quinta-feira, 20 de março de 2014

FLUXO DO PENSAMENTO - LEIS DO CAMPO MENTAL

O pensamento tem início de forma embrionária em seres vivos que foram aprendendo a se concentrar com determinado teor de persistência rumo a um certo objetivo, como o de se apropriarem de um alimento. Nessa longa caminhada, o pensamento passou a ser o instrumento sutil da vontade do Espírito, que exterioriza a matéria mental para atuar nas formações da matéria física, obtendo por esse caminho as satisfações que deseja.

A matéria mental é criação da energia que se exterioriza do Espírito e se difunde por um fluxo de partículas e ondas, como qualquer outra forma de propagação de energia do Universo.

Elaborando pensamentos, cada um de nós cria em torno de si um campo de vibrações impulsionado pela vontade, que estabelece uma onda mental própria, capaz de nos caracterizar individualmente.

Obedecendo às mesmas leis da energia e partículas do mundo físico, as ondas e partículas da matéria mental, em graus de excitações variados, se expressam em freqüência e cores particulares dependendo da intensidade e qualidade do pensamento emitido, ou seja, da vibração mental emitida.

Considerando o terreno das manifestações da física dos átomos, sabemos que o calor, a luz e os raios gama, são expressões vibratórias de uma mesma energia.

A excitação, por exemplo, dos átomos de uma barra de ferro por uma fonte de energia permite produzirmos calor de uma extremidade à outra da barra de ferro. A excitação dos elétrons de um filamento metálico permitirá a transmissão da luz, e a agitação dos núcleos atômicos de determinados materiais produzirá emissão de raios gama.

Tanto quanto na matéria física, o pensamento, em graus variados de excitação, gera ondas de comprimento e freqüência correspondentes ao teor do impulso criador da vontade ou do objetivo desejado.

Como a matéria é expressão da energia em diferentes condições de vibração e velocidade, a energia mental também se manifesta conforme as variações da corrente ondulatória, em corpúsculos da matéria mental. Aqui também se identificam as mesmas leis que regulam a mecânica quântica na transmissão de energia entre as partículas sub-atômicas. Quando vibram os átomos da matéria mental, correspondendo à formação de calor na matéria física, geram-se ondas de comprimento longo que se estabelecem com o propósito de manutenção de nossa individualidade ou de simples noção do Eu. Essas ondas longas prestam-se, também, para sustentar a integração da nossa unidade corporal, mantendo interligado o universo de células que compõem o nosso corpo físico.

Quando ocorrem as vibrações dos elétrons da matéria mental, irradiam-se luzes de tonalidades diferentes conforme a energia atinja os elétrons da superfície ou das proximidades do núcleo do átomo mental. Esse tipo de agitação ondulatória corresponde à emissão de pensamentos de intensidades variadas que vão, desde uma atenção momentânea voltada rapidamente a um certo objetivo, até a uma reflexão ou uma concentração profunda tentando resolver questões complexas.

Por fim, já vimos que a excitação dos núcleos atômicos gera os raios gama e, no campo da mente, a correspondente vibração dos núcleos dos átomos mentais gera ondas ultra-curtas emitidas com imenso poder de penetração de suas energias. Essas vibrações resultam de expressões de sentimentos profundos, de cores cruciantes ou de atitudes de concentração muito intensas.

A Indução Mental

Indução, em termos eletrônicos, consiste na transmissão de uma energia eletromagnética entre dois corpos sem que haja contacto entre eles. Este fenômeno ocorre por conjugação de ondas através de um fluxo de energia que é transmitido de um corpo a outro. No campo mental o processo é idêntico.

Existe uma corrente de ondas suscetíveis de reproduzir suas próprias características sobre uma outra corrente mental que passa a sintonizar com ela.

Expressando qualquer pensamento em que acreditamos, estamos induzindo os outros a pensarem como nós. A aceitação que os outros fazem de nossas idéias passa a ser questão de sintonia.

Por outro lado, ao sentirmos uma idéia, absorvemos e passamos a refletir todas as correntes mentais que se assemelham a essa idéia, comungando os mesmos propósitos.

Portanto, nossas idéias e convicções nos ligam compulsóriamente a todas as mentes que pensam como nós e , quanto maior nossa insistência em sustentar uma idéia ou uma opinião, mais nos fixamos às correntes mentais das pessoas que se sentem como nós e que esposam as mesmas opiniões.

Imagens Mentais

O espírito é a fonte geradora de todas as expressões da vida, e toda espécie de vida se orienta ou se modifica pelo impulso mental.

Sempre que pensamos, estamos expressando uma vontade correspondente ao campo íntimo das idéias, e as idéias, representando a expressão de energia mental, se corporificam pelo pensamento em ondas e corpúsculos, que se organizam conforme o teor e a intensidade da vibração mental e o propósito do pensamento emitido.

Portanto, na expressão de qualquer pensamento, o comprimento da onda emitida varia com a intensidade da concentração nos objetivos desejados e a natureza das idéias emitidas. Com as idéias criamos em torno de nós um campo de vibrações mentais que identificam, pelo seu próprio conteúdo, as nossas mais íntimas condições psíquicas.

Nessa atmosfera ideatória que nos cerca, os corpúsculos da matéria mental que compõem nossos pensamentos modelam "imagens" correspondentes às idéias que mentalmente projetamos.

Psiquicamente, na medida em que expressamos mentalmente uma vontade, um desejo, uma idéia, uma opinião, um objetivo qualquer, passamos a ser carregadores ambulantes de vontades com formas, de desejos com moldes, de idéias vivas que as representam, de objetivos e opiniões que se exteriorizam com cenas que materializam em torno de nós os nossos pensamentos.

Nossa mente projeta fora de nós as formas, as figuras e os personagens de todos os nossos desejos, inclusive com todo o conteúdo dinâmico do cenário elaborado. Com essa constelação de adornos mentais atraímos ou repelimos as mentes que conosco assimilam ou desaprovam nosso modo de pensar.

Perturbações do Fluxo Mental

A criação da matéria mental se origina do estímulo ideatório do Espírito, que é a fonte da energia vital para o cérebro. O Fluido Cósmico fornece o elemento para essas construções. Os corpúsculos mentais, sob o impulso do Espírito são exteriorizados em movimentos de agitação constante, produzindo correntes de formas ideatórias que se expressam na aura da personalidade que os cria.

Nesses vórtices de energia em que cada individualidade se exprime em correntes de matéria mental, também se cria, pela corrente de átomos excitados, um fluxo energético com conseqüente resíduo eletromagnético, que se expressa na aura de cada um de nós. A capacidade criativa da mente alimenta de forma permanente essa corrente em constante agitação.

O fluxo resultante do processo ideatório pode apresentar perturbações semelhantes a defeitos da circulação da corrente elétrica comum a qualquer aparelho doméstico.

Assim, a ausência de uma corrente eletromagnética residual pode ser identificada no cérebro de pessoas profundamente ociosas. Os circuitos mentais podem permanecer bloqueados, impedindo a circulação do fluxo mental, em razão de idéias fixas ou obsessivas. As lesões orgânicas cerebrais perturbam, naturalmente, as expressões do pensamento, já que o cérebro é o veículo para a manifestação física da mente.

As Leis do Campo Mental

Nossa atividade mental através do discernimento e do raciocínio nos dá a prerrogativa de nós mesmos escolhermos nossos objetivos.

Projetando nossas idéias, produzimos os pensamentos, exteriorizando em torno de nós irradiações eletromagnéticas com poder mais ou menos intenso, conforme o comprimento das ondas mentalmente emitidas.

Essa corrente de partículas mentais nascidas de emoções, desejos, opiniões e vontades, constrói em torno de nós, cenas em forma de quadros vivos que são percebidos em flashes ou imagens seriadas, ou cenas contínuas que nos colocam em sintonia com todas as mentes que harmonizam com os pensamentos que exteriorizamos.

Já vimos, também, que somos suscetíveis de induzir pensamentos-imagens nos outros, assim como recebemos sugestões que se corporificam em formas vivificadas dentro de nossa psicosfera.

A simples leitura de uma página de jornal, uma conversação rotineira, a contemplação de um quadro, uma visita a familiares, o interesse por um espetáculo artístico ou programa de televisão, um simples conselho, são todos agentes de indução que nos compromete psiquicamente com as mentes sintonizadas nos mesmos assuntos.

Pensar ou conversar constantemente significa projetar nos outros e atrair para nós as mesmas imagens que criamos, suportando em nós mesmos as conseqüências dessa influência recíproca.

Persistir em idéias fixas, em comportamentos obsessivos ou tensões emocionais deliberadamente violentas, nos escraviza a um ambiente psiquicamente infeliz, com imagens que nós forjamos e que nos mantêm num circuito de reflexos condicionais viciosos.

Construindo com o conteúdo dos nossos pensamentos o campo mental que nos cerca, vivemos psiquicamente dentro dele, obedecendo a leis fundamentais relacionadas com a estruturação desse campo.

Por princípio, temos que entender que o campo mental é resultado de emissão de idéias que nós criamos, com nossa participação exclusiva e, portanto, com nossa total responsabilidade. Esta é a primeira lei do Campo Mental.

A segunda lei é a da assimilação, que estabelece que nós estamos ligados unicamente às mentes com quem nós nos afeiçoamos.

Portanto, além da sintonia, é necessário haver aceitação das idéias para que assimilemos as interferências boas ou más que recebemos.

A lei da assimilação significa também que uma idéia que nos incomoda, que nos martiriza ou nos revolta, só persiste em nós pela aceitação que fazemos de seu conteúdo e pelas ligações que mantemos com o seu emissor.

A terceira lei do campo mental está relacionada com o estudo e o aprendizado que desenvolve em nós o discernimento e o raciocínio. Ela estabelece que cada de um de nós só assimilará idéias, sugestões ou informações inéditas ou inovadoras, se já desenvolvemos a compreensão necessária ao avanço desses pontos de vista.


(Baseado na obra de André Luiz, "Mecanismos da Mediunidade", psicografada por F. C. Xavier e Valdo Vieira)


Por Nubor Orlando Facure

quarta-feira, 19 de março de 2014

QUADRO SINÓTICO DA NOMENCLATURA ESPÍRITA ESPECIAL


Textos extraídos do livro
“INSTRUÇÕES PRÁTICAS SOBRE AS MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS”
Obra de Allan Kardec
Pesquisa e diagramação: Elio Mollo

QUADRO SINÓTICO

Da nomenclatura Espírita Especial
DOUTRINA
Espiritismo — Espiritista — Espírita — Espiritualismo
ESPÍRITOS
Espírito
(Do lat. spiritus, de spirare, soprar). No sentido especial da doutrina espírita, os espíritos são seres inteligentes da criação e povoam o Universo fora do mundo corpóreo.
A natureza íntima dos Espíritos nos é desconhecida; eles mesmos não a podem definir, seja por ignorância, seja pela insuficiência da nossa linguagem. Somos a este respeito como cegos de nascença em face da luz. Segundo o que eles nos dizem, o Espírito não é material no sentido vulgar da palavra; não é tampouco imaterial em sentido absoluto, porque o Espírito é alguma coisa e a imaterialidade absoluta seria o nada. O Espírito é, pois, formado de uma substância, mas da qual a matéria grosseira que impressiona nossos sentidos não pode dar-nos uma idéia. Pode-se compará-lo a uma chama ou centelha cujo brilho varia segundo o grau de purificação. Pode tomar todas as espécies de formas por meio do perispírito de que está envolvido.
Natureza íntima
dos Espíritos
ESPÍRITO
ELEMENTAR
Espírito considerado em si mesmo e feita abstração de seu perispírito ou invólucro material.
PERISPÍRITO
De peri, em redor, espiritus, espírito. Invólucro semimaterial do Espírito depois da sua separação do corpo. O Espírito o tira do mundo em que se acha e o troca ao passar de um a outro; ele é mais ou menos sutil ou grosseiro, segundo a natureza de cada globo. O perispírito pode tomar todas as formas à vontade do Espírito; ordinariamente ele assume a imagem que este tinha em sua última existência corporal.
Embora de natureza etérea, a substância do perispírito é suscetível de certas modificações que a tornam perceptível à nossa vista. É o que se dá nas aparições. Ela pode até, por sua união com o fluido de certas pessoas, torna-se temporariamente tangível, isto é, oferecer ao toque a resistência de um corpo sólido, como se vê nas aparições estereológicas ou palpáveis.
A natureza íntima do perispírito não é ainda conhecida; mas poder-se-ia supor que a matéria do corpo é composta de uma parte sólida e grosseira e de uma parte sutil e etérea; ao passo que a segunda persiste e segue o espírito. O espírito teria, assim, um duplo invólucro; a morte apenas o despojaria do mais grosseiro; o segundo, que constitui o perispírito, conservaria o tipo a forma da primeira, da qual ele é como a sombra; mas sua natureza essencialmente vaporosa permite ao Espírito modificar esta forma à sua vontade, torná-la visível, palpável ou impalpável.
O perispírito é, para o Espírito, o que o perisperma e para o germe do fruto. A amêndoa, despojada do seu invólucro lenhoso, encerra o germe sob o invólucro delicado do perisperma.
O Espiritismo tem por finalidade combater a incredulidade e suas funestas conseqüências, fornecendo provas patentes da alma e da vida futura.
Allan Kardec no livro “O que é o Espiritismo”

Estados dos Espíritos
ENCARNAÇÃO
Estado dos Espíritos que revestem um invólucro corporal. Diz-seEspírito encarnado, em oposição a Espírito errante. Os Espíritos são errantes no intervalo de suas diferentes encarnações. A encarnação pode ocorrer na Terra ou em outro mundo.


ERRATICIDADE
Estado dos Espíritos errantes, isto é, não encarnados, durante os intervalos de suas existências corpóreas. A erraticidade não é um sinal absoluto de inferioridade para os Espíritos. Há Espíritos errantes de todas as classes, salvo os da primeira ordem ou puros Espíritos, que não tendo mais que sofrer encarnação, não podem ser considerados como errantes. Os Espíritos errantes são felizes ou desgraçados segundo o grau de sua purificação. É nesse estado que o Espírito, tendo despido o véu material do corpo, reconhece suas existências anteriores e os erros que o afastam da perfeição e da felicidade infinita. É então, igualmente, que ele escolhe novas provas, a fim de avançar mais depressa.(*)
(*) Erraticidade em português quer dizer o mesmo que erratibilidade; isto é, caráter do que é errático. Antônimo: sedentário, fixo. Nesse sentido muitas pessoas entenderam que, desencarnados, os espíritos são espécie de nômades, sem residência fixa, vagueando ao acaso. Essa concepção foi responsável pelo retraimento de muitos espíritas à descrição das colônias espirituais tais como "Nosso Lar", "Alvorada Nova", etc., que entram em conflito com o sentido do primeiro de "erraticidade". Todavia os próprios dicionários já consignam o conceito espírita: "Erraticidade: estado dos Espíritos entre suas encarnações".


PUREZA
ABSOLUTA
Estado dos Espíritos da primeira ordem ou puros Espíritos: os que percorreram todos os graus da escala e não têm que sofrer mais encarnação.

ESCALA ESPÍRITA OU DIFERENTES ORDENS DE ESPÍRITOS
1ª ordem
2ª ordem
Bons Espíritos
1a classe Puros Espíritos
 classe Espíritos Superiores
 classe Espíritos Sensatos
 classe Espíritos Sábios
 classe Espíritos Benfazejos
3ª ordem
Espíritos
Imperfeitos
 classe Espíritos batedores e perturbadores
 classe Espíritos neutros
 classe Espírito pseudo-sábios
 classe Espíritos levianos
10ª classe Espíritos impuros
Lembre-se o Espiritismo não se impõe, ele respeita a liberdade de consciência.
Allan Kardec no livro “O que é o Espiritismo”
EMANCIPAÇÃO DA ALMA OU DO ESPÍRITO ENCARNADO
Sonho
Efeito da emancipação da alma durante o sono. Quando os sentidos ficam entorpecidos os laços que unem o corpo e a alma se afrouxam. Esta tornando-se mais livre, recupera em parte suas faculdades de Espírito e entra mais facilmente em comunicação com os seres do mundo incorpóreo. A recordação que ela conserva ao despertar, do que viu em outros lugares e em outros mundos, ou em suas existências passadas, constitui o sonho propriamente dito. Sendo esta recordação apenas parcial, quase sempre incompleta e entremeada com recordações da vigília, resultam daí, a concatenação e produzem esses conjuntos estranhos que parecem sem sentido, pouco mais ou menos como seria a narração à qual sehouvessem truncado, aqui e ali, fragmentos de linhas ou de frases.
Soniloquia
Do lat. somnus, sono, loqui, falar. Estado de emancipação da alma, intermediária ao sono e ao sonambulismo natural. Aqueles que falam sonhando são soníloquos.
Sonambulismo Natural
O que é espontâneo e se produz sem provocação e sem influência de nenhum agente exterior.
Sonambulismo Magnético
ou Artificial
O que é provocado pela ação que uma pessoa exerce sobre outra por meio do fluido magnético que esta derrama sobre aquela.
Êxtase
Do pr. ekstasis, arrebatamento, arroubo de espírito; feito de existêmi, tomar de espanto; paroxismo da emancipação da alma durante a vida corporal, de que resulta a suspensão momentânea das faculdades perceptivas e sensitivas dos órgãos. Neste estado a alma não se prende mais ao corpo senão por laços fracos, que ela procura partir; pertence mais ao mundo dos Espíritos, que ela entrevê, do que ao mundo material. O êxtase é, algumas vezes, natural e espontâneo; pode também ser provocado pela ação magnética e, neste caso, é um grau superior do sonambulismo.
Segunda-Vista
Efeito da emancipação da alma que se manifesta no estado de vigília. Faculdade de ver as coisas ausentes como se estivessem presentes. Aqueles que dela são dotados não vêem pelos olhos, mas pela alma, que percebe a imagem dos objetos por toda parte onde ela se transporta, e como por uma espécie de miragem. Esta faculdade não é permanente. Certas pessoas a possuem sem saber: ela parece-lhes um efeito natural, e produz o que denominamos visões.
Sono Natural: suspensão momentânea da vida de relação. Entorpecimento dos sentidos durante o qual são interrompidas as relações da alma com o mundo exterior por meio dos órgãos.
Sono Magnético: Atuando sobre o sistema nervoso, o fluido magnético produz, em certas pessoas, um efeito que se comparou ao sono natural, mas que difere dele essencialmente em muitos pontos. A principal diferença consiste em que, neste estado, o pensamento se encontra inteiramente livre, o indivíduo tem um conhecimento perfeito de si mesmo e o corpo pode agir como no estado normal, o que é devido ao fato de a causa fisiológica do sono magnético não é a mesma que a do sono natural. Contudo o sono natural é um estado transitório que precede sempre o sono magnético; a passagem de um a outro é um verdadeiro despertar da alma. Eis porque aqueles que são postos pela primeira vez em sonambulismo magnético respondem quase sempre não a esta pergunta: dormis? E, com efeito, visto que vêem e pensam livremente, para eles isto não é dormir no sentido vulgar da palavra.
Se as manifestações espíritas fossem privilégio de um só homem, ninguém dúvida que, pondo esse homem de lado, por-se-ia fim às manifestações.
Allan Kardec no livro “O que é o Espiritismo”

MANIFESTAÇÕES ESPÍRITAS


Ocultas
Quando não tem nada de ostensivo e o Espírito se limita a agir sobre o pensamento;


Patentes
Quando são apreciáveis pelos sentidos;;


Físicas
Quando se traduzem por fenômenos materiais, tais como ruídos, movimentos e deslocamento de objetos;


Inteligentes
Quando revelam um pensamento (Comunicação Espírita).


Espontâneas
Quando são independentes da vontade e ocorrem sem que nenhum Espírito seja chamado;


Provocadas
Quando são efeito da vontade, do desejo ou de uma evocação determinada;


Aparentes
Þ
Vaporosas ou etéreas
Quando é impalpável e inatingível, e não oferece nenhuma resistência ao choque.
Tangíveis ou estereológicas
Quando é palpável e apresenta a consistência de um corpo sólido.
Quando o Espírito se faz visível à vista (Aparição).



COMUNICAÇÕES
Comunicação frívola
As que se referem a assuntos fúteis e sem importância;
Comunicações grosseiras
As que se traduzem por expressões que ofendem a decência;
Comunicações sérias
As que excluem a frivolidade, qualquer que seja o assunto de que tratem;
Comunicações instrutivas
As que têm por objeto principal um ensinamento dado pelos Espíritos sobre as Ciências, a Moral, a Filosofia, etc.
O Espiritismo, não tem sua fonte entre os homens; é a obra dos Espíritos, que não podem ser queimados nem presos. Consiste na crença individual e não nas sociedades, que não são absolutamente necessárias. Se chegassem a destruir todos os livros espíritas, os Espíritos a ditariam novamente.
Allan Kardec no livro “O que é o Espiritismo”
MODALIDADES DE COMUNICAÇÕES
Sematologia
Do gr. sema, semato, sinal, e logos, discurso; transmissão do pensamento dos Espíritos por meio de sinais, tais como pancadas, batidas, movimentos de objetos, etc.
Tiptologia
Linguagem dos sinais por meio de pancadas, modo de comunicação dos Espíritos.
Tiptologia alfabética.
Batidas na madeira, na parede ou em qualquer outro lugar, seguindo um código telegráfico ou convencionado na ocasião, pelas quais o Espírito estabelece conversação com as pessoas. (Nota de J. Herculano Pires)
Alfabética
Psicografia Þ
Psicografia imediata ou direta.
Quando o próprio médium escreve pegando o lápis como para a escrita ordinária.
Psicografia mediata ou indireta.
Quando o lápis é adaptado a um objeto qualquer que serve, de certo modo, de apêndice à mão, como uma cesta, prancheta, etc.
Do gr. psuké, borboleta, alma e graphô, eu escrevo): transmissão do pensamento dos Espíritos por meio da escrita, pela mão de um médium. No médium escrevente a mão é o instrumento, mas sua alma, ou o espírito nele encarnado é o intermediário ou intérprete do Espírito estranho que se comunica; na pneumatografia, é o Espírito estranho mesmo quem escreve, sem o intermediário.
Pneumatografia
Do gr. pneuma, ar, sôpro, vento, espírito, e grafo, eu escrevo: escrita direta dos Espíritos sem auxílio da mão do médium.
Psicofonia
Do gr. psuké, alma e phonê, som ou voz: transmissão do pensamento dos Espíritos pela voz de um médium falante.
Pnematofonia
De pneuma e de phoné, som ou voz: comunicação verbal e direta dos Espíritos sem o auxílio dos órgãos da voz. Som ou voz que eles fazem ouvir no vago do ar e que parece ressoar em nossos ouvidos.
Telegrafia humana
Comunicação à distância entre duas pessoas vivas, que se evocam reciprocamente. Esta evocação provoca a emancipação da alma, ou do Espírito encarnado, que vem se manifestar e pode comunicar seu pensamento pela escrita ou por qualquer outro meio. Os Espíritos dizem-nos que a telegrafia humana será um dia um meio usual de comunicação, quando os homens forem mais moralizados, menos egoístas e menos presos às coisas materiais. Até que esse estado seja alcançado, a telegrafia humana será um privilégio das almas de escol.
Os Espíritos não são perfeitos, pois são as almas dos homens, e estes não são perfeitos, pela mesma razão, os homens não são perfeitos porque constituem a encarnação de Espíritos mais ou menos adiantados. O mundo corporal e o mundo espiritual interpenetram-se incessantemente. Pela morte do corpo, o mundo corporal fornece contingente ao mundo espiritual; pelos nascimentos, o mundo espiritual alimenta a humanidade. A cada nova existência, o Espírito cumpre o progresso maior ou menor, e quando adquire sobre a terra a soma de conhecimentos e a elevação moral que comporta o nosso globo, abandona-o para passar a um mundo mais elevado, onde aprende coisas novas.
Allan Kardec no livro “O que é o Espiritismo”
MÉDIUNS OU AGENTES DAS MANIFESTAÇÕES
Médium
Do lat. médium, meio, intermediário; pessoas acessíveis à influência dos Espíritos, e mais ou menos dotadas da faculdade de receber e transmitir suas comunicações. Para os Espíritos, o médium é um intermediário; é um agente ou um instrumento mais ou menos cômodo, segundo a natureza ou grau da faculdade mediúnica. Esta faculdade depende de uma disposição orgânica especial, suscetível de desenvolvimento. Distinguem-se diversas variedades de médiuns, segundo sua aptidão particular para tal ou tal modo de transmissão, ou tal gênero de comunicação.
Médiuns Naturais
Aqueles que produzem fenômenos espontaneamente e sem nenhuma participação de sua vontade;
Facultativos
Aqueles que tem o poder de provocá-los por ato da vontade.
Médiuns
de influências físicas
São aqueles que tem o poder de provocar manifestações ostensivas.
Médiuns motores
Os que provocam o movimento e o deslocamento dos objetos
Médiuns tiptólogos
Os que provocam ruídos, pancadas ou batidas.
Médiuns de aparição
Os que provocam aparições.
Médiuns
de influênciasmorais
Os que são mais especialmente aptos a receber e transmitir comunicações inteligentes; distinguem-se, segundo sua aptidão especial.
Médiuns Escreventes
ou Psicógrafos
Os que tem a faculdade de escrever sobre sob a influência dos Espíritos.
Médiuns Pneumatógrafos
Os que tem a faculdade de obter a escrita direta dos Espíritos.
Médiuns Desenhadores
Os que desenham sob a influência dos Espíritos.
Médiuns Músicos
Os que executam, compõem ou escrevem músicas sob influência dos Espíritos. Há médiuns musicais mecânicos, semi-mecânicos, intuitivos e inspirados, como se dá com as comunicações literárias.
Médiuns Falantes
Os que transmitem pela palavra o que os médiuns escreventes transmitem pela escrita.
Médiuns Comunicadores
Pessoas que tem o poder de desenvolver nos outros, por sua vontade, a faculdade de escrever, sejam ou não, elas mesmas, médiuns escreventes.
Médiuns Inspirados
Pessoas que, quer em estado normal, quer em estado de êxtase, recebem pelo pensamento, comunicações ocultas, estranhas às suas idéias preconcebidas.
Médiuns
de Pressentimentos
Pessoas que, em certas circunstâncias, tem uma vaga intuição do que vai ocorrer no futuro.
Médiuns Videntes
Pessoas que tem a faculdade da segunda-vista ou a de ver os Espíritos.
Médiuns Sensitivos
ou impressionáveis
Pessoas suscetíveis de sentir a presença dos Espíritos por uma vaga impressão que elas não podem explicar. Esta variedade não tem caráter bem delimitado; todos os médiuns são necessariamente impressionáveis; a impressionabilidade é, assim, antes uma qualidade geral do que especial. É a faculdade rudimentar indispensável ao desenvolvimento de todas as outras; ela difere da impressionabilidade puramente física e nervosa com a qual não se deve confundi-la.
A terceira revelação, vinda numa época de emancipação e madureza intelectual, em que a inteligência, já desenvolvida, não se resigna a representar papel passivo; em que o homem nada aceita às cegas, mas quer ver aonde o conduzem, quer saber o porquê e o como de cada coisa – tinha ela que ser ao mesmo tempo o produto de um ensino e o fruto do trabalho, da pesquisa e do livre exame. Os Espíritos não ensinam senão justamente o que é mister para guiá-lo no caminho da verdade, mas abstêm-se de revelar o que o homem pode descobrir por si mesmo, deixando-lhe o cuidado de discutir, verificar e submeter tudo ao cadinho da razão, deixando mesmo, muitas vezes, que adquira experiência à sua custa. Fornecem-lhe o princípio, os materiais; cabe-lhe a ele aproveitá-los e pô-los em obra.
Allan Kardec, no livro «A GÊNESE», item 50.
O Espiritismo é ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência, consiste nas relações que podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia, compreende todas as conseqüências morais que decorrem dessas relações.
Podemos assim defini-lo:
O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, da origem e do destino dos Espíritos, e de suas relações com o mundo corporal.
Allan Kardec, no livro «O QUE É O ESPIRITISMO», (Preâmbulo).
14. – Como meio de elaboração, o Espiritismo procede exatamente da mesma forma que as ciências positivas, aplicando o método experimental. Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as conseqüências e busca as aplicações úteis. Não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou evidente da observação dos fatos, procedendo de igual maneira quanto aos outros princípios. Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subseqüentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. As ciências só fizeram progressos importantes depois que seus estudos se basearam sobre o método experimental; até então, acreditou-se que esse método também só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas.
55. – Um último caráter da revelação espírita, a ressaltar das condições mesmas em que ela se produz, é que, apoiando-se em fatos, tem que ser, e não pode deixar de ser, essencialmente progressiva, como todas as ciências de observação. Pela sua substância, alia-se à Ciência que, sendo a exposição das leis da Natureza, com relação a certa ordem de fatos, não pode ser contrária às leis de Deus, autor daquelas leis. As descobertas que a Ciência realiza, longe de o rebaixarem, glorificam a Deus; unicamente destroem o que os homens edificaram sobre as falsas idéias que formaram de Deus.
O Espiritismo, pois, não estabelece como princípio absoluto senão o que se acha evidentemente demonstrado, ou o que ressalta logicamente da observação. Entendendo com todos os ramos da economia social, aos quais dá o apoio das suas próprias descobertas, assimilará sempre todas as doutrinas progressivas, de qualquer ordem que sejam, desde que hajam assumido o estado de verdades práticas e abandonado o domínio da utopia, sem o que ele se suicidaria. Deixando de ser o que é, mentiria à sua origem e ao seu fim providencial. Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará.
Allan Kardec, no livro «A GÊNESE», itens 14 e 55.