quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Reciclagem Mediúnica Leda Marques Bighetti VII - O trabalho mediúnico II

1 - Encaminhamento para o encerramento
Assim como as sessões têm hora para começar naqueles cuidados normais de:
  • chegar antes
  • manter-se em estudo
  • fechar a porta alguns instantes antes do início não permitindo a presença de estranhos
também há o momento próprio para encerrar, bem como alguns cuidados, voltados a um trabalho que na realidade, não se encerra na marcação dos ponteiros, mas prossegue diuturno dos tratamentos sempre a requerer providências, cuidados, energias, fluidos, boa vontade, amor sem barreiras.
Para isso, mais ou menos, cinco minutos antes da hora convencionada para o final, pode-se delicadamente, tocar os médiuns e eles entenderão esse sinal, como indicativo para que desconcentrem ou então, mais prático seria ligar música suave que também funcionará como aviso, fechando assim o campo psíquico antes receptivo. Nesse processo, entra todo o grupo em ritmo vibratório para os encaminhamentos que se seguirão.
Há necessidade imperiosa de respeito ao horário, que sem ser rígido, a ponto de se interromper comunicações que estão acontecendo, numa variante onde minutos a mais, podem ser perfeitamente aceitos. Por que tais cuidados?
Todo trabalho mediúnico, nesse sentido que estamos estudando é assistido pela equipe do lado de lá. Esgotado o prazo combinado eles (assim como os encarnados) têm que se retirar. Outros compromissos, tarefas inadiáveis os aguardam em outros locais frente a outras situações. Tal ausência significa que o ambiente espiritual fica desguarnecido, enfraquecido nos seus mecanismos de segurança. Espíritos turbulentos, conhecedores dessa mecânica procuram infiltrar-se, aproveitando para provocar distúrbios ou levar alguma aflição ao grupo.
Não é entretanto só por essa possível ação que se deve manter horários. Sobretudo é também respeito a um trabalho de equipe, que envolve dois planos, onde encarnados e desencarnados tem compromissos e responsabilidades outras.
Desse modo, no tempo aprazado, verificando-se que todos estão bem com as vibrações e a prece, encerra-se a parte ostensiva da reunião propriamente dita.
É hora agora da Avaliação, que é feita após cada trabalho e precisa ser útil a todos. Daí a necessidade de ser trazida às reflexões, pontos que realmente enriqueçam, esclareçam pelas lições implícitas, pelos ensinamentos contidos. É o momento de se analisar como o trabalho se desenvolveu - por exemplo - quem conversa com o Espírito, sentiu não ter conseguido encaminhar a melhor reflexão ou percebido algum detalhe. O médium, pode ter sentido que o atendente deixou passar esta ou aquela situação que seria o ponto alto para atender à necessidade do companheiro e que o teria conseguido, se dirigisse a conversa nesta ou naquela direção.
O tempo da Avaliação é para esse esclarecimento que significa fortalecimento e aprendizado para todos. O clima há que ser mantido em serenidade, interesse e contar com aparticipação de todos. Ressalte-se que não se dedica esse espaço para comentar o enredo dos dramas atendidos - reciprocamente está se procurando uma melhor forma de trabalhar, analisando desempenhos para aprendizado do todo.
E se houver algum caso muito interessante, não poderá de modo algum ser analisado no grupo?
Sem dúvida haverá situações onde se apresentam lições inusitadas. Necessitam ser colocados ao grupo para que se perceba outras reações contidas em ações aparentemente normais, com desfechos e conseqüências que fogem ao corriqueiro. Esse é o momento dos comentários, que entretanto não se configuram como usuais, não acontecem todos os dias. Seria de bom tom, que o atendente, ao se defrontar com um caso destes, antes de despedir-se do Espírito atendido, peça-lhe licença para torná-lo público ao grupo o seu caso, explicando-lhe o porque, o estudo que será feito, as lições passíveis naquela experiência o quanto poderá servir para todos. Por que isso? Basta que nos coloquemos no lugar do Espírito e teremos a resposta: será que gostaríamos de ver nossos problemas confiados a alguém, no auge do desespero e dor, ser comentado sem nosso assentimento sem entender porque?
Não esquecer ainda que ao contar esses casos, os Espíritos atendidos ainda ali permanecem ou estão sendo retirados do recinto. Seria desastroso presenciarem, ouvirem seus dramas expostos sem entender o objetivo. Repercutiria nele como leviandade, abuso de uma confiança, aproveitamento de uma situação que para ele foi significativa e que agora o confunde. Sente revolta, dissonância entre as palavras de incentivo, compreensão e amor fraterno que antes lhe foram oferecidas e a situação de comentário que agora não entende.
Em qualquer dos casos, porém, a Avaliação visa crescimento, é rápida, não polemiza ou se prolonga avançando no tempo.
2 - A sala mediúnica, o retorno ao lar - o trabalho que prossegue
ideal seria ter-se local só para ser usado para as reuniões mediúnicas. Dado ao clima que aí é mantido, Espíritos permanecem em tratamento ou repouso.
Dificilmente encontraremos essa disponibilidade de local específico. Daí porque nas salas do Centro onde habitualmente se realizam as sessões tem-se o cuidado de evitar reuniões sociais, conversas descuidadas, mantendo-se ou usando esses locais para atividades nobres, estudos, leituras, etc., nessa preocupação de manter elevado o teor vibratório do ambiente, preservando-o em favor dos desencarnados que aí permanecem, não interferindo na proteção magnética mantida pelos Amigos Espirituais.
Terminado o trabalho, rápida e silenciosamente todos colaboram para as providências usuais do restabelecimento da ordem (cadeiras no lugar - janelas fechadas - luzes apagadas - copinhos no lixo - mesa limpa - chão sem papeis enfim, tudo preparado como se imediatamente outra atividade fosse começar). Há entre os companheiros felicidade, alegria por mais uma oportunidade no Bem, no grupo que se estima, na atmosfera reconfortante em que se envolvem, entretanto, as vozes são discretas, pela consciência que se tem, de que várias e desconhecidas providências ali continuam se desenvolvendo. Ao sair, sem a formação de grupinhos na porta do Centro, retorna-se rapidamente ao lar. O trabalho, na parte espiritual prossegue e se estivermos interessados, nos dispusermos, durante o sono físico, o Espírito emancipado pode juntar-se à equipe espiritual para continuação dos trabalhos ou preparo de futuras tarefas.
No novo dia que surge, no tempo que intermedia até o próximo trabalho, vive-se nesse clima de tranqüilo cuidado.
Inúmeros Espíritos em tratamento ou em processos pessoais investigativos contam que acompanham os participantes dos trabalhos mediúnicos para testar, verificar a boa vontade, a sinceridade daqueles que o atenderam, que com ele conversaram, se praticam o que dizem. É possível que outros enfurecidos, pelo que classificam como intromissão procurem envolver, caso sejam oferecidas brechas causadas pelos impulsos da cólera, maledicência, impaciências, etc., etc.
Atenção para perceber quando algum desses sinais cruzem o mundo mental desestabilizando-o. É momento de parar, pensar, orar, mudar o padrão, a onda, a ligação. Certamente no próximo encontro cobrarão providências percebidas ou não, situação essa talvez mais significativa para eles próprios que confiando, sentem-se atraídos para o espírito de renovação e luta sentidos naquele que um dia se dispôs oferecer-lhe atenção.
Tal consciência não visa tornar o trabalhador da sessão mediúnica em alienado do contexto da vida, ser a parte em incômodas manias ou o desagradável "perfeito" incapaz de errar. Não, significa estar alerta para recompor tão logo se permita, entre ou se perceba em faixas de desequilíbrio
"Todos podem transmitir recados espirituais, doutrinar irmãos e investigar a fenomenologia, mas sejamos fiéis servidores do bem, trazendo o cérebro repleto de inspiração superior e o coração inflamado na fé viva".

Bibliografia

  • Emmanuel, Vinha de Luz - lição 24

(Jornal Verdade e Luz Nº 170 de Março de 2000)

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Reciclagem Mediúnica Leda Marques Bighetti VI - O trabalho mediúnico I

1 - Conversa com o desencarnado
Por caracterizar-se como ponto alto, razão de ser de cada sessão mediúnica, é de importância recordar que os Amigos Espirituais, de inúmeras formas, tentaram auxiliar, sem conseguir alterar o mundo mental, fazer-se visível ou ouvido, por companheiros centrados, fechados na dor e no desespero. Será através do contacto com fluidos materiais, próprios ao médium, que experimentarão sensações. Como se tivessem novamente um corpo físico, "acordam", oferecendo pelo choque, alguma abertura que, por menor que seja, possibilitarão a que outras providências prossigam, depois nos tratamentos que se fizerem necessários.
Assim os Espíritos trazidos chegam com dores, problemas dos mais variados: fome, frio, ódios, doentes em fase terminal, nas situações de agonia; desconhecem outros que desencarnaram, não encontram familiares ou sentem-se abandonados por estes, suicidas, homicidas, enfim, todo um complexo de aflições, onde simplesmente convidar a orar ou fazer pregação doutrinária, além de ineficaz, distancia, revolta e afasta. Essa forma ainda resulta como improdutiva e cansativa. Lida-se com individualidades onde as repercussões das dores são específicas, personalizadas. de um modo geral o Espírito começa dominar a organização somática e psíquica do médium entra o atendente: — Jesus seja louvado! Venha na paz do Senhor, mas venha calmo, com disciplina! Você não precisa tremer. Você não sente frio! Não sente fome... isto está na sua cabeça. Seu corpo já morreu! Você é um Espírito! Concentre-se e mentalmente acompanhe minha prece ao Senhor da Vida... e vai por ai...
Esse modo de atender não corrige, não é fraterno, não conduz a paz, tranqüilidade, segurança, reconforto, esperança, solidariedade, respeito, compreensão, detalhes imprescindíveis em momentos tão difíceis.
Daí a necessidade de ouvir antes de começar a conversar. Ligar-se atentamente ao que está sendo dito; procurar "ler" nos gestos, trejeitos, tom de voz; unir-se aos amigos Espirituais com toda atenção centralizada para sentir onde o Espírito está detido, em que ponto e sob que dor parou. Quando acontecer o momento propício, ir conversando em cima das colocações feitas pelo Espírito. Tratar essa realidade com afeto, bom ânimo, com respeito ao seu livre-arbítrio. Sem esses cuidados básicos corre-se o risco de impor, sugestionar, condicionando-o a aceitar cominhos indicados que aumentar-lhe-ão o conflito, leva-lo-á a decepções maiores ou a enganar, dizendo-se bem, que aceita, concorda, apenas para ver-se livre da avalanche verbal com que se vê bombardeado.
Ao ouvir, ter presente alguns itens necessários e de direito à qualquer um:
  • respeito pelas idéias aventadas, não teimando, impondo, criticando, ameaçando ou insistindo para que largue tudo, abra mão do que pensa e mude como num passe de mágica.
  • atenção - aplicação cuidadosa da educação; delicadeza, cortesia, na firmeza serena de quem confia.
  • compreensão, entendimento, capacidade de perceber o conflito. Imaginar-se na situação do outro, entendendo sem críticas o porque daquelas atitudes.
  • afeição - sentir realmente amizade, desejo de ajudar, de que aquele Espírito sinta que não está sozinho, de que há possibilidade de mudar, entender, buscar soluções que esclareçam e apaziguem esse mundo íntimo em chamas.
O clima estabelecido abre espaço para o diálogo, mesmo em campos opostos do pensar. O Espírito fala das suas decepções, desejos. Sai da retaguarda ostensiva, prevenido porque sentiu que não vai ser julgado, preso ou forçado a tomar atitudes, que no momento, não quer.
Para isso, não aconselhá-lo a agir desta ou daquela forma, mas levá-lo a pensar, por exemplo - dentro dessa situação vivida pelo senhor(a) por que se decidiu por tal atitude? o que sentia no momento? o que lhe trouxe de bom? e de ruim? será que o senhor(a) conhece todos os detalhes do fato acontecido? etc., etc., etc. Podemos, nessa conversa amiga, inverter os papeis, perguntando-lhe o que seria mais lógico em termos de providências, levá-lo a achar respostas, a refletir sobre opções. Outras vezes, faz-se raciocínios paralelos com desfecho melhor para todos, avaliando com ele as providências tomadas, os resultados alcançados. Enfim, se tivermos nos preparado, ligados aos dirigentes do trabalho, idéias surgirão, com tal riqueza e certeza, que mais tarde nos surpreendemos na condução dada ao caso, justamente porque encadeou-se na mente tal lógica, que sabemos, sozinhos, não teríamos condição para tal.
Não perder de vista que o diálogo estabelecido leva o ideal de despertar para uma atitude, levando-o a formar sua própria opinião, decidir no caso de sua vontade. Ainda, nada acontece de repente - ele precisa de tempo para absorver, trabalhar todo um bloco de sentimento ou raciocínios, novos para ele. Até que se decida, muitos altos e baixos acontecerão. Portanto, não ter pressa, não exigir ou ficar aflito por resultados, pedir a palavra ao Espírito de que fará isto ou aquilo, no compromisso de que dali para a frente estará totalmente mudado, etc., etc.
Tal como o semeador da parábola de Jesus, a bênção do trabalho oferece ao trabalhador oportunidade para que semeie a melhor semente, não dando porém, direito à colheita, e, a ver ou exigir resultados. É um trabalho sobretudo, de amor, de doação onde o importante é esse oferecimento do melhor. Em "Espiritismo e Exercício Mediúnico", o Espírito Marina Fidelis dita página altamente oportuna. Diz ela: "O médium de um modo geral e o esclarecedor em especial devem ter:
  • (...) consciência crítica da alta responsabilidade de orientar o próximo sem tirar-lhe a liberdade,
  • de educar sem constranger
  • de falar de amor exemplificando
  • de ajudar e agenciar a caridade sem humilhar
  • de ensinar com responsabilidade
  • de aconselhar sem anular o livre-arbítrio
  • de ser útil sem se sentir indispensável
  • de participar dos padrões materiais sem descurar dos princípios espirituais
  • de ser humilde sem servilismo
  • de acreditar sem imaginar que é dono da verdade
  • de crer em Deus, no Evangelho do Cristo e na Doutrina dos Espíritos sem perder o raciocínio crítico."
2 - No trabalho mediúnico de socorro aos desencarnados: psicofonia ou psicografia?
objetivo destes trabalhos, quer seja de pronto-socorro ou desobsessão, é o socorro, a ajuda que chegará através dos encaminhamentos ou ponderações havidas das conclusões, pensamentos que suscitem no Espírito do aceitar, desejar ou não mudanças, como direito que lhe cabe como entidade livre e responsável.
Nestes casos, a mediunidade que melhor se presta a essas finalidades, é a psicofonia. O diálogo estabelecido no clima e nas condições estudadas constitui-se na essência da tarefa. Dificilmente essa palavra direta, viva, envolvente, contagiante, pelo teor vibratório do qual está impregnada, poderá ser substituída sem perda considerável para a eficácia do processo. Mesmo quando são trazidos Espíritos que não conseguem se expressar (pelos motivos mais variados) a palavra tranqüilizadora, o ambiente balsâmico acalma-o. Ele sente, ouve o atendente tranqüilo falar da ajuda que já o envolve, do tratamento que está sendo ministrado, da confiança que pode ter onde ninguém irá maltratá-lo, que está entre pessoas que irão cuidar dele, etc., etc. Se em casos extremíssimos se usasse a psicografia o atendente falaria e o Espírito escreveria, responderia por escrito, experiência lenta, cansativa, fria, reforçando que neste tipo de trabalho nada substitui a palavra falada. É através dela sobremodo, que passamos e sentimos as reações que se processam onde o manifestante deixa perceber sua personalidade, seus cacoetes, seu estado de irritação ou serenidade, ironias, vacilações, sinceridade, emoções enfim.
3 - Relacionamento médium-doutrinador
Como vimos no estudo anterior os cuidados de inter-relacionamento do grupo na harmonia do ideal comum de amar e servir, é requisito comum a todos os componentes. O relacionamento entre médium e doutrinador não foge a isso. Pela natureza íntima, pela proximidade de ambos num trabalho coloquial diríamos assim, há que haver sintonia impecável, correta. Devem estimar-se, respeitar-se sem servilismo, fanatismo ou preferências, sem temores, prevenções ou reservas íntimas.
Faltando tal clima, o campo se instabiliza, provocando abalos, prevenções no Espírito comunicante, que usará do instrumental psíquico com as reservas que encontra no médium. Se as relações forem de restrição, desconfiança, hostilidade, a tarefa será dificultada, com limitações para todos.
No caso contrário, em clima de afeto e respeito, o ímpeto às vezes violento ou agressivo daquele que está sendo trazido, se atenua ou se vê contido pelo campo próprio, fraterno que, pelo simples fato de existir, abre espaço que lhe arrefece os impulsos.
Afora isso, o médium terá cuidado de falar em tom audível, não tão baixo que force o atendente aproximar-se muito pela dificuldade em ouvir. Manter-se distâncias convenientes indicadas pela boa educação.
Quanto ao doutrinador, caso o Espírito chegue violento, agressivo e o médium se exceda na exteriorização, cabe-lhe, educada e firmemente convidá-lo a que fale mais baixo, etc., etc., etc.
4 - Mal-estar antes do trabalho - é possível que tal se dê, que o médium ou demais participantes se envolvam em sintomas que leva ao deixar de ir ao trabalho. Atenção na análise dessas situações - quase sempre está havendo a projeção das vibrações de Espíritos coléricos, angustiados que alcançam o médium (às vezes invigilante) com suas vibrações depressivas. Outras vezes, a chegada de um amigo, o choro de uma criança, a chuva, o frio, o carinho de alguém provocando dó de sair, incidentes que visam afastar o trabalhador. Instantes após o início do trabalho no Centro, tudo se asserena - o amigo rapidamente vai embora, a criança se distrai, a chuva diminui porém, naquele dia/noite um obreiro a menos nos aprendizados do amor.
5 - Quando o Espírito diz que fará isto ou aquilo em relação a familiares, ao próprio médium - ou outras situações, não se envolver em temores infundados. Sofremos apenas naquilo que faz parte das nossas necessidade espirituais ou que provocamos e não em decorrência do trabalho de desobsessão.
A todos os trabalhadores lembrar que o trabalho se desdobra nos dois planos da vida, vinte e quatro horas e não apenas naquela hora e meia. Desde a noite anterior ao deitar, ligar-se mentalmente ao grupo, dispor-se a ser preparado pelos Amigos Espirituais, estudar, aprender, conhecer os casos. Acordar bem, trabalhar, fazer do dia com suas ocupações também um preparo, para oferecendo o melhor de si, produzir mais, auxiliar, doar-se para que o outro fique melhor.

Livros consultados:

  • Miranda, H. Correa - Diálogo com as Sombras
  • Fideles, Maria - Esp. - SBEE - Espiritismo e Exercício Mediúnico - Cap. XI - 61

(Jornal Verdade e Luz Nº 170 de Março de 2000)

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Reciclagem Mediúnica Leda Marques Bighetti V - Formação do Grupo de Trabalho

A formação de um grupo de trabalho, no caso, em mediunidade, deverá assim como os outros ter objetivos. Para que é a reunião?
  • oferecer condições à manifestação de Espíritos familiares que venham trazer mensagens mais ou menos íntimas, pessoais?
  • para observação e experimentação de natureza científica?
  • para atendimento de pronto-socorro?
  • para os chamados trabalhos de desobsessão?
  • para... etc., etc., etc..
Esse objetivo normalmente é decidido pelo grupo depois que os companheiros encarnados que vão compor a equipe já estão selecionados.
1 - Mas como se formará um grupo?
A seleção das pessoas ocorrerá sob a liderança que fará os convites e coordenará os esforços. Esse dirigente deverá dispor de certa dose de autoridade moral, sem que esta lhe confira poderes ditatoriais e arbitrários. No trabalho espírita todos são de igual importância. É imprescindível ser composto por pessoas que se harmonizem e estando interessadas num trabalho sério e contínuo não se desencoraje pelas dificuldades nem se deixe fascinar pelos pseudo-guias.
A cada bom grupo de encarnados dispostos à tarefa, corresponderá o equivalente dos desencarnados. Representará a soma de valores morais de seus componentes, e terá como ponto fraco as fraquezas que os caracteriza.
Não haverá formação de grupo quando os que se reúnem não se comunicam, não expressam seus pensamentos, não se expõem, não se conhecem, se hostilizam, onde há ciúme, prevenções entre as pessoas.
Até a discordância ideológica acentuada, acirrada (mesmo em outras áreas do pensamento) pode criar dificuldades. (Não quer dizer isto que todos devem pensar identicamente do mesmo modo, ou se transformar em indivíduos sem idéias próprias, despersonalizadas).
A franqueza, a discussão, a busca, o esclarecimento de pontos conflitados, a avaliação etc. são necessários ao crescimento do próprio grupo, desde que, não atinja os estágios da rudeza ou da imposição que fere e afasta.
Quando se aborda essa concordância ideológica, fala-se no sentido de que todos tem o mesmo ideal - os objetivos, os pensamentos são da mesma natureza (amar, servir) condição esta que deve prevalecer o tempo todo.
Um só participante que desafine poderá transformar-se em brecha por onde Espíritos em desajuste sutilmente saberão introduzir fatores de instabilidade, desarmonia, perturbação chegando até a eventual desintegração do grupo.
Esses cuidados, a manutenção de um clima harmônico servirá de base ao trabalho dos desencarnados que é de alta complexidade. A parte mais delicada, desde o cuidadoso planejamento das tarefas até sua realização no plano físico com todas as providências que isso requer, é ali que se realiza. A dignidade dos encarnados, o trabalho de cada um é decisivo para os desencarnados. Daí o grande cuidado na formação do grupo; é preferível recusar alguém que se tenha alguma dúvida séria do que mais tarde conviver com inadaptações ou afastamentos. Mesmo aqueles que são convidados, colocam claramente os porquês, os comos, a importância e necessidade do empenho pessoal e que realmente só assumam após estágio, por exemplo de três a quatro meses, tempo este suficiente para que os arroubos, os entusiasmos arrefeçam e a realidade se firme. Nessa abertura e honestidade e liberdade, os que ficarem, formam sim o grupo coeso, a equipe homogênea, confiável.
2 - Quantos componentes formarão o grupo?
difícil limitar, estabelecer números. Se, em tese, a um grupo pequeno seria mais fácil a homogeneização dos ideais, também as possibilidades seriam limitadas. É portanto relativo, havendo perfeitamente possibilidade de se ter um grupo grande e os integrantes unidos, sem personalismo, ciúme, melinderes.
O certo é que, conforme essa união vai acontecendo, a feição do trabalho vai mudando. Os desencarnados encontrando campo propício, trazem Espíritos com necessidades mais complexas e abrangentes.
3 - É necessário o estudo?
Sempre. Mesmo aqueles que já se julgam suficientemente informados e conhecedores da Doutrina Espírita, vale a pena como revisão ou atualização. Impossível um grupo onde todos conheçam tudo em profundidade. Será nessa troca que se descobrirão aspectos essenciais à tarefa e que muitas vezes passará desapercebido ao conhecimento próprio. Cuidado ainda, ou alerta ao grupo onde só dois ou três falam e os demais ficam calados - alguém está monopolizando, sufocando ou atemorizando alguém.
4 - Como fazer o estudo?
Na realidade o ideal seria que, no dia do trabalho mediúnico, após a preparação evangélica o trabalho se iniciasse. O estudo da mediunidade ficaria para outro encontro específico à este. Pela dificuldade da locomoção ou outros fatores usa-se dez ou quinze minutos para este estudo e após o texto evangélico a envolver o ambiente em clima consolador, iniciando-se após o intercâmbio. Poder-se-á fazer de outras formas? Claro, a forma será sempre adequada à realidade de cada grupo, cidade, região, etc.. O importante é que os médiuns estudem (que se dediquem ao estudo fora do trabalho em si) mas imprescindível é a preparação evangélica que envolvendo os corações na ternura consoladora do Evangelho de Jesus, toca também corações que descrêem, que nada mais esperam ou desejam. Como se desenrolaria o estudo? (mediunidade e evangélico). É importante que não se configure como leitura monótona - desde que tenha acontecido o estudo em casa, o enriquecimento se fará pela troca, pelas dúvidas, pela revisão que esclarecendo, promove a integração.
Nesse trabalho não só os encarnados se beneficiam (principalmente o Evangélico) mas também os desencarnados que ali estão e já vão sendo consolados com a esperança ou coragem que se desprende dos ensinamentos do Mestre.
Para a equipe, esse é um período muito útil: afinizam-se os membros, ajustam-se tendências, revelam-se potencialidades e até mesmo se exclui num processo de seleção natural, aqueles que não desejam se integrar num trabalho que exige participação, renúncia, dedicação, assiduidade, estudo e amor.
Os impacientes, os que não entenderam que necessitam se preparar, os que gostam de vir quando dá certo, quando podem ou não tem outra coisa para fazer, espontaneamente deixarão o grupo, prejudicando nesse afastar-se apenas a si próprios.
Talvez mais adiante, acordem e resolvam dedicar-se com mais segurança e firmeza. Tarefa como essa, não pode ser imposta, forçada. Tem que se apoiar no impulso interior, no desejo de servir, apagar-se dentro da equipe, de modo que os resultados sejam impessoais - coletivo, não creditáveis ao trabalho individual deste ou daquele.
O compromisso de um grupo mediúnico é de amor fraterno que necessita apoiar-se no perfeito entrosamento emocional de todos que se amam, respeitam, sentem gosto em trabalhar juntos.
Sem isso, como doar amor, como colocar o sentimento em ação a favor de tantas necessidades que ali serão trazidas. Sem dúvida o que garante a estabilidade do grupo mediúnico, são todos esses cuidados que refletirão o equilíbrio psíquico e emocional daqueles que o compõem.
5 - Detalhando, que cuidados seriam necessários ao dirigente do grupo?
a) O dirigente é aquele que no campo material coordena o trabalho. É o motivador que sem ser ditador deve dispor de certa autoridade moral disciplinando, harmonizando esforços, atento às necessidades que uma vez identificadas, prontamente necessitam ser trabalhadas. Necessário: conhecimento doutrinário, familiaridade com as propostas renovadoras de Jesus, autoridade moral - fé, certeza, amor, paciência, sensibilidade, tato, energia, vigilância, humildade, destemor, previdência, etc., etc., etc..
A direção terrena cabe aos encarnados e os desencarnados não interferem, desejam apenas que se assumam responsabilidades e que se mantenha clima de harmonização. O dirigente do trabalho será alguém que se mantém lúcido o tempo todo sem transe de espécie alguma.
b) Os médiuns - por não serem pessoas privilegiadas sujeitos tanto quanto qualquer um, à influenciações que podem se apresentar até de forma mais intensa pela facilidade de sintonia já estudada, espera-se, como dos demais componentes a vigilância, a renovação pessoal, usando a vida nesse trabalho contínuo consigo. A assiduidade funciona em caráter de compromisso. Para cada Espírito trazido são necessários fluidos semelhantes. Um Espírito pode ser novamente trazido. Não encontrando os fluidos que lhe são afins porque o médium para tal providência faltou fará com que os amigos espirituais alterem programação, improvisem recursos ou mesmo adiem providências que esperavam cumprir naquela oportunidade. O mesmo pode acontecer com a programação da noite que por eles montada sendo o qualificação das energias que contam dispor. Faltar portanto, só em condições justificáveis, de preferência avisando antes, assim como os períodos de viagem ou férias onde se justifica o afastamento e o tempo do retorno. antes mesmo de parecer excesso de rigorismo, é significação de entendimento, responsabilidade, educação.
c) Doutrinador no seu significado próprio - pessoa que ensina, instrui, orienta, conversa conforme o pensamento doutrinário, no caso a Doutrina Espírita. É o que atende, dialoga com os desencarnados. Lembrar que os Espíritos trazidos não estão em condições de receber aulas doutrinárias. Não estão dispostos a ouvir pregações nem aprender como estudante paciente. Sabe ou não que é Espírito, tem problema da mais variada característica, portanto, não se trata aí de um confronto de inteligências, mas do atendimento à esse problema apresentado, onde o sentimento precisa ser atingido, no zelo, no cuidado, na palavra fraterna firme, na providência enfim, que a situação requeira. O conhecimento doutrinário torna-se para esse atendente em importante base de sustentação que lhe propicia certeza de que a Doutrina Espírita dispõe de todos os informes que necessita para cuidar das manifestações que chegam precisando de quem os socorra, ouça com paciência, tolerância, respeito, informando o que precisa, intercalando ora aqui, ora ali uma reflexão evangélica se houver possibilidade. Moral do doutrinador - imprescindível, não no sentido de se apresentar como alguém que não erra, não se engana, mas como alguém em luta, que tem como legítima, a intenção do bem, que se esforça. Essa busca dá, por melhorias pessoais dignidade e valor ao homem. Os Espíritos respeitarão tal combate que procura na renovação preparar-se mais para ajudar melhor. Necessidade ainda de que o atendente não monopolize o médium; acabada a entrevista, dá lugar para que outro também trabalhe oferecendo mais ostensivamente sua preparação de amor.
6) Pode haver no grupo companheiros que não ofereçam condições mediúnicas e nem de doutrinadores/atendentes?
Pode; desde que contribuam para o clima de segurança e harmonia, mantendo-se em atitude dinâmica, construtiva, dispostos à cooperação. Esses companheiros em atitude de prece onde meditem sobre a passagem evangélica estudada, ou por exemplo, sobre um ensinamento de Jesus, uma atitude, uma parábola, formam quadros que são usados em tratamento de Espíritos que às vezes nem conseguem ainda ouvir a voz humana. Tal atitude é bem diversa, daquele que dorme ou se imiscui mentalmente nas comunicações que estão acontecendo e nesse caso cria clima de conflito, divergente às vezes da orientação que está se desenvolvendo.
Detalhes, situações aparentemente insignificantes mas que no conjunto, somam-se, personalizando um grupo que moralmente se renova para o bem infinito. Serve elevando-se, aprende a conquistar novos horizontes, aprende que amar é engrandecer-se. "Trabalhando e servindo, aprendendo e amando, a nossa vida íntima se ilumina e se aperfeiçoa, entrando gradativamente em contacto com os grandes gênios da imortalidade gloriosa."

Bibliografia:

  • Miranda, H. C. - Diálogo com as sombras
  • Miranda, H. C. - Alquimia da Mente
  • Emmanuel - Roteiro

(Jornal Verdade e Luz Nº 170 de Março de 2000)

domingo, 3 de janeiro de 2016

Reciclagem Mediúnica Leda Marques Bighetti IV - Utilidade de um trabalho - sessão mediúnica

Comuns comentários sobre a validade/utilidade das sessões mediúnicas. Alguns as colocam em evidência, chegando a ponto de priorizá-las na casa espírita em detrimento ao estudo e ao objetivo do Espiritismo - a renovação moral do homem.
Esquecem-se de que poderia inexistir sessão mediúnica e ainda assim o Espiritismo permaneceria, se manteria e realizaria no mundo a sua função renovadora. A sessão mediúnica no socorro aos desencarnados é justamente uma decorrência do entendimento do Espiritismo. Quanto mais penetre o homem na proposta básica no pensamento doutrinário, no convite do Cristo, mais e mais desperta para doar-se em auxílio ao outro, quer sejam os Espíritos, encarnados ou desencarnados, através da assistência fraterna material ou do socorro espiritual nas sessões e desempenhos mediúnicos.
Outros mesmo entendendo tais colocações, em decididos posicionamentos, afirmam descrer da utilidade dos trabalhos dessa natureza, refletindo que frente a tão grande massa de desencarnados necessitados, a proporção dos trabalhos, praticamente nada representa levando-se ainda em conta que grande parte não aceita o auxílio oferecido e se retira desgostoso e ainda violento.
Há ainda os que acreditam na ação dos tratamentos, na eficácia da sessão. Comparecem, se dispõem ao trabalho, oferecem a própria realidade, cumprem um dever, do qual friamente se afastam para nos mesmos posicionamentos, nas mesmas reflexões e conselhos, mecanicamente, retomar o próximo compromisso. Não identificam nos Espíritos trazidos individualidades, cada qual com seu psiquismo, necessidades próprias, diferentes. Portam-se como se a sessão fosse composta por massa despersonalizada onde as mesmas palavras servem sempre para todos e o que é pior desguarnecidas do sentimento, que mais que as palavras, tocam, envolvem, contagiam.
Reflete Emmanuel que a exemplo de Jesus, o trabalho em favor do próximo encarnado ou desencarnado há que sobretudo ser ação e movimento, devotamento de dia e pela noite a dentro. Não descansa, não se fadiga, exemplifica imparcialidade e tolerância espalha sem cessar bênçãos do amor infinito; coloca a ciência do bem ao alcance de todos; defende os interesses dos fracos e dos humildes, serve a todos sem reclamação e sem recompensa. Nesse apostolado do amor, colhe o companheiro, pelo aprendizado que tira das experiências que vive, matéria com as quais amplia os próprios horizontes na compreensão da existência, no aproveitamento da existência, no enriquecimento da Vida.
Desse modo, no trabalho mediúnico, a utilidade inexiste unilateralmente, nesse caso, só para os desencarnados. A troca de experiências é intensa, profunda e chega a tal ponto que, o encarnado, que num primeiro momento, ali comparece para servir é o grande beneficiado, uma vez que, nas tramas, nos enredos, nos dramas que lhe são apresentados pode depreender a:
  • transitoriedade do mal
  • a amarga decepção do suicida
  • a crueza do arrependimento daquele que desperdiça o tempo ou na busca das ilusões humanas ou mesmo quando já desperto para o trabalho não se preparou o se renovou com ele.
  • a inutilidade das posições humanas buscadas ou vistas como um fim em si mesmas.
  • o preço da vaidade, do orgulho, do egoísmo.
  • o estado dos que odeiam arquitetando revides, vinganças.
  • a tensa expectativa do retorno à vida física, e tantos, tantas outras situações, trazendo lições terríveis, ministradas com gritos de desespero daqueles que na irreflexão dos próprios atos assumiram débitos enormes diante da Lei ou lições de tranqüilidade e serena humildade dos que já superaram as próprias fraquezas e que sem ostentações, mostram como estão ou como fica o Espírito que venceu a si mesmo na árdua e longa luta contra as próprias deficiências.
Cada entendimento, cada caso, situação, drama, acontecimento representam muitas, variadas lições, aprendizados profundos para tantos quantos estejam despertos para fazer uso dessas experiências e com elas renovar, mudar, transformar, reconstruir o próprio existir.
Sobretudo nesse encadear, desenvolve a compreensão que é obra de "(...) tempo, colaboração e harmonia" onde entender que não conquista a confiança dos Irmãos maiores e dos necessitados exibindo cultura ou impondo princípios, mas sim, orando, servindo, trabalhando e amando. Aprende a colocar-se no lugar do outro, reparando cuidados que exigiria, se as posições fossem inversas. Acalma-se, cuida da afetividade não obrigando a que surjam flores prematuras, não esperando frutos antecipados.

Afirmando-se que há benefícios para ambos - encarnados e desencarnados - quais seriam os destes?

Recorde-se que, apesar da eficiência dos métodos usados no espaço, existem aqueles companheiros que não conseguem reconhecer a própria situação: permanecem atordoados, semiconscientes, inconscientes, imersos em lamentável estado de inércia mental, confusos, julgam-se em sonho interminável ou em processos de loucura, incapacitados para qualquer aquisição facultativa, possibilitadora de progresso.
Nesse plano da vida não conseguem compreender a palavra harmoniosa dos mentores espirituais, tampouco vê-los, muito embora eles se materializem e ao ambiente, ao máximo que lhes seja possível.
Necessitam então, de como que, um choque, que se dá com a ligação estabelecida perispírito a perispírito. A revivescência com as vibrações animalizadas que estavam habituados quando encarnados, propicia nesse choque alguma abertura, que faculta-lhes ouvir, entender, através da ação e da palavra humana.
Mesmo aqueles que têm consciência do que se passa, sabem que já desencarnaram, compreendem o que fazem, justificam porque agem de determinada forma, são trazidos, uma vez que a força dos fluidos magnéticos esparzidos no recinto é tão intensa que funciona neles como medicação altamente revigorante, contrapondo-se às vibrações nocivas, inquietantes e desarmoniosas nas quais permanecem envolvidos dificultando tratamentos. Servem também como material necessário à criação de quadros visuais demonstrativos que são plasmados, mostrados ao Espírito durante ou conforme o diálogo que está acontecendo. Figuras, vultos, seqüências, lembranças, sensações, sentimentos se agitam e vê ao campo mental, à cada frase proferida. A vibração dos pensamentos do atendente repercute em ondas sonoras que balsamizam, acalmam, suscitam, despertam, acenam, deixa antever uma dúvida, uma possibilidade, uma esperança. A palavra está sendo trabalhada, modelada, retida por especialistas devotados; corporifica-se, torna-se realidade em cena viva, onde o passado, o caso, a dor, o drama, a atitude, se faz presente acordando ou acendendo emoções, reflexões, deixando perceber situações até então desapercebidas mas que estando relegadas nas profundezas anímicas, vem à tona, à superfície, à lembrança, ao mundo consciente desses Espíritos atribulados e tristes. Repercute em intensidades desconhecidas à nossa sensibilidade, no mais íntimo desses seres, acima de tudo, sequiosos de consolo. E, em todos os lances, em todas as situações e quadros, destaca-se Jesus, socorrendo, balsamizando, confortando, estendendo as mãos, convidando a um abraço de paz, no refúgio tranqüilo de um coração que aguarda.
Essa mescla de situações é lhe tão real, que sem mesmo se aperceber a partir de que momento ou como, passam a sentir ou desejar esperança, possibilidade, chance, oportunidade, desejo talvez até de mudar chegando ao entendimento de que o mal existe apenas neles mesmos; que são imortais, que continuarão vivendo, existindo, existindo e vivendo para todo o sempre e que apesar dos problemas, todos marchamos para a luz, para o crescimento, para o bem.
Prof. Herculano Pires, descreve essa fusão entre médium e Espírito, propiciadora de tão belos efeitos em significativa e clara beleza "(...) O ato mediúnico é o momento em que o Espírito comunicante e o médium se fundem na unidade psico-afetiva da comunicação. O Espírito aproxima-se do médium e o envolve nas suas vibrações espirituais. Essas vibrações irradiam-se de seu corpo espiritual atingindo o corpo espiritual do médium. A esse toque vibratório, semelhante ao de um brando choque elétrico, reage o perispírito do médium. Realiza-se a fusão fluídica. Há uma simultânea alteração no psiquismo de ambos. Cada um assimila um pouco do outro. Uma percepção visual desse momento comove o vidente que tem a ventura de captá-la. As irradiações perispirituais projetam sobre o rosto do médium a máscara transparente do Espírito. Compreende-se então o sentido profundo da palavra "intercâmbio". Ali estão, fundidos e ao mesmo tempo distintos, o semblante radioso do Espírito e o semblante humano do médium, iluminado pelo suave clarão da realidade espiritual. Essa superposição de planos, dá aos videntes a impressão de que o Espírito comunicante se incorpora no médium. Daí a errônea denominação de incorporação para as manifestações orais. O que se dá não é uma incorporação, mas uma interpenetração psíquica, como a luz atravessando uma vidraça. Ligados os centros vitais de ambos, o Espírito se manifesta emocionado, reintegrando-se nas sensações da vida terrena, sem sentir o peso da carne. O médium, por sua vez, experimenta a leveza do Espírito, sem perder a consciência de sua natureza carnal, e fala ao sopro do Espírito, como um intérprete que não se dá ao trabalho da tradução".
Benefícios portanto para todos, encarnados e desencarnados, Teócrito em "Memórias de um suicida" comenta "(...) Em que setor humano, depararia o homem glorificado, mais honrosa para lhe condecorar a alma, do que essa de ser levado à meritória categoria de colaborador das Esferas Celestes, enquanto os embaixadores da luz lhes desvendam os mistérios do túmulo ofertando-lhes sacrossantos ensinamentos de uma moral redentora, de uma ciência divina, no intuito generoso de reeducá-los para o definitivo ingresso no redil do Divino Pastor?! (...)"

Livros consultados:

  • Miranda, H. Corrêa - Diálogo com as sombras
  • Emmanuel - Roteiro - lição 17
  • Emmanuel - Vinha de Luz - lição 121
  • Pires, J. Herculano - Mediunidade
  • Pereira, Yvonne A. - Memórias de um suicida - cap. VII
(Jornal Verdade e Luz Nº 170 de Março de 2000)

sábado, 2 de janeiro de 2016

Reciclagem Mediúnica Leda Marques Bighetti III - A prática mediúnica

1 - Porque não improvisar:
A - O mundo espiritual - característica
O mundo espiritual é povoado por seres que quando encarnados exteriorizaram-se através de corpos masculinos ou femininos, homens, mulheres nos diferentes estágios evolutivos. A vida além da morte, em nada lhes alterou a posição moral. Continuam tal qual eram, circunscritos ou abertos à onda de pensamentos que lhes é própria, ligados às suas criações e interesses. O homem deseducado, prossegue em seus hábitos menos sutis; o vicioso continua a exigir satisfação dos apetites; a mente desvairada estaciona em desequilíbrios enquanto a alma de boa vontade descobre mil recursos para adiantar-se, ocupando-se em trabalhos, auxiliando, amparando, descobrindo no bem estar do outro a própria felicidade.
Ali como aqui, encontram-se Espíritos nobres, dotados de perfil moral refinado, como também massa imensa, daqueles que se posicionam da média para baixo, atingindo extremos do aviltamento moral, da revolta, da angústia, rancor, vingança, ódios que os mantém, em estados de perturbação e dor apresentadas em inquietantes patologias.
B - Por que refletir sobre isso?
Exatamente para recordar que todo intercâmbio entre desencarnados e encarnados repousa na mente. Pensamentos são forças, criações visíveis e tangíveis no campo espiritual. Com eles atraímos, mantemos ou realimentamos atuação de companhias e recursos conforme a natureza de novas idéias, desejos, sonhos e aspirações. Por representar, ser, energia viva, continuamente, criamos centros magnéticos ou ondas que nos mantém em comunicação com entidades ou núcleos de pensamento sintonizados na mesma freqüência, na mesma faixa vibratória.
A base do fenômeno mediúnico é exatamente essa sintonia, essa ligação mente a mente gerada a partir do pensamento. "Mentes enfermiças ou perturbadas assinalam correntes desordenadas de desequilíbrios, enquanto que a boa vontade e a boa intenção acumulam os valores do bem".
Desse modo, cada criatura recebe de acordo com o que emite, busca, permite, vivendo no clima espiritual que elege.
Pouco desperto para a mecânica desta realidade, por permanecer ainda em estágios inferiores da evolução, afina-se, sintoniza o homem com maior facilidade, junto àqueles que permanecem em desequilíbrios de maior ou menor gravidade.
Assim, entregar-se à prática mediúnica na improvisação, sem conhecimento e preparo é expor-se a riscos imprevisíveis para o equilíbrio emocional e orgânico, Pode significar comprometimento moral, pelo teor dos encaminhamentos que possa fazer, além de demonstrar alto desrespeito ao atendido, pelo fato de atirar-se a tão delicado trabalho sem conhecimento das leis que regem o intercâmbio, o compromisso, o trabalho, a responsabilidade para com o outro.
No trato com os desencarnados há todo um mundo a ser explorado. Situações das mais complexas clamam por ajuda, compreensão, caridade. Os desvios de orientação cometidos pelo atendente, prejudicam sempre a mais alguém, uma vez que o drama apresentado nunca é apenas de um só. Espíritos com problemas semelhantes estão ali, trazidos para participar do clima, das reflexões. Vem, por exemplo, um Espírito que odeia: se quem o atende insistir nas atitudes de prece, necessidade do perdão, bondade de Deus, urgência do esquecimento, etc., etc. certamente irritará ainda mais, levando a inconformação e desespero maior. Através do saber ouvir, da conversa serena, do gesto compreensivo, do sentimento em atendimento franco, a confiança que se estabelece, repercutirá nele (necessariamente não agora) como lembrança de um respeito ou tratamento que desconhece ou deseja.
Recorde-se que este Espírito está acostumado ou espera ser recriminado, acusado, combatido, incentivado a, sob qualquer aspecto deixar de odiar. Deve amar a Deus. Deus que para ele é sobremodo injusto: "protege" seu agressor e o impede de exercer justiça. O diálogo acontecendo informal, a troca de idéias, o teor de respeito e terna firmeza das reflexões, sem pregação, cobrança ou lição de moral, despertá-lo-á para futura análise. Não só servirá a esse Espírito atormentado mas também àqueles que lhes sofre as investidas provocadas pelas antigas mágoas. Aos que desejam vingar-se, no mesmo cuidado, sem pretensão de demover ninguém de nada, reflitamos com carinho sobre a criação das novas situações que estão sendo alimentadas comprometendo-lhes o futuro.
Aos que se prendem em teologias, sem querer provar o engano da fé, respeitando-lhes o pensamento ajude-se a que visualizem a realidade em que vivem. A todos que se mantém decepcionados pelos enganos cometidos, consolação com a certeza da própria recuperação.
Tais cuidados, tal sensibilidade e sentimento em ação, exige um mínimo de preparação apoiado no conhecimento.
C - Meios para envolver-se na ajuda dos amigos espirituais - o dia do trabalhador
Ninguém está inteiramente à mercê de Espíritos perturbadores. Velam companheiros de elevada categoria, dispostos a ajudar no exercício do bem. Não convém esquecer, porém, que eles não podem fazer pelo homem tarefas e providências que só a ele compete. Muito menos interferem no livre arbítrio, forçando ou impondo o que sabem ou pensam.
A proteção, a ajuda carinhosa desses amigos jamais será conseguida a guisa de oferendas, ritos mágicos ou qualquer prática externa, mas sim, através do procedimento reto no qual cada um procura desenvolver em si esforços moralizadores, aprendizado constante e dedicação desinteressada ao semelhante. Todos detemos um mínimo, quer material ou espiritualmente falando, que podemos doar. Será com essas atitudes individuais de trabalhos no bem, de interesse pelo outro, da mente atenta ao trabalho da renovação moral, que asseguraremos a ajuda e assistência dos irmãos mais experimentados. Essa ajuda jamais será entendida no sentido de nos livrar de dores, responder a compromissos ou atender exigências e súplicas pessoais. Será no sentido de que possamos oferecer condições para perceber-lhes a presença amiga a inspiração oportuna, a ajuda real, naquilo que realmente for proveitoso ao Espírito e não o que julgamos que o seja, segundo apreciação do momento.
Assim, o dia do trabalhador da sessão mediúnica, há de ser um dia em que se fará tudo quanto se faz nos outros, com a diferença que as variadas atividades serão desempenhadas com muito boa vontade, alerta para manter-se alegre, fraterno, em ligação natural com os Amigos responsáveis pelas atividades de logo mais. Renúncias pequeninas, moderações, maior cuidado no falar, equilíbrio no sentir, recolhimento íntimo, detalhes sem conta, dos quais, aos poucos vai se habituando, vivendo no cuidado pessoal, o compromisso que aguarda, no prazer de preparar-se.
Como as sessões geralmente são a noite, está implícito abrir mão do convívio familiar, passeios, cinema, visitas, novelas, etc., aspectos que num primeiro momento podem significar sacrifícios. Entendendo porém a grandiosidade da oportunidade que chega como convite ao exercício da fraternidade, esses "sacrifícios" desaparecem frente aos relacionamentos que se estabelecem e desenvolvem. Frise-se que, os Amigos Espirituais não exigem ou esperam perfeição, mas apenas o cuidado constante, quietinho, escondido, pessoal daquele que luta para vencer-se.
Dispondo do conhecimento espírita somos convidados a esse "(...) ministério exuberante da prática do bem, na ação da "mediunidade-amor", nesses dias que todos aguardamos para própria iluminação".
A mediunidade quando posta a serviço de Jesus nas tarefas da fraternidade a que se propõe é capaz de "(...) aproximar corações em nome do amor, detectar e tratar os problemas da alma para que o corpo não padeça e é apto ainda para desmanchar no imo dos seres os terrores do mal, as nódoas das frustrações ou das amarguras (...)".
Emílio Manso Vieira continua em "Ante o vigor do Espiritismo" estudo IX refletindo que (...) Os tempos futuros nos esperam. Esperam-nos em condições de nos fazerem médiuns da atenção, da amizade, da ternura, da honestidade, da fidelidade ao Cristo, aproveitando o tempo do qual cada um é administrador no mundo.
O tempo do hoje conclama-nos, moços ou não, segundo a faixa etária, para o exercício da rútila mediunidade responsável.
Quem não psicografe, escreva cartas e bilhetes de consolo aos irmãos do caminho de lutas.
Quem não "psicofonize", fale o bem e o bom onde se encontre, elucidando e confortando os corações em torno.
Quem não tem o dom da vidência, aprenda a ver a sua volta os sofredores que se agitam e se atormentam em todo lugar.
Quem não é capaz de realizar a ectoplasmia mediúnica, materialize assistência libertadora, movimente recursos de equilíbrio e saúde moral, para que tudo se faça bênção em redor dos seus dias.
É com essa prática mediúnica, desinteressada, autêntica e fulgente, ao lado da atuação psíquica engrandecida e fiel às leis de Deus, que o Cristo conta para que o novo milênio possa estar reforçado por homens e mulheres dispostos à entrega de si mesmos para a construção do mundo melhor que todos anelamos".

Livros consultados:

  • Miranda, H. Corrêa - Diálogo com as sombras - Introdução
  • Emmanuel - Roteiro - cap. 28
  • Teixeira, J. Raul - Ante o Vigor do Espiritismo - estudo IX

(Jornal Verdade e Luz Nº 170 de Março de 2000)

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Reciclagem Mediúnica Leda Marques Bighetti II - Mediunato

1 - Dando seqüência ao estudo das duas grandes áreas de função, duas formas ou modo natural de uso, serventia, utilidade da faculdade, segue-se o mediunato. Corresponde este a compromisso, onde o Espírito está investido, dispõe espiritualmente (por necessidades próprias) de sensibilidade maior para finalidade específica na encarnação. Normalmente, não eclode e se exerce discreta, sutilmente como na mediunidade generalizada, podendo apresentar-se agitada, não raro culminando em situações obsessivas. Conhecida como "mediunidade de serviço", destina-se ao socorro do próximo.
No compromisso aludido, o médium, ainda na vida espiritual, antes do reencarne, quando de seu planejamento, em plena consciência, pede, aceite, assume essa forma de atividade para (entre outras) recompor-se moralmente.
O perispírito é preparado, uma vez que a sensibilidade mediúnica com suas inúmeras nuanças, estaria na dependência do modo pelo qual o perispírito acopla-se à zona física. Na preparação para o mediunato aceito, o perispírito tem, trás ou é lhe inerente (por esse preparo) facilidade maior de expansão onde o campo perceptivo se amplia, alarga, rompe barreiras normais e o médium começa a participar de sensações e percepções que transcendem aos conhecidos cinco sentidos, possibilitando captar dimensões clima, situações onde as Entidades Espirituais atuam.
Cada caso apresentar-se-á de modo apropriado, diferenciando face às características psicológicas que identificam os seres. Há por assim dizer, uma "especialização", decorrente da predisposição orgânica e da própria personalidade.
Em todo processo de intercâmbio, consoante as leis do magnetismo, torna-se indispensável combinação vibratória entre médium e Espírito para que se configure ou não o fenômeno da sintonia. Alguns médiuns, decorrentes de disposições próprias são mais maleáveis, mais seletivos, ecléticos em termos de combinação e afinidade fluídico-espirituais. Em síntese, cada servidor se revestirá de características próprias onde o "(...) conteúdo sofrerá sempre influências da forma e da condição do recipiente".
É ponto passivo que quanto mais forem observados fatores éticos, mais e mais se aprimora a faculdade. Com o tempo, nesse exercício constante de auto-superação, acontecerão condições cada vez mais positivas para marcha evolutiva na libertação do ser.
O Centro Espírita que trabalhe nesse entendimento oferece segurança ao médium, desperta-o para que através do conhecimento, selecione as fontes emissoras e receptivas de seu mundo íntimo de processo complexo e intenso.
Mediunidade a serviço da renovação e crescimento "(...) reclama estudo constante, devotamento ao bem para o indispensável enriquecimento na ciência e virtude.
A ignorância poderá produzir indiscutíveis e formidáveis fenômenos, mas só a noção de responsabilidade, a consagração sistemática ao progresso de todos, a bondade, o conhecimento conseguem materializar na Terra os momentos definitivos da felicidade humana."
Desse modo, auxiliar indiscriminadamente no contínuo doar-se para servir em aplicação durante toda vida do médium que não desfruta só do mediunato mas dispõe também da mediunidade generalizada ou natural, comum a todos.
Dá para perceber que o campo mental desse médium é diferente dos demais. Pela sensibilidade aflorada (quando desconhecedor e sem saber lidar com o processo) continuamente sua mente se vê assediada por ondas mentais carentes de auxílio, atenção, esclarecimentos. No rejeitar, não querer, protelar, não saber, envolve-se em perturbações, influenciações intensas que podem culminar em idéias fixas, desequilíbrios dos mais variados sintomas. Surgem estes naturalmente, uma vez que a potencialidade psíquica permanece "aberta", pronta para o intercâmbio, sem disciplina, controle ou educação.
Não obstante o determinismo implícito, o livre-arbítrio continua pleno. Assim como pediu, escolheu, aceitou o trabalho, ao retornar à vida física, no pleno respeito à sua vontade, poderá fazer frente ou se afastar, arcando naturalmente com as conseqüências decorrentes.
2 - O mediunato decorre sempre de comprometimentos morais do médium?
Nem sempre. Pode ser pedido ou aceito para casos de desinteressada assistência ao próximo e ajuda à Humanidade. As meninas Baudin - Julie e Caroline - por exemplo, no exercício admirável da faculdade psíquica sustentaram o êxito do trabalho de Allan Kardec.
3 - Em qualquer dos casos, é o médium alguém privilegiado merecedor de posições de relêvo no Centro Espírita ou entre os espíritas?
Em qualquer dos casos, é o médium um trabalhador igual aos demais não se justificando endeusamento, privilégio ou destaque. Aliás, caso queira se contribuir para que as dificuldades aumentem, envolva-se o trabalhador em lisonjas, aplausos, evidências. Pouco a pouco distanciar-se-ão os ideais maiores do bem no anonimato do Amor.
Depreende-se a necessidade de que os dirigentes dos Centros ou dos trabalhos mediúnicos conheçam e diferenciem essa dualidade da área de função permitindo perceber que:
1) nem todo aquele que chega à casa espírita e quer "desenvolver" mediunidade, pode fazê-lo.
2) nem todo que chega contando que vê, ouve ou sente é médium.
Se a mediunidade for generalizada: a) com alteração do padrão do pensamento, decorrente das renovações propostas na freqüência ao estudo evangélico doutrinário e por ele trabalhadas; b) pela segurança e acompanhamento que o Centro Espírita, mudar-se-ão as companhias espirituais, as influenciações. Serenado o campo mental, integra-se à casa ou parte, distancia-se do Centro em relativo equilíbrio, que nesse momento o satisfaz.
Dispondo do mediunato, persistirão, talvez até se intensifiquem sintomas, que requerendo paciência, boa vontade, humildade, estudo, direção, ao mesmo tempo libertam e disciplinam as relações corpo/Espírito.
Como ou através do que pode o Centro Espírita oferecer?
Integrar nos trabalhos mediúnicos da Educação Mediúnica, onde ao lado de cuidadoso programa de estudo, aprenderá a conhecer-se, perceber o que sente, como, de que modo a sensibilidade se ativa, controlar aproximações, sintomas, disciplinando e exteriorizando com domínio sobre o processo, o que sente e capta.
4 - Como montar um programa de estudo teórico-prático?
Cada Centro se adequará dentro da sua realidade, porém é básico que não poderão faltar entre outros temas (estudos aprofundados) como:
  • Mediunidade: definição; conceito; porque conhecê-la, importância, etc., etc.
  • Instrução - Educação: definições; diferenças; o conhecimento incorporado em atitudes.
  • Preparação do ambiente: instruir; educar; vivenciar (caráter intelectual); renovação íntima (caráter individual); educação (caráter moral).
  • O médium e sua sensibilidade: conceito de médium; conceito de sensibilidade; como identificar? como diferenciar? etc.
  • Animismo: o que é? como se apresenta? como entender? como lidar? a própria pessoa; o dirigente do trabalho; é um bem? um mal? repercussões quando se sabe, ou não, lidar com o aspecto.
  • Fluidos: o que é? sua ação; importância de conhecer; a ação do pensamento e da vontade, etc., etc.
  • Perispírito: o que é; sua importância; natureza, propriedades e função; ponto básico para o acontecimento mediúnico; O Livro dos Médiuns.
  • Mediunidade: retoma o conceito do 1.° estudo / abre para quem é médium fazendo ligação com os itens até então estudados entrando em sintonia / como agir - como mudar padrões mentais.
Nota: a partir daqui pode se iniciar os exercícios práticos que sempre serão precedidos do estudo ensinando a concentrar / a perceber e analisar o que sente / até culminar na manifestação - a ação e aquiescência, vontade do médium facilitando, dificultando ou impedindo o ato mediúnico.
  • O fenômeno através dos tempos - até a mediunidade: Pré-história; Antigo e Novo Testamento; Povos antigos; China; Grécia; Roma; Idade Média; Os precursores, Hydesville, Mesas girantes; O fenômeno e a Doutrina Espírita.
  • A Codificação Espírita
  • O Espiritismo - Princípios básicos
  • O Espiritismo - Tríplice aspecto
  • Espiritismo e Mediunidade
  • O papel do médium na comunicação
  • Mediunidade - Fenômenos psíquicos - classificação segundo seus aspectos: (a) Efeitos físicos; (b) Efeitos inteligentes.
  • Inspiração - Intuição: conceitos e diferenças
  • Mediunidade intuitiva: conceito e diferenças
  • Emancipação da Alma
  • Influência moral do médium
  • Influência da Mediunidade na saúde
  • Perda e suspensão da Mediunidade
  • Mediunidade nas crianças
  • Mistificação
  • Médiuns interesseiros
  • Mediunidade gratuita
  • Fraudes
  • Natureza das Comunicações
  • Identidade dos Espíritos
  • Evocações
  • Evolução da Fenomenologia Mediúnica - Fenômeno e Doutrina
  • Mecanismo das Comunicações - A epífise - Os centros de força
  • Sintonia Vibratória - O trabalho do médium
  • O problema mediúnico
  • A reunião mediúnica - Preparo de médiuns e dirigentes
  • Orientação para prática mediúnica
  • Educação e Vivência mediúnica
5 - Como dividir o tempo?
Também deve ficar a cargo de cada casa. Indica a prática que há um bom aproveitamento diálogo/estudo/troca entre 1h e 1h30 assim divididos: 45 minutos para estudo da Mediunidade; +/- 10 minutos para um tema evangélico e o restante para parte prática - encerramento e avaliação.
6 - Que bibliografia usar para preparo dos temas?
Livros que tenham comprometimento integral com o trabalho de Allan Kardec e que, em síntese, funcionem como elementos enriquecedores ao "Livro dos Médiuns". Poderíamos lembrar alguns como: O fenômeno espírita (Gabriel Delanne); No Invisível (Léon Denis); Fenômenos de Transporte (Ernesto Bozzano); Fenômenos de Bilocação (Ernesto Bozzano); Animismo e Espiritismo (Ernesto Bozzano); Levitação (A. de Rochas); Levitação do corpo humano (A. de Rochas); Animismo e Espiritismo (A. Aksakoff); Mediunidade e Sintonia (Emmanuel); Mecanismos da Mediunidade (André Luiz); Nos domínios da Mediunidade (André Luiz) e tantos outros autores encarnados fiéis ao pensamento doutrinário espírita.
Se a Casa Espírita se dispuser a oferecer condições, certamente caminharemos em conscientização diferente; trabalhos que visam no servir a atividade desinteressada e responsável do Amor.

Livros consultados:

  • Kardec, Allan - O Livro dos Médiuns
  • Andréa, Jorge - Psicologia Espírita - vol. 2 - 1.ª edição
  • Emmanuel - Roteiro - 3.ª edição - estudo 27
  • Emmanuel - Emmanuel - pág. 66 e 67
  • Autores Diversos - Desafios em saúde mental - estudo 17
  • Herculano Pires - Mediunidade cap. I e II
  • Joanna de Ângelis - Dimensões da Verdade - pág. 19 a 21

(Jornal Verdade e Luz Nº 170 de Março de 2000)