocurre tener plena conciencia de esa época, lo que da lugar a que, en estado de vigilia, tenga la intuición del hecho. Por eso es que algunas personas prevén con gran exactitud la fecha en que irán a morir.” (Libro de los Espíritus, cuestión 411.)
Pero, cómo entender este sueño que habla del futuro. ¿Cómo explicarlo? Allan Kardec, en el libro “La Génesis” discute el asunto en la “Teoría de la Presciencia”.


Conferencia dada por el Prof. Formiga en el CEMPES, Centro de la Petrobrás, en 1998.

Publicado en la Revista Internacional de Espiritismo, Año LXXIV, número 1, Matâo, en 1998.

Mensaje traducido por Isabel Porras – España 
João Cabral
ADE-SERGIPE
Website: www.ade-sergipe.com.br
Aracaju-Sergipe-Brasil
Em: 05.01.2007-Reenviando em 16.07.2013