domingo, 7 de agosto de 2016

As Virtudes Essenciais

A palavra virtude (do latim virtus) designa excelência ou qualidade.  O significado é genérico quando aplicado a tudo o que é considerado correto e desejável em relação à moral, à ética, à vida em sociedade, às práticas educacionais, científicas e tecnológicas, assim como à eficácia na execução de uma atividade.  Em sentido específico o conceito se restringe a duas capacidades humanas:  conduta moral no bem e habilidades para fazer algo corretamente.
Em relação a este assunto, elucidam os orientadores da Codificação Espírita:
Toda virtude tem seu mérito próprio, porque todas indicam progresso na senda do bem.  Há virtude sempre que há resistência voluntária ao arrastamento dos maus pendores.  A sublimidade da virtude, porém, está no sacrifício do interesse pessoal, pelo bem do próximo, sem pensamento oculto.  A mais meritória é a que assenta na mais desinteressada caridade”.
O filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) classificou as virtudes em dois grupos, quanto à natureza, ambos aceitos nos dias atuais:  virtudes éticas ou do caráter – indicam todas as qualidades ético-morais, inclusive o dever, as quais nem sempre são submetidas à razão; virtudes dianoéticas ou do pensamento – abrangem as competências intelectuais (inteligência, discernimento, conhecimento científico, aptidões técnicas), controladas pela razão.
As primeiras são desenvolvidas pela educação e pela prática que conduz ao hábito.  Filósofos, do passado e do presente, defendem a ideia de que as virtudes ético-morais são dons inatos, desenvolvidos por seres humanos especiais.  Diferentes interpretações religiosas pregam que essas virtudes somente ocorrem por graça ou concessão divinas.  As segundas, as virtudes dianoéticas ou do pensamento, podem ser ensinadas por meio da instrução, daí serem muito valorizadas pelas ciências humanas, sobretudo as educacionais.
O Espiritismo considera que as virtudes são aquisições do Espírito imortal, adquiridas e desenvolvidas por meio de trabalho incessante no bem:
[…] a virtude é sempre sublime e imorredoura aquisição do Espírito nas estradas da vida, incorporada eternamente aos seus valores, conquistados pelo trabalho no esforço próprio.
Importa destacar que a classificação aristotélica é, na verdade, uma síntese dos ensinamentos de Sócrates (470-399 a.C.), posteriormente transmitidos por Platão (428/427-347 a.C.) em seu livro A República.  Para Sócrates, a virtude se identifica com o bem (aspecto moral) e representa o fim da atividade humana (aspecto funcional ou operacional).  Pelo aspecto moral sabe o homem virtuoso distinguir o bem e o mal.  Pelo sentido funcional, ou fim da atividade humana, a virtude é capacidade ou habilidade de realizar corretamente uma tarefa.  Contudo, tanto Sócrates como Platão entendiam que as virtudes eram dons inatos, ainda que esses filósofos possuíssem conhecimentos sobre a vida no além-túmulo e sobre as reencarnações sucessivas.
O seguinte texto, de O Evangelho Segundo o Espiritismo, ilustra o assunto:
  • Palavras de Sócrates, registradas por Platão:  “A virtude não pode ser ensinada; vem por dom de Deus aos que a possuem”.
  • Interpretação espírita, fornecida por Allan Kardec:
É quase a doutrina cristã sobre a graça; mas, se a virtude é um dom de Deus, é um favor e, então, pode perguntar-se por que não é concedida a todos.  Por outro lado, se é um dom, carece de mérito para aquele que a possui.  O Espiritismo é mais explícito, dizendo que aquele que possui a virtude a adquiriu por seus esforços, em existências sucessivas, despojando-se pouco a pouco de suas imperfeições.  A graça é a força que Deus faculta ao homem de boa vontade para se expungir do mal e praticar o bem.
Sócrates e Platão, entretanto, desenvolveram notável sistema filosófico sobre as virtudes, denominando-o Virtudes Cardeais.  Essas virtudes, inseridas em seguida, são consideradas essenciais por representarem a chave para a aquisição de todas as demais:
  • Prudência, também conhecida como sabedoria.  É a virtude que controla a razão.
  • Fortaleza, entendida como coragem.  É a virtude do entusiasmo (thymoiedés), a que administra os impulsos da sensibilidade, dos sentimentos e do afeto.
  • Temperança, vista como autodomínio, medida, moderação.  Essa virtude age sobre os impulsos do instinto, colocando freios nos prazeres e nas paixões corporais.
  • Justiça, estabelece o discernimento entre o bem e o mal.  É a virtude que conduz à equidade; ao saber considerar e respeitar o direito do outro; a valorizar ações e coisas que garantem o funcionamento harmonioso da vida, individual e coletiva.
Essa classificação não só permitiu a Aristóteles elaborar o seu sistema de virtudes éticas e dianoéticas, mas também exerceu forte influência no pensamento teológico dos chamados pais da igreja, durante a Idade Média, sobretudo no desenvolvimento das teses de Agostinho (354-430) e Tomás de Aquino (1225-1274), os quais fizeram acréscimos às virtudes cardeais socráticas, a partir da análise dos textos do Evangelho.  Esses acréscimos foram denominados Virtudes Teologais e se resumem nas seguintes:  , esperança e caridade.
As orientações teológicas católicas e protestantes preservaram as ideias socráticas e platônicas, no sentido de que as virtudes são concessões divinas, revestindo-as, porém, de um aspecto sobrenatural, de acordo com este raciocínio:  se as virtudes representam uma graça de Deus só podem ser concedidas aos santos, nunca ao ser humano comum.
Com o Espiritismo, porém, tudo se aclara, felizmente.  Entendemos que somos seres perfectíveis, construtores do próprio destino.  A aquisição e desenvolvimento de virtudes são entendidos como necessidade evolutiva do Espírito, um meio para regular os atos humanos, ordenar as paixões e guiar a conduta humana, segundo os preceitos da razão, da moral e da fé.
As pessoas virtuosas destacam-se das demais, não porque são especialmente marcadas por Deus, mas porque souberam aproveitar as lições da vida e investiram no aprendizado, moral e intelectual, ao longo das reencarnações e das experiências vividas no plano espiritual, após a morte do corpo físico.  Encontram-se muito distantes da santidade, entretanto, revelam-se como Espíritos que “[…] lutaram outrora e triunfaram.  Por isso é que os bons sentimentos nenhum esforço lhe custam e suas ações lhes parecem simplíssimas.  O bem se lhes tornou um hábito […]”.
A forma como a Doutrina Espírita caracteriza a virtude e o homem virtuoso está sintetizada na belíssima mensagem do Espírito François-Nicolas-Madeleine, constante em O Evangelho Segundo o Espiritismo, ditada em Paris, em 1863:
A virtude, no mais alto grau, é o conjunto de todas as qualidades essenciais que constituem o homem de bem.  Ser bom, caritativo, laborioso, sóbrio, modesto, são qualidades do homem virtuoso.  Infelizmente, quase sempre as acompanham pequenas enfermidades morais que as desornam e atenuam.  Não é virtuoso aquele que faz ostentação da sua virtude, pois que lhe falta a qualidade principal:  a modéstia, e tem o vício que mais se lhe opõe:  o orgulho.  A virtude, verdadeiramente digna desse nome, não gosta de estadear-se.  Adivinham-na; ela, porém, se oculta na obscuridade e foge à admiração das massas.  […] À virtude assim compreendida e praticada é que vos convido, meus filhos; a essa virtude verdadeiramente cristã e verdadeiramente espírita é que vos concito a consagrar-vos.  Afastai, porém, de vossos corações tudo o que seja orgulho, vaidade, amor-próprio, que sempre desadornam as mais belas qualidades.  Não imiteis o homem que se apresenta como modelo e trombeteia, ele próprio, suas qualidades a todos os ouvidos complacentes.  A virtude que assim se ostenta esconde muitas vezes uma imensidade de pequenas torpezas e de odiosas covardias.
Autor:  Marta Antunes Moura
Revista Reformador (Federação Espírita Brasileira)
Revista de Espiritismo Cristão
Ano:  217 – Nº:  2.158 – Janeiro de 2009
Páginas:  24 à 26
Livros (Referências):
  1. KARDEC, Allan – O Livro dos Espíritos – Tradução de Guillon Ribeiro – 91 Edição – 1ª reimpressão – Rio de Janeiro – Federação Espírita Brasileira (FEB) – Questões nº 893 e 894 – 2008.
  1. XAVIER, Francisco Cândido – O Consolador – Pelo Espírito Emmanuel – 28 Edição – Rio de Janeiro – Federação Espírita Brasileira (FEB) – Questão nº 253 – 2008.
  1. KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Tradução de Guillon Ribeiro – 127 Edição – Rio de Janeiro – Federação Espírita Brasileira (FEB) – “Introdução IV”, Item XVII – 2007.
  1. KARDEC, Allan – O Evangelho Segundo o Espiritismo – Tradução de Guillon Ribeiro – 127 Edição – Rio de Janeiro – Federação Espírita Brasileira (FEB) – Capítulo XVII, item 08 – 2008.

sábado, 6 de agosto de 2016

Examina teu Desejo

Cada pessoa é instrumento vivo dessa ou daquela realização, segundo o tipo de luta a que se subordina.
“Acharás o que buscas” – ensina o Evangelho, e podemos acrescentar – “farás o que desejas”.
Assim sendo, se te relegas à maledicência, em breve te constituirás em veículo dos gênios infelizes que se dedicam à injúria e à crueldade.
Se te deténs na caça ao prazer dos sentidos, cedo te converterás no intérprete das inteligências magnetizadas pelos vícios de variada expressão.
Se te confias à pretensa superioridade, sob a embriaguez dos valores intelectuais mal aplicados, em pouco tempo te farás canal de insensatez e loucura.
Todavia, se te empenhas na boa vontade para com os semelhantes, imperceptivelmente terás o coração impelido pelos mensageiros do Eterno Bem ao serviço que possas desempenhar na construção da felicidade comum.
Observa o próprio e encontrarás a extensa multidão daqueles que te acompanham com propósitos escuros na retaguarda.
Eleva-te no aperfeiçoamento próprio e caminharás de espírito bafejado pelo concurso daqueles pioneiros da evolução que te precederam na jornada de luz, guiando-te as aspirações para as vitórias da alma.
Examina os teus desejos e vigia os próprios pensamentos, porque onde situares o coração aí a vida te aguardará com as asas do bem ou com as algemas do mal.
Autor: Emmanuel
Psicografia de Chico Xavier

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Aprendendo a Perdoar

“Se perdoardes aos homens as faltas que eles fazem contra vós, vosso Pai celestial vos perdoará também vossos pecados, mas se não perdoardes aos homens quando eles vos ofendem, vosso Pai, também, não vos perdoará os pecados.” (O Evangelho segundo o Espiritismo – Cap. X, item 2)
Nosso conceito de perdão tanto pode facilitar quanto limitar nossa capacidade de perdoar. Por possuirmos crenças negativas de que perdoar é “ser apático” com os erros alheios, ou mesmo, é aceitar de forma passiva tudo o que os outros nos fazem, é que supomos estar perdoando quando aceitamos agressões, abusos, manipulações e desrespeito aos nossos direitos e limites pessoais, como se nada tivesse acontecendo.
Perdoar não é apoiar comportamentos que nos tragam dores físicas ou morais, não é fingir que tudo corre muito bem quando sabemos que tudo em nossa volta está em ruínas. Perdoar não é “ser conivente” com as condutas inadequadas de parentes e amigos, mas ter compaixão, ou seja, entendimento maior através do amor incondicional. Portanto, é um “modo de viver”.
O ser humano, muitas vezes, confunde o “ato de perdoar” com negação dos próprios sentimentos, emoções e anseios, reprimindo mágoas e usando supostamente o “perdão” como desculpa para fugir de realidade que, se assumida, poderia como consequência alterar toda uma vida de relacionamento.
Uma das ferramentas básicas para alcançarmos o perdão real é manter-nos a uma certa “distancia psíquica” da pessoa-problema, ou das discussões, bem como dos diálogos mentais que giram de modo constante no nosso psiquismo, porque estamos engajados emocionalmente nesses envolvimentos neuróticos.
Ao desprendermo-nos mentalmente, passamos a usar de modo construtivo os poderes do nosso pensamento, evitando os “deveria ter falado ou agido” e eliminando de nossa produção imaginativa os acontecimentos infelizes e destrutivos que ocorreram conosco.
Em muitas ocasiões, elaboramos interpretações exageradas de suscetibilidade e caímos em impulsos estranhos e desequilibrados, que causam em nossa energia mental uma sobrecarga, fazendo com que o cansaço tome conta do cérebro. A exaustão intima é profunda.
A mente recheada de ideias desconexas dificulta o perdão, e somente desligando-nos da agressão ou do desrespeito ocorrido é que o pensamento sintoniza com as faixas da clareza e da nitidez, no processo denominado “renovação da atmosfera mental”.
É fator imprescindível, ao “separar-nos” emocionalmente de acontecimentos e de criaturas em desequilíbrio, a terapia da prece, como forma de resgatar a harmonização de nosso interior.
A qualidade do pensamento determina a “ideação” construtiva ou negativa, isto é, somos arquitetos de verdadeiros “quadros mentais” que circulam sistematicamente em nossa própria órbita áurica. Por nossa capacidade de “gerar imagens” ser fenomenal, é que essas mesmas criações nos fazem ficar presos em “monoidéias”.
Desejaríamos tanto esquecer, mas somos forçados a lembrar, repetidas vezes, pelo fenômeno “produção/consequência”.
Desligar-se ou desconectar-se não é um processo que nos torna insensíveis e frios, como criaturas totalmente imperfeitas às ofensas e críticas e que vivem sempre numa atmosfera do tipo “ninguém vai mais me atingir ou machucar”. Desligar-se quer dizer deixar de alimentar-se das emoções alheias, desvinculando-se mentalmente dessas relações doentias de hipnoses magnéticas, de alucinações íntimas, de represálias, de desforras de qualquer matriz ou de problemas que não podemos solucionar no momento.
Ao soltar-nos vibracionalmente desses contextos complexos, ao desatar-nos desses fluidos que nos amarram a essas crises e conflitos existenciais, poderemos ter grande chance de enxergar novas formas de resolver dificuldades com uma visão mais generalizada das coisas e de encontrar, cada vez mais, instrumentos adequados para desenvolvermos a nobre tarefa de nos compreender e de compreender os outros.
Quando acreditamos que cada ser humano é capaz de resolver seus dramas e é responsável pelos seus feitos na vida, aceitamos fazer esse “distanciamento” mais facilmente, permitindo que ele se comporte como queira, dando-nos também essa mesma liberdade.
Viver impondo certa “distância psicológica” às pessoas e às coisas problemáticas, seja entes queridos difíceis, seja companheiros complicados, não significa que deixaremos de importar com eles, ou de amá-los ou de perdoar-lhes, mas sim que viveremos sem enlouquecer pela ânsia de tudo compreender, padecer, suportar e admitir.
Além do que, desligamento nos motiva ao perdão com maior facilidade, pelo grau de libertação mental, que nos induz viver sintonizados em nossa própria vida e na plena afirmação positiva de que “tudo deverá tomar o curso certo, se minha mente estiver em serenidade”.
Compreendendo por fim que, ao promovermos “desconexão psicológica”, teremos sempre mais habilidade e disponibilidade para perceber o processo que há por trás dos comportamentos agressivos, o que nos permitirá não reagir da maneira como fazíamos, mas olhar “como é que está sendo feito” nosso modo de nos relacionar com os outros. Isso nos leva, conseqüentemente, a começar a entender a “dinâmica do perdão”.
Uma das mais eficientes técnicas de perdoar é retomar o vital contato com nós mesmos, desligando-nos de toda e qualquer “intrusão mental”, para logo em seguida buscar uma real empatia com as pessoas. Deixamos de ser vitimas de forças fora de nosso controle para transformar-nos em pessoas que criticam sua própria realidade de vida, baseadas não nas criticas e ofensas do mundo, mas na sua percepção da verdade e da vontade própria.
Pelo Espírito de:  Hammed
Livro: Renovando Atitudes
Editora: Boa Nova                    
Médium: Francisco do Espírito Santo Neto

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Perdão e Autoperdão

Toda vez em que a culpa não emerge de maneira consciente, são liberados conflitos que a mascaram, levando a inquietações e sofrimentos sem aparente causa.
Todas as criaturas cometem erros de maior ou menor gravidade, alguns dos quais são arquivados no inconsciente, antes mesmo de passarem por uma análise de profundidade em torno dos males produzidos, seja de referência à própria pessoa ou a outrem.
Cedo ou tarde, ressumam de maneira inquietadora, produzindo mal-estar, inquietação, insatisfação pessoal, em caminho de transtorno de conduta.
A culpa é sempre responsável por vários processos neuróticos, e deve ser enfrentada com serenidade e altivez.
Ninguém se pode considerar irretocável enquanto no processo da evolução.
Mesmo aquele que segue retamente o caminho do bem está sujeito a alternância de conduta, tendo em vista os desafios que se apresentam e o estado emocional do momento.
Há períodos em que o bem-estar a tudo enfrenta com alegria e naturalidade, enquanto que, noutras ocasiões, os mesmos incidentes produzem distúrbios e reações imprevisíveis.
Todos podem errar, e isso acontece amiúde, tendo o dever de perdoar- se, não permanecendo no equívoco, ao tempo em que se esforcem para reparar o mal que fizeram.
Muitos males são ao próprio indivíduo feitos, produzindo remorso, vergonha, ressentimento, sem que haja coragem para revivê-los e liberar-se dos seus efeitos danosos.
Uma reflexão em torno da humanidade de que cada qual é possuidor permitir-lhe-á entender que existem razões que o levam a reagir,quando deveria agir, a revidar, quando seria melhor desculpar, a fazer o mal, quando lhe cumpriria fazer o bem…
A terapia moral pelo autoperdão impõe-se como indispensável para a recuperação do equilíbrio emocional e o respeito por si mesmo.
Torna-se essencial, portanto, uma reavaliação da ocorrência, num exame sincero e honesto em torno do acontecimento, diluindo-o racionalmente e predispondo-se a dar-se uma nova oportunidade, de forma que supere a culpa e mantenha- se em estado de paz interior.
O autoperdão é essencial para uma existência emocional tranquila.
Todos têm o dever de perdoar–se, buscando não reincidir no mesmo compromisso negativo, desamarrando- se dos cipós constringentes do remorso.
Seja qual for a gravidade do ato infeliz, é possível repará-lo quando se está disposto a fazê-lo, recobrando o bom humor e a alegria de viver.
Em face do autoperdão, da necessidade de paz interior inadiável, surge o desafio do perdão ao próximo, àquele que se tem transformado em algoz, em adversário contínuo da paz.
Uma postura psicológica ajuda de maneira eficaz e rápida o processo do perdão, que consiste na análise do ato, tendo em vista que o outro, o perseguidor, está enfermo, que ele é infeliz, que a sua peçonha caracteriza-lhe o estado de inferioridade.
Mediante este enfoque surge um sentimento de compaixão que se desenvolve, diminuindo a reação emocional da revolta ou do ódio, ou da necessidade de revide, descendo ao mesmo nível em que ele se encontra.
O célebre cientista norte-americano Booker T. Washington, que sofreu perseguições inomináveis pelo fato de ser negro, e que muito ofereceu à cultura e à Agricultura do seu país, asseverou com nobreza: Não permita que alguém o rebaixe tanto a ponto de você vir a odiá-lo.
Desejava dizer que ninguém deve aceitar a ojeriza de outrem, o seu ódio e o seu desdém a ponto de sintonizar na mesma faixa de inferioridade.
Permanecer acima da ofensa, não deixar-se atingir pela agressão moral constituem o antídoto para o ódio de fácil irrupção.
Sem dúvida, existem os invejosos, que se comprazem em denegrir aquele a quem consideram rival, por não poderem ultrapassá-lo; também enxameiam os odientos, que não se permitem acompanhar a ascensão do próximo, optando por criar-lhes todos os embaraços possíveis; são numerosos os poltrões que detestam os lidadores, porque pensam que os colocam em postura inferior e se movimentam para dificultar-lhes a marcha ascensional; são incontáveis aqueles que perderam o respeito por si mesmos e auto-realizam-se agredindo os lidadores do dever e da ordem, a fim de nivelá-los em sua faixa moral inferior…
Deixa que a compaixão tome os teus sentimentos e envolve-os na lã da misericórdia, quanto gostarias que assim fizessem contigo, caso ainda te detivesses na situação em que eles estagiam.
Perceberás que um sentimento de compreensão, embora não de conivência com o seu erro, tomará conta de ti, impulsionando-te a seguir adiante, sem que te perturbes.
Sob o acicate desses infelizes, aos quais tens o dever de compreender e de perdoar, porque não sabem o que fazem, ignorando que a si mesmos se prejudicam, seguirás confiante e invencível no rumo da montanha do progresso.
Ninguém escapa, na Terra, aos processos de sofrimento infligido por outrem, em face do estágio espiritual em que se vive no Planeta e da população que o habita ainda ser constituída por Espíritos em fases iniciais de crescimento intelecto-moral.
Não te detenhas, porque não encontres compreensão, nem porque os teus passos tenham que enfrentar armadilhas e abismos que saberás vencer, caso não te permitas compartilhar das mesmas atitudes dos maus.
Chegarás ao termo da jornada vitoriosamente, e isso é o que importa.
O eminente sábio da Grécia, Sólon, costumava dizer que nada pior do que o castigo do tempo, referindo-se às ocorrências inesperadas e inevitáveis da sucessão dos dias. Nunca se sabe o que irá acontecer logo mais e como se agirá.
Dessa forma, faze sempre todo o bem, ajuda-te com a compaixão e o amor, alçando-te a paisagens mais nobres do que aquelas por onde deambulas por enquanto.
Perdoa-te, portanto, perdoando, também, ao teu próximo, seja qual for o crime que haja cometido contra ti.
O problema será sempre de quem erra, jamais da vítima, que se depura e se enobrece.
Pilatos e Jesus defrontaram-se em níveis morais diferentes.
A astúcia e a soberba num, a sua glória mentirosa e a sua fatuidade desmedida.
A humildade real, a grandeza moral e a sabedoria profunda no outro, que era superior ao biltre representante do poder terreno de César.
Covarde e pusilânime, Pilatos não lhe viu culpa, mas não o liberou, porque estava embriagado de ilusão sensorial, lavando as mãos,em torno da Sua vida, porém, não se liberando da responsabilidade na consciência.
Estóico e consciente Jesus aceitou a imposição arbitrária e infame,deixando-se erguer numa cruz de madeira tosca, a fim de perdoar a todos e amá-los uma vez mais, convidando-os à felicidade.
Perdoa, pois, e autoperdoa-te!
Pelo Espírito de:  Joanna de Ângelis
Página psicografada na sessão da noite de 4 de janeiro de 2005, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador,Bahia.
Psicografia de:  Divaldo P. Franco

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Discernimento


“Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos velhos provérbios. Não admitais, portanto, senão o que seja para vós de inegável evidência. Quando aparecer uma ideia nova, por menos duvidosa que vos pareça, fazei-a passar pelo crivo da razão e da lógica e rejeitai corajosamente o que a razão e o bom senso reprovarem. É melhor repelir dez verdades do que admitir uma única falsidade, uma só teoria errônea. Efetivamente, sobre essa teoria poderíeis edificar um sistema completo, que desabaria ao primeiro sopro da verdade, como um monumento edificado sobre areia movediça, ao passo que, se rejeitardes hoje algumas verdades, porque não vos são demonstradas clara e logicamente, mais tarde um fato brutal ou uma demonstração irrefutável virá vos afirmar a sua autenticidade.”¹
A aptidão para avaliar algo com sensatez e clareza é o que se denomina discernimento ou bom senso, tão bem utilizado por Allan Kardec em toda sua vida e, especialmente, em sua obra, daí o respeito, a segurança e a admiração que se nutre por ele.
Nestes dias, em que a comunicação se faz facilitada e célere, observa-se que as opiniões circulam o globo na velocidade da luz, levando consigo os pontos de vista, as opiniões que, por melhores que sejam, carregam consigo o subjetivismo e o personalismo.
Imersos nesta onda de aproveitamento das facilidades que a midiática proporciona, verifica-se que, diante de tantas opiniões, se têm tido poucas, muito poucas reflexões.
Estes são dias que nos exigem atenção e vigilância. No entanto, esquecidos do crivo da razão, do bom senso, transmitem-se opiniões e informações nem sempre verdadeiras que exaltam, muitas das vezes, a discórdia, a divisão, a dúvida, sem avaliar os efeitos presentes e futuros.
Mais do que antes, olhai, vigiai e orai são diretrizes para os que desejam colocar o Evangelho em suas vidas. É no olhai que o discernimento se faz, para que a vigilância seja praticada com garantia,
sem desvio do foco a vigiar. Temos o Espiritismo e, com ele, podemos proporcionar conforto, consolo, esclarecimento e orientação.
Em vez de opiniões, mais reflexões. O espírita é portador da mensagem cristã e tem o dever de prestar o testemunho vivido, falado ou escrito da Doutrina que abraçou. O momento exige renúncia dos pontos de vista, das opiniões pessoais, mas requer aplicação das ideias espíritas em nós mesmos, primeiramente, antes de divulgarmos aos outros. Assim nos diz a razão, o bom senso, o discernimento.

REFERÊNCIA:
1 KARDEC, Allan. O livro dos médiuns. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2013. cap. 20, it. 230, Espírito Erasto.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Saber sofrer

Porque melhor é que padeçais fazendo o bem (se a vontade de Deus assim o quer) do que fazendo o mal.” – Pedro (I Pedro, 3:17.)
Clara Lila Gonzalez de Araújo
claralilaez@gmail.com

Em sua primeira epístola, o apóstolo Pedro ensina que devemos aceitar as provações e ir ao encontro do sentido verdadeiro do pensamento de Jesus sobre as dores terrenas. As provações não são nada diante das bênçãos que conquistamos, ao vencermos com coragem e abnegação as provas que amealhamos, seguros de que a Terra é apenas um repositório de experiências necessárias para a evolução do Espírito.
Nossa passagem pela vida corporal é extremamente importante para que possamos cumprir os desígnios de Deus, por meio de ações materiais que nos auxiliam no desenvolvimento da inteligência e da moral. No entanto, em todos os atos que realizamos, precisamos considerar que não pertencemos a este mundo e que, algum dia, retornaremos à verdadeira pátria espiritual.

Certas pessoas, que não conhecem os princípios básicos do Espiritismo, não conseguiriam entender ou aceitar os objetivos abençoados que nos movem na busca de melhoria espiritual. Porém, falar do sofrimento como instrumento providencial para edificação e amadurecimento moral do Espírito é tarefa difícil, mesmo para nós espíritas que, apesar de termos a compreensão exata dessa definição, ainda não a aceitamos, como grave desafio a superar em nossa existência.

Para a mentora espiritual Joanna de Ângelis, o sofrimento se apresenta como uma enfermidade, e ela aconselha que se faça um “tratamento conveniente, em que se invistam todos os valores ao alcance, pela primazia de lograr-se o bem-estar e o equilíbrio fisiopsíquico”.1 Entretanto, para alguns, o sofrimento não acaba facilmente. Soror Joanna de Ângelis alertando-nos para a necessidade de buscarmos a sua cessação afirma: Encontrado o sofrimento, o homem tem o dever de idenidentificar as suas causas, que procedem dos atos degenerativos, próximos ou remotos, referente às suas reencarnações. Ao lado daqueles que ressumam das dívidas cármicas, estão os decorrentes das suas emoções desequilibradas, que têm nascentes no egoísmo, no apego, na imaturidade psicológica. Dentre outros, apresentam-se em plano de destaque o medo, o ciúme, a ira, que explodem facilmente engendrando o sofrimento.1

No uso de nossa relativa liberdade, podemos fazer coisas que afrontam as leis divinas. Agimos em oposição ao Criador, sem nos preocuparmos com as consequências. Daí resulta o afastamento das boas ações cujo efeito é a dor, e ela só cessará quando chegarmos à conclusão de que precisamos mudar, principalmente quanto à nossa vontade personalista, que insiste em prevalecer em muitas ocasiões, mesmo sem ter razão. Allan Kardec, em nota à questão 933, de O Livro dos Espíritos, reflete sobre as diferenças existentes entre as criaturas e os resultados obtidos por elas de felicidade e de infelicidade:

De ordinário, o homem só é infeliz pela importância que liga às coisas deste mundo. Fazemlhe a infelicidade a vaidade, a ambição e a cobiça desiludidas. Se se colocar fora do círculo acanhado da vida material, se elevar seus pensamentos para o infinito, que é seu destino, mesquinhas e pueris lhe parecerão as vicissitudes da humanidade, como o são as tristezas da criança que se aflige pela perda de um brinquedo, que resumia a sua felicidade suprema. Aquele que só vê felicidade na satisfação do orgulho e dos apetites grosseiros é infeliz, desde que não os pode satisfazer, ao passo que aquele que nada pede ao supérfluo é feliz com os que outros consideram calamidades.

[…] Como civilizado, o homem raciocina sobre a sua infelicidade e a analisa. Por isso é que esta mais o fere, mas, também, lhe é facultado raciocinar sobre os meios de obter consolação e de analisá-los. Essa consolação ele a encontra no sentimento cristão, que lhe dá a esperança de melhor futuro, e no Espiritismo, que lhe dá a certeza desse futuro.2

Assim, os sofrimentos existem, em forma de tormento material, para os que não acreditam em Deus, deixando-se transtornar pelas agonias das vicissitudes, sem suportar as misérias da existência. Alguns desses infelizes indivíduos procuram, no suicídio, a pretensa solução para seus males. Igualmente, o sofrimento cresce para aqueles em que “o orgulho ferido, a ambição frustrada, a ansiedade da avareza, a inveja, o ciúme, todas as paixões […] são torturas da alma.[…] O invejoso e o ciumento vivem ardendo em contínua febre […]”.2 São os que criam suplícios voluntários para si.

Por outro lado, os sofrimentos surgem também para aqueles que se tornam verdadeiramente fortes e resolutos para enfrentá-los, com a crença a sustentá-los na dolorosa caminhada terrena. Testemunhos acerbos são vividos por essas almas bondosas e humildes, que aceitam com paciência e abnegação suas penas temporárias. São Espíritos que reencarnam em condições de vencer suas mazelas morais, sem se deixarem abater pela excessiva tristeza, convictos de que, em pouco tempo, haverão de se libertar dos problemas materiais e morais que os atingem, continuando seu itinerário de luz em benefício dos homens. É difícil imaginar como essas pessoas conseguem suplantar suas desmedidas dores, construindo um clima de paz e benemerência à sua volta, tornando-se modelos singulares para nós.

O Dr. Viktor Emil Frankl (1905-1997) – M. D. ph.D., professor de Neurologia e Psiquiatria da Universidade de Viena e da Universidade Internacional da Califórnia, criador da Logoterapia, autor de dezenas de livros e reconhecido mundialmente – legou à Humanidade exemplos edificantes sobre a sua vida. Foi prisioneiro dos nazistas em campos de concentração – entre eles o de Auschwitz – sendo reduzido a uma vida extremamente dolorosa e miserável, até ser libertado. Seus pais, seu irmão e sua esposa foram mortos em outros campos de extermínio. Ele resistiu bravamente a essa desafiadora prova, que lhe fazia sentir, diariamente, as angústias de esperar a cada momento por sua exterminação, além da saudade pungente que guardava de seus afetos. Em seus trabalhos terapêuticos, um dos argumentos essenciais defendidos por ele é descobrir o sentido da vida e do sofrimento:

[…] Um dos principais fundamentos da logoterapia está em que a principal preocupação da pessoa não consiste em obter prazer ou evitar a dor, mas antes em ver um sentido em sua vida. Essa a razão por que o ser humano está pronto até a sofrer, sob a condição, é claro, de que seu sofrimento tenha um sentido. É preciso deixar perfeitamente claro […], que o sofrimento não é de modo algum necessário para encontrar sentido. Insisto apenas que o sentido é possível mesmo a despeito do sofrimento – desde que, naturalmente, o sofrimento seja inevitável. Se ele fosse evitável, no entanto, a coisa significativa a fazer seria eliminar sua causa, fosse ela psicológica, biológica ou política. Sofrer desnecessariamente é ser masoquista, e não heroico.
[…] Ao aceitar esse desafio de sofrer com bravura, a vida recebe um sentido até seu derradeiro instante, mantendo esse sentido literalmente até o fim. Em outras palavras, o sentido da vida é um sentido incondicional, por incluir até o sentido potencial do sofrimento inevitável.3

A fé em Deus permitiu que esse homem extraordinário ajudasse outras pessoas sofridas, após as experiências trágicas, ocorridas durante a Segunda Guerra Mundial. Soube tirar proveito das lições que recebeu, sem se sentir completamente derrotado nas lutas enfrentadas pela sua sobrevivência. Aceitou o desafio de sofrer corajosamente e encontrou um verdadeiro sentido em sua vida ao tentar compreender, profundamente, as razões do sofrimento para si e para milhares de seres humanos. Para determinados espíritas, como já vimos anteriormente, o sofrimento surge, muitas vezes, pela incúria e pela imperfeição, resultando em experiências dolorosas a exprimir os erros do passado e do presente. Porém, os resgates, promulgados pelas leis divinas, conferem-nos inúmeras oportunidades espirituais que conquistamos, obtendo a cura de nossas doenças morais. Em página psicografada por Francisco Cândido Xavier, o Espírito Emmanuel pergunta a respeito de como tem sido nosso empenho no serviço a executar em benefício daqueles que sofrem:

Como recear o cansaço e o esgotamento, as complicações e incompreensões, os conflitos e os desgostos decorrentes da abençoada luta pela suprema vitória do bem, se o combate pelo triunfo provisório do mal conduz os batalhadores a tributos aflitivos de sofrimento? Gastemos nossas melhores possibilidades a serviço do Cristo, empenhando-lhe nossas vidas.

A arma criminosa que se quebra e a medida repugnante consumada provocam sempre maldição e sombra, mas para o servo dilacerado no dever e para a lâmpada que se apaga no serviço iluminativo reserva-se destino diferente.4

Desse modo, é preciso amadurecer emocionalmente, admitir que o sofrimento nos depura todas as vezes que procurarmos, no trabalho de Jesus, olvidar os dramas vividos em nossas existências. A dor amiga nos convida a servir ao próximo, e o ato de doação se transforma no melhor remédio para os que sofrem. Na Terra, sofrem todos, quer sejam ricos ou pobres. No entanto, poucos sofrem bem e aceitam suas provas com compreensão e paciência. Deus não coloca fardos pesados em ombros fracos e se torna primordial acreditar na bondade divina:

[…] O fardo é proporcionado às forças, como a recompensa o será à resignação e à coragem. Mais opulenta será a recompensa, do que penosa a aflição. Cumpre, porém, merecê-la, e é para isso que a vida se apresenta cheia de tribulações.5

REFERÊNCIAS:
1 FRANCO, Divaldo Pereira. O homem integral. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Salvador (BA): Leal Editora, 1990. cap. Os sofrimentos humanos, p. 127, 128, respectivamente.

2 KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Trad. Guillon Ribeiro. 93. ed. 1. imp. (Edição Histórica.) Brasília: FEB, 2013. Comentário de Kardec à questão 933.

3 FRANKL, Viktor. Em busca do sentido: um psicólogo no campo de concentração. Trad. Walter O. Schlupp e Carlos
C. Aveline. 32. ed. revisada. São Leopoldo: Editora Sinodal; Petrópolis: Editora Vozes, 2008. “O sentido do sofrimento”, p. 137-138.

4 XAVIER, Francisco C. Pão nosso. Pelo Espírito Emmanuel. 9. imp. Brasília: FEB, 2015. cap. 64.

5 KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. Trad. Guillon Ribeiro. 131. ed. 6. imp. (Edição Histórica.)
Brasília: FEB, 2015. cap, 5, it. Bem e mal sofrer..


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Na encruzilhada


Vive-se no Planeta um momento em que as pessoas, as instituições e as nações passam por uma transição. Se ainda  á dúvidas sobre esta afirmação, basta que nos debrucemos sobre os fatos e acontecimentos para, rapidamente,  hegarmos a esta conclusão.
Transição é prenúncio de mudança, que significa: morte do velho, nascimento do novo e, quase sempre, revisitação aos antigos hábitos, aos atavismos e costumes para que sejam renovados ou abandonados.
Esse processo é sempre acompanhado por crise que decorre do abandono de uma zona de conforto ou da adaptação ao novo ainda não vivenciado, testemunhado.
O contexto é, pois, de desafi os, de oportunidades e de renovação de valores, de aferição dos que vigem no cotidiano das pessoas, das instituições e das nações, como a convocar a uma mudança radical, ao abandono dos atavismos, hábitos e costumes viciados, para, em substituição, abrigar um novo código de ética e moral em vaso limpo.
São instantes decisivos de uma nova era, no início de um novo milênio, de escolhas não mais equivocadas, do sim, sim; não, não , lembrando Jesus, porque nos encontramos diante de uma encruzilhada a exigir, inexoravelmente, escolhas acertadas para trilhar no caminho correto.
Os espíritas sinceros sabem o caminho a trilhar: Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida, entretanto quais os que realmente já fi zeram a escolha certa?
Trilhar o caminho de Jesus signifi ca abandonar as próprias sandálias para calçar as do Mestre Nazareno que nos recomenda simplesmente: Amor e Humildade, nada mais.
Amar-nos uns aos outros como Ele nos ama e obedecer às Leis Naturais, divinas, inscritas em nossa consciência são os requisitos necessários para calçar as sandálias e seguir o caminho por Ele indicado e vivenciado.
Se, na encruzilhada, escolhemos  o Caminho , resta-nos, apenas, exercitar o amor e a humildade que nos afastará das más inclinações e nos aproximará das virtudes latentes, despertando-as.
Utilizemos, pois, enquanto é tempo, o discernimento, o bom senso, relembrando Kardec, para, diante da encruzilhada, fazermos a melhor escolha: Jesus, e seguir o “Caminho” com as sandálias do Meigo Rabi da Galileia, a fim de que adentremos no Reino Divino, instalado no íntimo de cada um com o passaporte do amor e da humildade.