sábado, 7 de janeiro de 2017
sexta-feira, 6 de janeiro de 2017
Roteiro para realizar o Evangelho no Lar
Marcar dia e horário
Escolher um dia e horário da semana e convidar todos aqueles que moram conosco, se não puderem ou não quiserem participar, faremos sozinhos, só fisicamente, na certeza de que Jesus se fará presente através de seus Mensageiros.
Prece Inicial
Prece simples e espontânea. Podemos fazer a Prece do “PAI NOSSO”, ensinada por Jesus, pausadamente, prestando atenção em todas as suas frases.
Prece simples e espontânea. Podemos fazer a Prece do “PAI NOSSO”, ensinada por Jesus, pausadamente, prestando atenção em todas as suas frases.
Leitura do Evangelho de Jesus
Utilizando “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, começar no Capítulo 1 e ir até o Capítulo 28 na Oração Dominical (Pai Nosso), lendo um item ou um pequeno trecho sempre em sequência. Se houver crianças ou adolescentes convidá-los para participar.
Utilizando “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, começar no Capítulo 1 e ir até o Capítulo 28 na Oração Dominical (Pai Nosso), lendo um item ou um pequeno trecho sempre em sequência. Se houver crianças ou adolescentes convidá-los para participar.
Comentários sobre o texto lido:
Refletir sobre a leitura, relendo as frases que mais chamaram atenção.
Devem ser breves e simples, com participação de todos os presentes que quiserem. Evitarmos criticar os comentários das outras pessoas e procurar usar as orientações lidas para NÓS MESMOS.
Refletir sobre a leitura, relendo as frases que mais chamaram atenção.
Devem ser breves e simples, com participação de todos os presentes que quiserem. Evitarmos criticar os comentários das outras pessoas e procurar usar as orientações lidas para NÓS MESMOS.
Vibrações:
Vibrar é emitir e doar sentimentos e pensamentos de amor, tranquilidade, saúde e paz. Vibrar é amar em pensamento!
Vibrar pela fraternidade, paz e equilíbrio de toda a humanidade.
Vibrar pela expansão e vivência da mensagem de Jesus em todos os lares.
Vibrar pelo nosso lar, envolvendo a nossa família em vibrações de amor e harmonia para que haja união e paz entre todos.
Vibrar é emitir e doar sentimentos e pensamentos de amor, tranquilidade, saúde e paz. Vibrar é amar em pensamento!
Vibrar pela fraternidade, paz e equilíbrio de toda a humanidade.
Vibrar pela expansão e vivência da mensagem de Jesus em todos os lares.
Vibrar pelo nosso lar, envolvendo a nossa família em vibrações de amor e harmonia para que haja união e paz entre todos.
Segundos de Silêncio:
Para que cada um possa falar com Deus no silêncio do seu coração, pedindo proteção e amparo para a preocupação de ordem sentimental, material, física ou espiritual que está passando no momento.
Para que cada um possa falar com Deus no silêncio do seu coração, pedindo proteção e amparo para a preocupação de ordem sentimental, material, física ou espiritual que está passando no momento.
Prece de encerramento:
Simples e espontânea, agradecendo a Deus todo o amparo que nos dá e que muita vez nem percebemos. Aqui também podemos fazer a Prece do “PAI NOSSO”, ensinada por Jesus, pausadamente, prestando atenção em todas as suas frases.
Simples e espontânea, agradecendo a Deus todo o amparo que nos dá e que muita vez nem percebemos. Aqui também podemos fazer a Prece do “PAI NOSSO”, ensinada por Jesus, pausadamente, prestando atenção em todas as suas frases.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2017
Evolução Espiritual de Longo Prazo
Na obra “Loucura e Obsessão” [1], o médico Manoel Philomeno de Miranda
questiona o Dr. Bezerra de Menezes sobre o contexto que levou um menino,
denominado Aderson, a sofrer com o autismo. Em dado momento, Miranda
pergunta ao Mentor:
“— E ele se curará?”Tal questionamento chama a atenção acerca de o que consideramos cura. Sem uma noção mais ampla acerca do que seja a cura, podemos enfrentar a desencarnação de um ente querido e nos revoltar por tê-lo “perdido”, mesmo com nossas orações mais fervorosas.
Primeiramente, não “perdemos” ninguém, pois pessoa alguma é propriedade nossa. Consideremos, também, que a pessoa desencarnada não está perdida — está sempre ao alcance e amparo de seu Espírito protetor. Agora, analisemos a questão do termo “cura”.
No idioma latim, cura significa “cuidado”, “atenção”, “zelo”. A expressão latina medici cura, utilizada pelo enciclopedista Aulus Celsus [2] no século I d.C., é traduzida por “cuidado médico”, começando aí a associação de “cura” com “tratamento da saúde”. O teólogo Leonardo Boff orienta [3] que cura, cuja forma latina mais antiga se escrevia coera, “era usada num contexto de relações de amor e de amizade. Expressava a atitude de cuidado, de desvelo, de preocupação e de inquietação pela pessoa amada ou por um objeto de estimação”.
Atentando para o significado original de “cura”, pode-se concluir que “curar-se” significa “cuidar de si” — ou seja, darmos atenção à nossa essência. E qual a nossa essência: somos um corpo ou um Espírito temporariamente animando um corpo? Independente de sermos espiritualistas ou materialistas, todos somos Espíritos imortais, e não meros conjuntos de genes e tecidos que se agruparam “por acaso” e desaparecerão quando nosso corpo carnal não mais tiver vida.
Neste sentido, “curar-se” não é um cuidado que outros possam prestar a nós, mas sim uma atenção e evolução íntimas, de dentro para fora. Curar-se é, por meio de boas obras, orientadas ao Bem de nosso semelhante, fazermos as pazes com nossa consciência, local onde se encontram as Leis Divinas, conforme citado à questão 621 de “O Livro dos Espíritos” [4]. Cuidar bem de nós mesmos implica dar atenção à nossa evolução espiritual, em vez de um foco apenas material. É nos amarmos de fato, nos permitindo evoluir moral e intelectualmente. Sabendo nos amar e nos respeitar, aprendemos a amar e respeitar nossos semelhantes.
Uma só vida corporal, usualmente não muito mais do que 100 anos terrestres, não nos permite aprender tudo que há de lições morais e intelectuais na Terra. Como não há seres privilegiados na Criação, Deus nos oferta a bênção da pluralidade de existências corpóreas, uma série de “provas sem consulta”, ou com consulta limitada ao Plano Espiritual, para aferirmos a aquisição de conhecimentos morais e intelectuais cada vez mais elevados, aprendidos nas encarnações e nos períodos entre as mesmas.
Assim nos orientam os Espíritos da falange do Consolador, às questões 166, 166-a e 167:
166. Como pode a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corpórea, acabar de depurar-se?
“Sofrendo a prova de uma nova existência.”
a) — Como realiza essa nova existência? Será pela sua transformação como Espírito?
“Depurando-se, a alma indubitavelmente experimenta uma transformação, mas para isso necessária lhe é a prova da vida corporal.”
167. Qual o fim objetivado com a reencarnação?
“Expiação, melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?”
A vitória sobre um mau hábito; a aquisição de uma virtude; a reparação de um erro e todas conquistas espirituais podem não ser visualizadas em sua plenitude no breve tempo de uma existência corpórea. Isso não significa que a evolução não exista ou não esteja em progresso.
Um
exemplo de processo de superação de uma ofensa recebida, ao longo de um
de cinco reencarnações e quatro períodos na erraticidade (tempo entre
reencarnações). Podemos superar dificuldades em muito menos etapas; só
depende de nós.Plantando em bom terreno e cuidando bem da semente, em algumas décadas, teremos uma árvore. Não veremos de imediato, na semente, a árvore: precisamos cuidar da semeadura e aguardar, com fé e perseverança. Semeando valores nobres em todas as provas de nossas vidas, em algumas décadas, ou talvez em alguns séculos ou milênios (tempo muito pequeno em comparação aos ciclos de vida do Universo), teremos atingido patamares de maturidade espiritual que, de imediato ou em alguns poucos anos, não teríamos condições de vislumbrar ou valorizar.
O próprio Universo se transforma e evolui ao longo de trilhões de anos, em ciclos de expansão e retraimento. Somos parte dessa Criação, e também somos fadados a nos transformar e evoluir ao longo de incontáveis ciclos de idas e vindas a planos de matéria densa e sutil. Como lemos em “O Livro dos Espíritos” (por exemplo, às questões 194, 365 e 781), jamais regredimos. O que parece um retrocesso é, antes, um ponto de melhoria antes desconhecido, ou que não tínhamos disposição e/ou maturidade para tratar.
Assim, sempre é tempo de recomeçar, aprender, evoluir. Instruídos à questão 195 de “O Livro dos Espíritos”, compreendemos ser um erro adiar para outro tempo o que nos caiba fazer agora. Mesmo assim, em qualquer época de nossas vidas, temos condições de, ao desejarmos algo aprender ou ao constatarmos um erro cometido, iniciar nosso plano de curto, médio e longo prazo para essa apreender essa lição.
Vejamos algumas lições do Espírito São Luís acerca do arrependimento, à questão 1007 de “O Livro dos Espíritos” e na obra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”:
“Haverá Espíritos que nunca se arrependem?
‘Há os de arrependimento muito tardio; porém, pretender-se que nunca se melhorarão fora negar a lei do progresso e dizer que a criança não pode tornar-se homem.’” [4]
“Sei bem haver casos que se podem, com razão, considerar desesperadores; mas, se não há nenhuma esperança fundada de um regresso definitivo à vida e à saúde, existe a possibilidade, atestada por inúmeros exemplos, de o doente, no momento mesmo de exalar o último suspiro, reanimar-se e recobrar por alguns instantes as faculdades! Pois bem: essa hora de graça, que lhe é concedida, pode ser-lhe de grande importância. Desconheceis as reflexões que seu Espírito poderá fazer nas convulsões da agonia e quantos tormentos lhe pode poupar um relâmpago de arrependimento.” [5]
A constatação de um ponto a melhorar, e o consequente arrependimento por um proceder inadequado, são os primeiros passos para nossa evolução. Contudo, apenas o arrependimento, em si, não soluciona a questão. Por mais sincero seja o arrependimento, e por mais intensa a fé abraçada, se não houver obras, ou seja, ações objetivas em prol do Bem de nosso semelhante, motivadas pelo aprendizado na nova atitude, não consolidaremos nosso aprendizado e nosso amadurecimento. Lemos à questão 1002 de “O Livro dos Espíritos”:
“Que deve fazer aquele que, em artigo de morte, reconhece suas faltas, quando já não tem tempo de as reparar? Basta-lhe nesse caso arrepender-se?
‘O arrependimento lhe apressa a reabilitação, mas não o absolve. Diante dele não se desdobra o futuro, que jamais se lhe tranca?’”
O que a constatação de um erro, cometido por nós ou contra nós, não pode trazer, são as angustiantes e improdutivas emoções do remorso e da revolta. Essas são verdadeiras barreiras à nossa evolução, por impedirem, respectivamente, de perdoarmos a nós mesmos e ao nosso semelhante. Novamente, é uma questão de bem cuidar, ou seja, de curar a nós e o próximo.
Em dois trechos da brilhante obra “Evolução em Dois Mundos”, André Luiz ilustra o severo impacto negativo que o remorso traz ao nosso mundo íntimo:
“Obliterados os núcleos energéticos da alma, capazes de conduzi-la às sensações de euforia e elevação, entendimento e beleza, precipita-se a mente, pelo excesso da taxa de remorso nos fulcros da memória, na dor do arrependimento a que se encarcera por automatismo, conforme os princípios de responsabilidade a se lhe delinearem no ser, plasmando com os seus próprios pensamentos as telas temporárias, mas por vezes de longuíssima duração, em que contempla, incessantemente, por reflexão mecânica, o fruto amargo de suas próprias obras, até que esgote os resíduos das culpas esposadas ou receba caridosa intervenção dos agentes do amor divino, que, habitualmente, lhe oferecem o preparo adequado para a reencarnação necessária, pela qual retomará ao aprendizado prático das lições em que faliu.” [6]
“A recordação dessa ou daquela falta grave, mormente daquelas que jazem recalcadas no espírito, sem que o desabafo e a corrigenda funcionem por válvulas de alívio às chagas ocultas do arrependimento, cria na mente um estado anômalo que podemos classificar de ‘zona de remorso’, em torno da qual a onda viva e contínua do pensamento passa a enovelar-se em circuito fechado sobre si mesma, com reflexo permanente na parte do veículo fisiopsicossomático ligada à lembrança das pessoas e circunstâncias associadas ao erro de nossa autoria.
(...)
É assim que o remorso provoca distonias diversas em nossas forças recônditas, desarticulando as sinergias do corpo espiritual, criando predisposições mórbidas para essa ou aquela enfermidade, entendendo-se, ainda, que essas desarmonias são, algumas vezes, singularmente agravadas pelo assédio vindicativo dos seres a quem ferimos, quando imanizados a nós em processos de obsessão. Todavia, ainda mesmo quando sejamos perdoados pelas vítimas de nossa insânia, detemos conosco os resíduos mentais da culpa, qual depósito de lodo no fundo de calma piscina, e que, um dia, virão à tona de nossa existência, para a necessária expunção, à medida que se nos acentue o devotamento à higiene moral.” [7]
Preciosos relatos de autores espirituais nos informam sobre o lento e gradual processo de evolução, para aprendizado e reparação de erros, que se opera ao longo de diversos processos reencarnatórios. Além da obra “Evolução em Dois Mundos”, acima citada, relacionamos, a título de exemplos, as obras “Entre a Terra e o Céu” e “Memórias de um Suicida”.
A lentidão de tais processos de reforma íntima não se deve a nenhuma morosidade do Plano Espiritual, mas às nossas próprias limitações em estudar, apreender e aplicar novas lições, especialmente no campo da evolução moral. Dispomos de muitos bons exemplos de dedicação ao próximo para seguir e acelerar nossa melhoria. Allan Kardec, à questão 625 de “O Livro dos Espíritos”, pergunta qual o tipo mais perfeito que Deus tem oferecido ao homem, para lhe servir de guia e modelo, recebendo a resposta mais breve e, talvez, mais profunda da referida obra: Jesus. Não se trata de nenhum ato de fanatismo, mas de fé raciocinada. Exemplificando a caridade incondicional e o desapego à vida material, Jesus nos apresenta um roteiro lógico e exequível de amadurecimento espiritual. Relembrando o versículo 06 do Salmo 82 e indo além, Jesus nos orienta:
“Não está escrito na vossa Lei: Eu disse que vós sois deuses?” (João 10:34)
“Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim, esse fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores (...)” (João 14:12)
Podemos, agora, compreender melhor por que Bezerra de Menezes respondeu à questão citada ao início desta postagem, no livro “Loucura e Obsessão”, nos seguintes termos:
“— Os desígnios de Deus — respondeu, reflexionando — são inescrutáveis. Caso não recupere todas as suas funções, para a atual existência, melhorará as condições para os próximos cometimentos. Deveremos examinar a Vida sob o ponto de vista global e não angular, de uma única experiência física, como a atual. Da mesma forma que vamos buscar as origens dos males de hoje no passado do Espírito, é justo que pensemos na sua felicidade em termos de amanhã, considerando o presente como sendo uma ponte entre os dois períodos e não a situação única a vivenciar. Destas atitudes resulta o porvir com todas as suas implicações. Assim, lancemos para amanhã os resultados do esforço de agora.” [1]
Referências:
[1] FRANCO, Divaldo Pereira. “Loucura e Obsessão”. 8.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1998. Capítulo 7.
[2] CELSUS, Aulus Cornelius. “De Medicina”. Livro III, item 9.1. Loeb Classical Library edition, 1935. Disponível em http://penelope.uchicago.edu/Thayer/L/Roman/Texts/Celsus/3*.html. Acesso em 18/01/2011.
[3] BOFF, Leonardo. “Saber cuidar: ética do humano – compaixão pela terra”. 10.ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2004. Capítulo VII.
[4] KARDEC, Allan. “O Livro dos Espíritos”. 66.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1987. Questões 166, 166-a, 167, 194, 195, 365, 621, 625, 781, 1002 e 1007.
[5] KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. 97.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1987. Capítulo V (“Bem-aventurados os aflitos”), item 28.
[6] XAVIER, Francisco Cândido. “Evolução em Dois Mundos”. Pelo Espírito André Luiz. 14.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995. Primeira parte, capítulo 16.
[7] Ibidem. Segunda parte, capítulo 19.
quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
Focos de desequilíbrio espiritual
Nossa higiene corporal nos previne de doenças que danifiquem nosso corpo
denso por décadas. Nossa atitude mental nos protege de contaminações
que se demorem em nosso corpo perispiritual por milênios.
A Ciência terrestre reconhece, desde o século XIX, a necessidade de assepsiar ferimentos e instrumental cirúrgico, a fim de evitarem-se focos de doenças, invisíveis ao olho humano, mas de efeitos severos à saúde física. Esse importante avanço na prevenção de doenças se deve à teoria microbiológica da doença, fundamentada pelo cientista Louis Pasteur no século XIX, aliada ao invento do microscópio, datado do final do século XVI.
Ou seja, antes da invenção do microscópio, no ano de 1590, a existência de micro-organismos seria tachada de crendice infundada, mesmo que se percebessem os efeitos de infecções por bactérias há milhares de anos. Anteriormente às demonstrações, ocorridas na década de 1860, da relação entre micro-organismos e doenças, a Humanidade não levaria a sério avisos sobre o cuidado com a higiene e sobre os devastadores efeitos que formas de vida tão pequenas trazem ao corpo humano.
Também no século XIX, Allan Kardec, codificando a Doutrina Espírita, demonstra, por análise científica, os efeitos do plano espiritual sobre o de matéria densa, bem como a coerência de milhares de comunicações mediúnicas. No livro “O que é o Espiritismo”, recomendado pelo próprio Kardec para iniciarmos o estudo da Doutrina Espírita, o Codificador compartilha conosco as palavras de um médico, antes incrédulo e depois adepto da Doutrina dos Espíritos:
A Ciência terrestre reconhece, desde o século XIX, a necessidade de assepsiar ferimentos e instrumental cirúrgico, a fim de evitarem-se focos de doenças, invisíveis ao olho humano, mas de efeitos severos à saúde física. Esse importante avanço na prevenção de doenças se deve à teoria microbiológica da doença, fundamentada pelo cientista Louis Pasteur no século XIX, aliada ao invento do microscópio, datado do final do século XVI.
Ou seja, antes da invenção do microscópio, no ano de 1590, a existência de micro-organismos seria tachada de crendice infundada, mesmo que se percebessem os efeitos de infecções por bactérias há milhares de anos. Anteriormente às demonstrações, ocorridas na década de 1860, da relação entre micro-organismos e doenças, a Humanidade não levaria a sério avisos sobre o cuidado com a higiene e sobre os devastadores efeitos que formas de vida tão pequenas trazem ao corpo humano.
Também no século XIX, Allan Kardec, codificando a Doutrina Espírita, demonstra, por análise científica, os efeitos do plano espiritual sobre o de matéria densa, bem como a coerência de milhares de comunicações mediúnicas. No livro “O que é o Espiritismo”, recomendado pelo próprio Kardec para iniciarmos o estudo da Doutrina Espírita, o Codificador compartilha conosco as palavras de um médico, antes incrédulo e depois adepto da Doutrina dos Espíritos:
“Antes de inventar-se o microscópio, alguém suspeitava da existência desses milhares de animálculos, que causam tantos estragos à economia? Onde a impossibilidade material de haver no espaço seres que escapem aos nossos sentidos? Teremos, porventura, a ridícula pretensão de saber tudo, e de dizer que Deus nada mais nos pode revelar?” [1]
Um ferimento não tratado é foco de infecções no corpo. De forma análoga, pensamentos, palavras ou atitudes incompatíveis com o Bem de nosso semelhante são compartilhadas por inteligências com os mesmos propósitos desarmônicos, as quais se juntam a nós para colaborar nesses maus projetos. Independente de crença ou de possuir-se ou não mediunidade ostensiva, tais inteligências vivem tanto no plano de matéria densa como no plano de matéria quintessenciada.

Vejamos um exemplo, relatado em “O Livro dos Médiuns”, obra lançada em 15 de janeiro de 1861 e que completou 150 anos há poucos dias. Em pequena localidade, duas irmãs, as quais nunca haviam ouvido falar em Espiritismo, tinham suas roupas depredadas e espalhadas pela casa e até pelos telhados, ainda que tivessem sido guardadas à chave. Muito tempo após o início dessas ocorrências, elas tiveram a indicação de procurar Kardec. O Codificador recebeu, do Plano Espiritual, a seguinte mensagem a respeito dos eventos:
“O que essas senhoras têm de melhor a fazer é rogar aos Espíritos seus protetores que não as abandonem. Nenhum conselho melhor lhes posso dar do que o de dizer-lhes que desçam ao fundo de suas consciências, para praticarem o amor do próximo e a caridade. Não falo da caridade que consiste em dar e distribuir, mas da caridade da língua; pois, infelizmente, elas não sabem conter as suas e não demonstram, por atos de piedade, o desejo que têm de se livrarem daquele que as atormenta. Gostam muito de maldizer do próximo e o Espírito que as obsidia toma sua desforra, porquanto, em vida, foi para elas um burro de carga. Pesquisem na memória e logo descobrirão quem ele é.
Entretanto, se, conseguirem melhorar-se, seus anjos guardiães se aproximarão e a simples presença deles bastará para afastar o mau Espírito, que não se agarrou a uma delas em particular, senão porque o seu anjo guardião teve que se afastar, por efeito de atos repreensíveis, ou maus pensamentos. O que precisam é fazer preces fervorosas pelos que sofrem e, principalmente, praticar as virtudes impostas por Deus a cada um, de acordo com a sua condição.” [2]
Kardec, ponderando o teor da mensagem acima, entende ser dura demais para transmitir às irmãs da forma como fora recebida. Os Espíritos orientaram-no com a seguinte resposta:
“Devo dizer o que digo e como digo, porque as pessoas de quem se trata têm o hábito de supor que nenhum mal fazem com a língua, quando o fazem muitíssimo. Por isso, preciso é ferir-lhes o Espírito, de maneira que lhes sirva de advertência séria.” [2]
Das lições acima apresentadas pelo Plano Espiritual, podemos chegar às seguintes conclusões:
- Uma enfermidade moral, no caso a maledicência, se tornou um “foco infeccioso” para a ação de um Espírito temporariamente focado na má vibração da vingança;
- Se, ao perceber a adversidade, as irmãs tivessem mudado de atitude para ações em prol do Bem, igualmente permitiriam a companhia de Espíritos com esse foco. Ações, palavras e pensamentos voltados ao Bem do próximo vibram em frequência superior àqueles voltados aos interesses personalistas e materialistas. Devido a frequências superiores possuírem maior energia do que as frequências inferiores, a presença de Bons Espíritos impediria a ação da entidade vingativa;
- Não adianta chamarmos “caça-fantasmas”, exorcistas ou executar quaisquer rituais externos. Seria análogo a afastarmos moscas e larvas de uma ferida, sem a desinfetarmos e medicarmos: a lesão só fará piorar. Repelimos más influências externas com efetividade quando modificamos internamente nossa atitude espiritual;
- Jamais saiamos por aí acusando quem quer que seja de estar em qualquer sofrimento moral porque é uma pessoa má e está cheia de maus Espíritos à sua volta. Toda a mensagem do Evangelho se destina à busca de nossa reforma íntima, e não para sairmos à caça de imperfeições alheias. Lembremos o sábio conselho de Jesus em Lucas 06:37:
“Não julgueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados.”
- Ponderemos, como Kardec, o teor de qualquer conselho que pensemos levar a alguém, seja mediúnico ou anímico. Cuidado para não utilizarmos uma comunicação agressiva e devastadora, disfarçada de sinceridade. Ponderemos o prudente conselho de André Luiz:
“Se você acredita que franqueza rude pode ajudar a alguém, observe o que ocorre com a planta a que você atire água fervente.” [3]
Referências
[1] KARDEC, Allan. “O Que É o Espiritismo”. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2009. Capítulo I, segundo diálogo — O cético.
[2] KARDEC, Allan. "O Livro dos Médiuns". 55ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB: 1987. Segunda parte, capítulo XXIII, item 252.
[3] XAVIER, Francisco Cândido. “Respostas da Vida”. Pelo Espírito André Luiz. 30.ed. São Paulo, SP: Grupo de Ideal Espírita André Luiz, 2009. Capítulo 16.
[1] KARDEC, Allan. “O Que É o Espiritismo”. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2009. Capítulo I, segundo diálogo — O cético.
[2] KARDEC, Allan. "O Livro dos Médiuns". 55ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB: 1987. Segunda parte, capítulo XXIII, item 252.
[3] XAVIER, Francisco Cândido. “Respostas da Vida”. Pelo Espírito André Luiz. 30.ed. São Paulo, SP: Grupo de Ideal Espírita André Luiz, 2009. Capítulo 16.
terça-feira, 3 de janeiro de 2017
Maus Pensamentos
Cada pessoa é responsável por seus pensamentos, palavras e atos. Um
pensamento imbuído de qualquer conotação visando ao mal de alguém ou
algo, mesmo que não concretizado, gera efeitos em si e no ambiente,
pelos quais a pessoa se torna responsável.
Jesus, na passagem de Mateus 05:27-28, assim se expressa a respeito do adultério:
Jesus, na passagem de Mateus 05:27-28, assim se expressa a respeito do adultério:
“Tendes ouvido que foi dito: Não adulterarás. Eu, porém, vos digo que todo o que põe seus olhos em uma mulher, para a cobiçar, já no seu coração adulterou com ela.”
O Mestre, nessa citação, se refere ao adultério já cometido pelo mero pensamento orientado a uma má ação. Analisemos as expressões “mau pensamento” e “adultério”, e posteriormente ponderemos acerca das consequências do pensamento desregrado.
Como podemos entender o que é um mau pensamento? Uma consulta à nossa consciência trará a informação sobre a ideia ser contrária ao bem do próximo e à nossa própria harmonia. Em mensagem mediúnica datada de novembro de 1859 e publicada na Revista Espírita de janeiro de 1860, encontramos a seguinte orientação:
“Distinguem-se os bons dos maus pensamentos, porque os primeiros podem, sem nenhum receio, ser transmitidos a todo o mundo, ao passo que os últimos não poderiam, sem perigo, ser comunicados senão a alguns. Quando vos vier um pensamento, para julgar de seu valor perguntai-vos se podeis torná-lo público sem inconveniente e se não fará mal: se vossa consciência vo-lo autorizar, não temais, vosso pensamento é bom.” [1]
A palavra adultério deriva do termo do latim adulterare, que significa alterar, corromper. Este verbete é formado pela combinação de ad (ir a; direção), e alter (outro). Portanto, a palavra adultério vai além da questão da fidelidade conjugal, mas se refere à traição de quaisquer princípios. Também na Bíblia, essa acepção ampla é utilizada, segundo estudos citados pelo pesquisador Carlos Torres Pastorino:
“Concordam com isso Pirot (...) que diz serem adúlteros ‘os infiéis a seu deus’ (sic); e o jesuíta Padre Max Zerwick (Analysis Philogica Novi Testamenti Graeci, Roma, 1960, pág. 31): defectio a Deo; qui cum populo suo quasi matrimonio se junxit, adulterium in Vetere Testamento appellatur, isto é, o afastamento de Deus que se uniu a seu povo como em matrimônio, é chamado adultério, no Antigo Testamento”. [2]
Allan Kardec também analisou esse termo, no capítulo VIII de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, sobre o qual orientou:
“A palavra adultério não deve absolutamente ser entendida aqui no sentido exclusivo da acepção que lhe é própria, porém, num sentido mais geral. Muitas vezes Jesus a empregou por extensão, para designar o mal, o pecado, todo e qualquer pensamento mau, como, por exemplo, nesta passagem: ‘Porquanto se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, dentre esta raça adúltera e pecadora, o Filho do homem também se envergonhará dele, quando vier acompanhado dos santos anjos, na glória de seu Pai.’ (S. Marcos, cap. VIII, v. 38.)
A verdadeira pureza não está somente nos atos; está também no pensamento, porquanto aquele que tem puro o coração, nem sequer pensa no mal. Foi o que Jesus quis dizer: ele condena o pecado, mesmo em pensamento, porque é sinal de impureza.” [3]
Encontramos, portanto, no Evangelho, a informação de que apenas um pensamento orientado ao mal já é um erro. Surge, assim, a questão: há consequências de uma ideia má, ainda que não concretizada? A Codificação Espírita orienta que, quanto mais evoluído o Espírito, tanto mais elevada é a vibração de seus pensamentos e, portanto, maus pensamentos são indício de progresso ainda por alcançar. Contudo, a própria constatação de termos elaborado um mau pensamento pode auxiliar na análise da evolução do Espírito, se ele o analisar e repelir. A respeito desse tema, o Codificador da Doutrina Espírita ponderou:
“Esse princípio suscita naturalmente a seguinte questão: Sofrem-se as consequências de um pensamento mau, embora nenhum efeito produza?
Cumpre se faça aqui uma importante distinção. À medida que avança na vida espiritual, a alma que enveredou pelo mau caminho se esclarece e despoja pouco a pouco de suas imperfeições, conforme a maior ou menor boa vontade que demonstre, em virtude do seu livre-arbítrio. Todo pensamento mau resulta, pois, da imperfeição da alma; mas, de acordo com o desejo que alimenta de depurar-se, mesmo esse mau pensamento se lhe torna uma ocasião de adiantar-se, porque ela o repele com energia. É indício de esforço por apagar uma mancha. Não cederá, se se apresentar oportunidade de satisfazer a um mau desejo. Depois que haja resistido, sentir-se-á mais forte e contente com a sua vitória.
Aquela que, ao contrário, não tomou boas resoluções, procura ocasião de praticar o mau ato e, se não o leva a efeito, não é por virtude da sua vontade, mas por falta de ensejo. É, pois, tão culpada quanto o seria se o cometesse.
Em resumo, naquele que nem sequer concebe a ideia do mal, já há progresso realizado; naquele a quem essa ideia acode, mas que a repele, há progresso em vias de realizar-se; naquele, finalmente, que pensa no mal e nesse pensamento se compraz, o mal ainda existe na plenitude da sua força. Num, o trabalho está feito; no outro, está por fazer-se. Deus, que é justo, leva em conta todas essas gradações na responsabilidade dos atos e dos pensamentos do homem.” [4]
Todo pensamento é força criadora; é irradiado no ambiente e, por isso, traz consequências boas ou más e atrai inteligências encarnadas e desencarnadas com ideias semelhantes, de acordo com seu teor orientado ao bem ou ao mal, independente do pensamento ter implicado ações concretas, e sem correlação com haver mediunidade ostensiva. Toda inspiração, positiva ou negativa, que recebermos, provém da sintonia que nós mesmos estabelecermos. Não há privilegiados, que recebam inspirações elevadas imotivadamente; sua boa sintonia, permeada por ações em prol do Bem do próximo, fê-los receptivos a energias positivas. O mesmo raciocínio se aplica a quem fez sintonias indevidas e recebe inspirações não identificadas com o Bem. André Luiz, na obra “Nosso Lar” [5], transmite as palavras da Ministra Veneranda, acerca do tema:
“Todos sabemos que o pensamento é força essencial, mas não admitimos nossa milenária viciação no desvio dessa força. Ora, é coisa sabida que um homem é obrigado a alimentar os próprios filhos; nas mesmas condições, cada espírito é compelido a manter e nutrir as criações que lhe são peculiares. Uma ideia criminosa produzirá gerações mentais da mesma natureza; um princípio elevado obedecerá à mesma lei. Recorramos a símbolo mais simples. Após elevar-se às alturas, a água volta purificada, veiculando vigorosos fluidos vitais, no orvalho protetor ou na chuva benéfica; conservemo-la com os detritos da terra e fá-la-emos habitação de micróbios destruidores. O pensamento é força viva, em toda parte; é atmosfera criadora que envolve o Pai e os filhos, a Causa e os Efeitos, no Lar Universal. Nele, transformam-se homens em anjos, a caminho do céu ou se fazem gênios diabólicos, a caminho do inferno.”
A Lei de Planck da Radiação indica que, quanto mais alta a frequência irradiada, maior a quantidade de energia. Verificamos, assim, que pensamentos orientados ao Bem, possuidores de frequência vibratória mais alta, também nos trazem maior energia. Pensamentos orientados ao mal, portadores de energia inferior, são tóxicos. Mesmo que nenhum encarnado saiba o que estamos pensando, o reforço de pensamentos de energias mais baixas nos intoxica, como se estivéssemos, de forma deliberada e regular, a tomar veneno, o qual nos fará mal, independente de alguém saber que o estamos ingerindo. Vejamos o que Kardec informa acerca da atmosfera espiritual:
“Se agora se considerar que os pensamentos atraem os pensamentos da mesma natureza, que os fluidos atraem os fluidos similares, compreende-se que cada indivíduo traga consigo um cortejo de Espíritos simpáticos, bons ou maus, e que, assim, o ar seja saturado de fluidos em relação com os pensamentos que predominam. Se os maus pensamentos forem em minoria, não impedirão que as boas influências se produzam, pois estas os paralisam. Se dominarem, enfraquecerão a irradiação fluídica dos Espíritos bons, ou, mesmo, por vezes impedirão que os bons fluidos penetrem nesse meio, como o nevoeiro enfraquece ou detém os raios do sol.
Qual é, pois, o meio de se subtrair à influência dos maus fluidos? Esse meio ressalta da própria causa que produz o mal. Que se faz quando se reconhece que um alimento é prejudicial à saúde? É rejeitado e substituído por outro mais saudável. Já que são os maus pensamentos que engendram os maus fluidos e os atraem, devem-se envidar esforços para só os ter bons, repelir tudo o que é mau, como se repele um alimento que nos pode tornar doentes; numa palavra, trabalhar por seu melhoramento moral e, para nos servirmos de uma comparação do Evangelho, ‘não só limpar o vaso por fora, mas, sobretudo, limpá-lo por dentro’.
(...)
Isto é uma utopia, um discurso vão? Não; é uma dedução lógica dos próprios fatos, que o Espiritismo revela diariamente. Com efeito, o Espiritismo nos prova que o elemento espiritual, que até o presente tem sido considerado como a antítese do elemento material, tem com esse último uma conexão íntima, donde resulta uma porção de fenômenos não observados ou incompreendidos. Quando a Ciência tiver assimilado os elementos fornecidos pelo Espiritismo, ela aí colherá novos e importantes elementos para o melhoramento material da Humanidade.” [6]
Creiamos ou não, no mero ato de pensarmos no mal para alguém ou algo, desarmonizamos poderosas energias, as quais poderiam ser destinadas ao auxílio ao próximo e, por decorrência, a nós mesmos. Ponderemos o pensamento do Codificador a esse respeito:
“Se se pudesse suspeitar do imenso mecanismo que o pensamento aciona e dos efeitos que ele produz de um indivíduo a outro, de um grupo de seres a outro grupo e, afinal, da ação universal dos pensamentos das criaturas umas sobre as outras, o homem ficaria assombrado! Sentir-se-ia aniquilado diante dessa infinidade de pormenores, diante dessas inúmeras redes ligadas entre si por uma potente vontade e atuando harmonicamente para alcançar um único objetivo: o progresso universal.
Pela telegrafia do pensamento, ele apreciará em todo o seu valor a lei da solidariedade, ponderando que não há um pensamento, seja criminoso, seja virtuoso, ou de outro gênero, que não tenha ação real sobre o conjunto dos pensamentos humanos e sobre cada um deles. Se o egoísmo o levava a desconhecer as consequências, para outrem, de um pensamento perverso, pessoalmente seu, por esse mesmo egoísmo ele se verá induzido a ter bons pensamentos, para elevar o nível moral da generalidade das criaturas, atentando nas consequências que sobre si mesmo produziria um mau pensamento de outrem.” [7]
A prece é um poderoso auxiliar na busca de melhor orientarmos nossos pensamentos. Orar também é formular um pensamento, e a prece de teor nobre, ou prece vertical, busca uma sintonia de frequência e energia superiores, afastando a sintonia com vibrações de teor energético inferior. No capítulo XXVIII de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, Kardec traz diversos exemplos de prece, dentre as quais algumas destinadas a pedir inspiração para afastar maus pensamentos. Essas preces não se destinam a ser repetidas palavra por palavra. Trata-se de sugestões do teor dos agradecimentos e rogativas que se podem apresentar aos Espíritos Superiores, os quais sempre estão dispostos a nos ajudar, porém só podem fazê-lo se nos fizermos receptivos a tal auxílio. Vejamos dois exemplos de preces sugeridas:
“Espíritos esclarecidos e benevolentes, mensageiros de Deus, que tendes por missão assistir os homens e conduzi-los pelo bom caminho, sustentai-me nas provas desta vida; dai-me a força de suportá-las sem queixumes; livrai-me dos maus pensamentos e fazei que eu não dê entrada a nenhum mau Espírito que queira induzir-me ao mal. Esclarecei a minha consciência com relação aos meus defeitos e tirai-me de sobre os olhos o véu do orgulho, capaz de impedir que eu os perceba e os confesse a mim mesmo.” [8]
“Deus Todo-Poderoso, não me deixes sucumbir à tentação que me impele a falir. Espíritos benfazejos, que me protegeis, afastai de mim este mau pensamento e dai-me a força de resistir à sugestão do mal. Se eu sucumbir, merecerei expiar a minha falta nesta vida e na outra, porque tenho a liberdade de escolher.” [9]
Referências:
[1] KARDEC, Allan. “Revista Espírita de janeiro de 1860”. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro, RJ. FEB 2004. “Conselhos de Família (Segunda sessão)”.
[2] PASTORINO, Carlos Torres. “Sabedoria do Evangelho”. Rio de Janeiro, RJ: Sabedoria, 1964. Volume 5, capítulo “O sinal celeste”.
[3] KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. 97ª ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1987. Capítulo VIII, item 6.
[4] Ibidem, item 7.
[5] XAVIER, Francisco Cândido. “Nosso Lar”. Pelo Espírito André Luiz. 23ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB, 1981. Capítulo 37.
[6] KARDEC, Allan. “Revista Espírita de maio de 1867”. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. Rio de Janeiro, RJ. FEB 2004. “Atmosfera Espiritual”.
[7] KARDEC, Allan. “Obras Póstumas”. 34ª ed. Rio de Janeiro: RJ, FEB: 1991. Primeira Parte. “Fotografia e telegrafia do pensamento”.
[8] KARDEC, Allan. “O Evangelho Segundo o Espiritismo”. 97ª ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1987. Capítulo XXVIII, item 12.
[9] Ibidem, item 21.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2017
Sintonia espiritual
A questão de como nos manter receptivos às inspirações que recebemos dos
Espíritos protetores e familiares relaciona-se à questão da sintonia
espiritual.
Temos a faculdade de escolher com que faixa desejamos sintonizar, através da escolha de nossos pensamentos. Dessa forma, se escolhemos e mantemos pensamentos de tristeza e desânimo, Espíritos na mesma faixa vibratória sintonizarão conosco, dificultando-nos a recepção de outra faixa, a dos Espíritos protetores que desejam nos animar e incentivar ao bem. Por outro lado, quando escolhemos pensamentos de paz, de alegria, de esperança e otimismo, juntamo-nos, por sintonia, a outros pensamentos semelhantes, e colocamo-nos em faixa apropriada para a recepção dos bons conselhos e orientações daqueles que nos protegem.

Emmanuel, na obra “Roteiro” [1], esclarece que: “Somos obsidiados por amigos desencarnados ou não e auxiliados por benfeitores, em qualquer plano da vida, de conformidade com a nossa condição mental. Daí, o imperativo de nossa constante renovação para o bem infinito.”
O benfeitor finaliza a mensagem, lembrando-nos da importância de trabalhar, servir, aprender e amar, iluminando, assim, a nossa vida íntima.
Entendendo o mecanismo em que se processa o fenômeno da sintonia espiritual, cabe a nós, para que estejamos receptivos às boas orientações, buscá-las, através dos meios disponíveis para tanto, que são: a prece, a boa leitura, a música harmoniosa, a conversa que edifica, a ação no bem, entre outros.
Referência:
1. XAVIER, Francisco Cândido. “Roteiro”. Pelo Espírito Emmanuel. 7.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB. 1986. Capítulo 26 – Finalidades.
Temos a faculdade de escolher com que faixa desejamos sintonizar, através da escolha de nossos pensamentos. Dessa forma, se escolhemos e mantemos pensamentos de tristeza e desânimo, Espíritos na mesma faixa vibratória sintonizarão conosco, dificultando-nos a recepção de outra faixa, a dos Espíritos protetores que desejam nos animar e incentivar ao bem. Por outro lado, quando escolhemos pensamentos de paz, de alegria, de esperança e otimismo, juntamo-nos, por sintonia, a outros pensamentos semelhantes, e colocamo-nos em faixa apropriada para a recepção dos bons conselhos e orientações daqueles que nos protegem.

Emmanuel, na obra “Roteiro” [1], esclarece que: “Somos obsidiados por amigos desencarnados ou não e auxiliados por benfeitores, em qualquer plano da vida, de conformidade com a nossa condição mental. Daí, o imperativo de nossa constante renovação para o bem infinito.”
O benfeitor finaliza a mensagem, lembrando-nos da importância de trabalhar, servir, aprender e amar, iluminando, assim, a nossa vida íntima.
Entendendo o mecanismo em que se processa o fenômeno da sintonia espiritual, cabe a nós, para que estejamos receptivos às boas orientações, buscá-las, através dos meios disponíveis para tanto, que são: a prece, a boa leitura, a música harmoniosa, a conversa que edifica, a ação no bem, entre outros.
Referência:
1. XAVIER, Francisco Cândido. “Roteiro”. Pelo Espírito Emmanuel. 7.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB. 1986. Capítulo 26 – Finalidades.
domingo, 1 de janeiro de 2017
Deus ajuda...
“Quando te achares na incerteza, invoca o teu bom Espírito, ou ora a Deus, soberano senhor de todos, e ele te enviará um de seus mensageiros, um de nós.” [1]
Situações surgem em nossas vidas nas quais toda providência possível já foi tomada e, ainda, há incerteza. Momentos de crise, que, na verdade, na acepção do termo grego “krisis”, significam momentos de decisão, de virada, e crescimento. Nesses momentos, em que a alma se abre a Deus, num clamor, tornamo-nos mais receptivos ao bem que constantemente flui sobre nós.
Exemplifiquemos com uma cena do filme “Nosso Lar”: quando André Luiz, desencarnado, em sofrimento no Umbral, finalmente cedeu e pediu ajuda, sinceramente, através de uma prece, teve a possibilidade de ver e ser socorrido pela equipe que já o acompanhava há tempos... e apenas aguardava o seu momento de despertar. Não significa um toque mágico que o tenha transformado. O decorrer do filme, cuja história sugerimos ler, demonstra que ainda houve muitas lutas. Mas aquele momento de “crise” foi superado.
A ajuda do Alto é permanente. Todos temos pelo menos um bom Espírito, o anjo da guarda, a nos orientar no bom caminho. A sintonia com ele depende exclusivamente de nós. São os Espíritos São Luís e Santo Agostinho, em resposta à questão 495, proposta por Allan Kardec, na obra “O Livro dos Espíritos”, que nos esclarecem sobre a atuação desse Espírito protetor [2]:
“Aos que considerem impossível que Espíritos verdadeiramente elevados se consagrem a tarefa tão laboriosa e de todos os instantes, diremos que nós vos influenciamos as almas, estando embora muitos milhões de léguas distantes de vós. O espaço, para nós, nada é, e, não obstante viverem noutro mundo, os nossos Espíritos conservam suas ligações com os vossos. Gozamos de qualidades que não podeis compreender, mas ficai certos de que Deus não nos impôs tarefa superior às nossas forças e de que não vos deixou sós na Terra, sem amigos e sem amparo. Cada anjo de guarda tem o seu protegido, pelo qual vela, como o pai pelo filho. Alegra-se, quando o vê no bom caminho; sofre, quando ele lhe despreza os conselhos.Não receeis fatigar-nos com as vossas perguntas. Ao contrário, procurai estar sempre em relação conosco. Sereis assim mais fortes e mais felizes. São essas comunicações de cada um com o seu Espírito familiar que fazem sejam médiuns todos os homens, médiuns ignorados hoje, mas que se manifestarão mais tarde e se espalharão qual oceano sem margens, levando de roldão a incredulidade e a ignorância.”A vivência do engenheiro Adolfo Celso Guidi está em perfeita consonância a este ensinamento. Segundo reportagem do periódico SEI [3]:
“Ele decidiu não cruzar os braços depois de saber que seu filho Vítor, de 9 anos, teria no máximo seis meses de vida. O menino era portador de gangliosidose GN1, doença rara causada pela falta de uma enzima fundamental à reposição das células cerebrais, a mesma enzima que atua na digestão do leite. Apesar do prognóstico sombrio, Adolfo começou a fazer, por sua própria conta, pesquisas diárias na biblioteca da Faculdade de Medicina do Paraná e, à noite, na internet, à procura de uma solução para o caso de Vítor. Mas, passados oito meses, nada.Há diversos ângulos a serem analisados nesse emocionante caso, porém, concentremo-nos na atuação dos Espíritos Protetores. Será que seus avisos e conselhos estão relacionados apenas à nossa vida moral, ou também se relacionam à nossa vida particular? Mais uma vez, são os Espíritos Superiores que esclarecem, a Kardec e a nós, explicando-nos que: “Eles se esforçam para que vivais o melhor possível. Mas, quase sempre tapais os ouvidos aos avisos salutares e vos tornais desgraçados por culpa vossa.” [4]. É ainda o mestre lionês, comentando essa resposta, que nos esclarece:
“Eu comecei a chorar no meio das prateleiras e a clamar a Deus. Foi então que uma voz falou dentro de mim: pega esse livro” – conta ele. Foi naquela obra que Adolfo descobriu ser possível controlar a gangliosidose por meio da recolocação da enzima no organismo. Iniciou assim uma nova luta: saber onde obter a substância. E passou a escrever para laboratórios de todo o mundo. “Deus falou comigo que em dez dias eu ia receber a enzima” – revelou Adolfo. E de fato, em uma semana recebeu um chamado de um laboratório de Araucária (PR), pois havia chegado uma encomenda, da Europa, para ele. Desta forma, pôde partir para a fabricação do medicamento, que acabou sendo de baixo custo em farmácias de manipulação. “A medicação que eu desenvolvi foi através de processo homeopático. Homeopatia tem domínio público, então, não tem reserva de mercado. Isso foi providencial porque está à disposição da população. Qualquer pessoa que tem alergia ao leite pode se beneficiar dessa medicação, e os casos de gangliosidose também” – informou, acrescentando que o medicamento conseguiu frear bastante o processo de degeneração em Vítor, que é hoje a única pessoa no mundo a superar os 11 anos com a doença.”
“Os Espíritos protetores nos ajudam com seus conselhos, mediante a voz da consciência que fazem ressoar em nosso íntimo. Como, porém, nem sempre ligamos a isso a devida importância, outros conselhos mais diretos eles nos dão, servindo-se das pessoas que nos cercam. Examine cada um as diversas circunstâncias felizes ou infelizes de sua vida e verá que em muitas ocasiões recebeu conselhos de que se não aproveitou e que lhe teriam poupado muitos desgostos, se os houvera escutado.”A história do Sr. Adolfo e Vítor ainda nos toca pela gratidão presente em todas as palavras do pai, sempre agradecendo a Deus a assistência recebida em todos os momentos, mormente nos mais críticos. Da mesma forma, os Espíritos Superiores, mais uma vez na obra “O Livro dos Espíritos” [5], instruem que, quando algo venturoso nos acontece, devemos agradecer “primeiramente a Deus, sem cuja permissão nada se faz; depois, aos bons Espíritos que foram os agentes da sua vontade.”
É por isso que a sempre doce Meimei nos recomenda, com carinho:
“Ora em silêncio e confia em Deus, esperando pela Divina Providência, porque Deus tem estradas, onde o mundo não tem caminhos.” [6]
Referências Bibliográficas:
[1] KARDEC, Allan. “O Livro dos Espíritos”. 66ª ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1987. Resposta à Questão 523.
[2] KARDEC, Allan. “O Livro dos Espíritos”. 66ª ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1987. Resposta à Questão 495.
[3] SEI (Serviço Espírita de Informação) de 1-15/8/2010 – no 2186, disponível em http://www.lfc.org.br/sei/boletim/2186.pdf. Acesso em 26.10.2010.
Outras informações sobre Adolfo, Vítor e a gangliosidose:
http://www.youtube.com/watch?v=UmtRu-IPMHE
http://www.youtube.com/watch?v=9Uzjp4jR8_w
http://www.youtube.com/watch?v=d3yw0z3qLzs&feature=relatedSEI
[4] KARDEC, Allan. “O Livro dos Espíritos”. 66ª ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1987. Resposta à Questão 524.
[5] KARDEC, Allan. “O Livro dos Espíritos”. 66ª ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1987. Resposta à Questão 535.
[6] XAVIER, Francisco Cândido. “Amizade”. Pelo Espírito Meimei. São Paulo, SP: IDEAL, 1977, capítulo 18 – “Ora e Confia”.
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