quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

VAMPIRISMO E PARASITISMO ESPIRITUAL

1. CONCEITOS: 

“Ação pela qual Espíritos involuídos, arraigados às paixões inferiores, se imantam à organização psicofísica dos encarnados (e desencarnados), sugando-lhes a substância vital.” (Martins Peralva- Estudando a Mediunidade.) 

“O parasitismo espiritual (ou vampirismo) é um processo grave de obsessão que pode ocasionar sérios danos àquele que se faz hospedeiro (o obsidiado), levando-o à loucura ou até mesmo à morte.” (Espiritismo de A a Z, citando Suely Caldas Schubert, Obsessão/Desobsessão: profilaxia e terapêutica espíritas.9 ed. Rio:FEB, 1994, p. 192)


2. ESPÉCIES: 

1 - espíritos muito apegados às sensações materiais prosseguem, após o túmulo, a buscar as sensações que desfrutavam quando encarnados, se vinculando aos encarnados que vibram em faixa idêntica, parceiros de paixões desequilibrantes. 

2 - os obsessores, por vingança e ódio, ligam-se às suas vítimas com o intuito de absorver-lhes a vitalidade, enfraquecendo-as, em busca de maior domínio. 

3 - existem aqueles que, já libertos do corpo físico, ligam-se, inconscientemente, aos seres amados que permanecem na crosta terrestre, mas sem o desejo de fazer o mal. 

4 - entre os encarnados, existem pessoas que vivem permanentemente sugando as forças de outros seres humanos, que se deixam passivamente dominar. 

Vampirismo Recíproco: 

O vampirismo pode, ainda, comportar a forma de Vampirismo Recíproco, onde ambos os espíritos envolvidos alimentam-se dos fluidos doentios do seu companheiro, apegando- se a ele instintivamente. 
Um exemplo é o caso relatado na obra “Nos Domínios da Mediunidade”, onde um homem desencarnado e uma mulher encarnada vivem em regime de escravidão mútua, nutrindo-se da emanação um do outro. Ela busca ajuda na sessão do trabalho desobsessivo realizado por um centro espírita e, com o concurso de entidades abnegadas, consegue o afastamento momentâneo do espírito obsessor. Bastou, porém, que o espírito fosse retirado para que ela o fosse procurar, reclamando sua presença. 


3. CAUSAS EFETIVAS: 

- desregramentos emocionais (tristeza, cólera, medo, etc.) 
- Glutonaria 
- Excessos alcoólicos 
- Fumo 
- desvios sexuais 
No capítulo III da Obra “Missionários da Luz”, merecem destaque as passagens onde André Luiz e Alexandre observam médiuns que apresentam alguns dos desregramentos retro mencionados: 



3.1. Sexo: 

Pessoa observada: Rapaz que se exercitava no desenvolvimento mediúnico, freqüentando um centro numa cidade brasileira, em que o Espírito Alexandre era mentor. Casado há oito meses, no entanto era atraído irresistivelmente para ambientes malignos, não resistindo às atrações de atividades doentias no campo sexual, tornando-se por isto mesmo ponto de atração para entidades grosseiras no mundo espiritual, que agiam à maneira imperceptíveis vampiros. 

Observação de André Luiz: “- As glândulas geradores emitiam fraquíssima luminosidade que parecia abafa por aluviões de corpúsculos negros, a se caracterizarem por espantosa mobilidade. Começavam a movimentação sob a bexiga urinária e vibravam ao longo de todo o cordão espermático, formando colônias compactas nas vesículas seminais, na próstata, nas mucosas uretrais, invadiam os canais seminíferos, e lutavam com as células sexuais, aniquilando-as. As mais vigorosas daquelas feras microscópicas, situavam-se no epidídimo, onde absorviam, famélicas, os embriões delicados da vida orgânica. Estava assombrado. Que significava aquele acervo de pequeninos seres escuros? Pareciam imantados uns aos outros na mesma faina de destruição. Seriam expressões mal conhecidas da sífilis?” 

Resposta de Alexandre - “ - Não, André, não temos aí sob os olhos o espiroqueta de Schaudinn, nem qualquer nova forma suscetível de análise material por bacteriologistas humanos. São bacilos psíquicos da tortura sexual, produzido pela sede febril de prazeres inferiores. O dicionário médico do mundo não conhece e, na ausência de terminologia adequada aos seus conhecimentos, chamemos-lhes de larvas, simplesmente. Têm sido cultivados por este companheiro não só pela incontinência no domínio das emoções próprias, através de experiências sexuais variadas, senão também pelo contacto com entidades grosseiras, que se afinizam com as predileções dele, entidades que visitam com freqüência, à maneira de imperceptíveis vampiros. O pobrezinho ainda não pode compreender, que o corpo físico é apenas leve sombra do corpo perispiritual, e não se capacitou de que a prudência, em matéria de sexo, é equilíbrio da vida, e recebendo as nossas advertências sobre a temperança, acredita ouvir remotas lições de aspectos dogmático exclusivo, no exame da fé religiosa. (...) 


3.2. Álcool. 

Pessoa observada: Cavalheiro maduro, que tentava a psicografia, na mesma reunião de desenvolvimento mediúnico. 

Observação de André Luiz: “- Semelhava-se o corpo a um tonel de configuração caprichosa, de cujo interior escapavam certos vapores muito leves, mais incessantes. Via-se-lhe a dificuldade para sustentar o pensamento com relativa calma. Não tive qualquer dúvida. Deveria ele utilizar de alcoólicos em quantidade. O aparelho gastro-intestinal parecia totalmente ensopado em aguardente, porquanto essa substância invadia todos os escaninhos do estômago e começando a fazer-se sentir nas paredes do estômago, manifestava a sua influência até o bolo fecal. Espantava-me o fígado enorme. Pequeninas figuras horripilantes, postavam- se, vorazes, ao longo da veia horta, lutando desesperadamente com os elementos sangüíneos mais novos. Toda a estrutura do órgão se mantinha alterada. Terrível ingurgitamento. Os lóbulos cilíndricos, modificados, abrigavam células doentes e empobrecidas. O baço apresentava anomalias estranhas.” 

Esclarecimento de Alexandre: “- Os alcoólicos aniquilavam-no vagarosamente: 

a. Este companheiro permanece completamente desviado em seus centros de equilíbrio vital; 
b. Todo o sistema endocrínico foi atingido pela atuação tóxica; 
c. Inutilmente trabalha a medula para melhorar os valores da circulação; 
d. Em vão esforçam-se os centros genitais para ordenar as funções que lhe são peculiares, porque o álcool excessivo determina modificações deprimentes sobre a própria cromatina; 
e. Debalde trabalham os rins na excreção dos elementos corrosivos, porque a ação perniciosa da substância em estudo anula diariamente grande número de nefrons; 
f. Os pâncreas, viciado, não atende com exatidão ao serviço de desintegração dos alimentos; 
g. Larvas destruidoras exterminam as células hepáticas; 
h. Profundas alterações modificam as disposições do sistema nervoso vegetativos; 
i. Não fossem as glândulas sudoríparas, tonar-se-lhe-iam impossível a continuação da vida física. 


3. 3. Glutonaria. 

Pessoa observada: Dama simpática e idosa ao desenvolvimento da mediunidade de incorporação, na mesma reunião; 

Observação de André Luiz: “- Fraquíssima luz emanava de sua organização mental e, desde o primeiro instante, notara-lhe as deformações físicas. 

a. O estômago dilatara-se horrivelmente; 
b. O fígado, consideravelmente aumentado, demonstrava indefinível agitação; 
c. Desde o duodeno à sigmóide, notavam-se anomalias de vulto; 
d. Guardava a idéia de presenciar não o trabalho de um aparelho digestivo usual, e sim, de vasto alambique gorduroso, cheirando a vinagre de condimentação ativa; 
e. Em grande zona do ventre superlotado de alimentação, viam-se parasitos conhecidos, mas além deles, divisava outros corpúsculos semelhantes a lesmas voracíssimas que se agrupavam em grandes colônias desde os músculos e as fibras do estômago até a válvula íleo-cecal. Semelhantes parasitos atacavam os sucos nutritivos, com assombroso potencial de destruição. 

Esclarecimento de Alexandre: “- Temos aqui uma pobre amiga desviada nos excessos de alimentação. Todas as suas glândulas e centros nervosos trabalham para atender as exigências do sistema digestivo. Descuidada de si mesma, caiu na glutonaria crassa, tornando-se presa de seres de baixa condição.” 


4. PROCESSO DE VAMPIRIZAÇÃO: 

4.1.Produção das larvas mentais: 

A cólera, a intemperança, os desvarios do sexo e as viciações da personalidade formam criações inferiores, chamadas de larvas mentais, que são o alimento das entidades infelizes, portadoras de vigoroso magnetismo animal, contaminando o meio ambiente onde quer que o responsável pela sua produção circule. Formam nuvens de bactérias variadas, obedecendo ao princípio das afinidades. 

4.2 O Contágio: 
Para nutrir-se desse alimento, o desencarnado agarra-se aos companheiros de ignorância ainda encarnados, sugando-lhes a substância vital. 
O médico Dias da Cruz lembra que "toda forma de vampirismo está vinculada à mente deficitária, ociosa ou inerte que se rende às sugestões inferiores que a exploram sem defensiva". E explica a técnica utilizada pelos espíritos vampirizadores, situando-a nos processos de hipnose. 
Por ação do hipnotizador, o fluido magnético derrama-se no campo mental do paciente voluntário, que lhe obedece o comando. Uma vez neutralizada a vontade do sujeito, as células nervosas estarão subjugadas à invasão dessa força. Os desencarnados de condição inferior, consciente ou inconscientemente, utilizam esse processo na cultura do vampirismo. 
Justapõem-se à aura das criaturas que lhes oferecem passividade, sugando-lhes as energias, tomam conta de suas zonas motoras e sensoriais, inclusive os centros cerebrais (linguagem e sensibilidade, memória e percepção), dominando-as. 
De acordo com Marlene Rossi Severino Nobre, membro da Associação Médico Espírita do Brasil (Extraído da Revista Cristã de Espiritismo nº 12, páginas 30-32), os espíritos inferiores desencarnados produzem substâncias destrutivas, que atingem os pontos vulneráveis de suas vítimas. 
Essas substâncias, conhecidas como simpatinas e aglutininas mentais, têm a propriedade de modificar a essência do pensamento dos encarnados, que vertem contínuos dos fulcros energéticos do tálamo, no diencéfalo. Esse ajuste entre desencarnados e encarnados é feito automaticamente, em absoluto primitivismo nas linhas da natureza. Os obsessores tomam conta dos neurônios do hipotálamo, "acentuando a dominação sobre o feixe amielínico que o liga ao córtex frontal, controlando as estações sensíveis do centro coronário que aí se fixam para o governo das excitações e produzindo nas suas vítimas, quando contrariados em seus desígnios, inibições de funções viscerais diversas, mediante influência mecânica sobre o simpático e o parassimpático". (o nosso mentor André Luiz (Evolução Em Dois Mundos, Francisco C. Xavier, 11ª ed,1989, pg. 117-118) 
A propósito, Allan Kardec (A Gênese, 29ª ed., FEB, pg. 305) relata que “Nos casos de obsessão grave, o obsidiado fica como que envolto e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele...” Ainda orienta o Codificador (mesma obra, pg. 285), que“Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade, como uma esponja se embebe de um líquido. Esses fluidos exercem sobre o perispírito uma ação tanto mais direta quando, por sua extensão e irradiação, o perispírito com eles se confunde. Atuando esses fluidos sobre o perispírito, este, a seu turno, reage sobre o organismo material com quem se acha em contato molecular. (...)Se os eflúvios maus são permanentes e enérgicos, podem ocasionar desordens físicas; não é outra a causa de certas enfermidades.” 

5. AS ENTIDADES EXPLORADORAS. 
“vampiro é toda entidade ociosa que se vale, indebitamente, das possibilidades alheias e, em se tratando de vampiros que visitam os encarnados, é necessário reconhecer que eles atendem aos sinistros propósitos a qualquer hora, desde que encontrem guarida no estojo de carne dos homens.”(Missionários da Luz, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier cap. 4.1 ) 
Tendo vivido muito mais de sensações animalizadas que de sentimentos e pensamentos puros, algumas criaturas, além do túmulo, prosseguem imantados aos ambientes domésticos que lhes alimentavam o campo emocional. Aos infelizes que caíram em semelhante condição de parasitismo, as larvas servem de alimento habitual. 
No livro "Evolução em dois Mundos", André Luiz compara os parasitas existentes nos reinos inferiores da Natureza aos "parasitas espirituais", pois os meios utilizados pelos desencarnados, que se vinculam aos que permanecem na esfera física, obedecem aos mesmos princípios de simbiose prejudicial. 
Reportando-se aos ectoparasitas (os que limitam sua ação às zonas de superfície, como os mosquitos sobre a pele) e aos endoparasitas (os que se alojam nas reentrâncias do corpo a que se impõem, como a infestação de elementos saprófagos), o autor traça um importante paralelo entre estes e a ação dos obsessores: 

DESENCARNADOS AGINDO COMO ECTOPARASITA: absorvem as emanações vitais dos encarnados que com eles se harmonizem. São os que se aproximam eventualmente dos fumantes, dos alcoólatras e de todos aqueles que se entregam aos vícios e desregramentos de qualquer espécie. 

DESENCARNADOS AGINDO COMO ENDOPARASITA: conscientes os que, "após se inteirarem dos pontos vulneráveis de suas vitimas”, tomam conta de seu campo mental "impondo-lhes ao centro coronário a substância dos próprios pensamentos, que a vitima passa a acolher qual se fossem os seus próprios.” (Evolução em dois Mundos, André. Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier - Waldo Vieira, cap. XIV a XV, 5.. ed. FEB.). 

Os obsessores utilizam também as formas ovóides, para intensificar o cerco sobre suas vítimas, imantando-as a estas, para instalar o parasitismo espiritual. Envolvido nos fluídos dos obsessores, com o pensamento controlado pela interferência hipnótica dos algozes, o obsidiado passa a viver no clima que estes criaram, agravado pelas ondas mentais altamente perturbadoras dos ovóides, vendo inclusive os clichês mentais que projetam em fenômenos alucinatórios ou ouvindo-lhes as acusações na acústica da mente. 

O corpo espiritual se transforma em um corpo ovóide em três casos: 

1º) O homem selvagem quando retorna, após a morte do corpo denso, ao plano espiritual, sente-se atemorizado diante do desconhecido. A vastidão cósmica o assusta, bem como a visão de Espíritos, mesmo os bons e sábios, pois crê estar frente a deuses e, por isso, refugia-se na choça que lhe serviu de moradia terrestre. Anseia por retornar à taba onde vivera e ao convívio dos seus e alimenta-se das vibrações dos que lhe são afins. Nestas condições estabelece-se nele o monoideísmo, isto é, idéia fixa, abstraindo-se de tudo o mais. O pensamento que lhe flui da mente permanece em circuito viciado, continuamente. É o monoideísmo auto-hipnotizante. Não havendo outros estímulos, os órgãos do corpo espiritual se retraem ou se atrofiam, tal como ocorre aos órgãos do corpo físico. 

2º) Desencarnados, em profundo desequilíbrio, aspirando a vingar-se ou portadores de vicioso apego, envolvem e influenciam aqueles que lhes são objeto de perseguição ou atenção e auto-hipnotizam-se com as próprias idéias, que se repetem indefinidamente. Em conseqüência, os órgãos perispiríticos se retraem, por falta de função, assemelhando-se então a ovóides, vinculados às próprias vítimas que, de modo geral, lhes aceitam, mecanicamente, a influenciação, por sentirem culpa, remorso, ódio, egoísmo, externados em vibrações incessantes, sob o comando da mente. Configura-se, neste caso, a parasitose espiritual. 

3º) Os grandes criminosos, ao desencarnar, ver-se-ão atormentados pela visão repetida e constante dos próprios crimes, vícios e delitos, em alucinações que os tornam dementados. Os clichês mentais que exteriorizam torna-lhes o fluxo do pensamento vicioso, resultando no monoideísmo auto-hipnotizante. E tal como nos casos anteriores, perdem os órgãos do corpo espiritual, transubstanciando-se em ovóides. 



6. O COMBATE AO VAMPIRISMO 

6.1. Reencarnações Expiatórias: são conseqüências da lei de ação e reação, 
constituindo-se no recurso utilizado pela Providência para devolver o equilíbrio aos espíritos, quando a reconciliação pelo amor torna-se inviável. A família consangüínea é o instrumento utilizado pela Providência para promover o resgate dos espíritos envolvidos. Inicialmente, reencarna o que tiver mais méritos, sendo indicada para recebê-lo como mãe alguém que tenha débitos a serem resgatados relativamente à maternidade, uma vez que a gestação trará o desconforto gerado pelo assédio do vingador. Desde as primeiras ligações fluídicas do reencarnante ao corpo físico, passando pela infância, adolescência e até atingir a fase adulta, o espírito que retorna continua padecendo da influência de seu desafeto, que lhe permanece enlaçado pela força de sentimentos negativos. Mais uma vez o instituto da família é usado pela Providência para que o reencarnante, através de uniões conjugais provacionais, ofereça ao seu verdugo um novo corpo, como filho consangüíneo, para que o amor de paternal ou maternal o envolva e promova o resgate dos equívocos praticados no passado. 

6.2. Transformação do Ser: A arma fundamental de combate ao vampirismo é a transformação do Ser, visando as melhores condições de seu campo eletromagnético. Assim, quem sofre com tal influência espiritual negativa pode dela se livrar através do serviço no bem, com a prática do amor ao próximo. Ao reconhecer sua culpa, pode começar a construir a cura reajustando-se e servindo como exemplo ao seu perseguidor.
É conveniente recordar os ensinamentos de Kardec quando afirma que “os espíritos inferiores não podem suportar o brilho e a impressão dos fluidos mais etéreos. Não morreriam no meio desses fluidos porque Espírito não morre, mas uma força instintiva os manteriam afastados dali como a criatura terrena se afasta de um fogo muito ardente ou de uma luz muito deslumbrante.” (A Gênese, cap. XIV, item 11). 
Sem esta transformação, as tentativas externas de desligamento das entidades infelizes não encontram sucesso. Não adianta o trabalho de retirada dos vampiros, mesmo inconscientes, se o encarnado invoca mentalmente as entidades, atraindo-as novamente para o seu convívio. O mesmo pode ser dito com relação à doutrinação das entidades. Embora efetuada com perseverança e métodos precisos, a medida exige tempo e tolerância fraternal, podendo encontrar obstáculo no fato do encarnado haver se convertido em poderoso imã de atração. 

6.3. Oração: A oração é o mais eficiente antídoto do vampirismo. A prece é vibração, energia, poder. A prece provoca um estado psíquico que revela nossa origem divina e coloca-nos em contato com as fontes superiores. Dentro dessa realização, o Espírito, em qualquer forma, pode emitir raios de espantoso poder. Toda criatura que cultiva a oração, com o devido equilíbrio do sentimento, transforma gradativamente, em foco irradiante de energias da divindade. 
No Capítulo IV da obra Missionários da Luz, há o relato da prece de Cecília, que rezando pelo esposo, é cercada por luzes sublimes, rogando pela iluminação do companheiro a que parecia amar infinitamente. Seu coração se transformava num foco ardente de luz, do qual saíam inúmeras partículas resplandecentes, projetando-se sobre o corpo e sobre a alma do esposo com a rapidez de minúsculos raios. Os corpúsculos radiosos concentravam-se em massa, destruindo as pequenas formas horripilantes do vampirismo devorador. 

7. CASOS DE VAMPIRISMO NA LITERATURA ESPÍRITA. 

Além daqueles mencionados no decorrer do presente trabalho, a título de ilustração, são inúmeros os casos de vampirismo narrados na literatura espírita, com destaque para aqueles ilustrados por André Luiz: 

Nosso Lar - Caso da mulher cercada de pontos negros, que, chegada do Umbral, implora socorro do outro lado da cancela. O socorro é negado, em virtude de tratar-se de um forte vampiro, cujos pontos negros representavam cinqüenta e oito crianças assassinadas ao nascer. 

Obreiros da Vida Eterna - Cenas de vampirismo em uma enfermaria de hospital. "Entidades inferiores, retidas pelos próprios enfermos, em grande viciação da mente, postavam-se em leitos diversos, inflingindo-lhes padecimentos atrozes, sugando-lhes vampirescamente preciosas forças, bem como atormentando-os e perseguindo-os". 

Nos Domínios da Mediunidade - (capítulo X) Caso da Jovem Parricida (pág. 71 a 79) e Caso Pedro (capítulo IX) “uma convulsão epiléptica o obsessor ligando-se a Pedro, seguindo-se convulsão generalizada tônico-clônica, com relaxamento de esfíncteres. O mentor Aulus afirma ser possessão completa ou epilepsia essencial e analisa que, no setor físico, Pedro está inconsciente, não terá lembrança do ocorrido, mas está atento em espírito, arquivando a ocorrência e enriquecendo-se.” 

Libertação - (pág. 140 e 141) Caso da jovem Clorótica, que mantinha uma ligação mental com os seus obsessores, permitindo o domínio completo de sua mente, que utilizavam como se fosse a deles. Encontrava-se praticamente desapossada de seu livre-arbítrio e suas reações não mais lhe pertenciam, pois expressavam a vontade das entidades que funcionavam como seus algozes. E caso Margarida- Gregório (p. 110), onde o personagem Gregório vampiriza antiga companheira de nome Margarida, quando solicitado pelo mentor Gúbio a interromper a vampirização que colocava a vida de Margarida em perigo, afirma ter necessidade do alimento psíquico que só a mente de Margarida pode proporcionar. 

Entre a Terra e o Céu - (cap. III) Caso Odila- Zulmira: A jovem senhora é Zulmira, e a irmã desencarnada que lhe vampiriza o corpo é Odila, a primeira esposa de Amaro, dolorosamente transfigurada pelo ciúme a que se recolheu. Empenhada em combater aquela que considera inimiga, imanta-se a ela, através do veículo perispirítico, na região cerebral, dominando a complicada rede de estímulos nervosos e influenciando os centros metabólicos, com o que lhe altera profundamente a paisagem orgânica. 

No Mundo Maior - (pág. 37 a 74) Caso Pedro-Camilo, 20 anos sob a atuação de um único obsessor. Durante esse período, o quimismo espiritual ou a fisiologia do perispírito se desequilibrou e, conseqüentemente, desencadeou distúrbios orgânicos, entre os quais a ameaça de amolecimento cerebral. 

8. CONCLUSÃO 

Dias da Cruz, no livro “Instruções Psicofônicas” Espíritos Diversos, através de mensagem psicografada por Francisco C. Xavier, afirma ser imperativo o uso dos antissépticos do Evangelho para garantir a higiene mento-psíquica. E prossegue: 
“Bondade para com todos, trabalho incansável no bem, otimismo operante, dever irrepreensivelmente cumprido, sinceridade, boa-vontade, esquecimento integral das ofensas recebidas e fraternidade simples e pura, constituem sustentáculo de nossa saúde espiritual.” (...) Procurando, pois, o Senhor e aqueles que o seguem valorosamente, pela reta conduta de cristãos leais ao Cristo, vacinemos nossas almas contra as flagelações externas ou internas da parasitose mental.” 
A prática do bem rompe os sentimentos inferiores, produzindo, além da própria transformação de quem o pratique, também a daqueles que a ele se agrega pelos vínculos do ódio e da vingança, pelo exemplo de fraternidade. 
Desse modo, os espíritos vingadores, ao encontrar a vítima transformada pelo esforço na prática do bem, da mesma forma como foram atraídos pelas suas fraquezas, serão contagiados pela nova situação e, em conseqüência, desestimulados a prosseguirem a perseguição.
É possível concluir que pela prática da caridade, é possível obter a transformação moral necessária para se modificar e aos inimigos, evitando-se dolorosos resgates reparatórios. 


Por Fernanda Louro Figueras


BIBLIOGRAFIA 

O Espiritismo de A a Z, FEB 
Evolução em Dois Mundos - FEB - F. C. Xavier / André Luiz 
Missionários da Luz - FEB - F. C. Xavier / André Luiz 
Nosso Lar - FEB - F. C. Xavier / André Luiz 
Obreiros da Vida Eterna - FEB - F. C. Xavier / André Luiz 
Nos Domínios da Mediunidade - FEB - F. C. Xavier / André Luiz 
Libertação- FEB - F. C. Xavier / André Luiz 
Entre a Terra e o Céu - FEB - F. C. Xavier / André Luiz 
No Mundo Maior - FEB - F. C. Xavier / André Luiz 
Estudando a Mediunidade- Martins Peralva 
Revista Cristã de Espiritismo nº 12, páginas 30-32, Marlene Rossi Severino Nobre, Associação Médico-Espírita do Brasil 
A Gênese, FEB, Allan Kardec 
O Livro dos Médiuns, FEB, Allan Kardec 
Instruções Psicofônicas- Espíritos Diversos, FEB- Francisco C. Xavier/ Dias da Cruz

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

CONHEÇA OS PRINCIPAIS TIPOS DE VAMPIRO

O jornalista Luís Pellegrini, em matéria publicada na Revista Planeta, fez uma relação muito boa dos dez tipos mais comuns de vampiros. Baseados nessa matéria, vamos enumerar alguns. Você também pode descobrir outros tipos. Divirta-se, afinal o bom humor é a melhor defesa!
A) Vampiro Cobrador: Cobra sempre, de tudo e todos. Quando nos encontramos com ele, quer logo saber por que não lhe telefonamos ou visitamos. Se você vestir a carapuça e se sentir culpado, estará abrindo as portas.
O melhor a fazer é usar de sua própria arma, ou seja, cobrar de volta e perguntar porque ele também não liga ou aparece.
B) Vampiro Crítico: Só sabe criticar. Todas as observações são negativas e destrutivas. Vê a vida somente pelo lado sombrio. A maledicência tende a criar na vítima um estado de alma escuro e pesado e abrirá seu sistema para que a energia seja sugada. Diga não às suas críticas. Nunca concorde com ele. A vida não é tão negra assim. Não entre nesta vibração.
C) Vampiro Adulador: é o famoso Puxa-saco. Adula o ego da vítima, cobrindo-a de lisonjas e elogios falsos, tentando seduzir pela adulação. Muito cuidado para não dar ouvidos ao adulador, pois ele simplesmente espera que o orgulho da vítima abra as portas da aura para sugar a energia.
D) Vampiro Reclamador: é aquele tipo que reclama de tudo, de todos, da vida, do governo, do tempo… Opõe-se a tudo, exige, reivindica, protesta sem parar. È o mais engraçado é que nem sempre dispõe de argumentos sólidos e válidos para justificar seus protestos. Melhor tática é deixa-lo falando e nunca “comprar” a briga dele.
E) Vampiro Inquiridor: Sua língua é uma metralhadora. Dispara perguntas sobre tudo, e não dá tempo para que a vítima responda pois já dispara mais uma rajada de perguntas. Na verdade ele não quer respostas e sim apenas desestabilizar o equilíbrio mental da vítima, perturbando seu fluxo normal de pensamentos.Para sair de suas garras, não ocupe sua mente à procura de respostas. Para cortar seu ataque, reaja fazendo-lhe uma pergunta bem pessoal e contundente, e procure se afastar assim que possível.
F) Vampiro Lamentoso: São os lamentadores profissionais, que anos a fio choram suas desgraças. Para sugar a energia da vítima, ataca pelo lado emocional e afetivo. Chora, lamenta-se e faz de tudo para despertar pena. É sempre o coitado, a vítima. Só há um jeito de tratar com este tipo de vampiro, é cortando suas asas . Corte suas lamentações dizendo que não gosta de queixas, ainda mais que não elas não resolvem situação alguma.
G) Vampiro Pegajoso: Investe contra as portas da sensualidade e sexualidade da vítima. Aproxima-se como se quisesse lambê-la com os olhos, com as mãos, com a língua. Parece um polvo querendo envolver a pessoa com seus tentáculos. Se você não escapar rápido, ele irá sugar sua energia em qualquer uma das possibilidades:
Seja conseguindo seduzi-lo com seu jogo pegajoso, seja provocando náuseas e repulsa. Em ambos os casos você estará desestabilizado, e portanto, vulnerável…
H) Vampiro Grilo-Falante: A porta de entrada que ele quer arrombar é o seu ouvido. Fala, absoluto, durante horas, enquanto mantém a atenção da vítima ocupada, suga sua energia vital.
Para livrar-se, invente uma desculpa, levante-se e vá embora.
I) Vampiro Hipocondríaco: Cada dia aparece com uma doença nova. Adora colecionar bula de remédios. Desse jeito chama a atenção dos outros, despertando preocupação e cuidados. Enquanto descreve os por menores de seus males e conta seus infindáveis sofrimentos, rouba a energia do ouvinte, que depois se sente péssimo. O antídoto é saber que é apenas um modo de chamar a atenção, apesar de muitos de seus males serem verdadeiros. Não sinta pena.
J) Vampiro Encrenqueiro: para ele, o mundo é um campo de batalha onde as coisas só são resolvidas na base do tapa. Quer que a vítima compre a sua briga, provocando nela um estado raivoso, irado e agressivo. Esse é um dos métodos mais eficientes para desestabilizar a vítima e roubar-lhe a energia.
Não dê campo para agressividade, procure manter a calma.
O VAMPIRO NÃO É O ÚNICO CULPADO
A pergunta mais comum é como se deve fazer para evitar que os ‘outros’ roubem a nossa energia. A primeira sugestão que costumo dar é inverter a pergunta. Não questione como o outro está roubando sua energia e sim como você está deixando que os outros te roubem. Deu para notar a diferença? Quando você inverte as coisas, assume a responsabilidade, retoma o seu poder e toma as rédeas da situação.
Cada um de nós é responsável pela sua energia pessoal, pelo seu bem-estar e pelo rumo dos acontecimentos de sua vida. Se alguém está roubando sua energia ou interferindo negativamente em sua vida é porque você está dando abertura para isso. E quando você sabe onde estão suas vulnerabilidades, seus pontos fracos e onde as portas estão abertas, pode, então, saber como agir e com o tempo ir se fortalecendo e fechando gradativamente as portas para todo o mal.

VAMPIRO SEMPRE ATACA O SEU PONTO FRACO
Para entrar em seu campo aúrico e roubar a sua energia, o vampiro precisa criar sintonia com você, é preciso que os dois estejam na mesma freqüência vibratória. Como a freqüência de um vampiro é sempre baixa e negativa, ele vai tentar deixar você do mesmo jeito. Os recursos que usa são portando, impingir no outro o medo, a culpa, a raiva, o nervosismo, a preocupação, a auto-desvalorização, a revolta e toda a sorte de estados de espírito de baixo nível. Se você fizer o jogo do vampiro, com certeza ficará num estado vibracional tão negativo, que abrirá as portas para que sua energia seja sugada.
A saída mais eficiente é não deixar que o vampiro determine o padrão e o nível da conversa ou do encontro. Tente impor o seu padrão, ou seja, mantenha-se sempre na positividade e no bem. Corte as conversas fiadas, evite pragas e assuntos negativos, queixas repetitivas, revoltas, nervosismos, exaltações e tudo aquilo que rebaixe o tom da conversa. Apenas lembre-se que ajudar um amigo em dificuldade e ouvir um desabafo é outra coisa, é bem diferente daquelas pessoas que ficam se queixando a vida toda, que estão em crises eternas e não fazem nada para sair delas.
Triste é quando você também gosta de se entregar a esse tipo de conversas e relações de baixo nível de energia! Outro problema é quando sua auto-estima é baixa e você permite que pessoas lhe digam o que fazer ou o que é certo para sua vida, ou seja, quando você não tem firmeza de caráter.
Quem vive cheio de medos também é vulnerável às energias negativas: medo de perder o emprego, medo de não ser bom o bastante, medo de perder o afeto das pessoas. Outro fator que nos deixa vulneráveis é a culpa: se você não se sente merecedor das boas coisas que possui, vai acabar entregando o ouro ao bandido, afinal, quem julga que não merece não toma posse energética do que conseguiu e perde facilmente.
A idéia é entender como o vampiro vai atuar para te desestabilizar, para fazer com que você saia da sua positividade e se abra para que ele roube o que você tem. Tem gente que é especialista em nos tirar do sério, não é mesmo? Enquanto não nos vêem tendo um ataque histérico, não sossegam… Mas se você sabe de antemão qual é a intenção dele e como vai fazer para te provocar, pode escolher não fazer o seu jogo e até se divertir com isso.
Procure conhecer suas vulnerabilidades, seus pontos fracos e tudo aquilo que possa deixar você aberto aos vampiros: baixa auto-estima, medos, culpas, traumas, ressentimentos, frustrações, emoções reprimidas, enfim, aquele lado obscuro que muitas vezes tentamos ocultar.
Vera Caballero

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Reunião Pública

“Alma irmã que estás chegando à Casa pela primeira vez, sê bem-vinda. Esta é uma Casa cujas atividades se

           baseiam no Evangelho de Jesus e na codificação
                               do Espiritismo por Allan Kardec ".(1)








O CENTRO ESPÍRITA

Coube a Hippolyte Léon Denizard Rivail, pedagogo francês, realizar uma série de pesquisas, em meados do século XIX, almejando esclarecer certos fenômenos espirituais, erradamente chamados na época sobrenaturais. Como fruto de suas observações, organizou didaticamente as informações obtidas, tornando-as acessíveis a todas as pessoas interessadas em conhecer mais profundamente as relações existentes entre o mundo visível e o mundo invisível. Publicou uma série de livros, com o pseudônimo de Allan Kardec. É reconhecido como codificador do Espiritismo e não o seu criador.

Filiado ao CEERJ - Conselho Espírita do Estado do Rio de Janeiro, o TAREFEIROS é uma Casa Espírita, cujos objetivos podem ser resumidos em estudar, seguir, praticar e promover os princípios básicos do Espiritismo ou da Doutrina dos Espíritos. Entre as suas atividades básicas destacam-se as reuniões públicas, as reuniões de estudo, as reuniões mediúnicas (privativas), a assistência espiritual e a promoção humana. Ao chegar à nossa casa, procure o coordenador da reunião que lhe dará as informações sobre as atividades que mais atendam às suas necessidades. 


OS PRIMEIROS PASSOS
Quando passamos a frequentar uma Casa Espírita é natural surgirem dúvidas com relação a práticas e conceitos utilizados no Espiritismo. Termos como reencarnação, lei de causa e efeito, passes magnéticos, água fluidificada, perispírito, fluido universal, ectoplasma e outros, ditos com naturalidade pelos mais experientes, parecem fazer parte de um universo ainda desconhecido para nós iniciantes. Com o passar do tempo, as dúvidas vão sendo esclarecidas. Passamos, então, a observar melhor em nosso cotidiano a aplicação do que apreendemos nas palestras das reuniões públicas, nas sessões de estudos doutrinários e nas conversas com os outros companheiros. Mas, para se chegar a esse estágio de amadurecimento pessoal e espiritual, há necessidade de superar os primeiros obstáculos, os mais difíceis de serem vencidos. 



Os empecilhos mais comuns constituem-se no desânimo, na descrença, no medo, na desconfiança e, no principal deles, na fé insegura e vacilante. Não se preocupe! Assim como você, todos nós, também, passamos por isto. No entanto, tenha sempre em mente: “Aqui encontrarás inúmeros trabalhadores, aprendizes na arte de servir, a fim de serem felizes com a felicidade alheia. Estarão sempre prontos a ouvir-te. Não suponhas porém, que pelo fato de estarem ligados a esta casa, os tarefeiros que encontrares estão isentos de provas e dificuldades. Assim como tu, eles lutam e sofrem, esforçando-se para superar a si mesmos, dentro dos problemas do mundo".(2) 




A REUNIÃO PÚBLICA(3)



As pessoas que começam a frequentar um centro espírita, em sua maioria, vêm na busca de auxílio, de amparo, de consolo e de esclarecimentos sobre o real sentido da vida. Acrescente-se a isso, uma minoria motivada em conhecer mais a fundo a Doutrina Espírita, seja por curiosidade ou por interesse intelectual. 

De qualquer forma, independente das razões que o trazem à nossa casa, as portas sempre estão abertas. Uma delas, para alguns a mais importante, é a reunião pública. Sua finalidade é promover e divulgar a Doutrina Espírita em seus aspectos científico, filosófico e religioso. Através de tais ensinamentos, as pessoas e os Espíritos desencarnados, a alma daqueles que deixaram esta vida, encontram alívio e respostas para as suas dores,  sofrimentos e dificuldades.

As palestras públicas são destinadas ao público em geral, com temas atuais, previamente programados, de acordo com as obras da Codificação Espírita: O Livro dos EspíritosO Livro dos MédiunsO Evangelho segundo o EspiritismoO Céu e o Inferno A Gênese. A duração destas reuniões varia entre 50 a 60 minutos. 


Além dos frequentadores e dos temas doutrinários, os principais componentes de uma reunião pública são o palestrante, os tarefeiros ou trabalhadores voluntários, os passes, a água fluidificada e a ambiência física e espiritual do local da reunião. Vamos comentá-los, de maneira breve, só para você ter uma ideia geral sobre a importância de conhecer a Doutrina Espírita, para saber tirar proveito dos benefícios que o TAREFEIROS pode nos oferecer. 



O PALESTRANTE ESPÍRITA

Quando começamos a assistir às reuniões públicas, nos chamam atenção os oradores ou palestrantes espíritas no desempenho de suas exposições doutrinárias. Será que têm alguma formação especifica, de forma semelhante aos monges, padres ou pastores? Qualquer um pode assumir essa incumbência de falar em público? Que preparação precisam ter? Essas dúvidas, dentre outras, são pertinentes e requerem alguns esclarecimentos preliminares, para que o Espiritismo e, por extensão, a prática espírita sejam compreendidos por você.

Como diz um antropólogo, especializado no estudo das religiões, "o Espiritismo firmou-se como uma religião sem clero, com forte autonomia em suas bases".(4) Dito de outra forma, sem haver uma hierarquia subordinando as instituições espíritas a um poder central, tem-se uma "religião de leigos", formada por pessoas comuns, como donas de casa, médicos, estudantes, pedreiros, professores, bancários, militares, advogados, manicures, aposentados, etc.(5)  
Não há um perfil ideal. Em princípio, qualquer pessoa pode assumir a tarefa de expositor. No entando, o que o distingue para tal função é a sua identificação com os propósitos espíritas, sua vontade de estudar e de compreender a doutrina e facilidade em transmitir os seus conhecimentos com didática, sinceridade, entusiasmo e, acima de tudo, muita humildade. Certamente é interessante constatar que a nobre tarefa de levar ao público a mensagem cristã, juntamente com os ensinamentos espíritas, exige do palestrante preparo, aptidão, abnegação e esforço para ser portador de bons exemplos daquilo que se propõe dissertar. 

No TAREFEIROS, nossos palestrantes são, via de regra, participantes do ESDE - Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita. E, periodicamente, passam por atualizações em nosso Programa de Formação e Desenvolvimento de Expositores Espíritas. Evidente que há os autodidatas e, também, aqueles que são convidados de outras casas espíritas. 


PASSE E ÁGUA FLUIDIFICADA

"O Passe, à luz da Doutrina Espírita, é uma transmissão de energias fluídicas de uma pessoa – conhecida como médium passista – para a outra pessoa que as recebe, em clima de prece, com a assistência dos Espíritos Superiores." (6)

Os passes são ministrados após o término da explanação doutrinária,  em salas destinadas para este fim ou no próprio local da reunião pública. Você não é obrigado a tomar o passe, caso não sinta a real necessidade. Lembre-se "é falta de caridade abusar da bondade alheia”.(7) 



Evidente que você não será impedido de receber o passe, mas os coordenadores da reunião, antes da transmissão dos passes, darão as orientações adequadas sobre o que é o passe, quando e como recebê-lo, principalmente para os novos frequentadores. Jesus nos afirma que “(...) os são não precisam de médico, e, sim, os doentes.” (Lucas, 5:31). 

Antes dos passes começarem, é feita uma prece preparatória por um dos trabalhadores da casa. Nesse momento, é comum utilizar-se música suave para manter a paz e a harmonia no ambiente. Após o passe, você poderá receber um copo descartável com água fluidificada, que é uma água normal acrescida de fluidos medicamentosos, cuja adição é realizada por Espíritos mentores da reunião.


A AMBIÊNCIA DA REUNIÃO

O ambiente onde será realizada a reunião pública é preparado previamente no plano espiritual pelos Benfeitores espirituais participantes da tarefa. Cabe a nós, trabalhadores e frequentadores, colaborarmos também na preparação da ambiência no plano material, procurando manter silêncio, nos deixando conduzir pela suavidade e paz da música que normalmente é tocada antes da palestra começar.

Inicialmente, é feita a leitura de uma página doutrinária espírita, acompanhada de um breve comentário. Após, então, é proferida a prece inicial.

Dá-se início à palestra ou conferência doutrinária, com duração entre 50 e 60 minutos. Ao término da explanação, o ambiente é colocado à meia-luz e preparado para o momento dos passes.


Finalmente, desejamos que você encontre em nossa casa o farol útil para iluminar a sua missão nessa jornada evolutiva.


(1) Levy, Clayton. Diretrizes Espíritas, [psicografado por] Clayton Levy, [ditado por] Espíritos Diversos. Campinas, SP: Allan Kardec, 2007, p. 41. Desde 1995, dirige a Creche “Gustavo Marcondes”, um dos departamentos assistenciais do Centro Espírita “Allan Kardec, Campinas SP. Psicografou as obras A Mensagem do Dia, Novas Mensagens, Vida e Renovação, Sublime Convite, Diretrizes Espíritas, Cartas do “Seu” Gustavo, Mediunidade e Autoconhecimento, O Homem de Bem, Convite à Paz, Convites de Sheila, Deus Contigo, Mediunidade e Libertação, Jesus Ainda e Sempre.



(2) Ibidem.
(3) FEB, Federação Espírita Brasileira, Orientação ao Centro Espírita, 2006.
(4), (5) dos Santos, José Luiz, Espiritismo: uma religião brasileira, São Paulo, Moderna, 1997.
(6) FEB, ibidem.
(7) André Luiz, espírito, Conduta Espírita, psicografia de Waldo Vieira, capítulo 28.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Perigos e Inconvenientes, Perda e Suspensão da Faculdade Mediúnica

Perigos e Inconvenientes da Faculdade mediúnica


Após uma centena de anos recebendo os mais variados ataques, que iam da fraude às manifestações demoníacas, surgem novos opositores que não discutem quanto à existência do fenômeno mediúnico espírita, somente acham que a prática da mediunidade é suscetível de levar para caminhos perigosos quem a ela se dedicar. Não se pode negar que o Espiritismo, na sua parte prática, realmente oferece perigos aos imprudentes que, sem estudo e preparo, sem método adequado e sem proteção eficaz, se lançam a aventuras experimentais por passatempo ou frívola diversão, atraindo, para si, elementos inferiores do mundo invisível cuja influência maléfica fatalmente sofrerão.
Estes perigos, no entanto, são por demais exagerados pelos detratores da Doutrina Espírita, a fim de desestimular a aproximação do homem da fonte capaz de matar-lhe a sede de conhecimento acerca de seu destino futuro, terreno este, que foi monopolizado pelas religiões tradicionalistas, as quais não suportam o mais leve exame da lógica e da razão.
Há necessidade de precaução em toda prática ou experimentação que se faça. Ninguém, por exemplo, sem ter conhecimento, pelo menos rudimentar, sobre Química, entraria em um laboratório e se poria a manipular substâncias desconhecidas, a não ser que quisesse colocar em risco sua segurança e a sua saúde. Qualquer coisa poderá ser boa ou má, conforme o uso que se lhe der. É injusto, porém, ressaltar os possíveis perigos da mediunidade sem assinalar os extraordinários benefícios que propicia, dentre os quais, a comprovação da imortalidade da alma, ponto que sozinho é suficiente para anular a angústia natural do homem, transmitindo-lhe a certeza da continuidade da vida após a sepultura.
Nenhum progresso, nenhum avanço, nenhuma descoberta se alcança sem esforço, sem sacrifícios e sem certos riscos. Se os grandes navegadores não tivessem tentado suas viagens através dos oceanos, enfrentando o desconhecido e as forças naturais, até hoje, permaneceríamos vivendo em núcleos isolados ainda de forma primitiva, porque a falta de entrosamento e de troca de experiência nos manteria nos limites tradicionalistas, herdados de nossos antepassados. No oceano do mundo invisível palpitam outros seres, outras sociedades, outros mundos que estão à nossa espera, e dos quais nos chegam os informes, pelo correio da mediunidade, para que deles usufruamos a experiência vivida.
Deus nos colocou em um verdadeiro oceano de vida, que é um reservatório inesgotável de energias e, dando-nos a inteligência, a consciência e a razão, quis Ele que conhecêssemos essas forças e aprendêssemos a manipulá-las, convenientemente, para nosso benefício espiritual. Este exercício constante permite que nós mesmo nos desenvolvamos até alcançar o império sobre a Natureza, o domínio do Espírito sobre a matéria.
"Essa conquista é o mais elevado objetivo a que possamos consagrar a nossa vida. Em vez de afastar dele o homem, ensinemos-lhe a caminhar ao seu encontro, sem hesitação. Estudemos, escrutemos o Universo em todos os seus aspectos, sob todas as formas."
As dificuldades da experimentação mediúnica estão em proporção com o desconhecimento das leis psíquicas que regem os fenômenos, desconhecimento este que mergulha o homem em um lago de ignorância ou no estímulo para a criação de crendices e absurdos nas quais procura se agarrar.
"Em tais condições, pode acontecer que a experimentação espírita reserve numerosas ciladas, muito mais, entretanto, aos médiuns que aos observadores. O médium é um ser nervoso, sensível, impressionável; e envolto numa atmosfera de calma, de paz e benevolência, que só a presença dos Espíritos adiantados pode criar. A prolongada ação fluídica dos Espíritos inferiores lhe pode ser funesta, arruinar-lhe a saúde, provocando os fenômenos de obsessão e possessão..." (No Invisível, Cap. XXII)
Todo cuidado que tomarmos, incentivando-nos ao conhecimento pelo estudo e ao aperfeiçoamento moral pela prática das virtudes cristãs, será o cumprimento tão somente dos nossos deveres perante a mediunidade.
"É necessário adotar precauções na prática da mediunidade. As vias de comunicação que o Espiritismo facilita entre o nosso mundo e o mundo oculto, podem servir de veículos de invasão às almas perversas que flutuam em nossa atmosfera, se lhes não soubermos opor resistência vigilante e firme. Muitas almas sensíveis e delicadas, encarnadas na Terra, têm sofrido em conseqüência de seu comércio com esses Espíritos maléficos, cujos desejos, apetites e remorsos os atraem constantemente para perto de nós."(idem)
Pela lei de afinidade vibratória que condiciona o enlace psíquico entre a criaturas, criando a simpatia e a antipatia, constantemente estamos rodeados de entidades atraídas a nós pelo nosso "hálito mental", que, se mau, atrairá os maus, se bom, atrairá os bons.
"As almas elevadas sabem mediante seus conselhos, preservar-nos dos abusos, dos perigos, e nos guiar pelo caminho da sabedoria; mas sua proteção será ineficaz, se por nossa parte não fizermos esforços para nos melhorarmos. É destino do homem desenvolver suas forças, edificar ele próprio sua inteligência e sua consciência. É preciso que saibamos atingir um estado moral que nos ponha ao abrigo de toda agressão das individualidades inferiores. Sem isso, a presença de nossos guias será impotente para nos salvaguardar."(Idem)
Assim, pois, não basta apenas que os mentores nos queiram defender; antes de tudo, é preciso que saibamos nos conservarmos em permanente elevação de propósitos, de pensamentos, de idéias e de ações. Caso contrário, estaremos sujeitos à obsessão, que é a ação persistente de um mau Espírito determinando uma influência perniciosa sobre o estado de equilíbrio psíquico da criatura e até sobre sua saúde física. É a moral descuidada e menosprezada gerando estados lastimáveis de Espírito e de corpos também.

 

Mediunidade e Estados Patológicos


No início do Movimento Espírita, observações superficiais, constatando o grande número de pessoas desequilibradas, levantaram a hipótese de que a mediunidade seria um estado patológico, ou seja, doença da mente do médium. Perguntados sobre a questão, eis como os Espíritos responderam:
“a faculdade mediúnica é um estado "anômalo, às vezes, porém, não patológico; há médium de saúde robusta; os doentes os são por outras causas." [LM - cap XVIII]
Acreditava-se também que o exercício prolongado da faculdade mediúnica produzia alguma fadiga sobre o médium e que isto podia ser motivo de contra-indicar o seu uso. Note-se, porém, que o uso de qualquer faculdade por tempo prolongado causa o cansaço e a fadiga, porém, estes serão do corpo, do organismo do intermediário e nunca do Espírito, que até se fortalecerá de acordo com a natureza do trabalho que efetue.
Atualmente, as pesquisas no campo da Parapsicologia já evidenciaram o fato aceito e preconizado pelo Espiritismo há mais de cem anos: "Os fenômenos paranormais não são patológicos" [Robert Amadou - Parapsicologia, VI parte, Cap. IV, nº 5]; "Até hoje nada indicou qualquer elo especial entre funções psicopatológicas e parapsicológicas" [J.B. Rhine, Fenômenos e Psiquiatria, pg 40].
"Poderia a mediunidade produzir a loucura?
R. Não mais do que qualquer outra coisa, desde que não haja pré-disposição para isso, em virtude de fraqueza cerebral. A mediunidade não produzirá a loucura, quando esta já não exista em gérmen; porém, existindo este, o bom-senso está a dizer que se deve usar de cautelas, sob todos os pontos de vista, porquanto qualquer abalo pode ser prejudicial."[LM - cap. XVIII]
O que se observa na prática é a existência de inúmeros casos, que são rotulados como doença mental segundo os cânones científicos, eu que nada mais é que simples perturbação espiritual, que tratada convenientemente, cede por completo.
Há casos em que a mediunidade não encarada como merecedora de cuidados especiais, gera obsessões de curto, médio e longo cursos, que somente um tratamento adequado e paciencioso poderá resolver. Assim, nem todos os que apresentam sintomas de desequilíbrio psíquico devem ser encarados como médiuns em potencial, e até, pelo contrário, não se deve estimular o exercício mediúnico nas pessoas de caracteres impressionáveis e fracos, a fim de evitar conseqüências desagradáveis.
"Do seu exercício cumpre afastar, por todos os meios possíveis, as que apresentem sintomas, ainda que mínimos, de excentricidade nas idéias, ou de enfraquecimento das faculdades mentais, porquanto, nessas pessoas, há pré-disposição evidente para a loucura, que se pode manifestar por efeito de qualquer sobreexcitação."(Idem)

 

Mediunidade na Infância


Outro perigo e inconveniente da mediunidade é estimulá-la nas crianças. Embora boa parte do material que serviu para fundamentar a Doutrina Espírita tenha vindo através da mediunidade de inocentes jovens, despreparadas intelectualmente para desempenharem papel ativo nas comunicações, devemos levar em conta que o fato se dava à revelia das próprias médiuns, pois os fenômenos tinham caráter eminentemente espontâneo. Aquelas crianças que manifestarem espontaneamente a faculdade, devem ser cercada de cuidados especiais, procurando, por todos os meios, evitar seu incentivo, buscando instruí-las e formar sua personalidade. Somente depois que elas venham a amadurecer orgânica e psicologicamente é que se deve orientar o seu desenvolvimento mediúnico propriamente dito.
"Haverá inconveniente em desenvolver-se a mediunidade nas crianças?
R. Certamente e sustento mesmo que é muito perigoso, pois que esses organismos débeis e delicados sofreriam por essa forma grandes abalos, e as respectivas imaginações excessiva sobreexcitação. Assim, os pais prudentes devem afastá-las dessas idéias, ou, quando nada, não lhes falar do assunto, senão do ponto de vista das conseqüências morais."(Idem)

 

Perda e Suspensão da Faculdade Mediúnica


As características de quem abusa do exercício mediúnico são:
  • •acreditar-se privilegiado por possuir a faculdade;
  • •não atender às solicitações de estudo da Doutrina;
  • •achar que o guia espiritual ensina tudo;
  • •não ter horário para trabalhar mediunicamente, entregando-se à prática a qualquer hora, ocasião e local;
  • •fazer trabalhos mediúnicos habitualmente em casa domiciliar;
  • •cobrar monetária ou moralmente pelos bens que eventualmente possa obter pela faculdade mediúnica.
O médium que emprega mal a sua faculdade está se candidatando:
  • •a ser veículo de comunicações falsas;
  • •a ser vítima dos maus Espíritos;
  • •à obsessão;
  • •a se constituir em veículo de idéias fantasiosas nascidas de seu próprio Espírito orgulhoso e pretensioso;
  • •à perda ou suspensão da faculdade mediúnica.
A faculdade mediúnica pode ser retirada em determinadas circunstâncias da vida?
Eis a resposta de Emmanuel, através da psicografia de Chico Xavier:
"Os atributos medianímicos são como os talentos do Evangelho. Se o patrimônio divino é desviado de seus fins, o mau servo torna-se indigno da confiança do Senhor da seara da verdade e do amor. Multiplicados no bem, os talentos mediúnicos crescerão para Jesus, sob as bênçãos divinas; todavia se sofrem o insulto do egoísmo, do orgulho, da vaidade, da exploração inferior, podem deixar o intermediário do invisível entre as sombras pesadas do estacionamento, nas mais dolorosas perspectivas de expiação, em vista do acréscimo de seus débitos irrefletidos." [O Consolador - qst 389]
Existem casos em que a interrupção demonstra uma prova de benevolência do Espírito protetor para com o médium, segundo nos esclarece Allan Kardec [LM - it 220].
Nesta situação, há três aspectos a considerar:
1º) Quando o Espírito amigo e protetor quer provar que a comunicação mediúnica não depende dele, médium, e que assim, este não se deve vangloriar ou envaidecer;
2º) Quando o médium está debilitado fisicamente e precisa de repouso;
3º) Quando se fizer necessário por à prova a paciência e a perseverança do médium ou lhe dar tempo para meditar nas instruções recebidas dos Espíritos.
Como vemos, a mediunidade pode ser considerada como verdadeiro instrumento de redenção da criatura humana, que, ao usá-la com dignidade e coração, tem oportunidade de exercitar as virtudes cristãs como a humildade, o perdão, o amor e a caridade.
Sendo uma faculdade como as outras que possuímos, pode de uma hora para outra sofrer interrupções. Isto acontece porque a produção mediúnica ocorre através do concurso dos Espíritos, sem eles nada pode o médium; a faculdade continua a existir em essência mas os Espíritos não podem ou não querem se utilizar daquele instrumento mediúnico.
Os bons Espíritos se afastam dos médiuns por vários motivos. Analisemos alguns:
a) Advertência: quando o médium se serve da faculdade mediúnica para atender a coisas frívolas ou com propósitos ambiciosos e desvirtuados.
Como coisas frívolas, citamos a prática dos "ledores da sorte". Infelizmente, este desvirtuamento da verdadeira prática mediúnica existe em larga escala, e, mais cedo ou mais tarde, tais médiuns terão que prestar contas ao Senhor da aplicação feita dos talentos recebidos.
Os chamados "profissionais da mediunidade" não se agastam em receber pagamentos, quer sob a forma de dinheiro, presentes, favores, privilégios ou até mesmo dependência afetiva ou emocional.
Recordemos as palavras do Espírito Manoel Philomeno de Miranda:
"(...) o médium, habituando-se aos negócios e interesses de baixo teor vibratório, embrutece-se, desarmoniza-se (...). A mediunidade com Jesus, liberta, edifica e promove moralmente o homem, enquanto que, com o mundo, aturde, escraviza e obsedia a criatura." [Seara do Bem, Profissionais da Mediunidade]
Quando os Espíritos que sempre se comunicam por um determinado médium deixam de o fazer, o fazem para provar ao médium e a todos que eles são indispensáveis, e que, sem o seu concurso simpático, nada se obterá. Muitas vezes, tal atitude se prende à forma pela qual o médium vem se conduzindo, deixando a desejar sob o ponto de vista moral e doutrinário.
Geralmente, este tipo de suspensão é por algum tempo e a faculdade volta a funcionar, cessada a causa que motivou a suspensão.
b) Benevolência: quando as forças do médium estão esgotadas e seu poder de defesa fica reduzido, para que não caia como presa fácil nas mãos de obsessores, sua faculdade é suspensa, temporariamente, até que volte aos seu estado normal e possa exercitar com eficiência. Assim,
"A interrupção da faculdade nem sempre é uma punição, demonstra às vezes a solicitude do Espírito para com o médium, a quem consagra afeição, tendo por objetivo proporcionar-lhe um repouso material de que o julgou necessitado, e neste caso não permite que outros Espíritos o substituam." [LM - it 220]
Léon Denis [No Invisível - cap IV] afirma que:
"A intensidade das manifestações está na razão direta do estado físico e mental do médium. A saúde do médium parece-nos ser uma das condições de sua faculdade. Conhecemos um grande número de médiuns que gozam perfeita saúde; temos notado mesmo que, quando a saúde se lhes altera, os fenômenos se enfraquecem e cessam de se produzir."
Por que sinal se pode reconhecer a censura na interrupção da mediunidade?
"Que interrogue o médium a sua consciência e pergunte a si mesmo que uso tem feito da sua faculdade, que benefícios têm resultado para os outros, que proveito tem tirado dos conselhos que lhe deram, e terá a resposta." [LM - it 220]
Vianna de Carvalho nos diz que
"O mau uso da faculdade mediúnica pode entorpecê-la e até mesmo fazê-la desaparecer, tornando-se para o seu portador, um verdadeiro prejuízo, uma rude provação. Algumas vezes como advertência, interrompe-se-lhe o fluxo medianímico e os Espíritos superiores, por afeição ao médium, permitem que ele perceba, a fim de mais adestrar-se, buscando descobrir a falha que propiciou a suspensão, restaurando o equilíbrio; outras vezes, é-lhe concedida com o objetivo de facultar-lhe algum repouso e refazimento.”
c) Provação: quando o médium, apesar de se conduzir com acerto, ter o merecimento por boa conduta moral e não necessitar de descanso, tem suas possibilidades mediúnicas diminuídas ou interrompidas, Allan Kardec nos diz que:
"Servem para lhes por a paciência à prova e para lhes experimentar a perseverança. Por isso é que os Espíritos nenhum termo, em geral, assinam, à suspensão da faculdade mediúnica; é para verem se o médium desanima. Muitas vezes, serve também para lhes dar tempo de meditar as instruções recebidas.
Outra causa é quando o médium não aproveita as instruções nem os conselhos que os protetores espirituais propiciam. O Espírito protetor aconselha sempre para o bem, sugerindo bons pensamentos ou amparando nas aflições o seu tutelado mas, em situação alguma, desrespeita o livre-arbítrio de quem quer que seja. (...) Afasta-se, quando vê que seus conselhos são inúteis e que mais forte é, no seu protegido, a decisão de submeter-se à influência dos Espíritos inferiores. Mas não o abandona completamente e sempre se faz ouvir. É então o homem que tapa os ouvidos. O protetor volta desde que este o chame." [LE - qst 495]
No caso de não mais funcionar a faculdade mediúnica, isto jamais se deve ao fato de o médium ter encerrado a sua missão, como se costuma dizer, porque toda missão encerrada com sucesso é prenúncio de nova tarefa que logo se lhe segue, e assim, sucessivamente. O que ocorre nestes caso é a perda por abuso da mediunidade ou por doença grave.

 

Bibliografia


1)   Livro dos Médiuns - Allan Kardec
2)   Livro dos Espíritos - Allan Kardec
3)   No Invisível - Léon Denis
4)   Médiuns e Mediunidades - Vianna de Carvalho / Chico Xavier
5)   O Consolador - Emmanuel / Chico Xavier

Fonte:
 IDE-JF -Instituto de Difusão Espírita de Juiz de Fora - MG
 Centro Espírita Luz Eterna (Paraná)

domingo, 8 de janeiro de 2017

Para refletir - Caridade...

O gesto só tem valor quando feito com amor

O gesto só tem valor quando calado

O gesto só tem valor quando abençoado pelo silêncio

O gesto só tem valor quando alivia, sem humilhar

Quando no calor de suas mãos.

Um irmão descanse a dor, o desamor....

O acaso, o descaso....

Sacie a sede e mate a fome

Sem nem sequer saber seu nome

Sem nem sequer saber quem foi

Que lhe afagou, suavizou e transformou

Aquele momento de aflição

Em bençãos.